Me chamam Tea Marcelo.
Minha lida é trabalhar com as palavras.
E palavra, pra mim, nunca é só palavra.
É imagem.
É memória.
É disputa.
É também o que faz ver.
Há mais de 10 anos, caminho entre arte, cultura e processos de aprendizagem, criando projetos, formando pessoas e articulando redes e comunidades.
Mas não se trata apenas de percurso.
Se trata de como se diz, de quem pode dizer e do que pode continuar existindo.
Trabalho a escrita como linguagem de imagem, um modo de produzir sentido, deslocar olhares e abrir outras possibilidades de mundo.
Minha prática se constrói no encontro entre ancestralidade, diversidade e invenção.
Um campo onde pensar e fazer não se separam.
A Memoriar nasce desse gesto: escrever como quem costura memória, presença e futuro.
AUTODESCRIÇÃO VISUAL | Sou uma pessoa trans negro-brasiliana, nascida no Siará. Minha pele é como o açúcar no ponto de caramelo, quente e dourada. Sou magra e alta. Tenho cabelos cacheados e pretos, que caem até a altura dos ombros. Minhas sobrancelhas são grossas e meus olhos são grandes, de cor castanha. Meus lábios são grossos e pintados de vermelho, contornando um sorriso largo com marcas de expressão. Tenho bigode ralo e pomo de Adão saliente. Visto uma camisa laranja, viva como pôr do sol. Uso um colar de contas escuras e um brinco grande amarelo, da cor de flor de girassol.