Depois de acabada a dominação fentom, há cerca de 250 anos, começava a chamada "Era da adaptação", que durararia um século e selaria o destino da humanidade, assim como de várias espécies alienígenas. Embora os registros recuperados do passado humano fossem esparsos e incompletos, a conclusão que se chegou a partir deles foi de que o modelo mais bem sucedido da história terrestre teria sido o da República Romana.
Decidiu-se, a partir disso, que ele seria seguido como base para o novo sistema de governo, tendo o planeta Terra como seu centro. Em MILLENIA temos, portanto, uma República jovem que, apesar de ser o principal eixo político do cenário, enfrenta vários desafios para se fortalecer, podendo representar para os personagens tanto uma aliada poderosa quanto um obstáculo para a realização de seus objetivos.
Essa complexidade torna o século XXX de MILLENIA um terreno fértil para a aventura. Personagens podem atuar como agentes oficiais, mercenários e cidadãos ou até dissidentes, e agentes independentes tentando navegar entre leis, exceções e zonas cinzentas em campanhas podem envolver desde diplomacia, espionagem e conflitos armados até a simples sobrevivência à margem de grandes estruturas de poder.
É interessante observar, no entanto, que diferente do que acontece em grande parte dos universos de ficção científica (especialmente os de origem anglófona), a influência romana aqui aparece com tons mais aventurescos do que vilanescos. Embora, claro, essas nuances possam ser exploradas pelo Mestre de Jogo, em MILLENIA, a República costuma representar, ao menos em parte, a tentativa de organizar inúmeros sistemas estelares que se recuperam do grande caos causado pela dominação fentom.
Existem oito províncias na República, além da Metrópolis, que compreende o sistema Solar. Longe de ser uma entidade monolítica, a República é atravessada por tensões internas, disputas de poder, interesses corporativos e divergências regionais. Apesar dos esforços para sua integração, há grandes diferenças que podem ocasionalmente levar a conflitos difíceis de conciliar.
Felizmente, como a pesquisa científica e a colonização de novos mundos foram retomadas, parece haver ainda muito o que reconstruir, redescobrir e explorar na galáxia e, ao menos por hora, os conflitos em grande escala se mantêm em estado de latência.
M E T R O P O L I S
Coração político e simbólico da República, Metropolis compreende todo o Sistema Solar. A Terra, sob rigorosa intervenção ambiental, abriga o Senado e é acessível apenas a cidadãos metropolitanos, enquanto a maior parte da população e da indústria se distribui entre cidades lagrangeanas, a Lua, Marte e as luas jovianas. Calixto concentra o poderio militar, e Marte, o industrial e estratégico.
Província rica, estável e distante das fronteiras, Serpens reflete o auge tecnológico e social herdado da Federação. É marcada pela prosperidade, pela paz interna e pela experimentação social, como em Liberdade IV, onde humanos geneticamente alterados se autogovernam. Também abriga Mobaeterius, planeta natal dos Guiratans, reforçando seu caráter multicultural controlado.
Populosa e economicamente forte, Perseus é uma província de fronteira estratégica, com presença militar constante devido à proximidade da Esfera de Co-Prosperidade e da Zona Neutra. Apesar da tensão geopolítica, é um importante polo de integração interestelar, abrigando o principal planeta Pierbodi dentro da República.
A província mais rica e desenvolvida da República, Orion combina tradição, poder econômico e contrastes extremos. Colonizada cedo, preserva identidades culturais humanas bem definidas, mas também concentra desigualdades profundas, com planetas paradisíacos convivendo com mundos superindustrializados, poluídos e socialmente degradados.
Forjada em guerras históricas, Sagitarius é uma província conservadora, orgulhosa de seu passado militar e de sua autossuficiência. Governada há gerações por três famílias dominantes, mantém estabilidade política rígida e sentimentos xenofóbicos latentes, reforçados pela proximidade com a Liga da Fraternidade Universal.
Uma das províncias mais antigas, Andromeda mistura avanço tecnológico com fragilidade estrutural. A influência dos Hasjari fortaleceu o ideal da Cidadania Total, enquanto a baixa densidade populacional, a fronteira com a Zona Neutra e a presença marcante de movimentos religiosos, como os neo-cristãos, criam um mosaico social instável.
Scorpius é uma província marginalizada, atravessada por tensões internas, pirataria e corrupção, consequência de sua posição estratégica pouco valorizada nas rotas comerciais. É um território instável, onde interesses religiosos, como Pax Dei, convivem com movimentos subversivos e atividades ilegais.
Província de forte tradição militar, Cancer vive sob conflito quase permanente com os Vorgans desde os tempos da Federação. Ainda assim, sustenta uma das maiores economias da República, impulsionada pelo desenvolvimento tecnológico associado aos Baikans e por uma sociedade disciplinada, orientada à defesa e à Cidadania Total.
Antigo campo de batalhas, Pegasus se reinventou como uma das províncias mais progressistas da República. Marcada por intensa miscigenação cultural, ampla aceitação de alienígenas e humanos alterados e forte influência científica dos Kuihers, tornou-se um contraponto liberal ao conservadorismo de Sagitarius.