IV Seminário - Direito ao Tempo Livre, Lazer e Cultura na infância e juventude
IV Seminário - Direito ao Tempo Livre, Lazer e Cultura na infância e juventude
A aguardar deferimento do processo de acreditação para a carreira docente.
Nos dias 21 e 22 de novembro, de 2025, realizar-se-á a 4.ª edição do Seminário "Direito ao Tempo Livre, Lazer e Cultura na Infância e Juventude", destinado aos profissionais e estudantes de educação, psicologia e área social, bem como aos(às) Encarregados(as) de Educação.
Os principais objetivos do evento são: sensibilizar os intervenientes para a valorização do tempo livre e do lazer na infância e juventude, com vista à valorização dos direitos das crianças; reconhecer o papel da cultura na dinâmica educativa e pedagógica, na área da infância e juventude, possibilitando uma educação mais democrática e justa; potenciar a promoção do lúdico como instrumento de aprendizagem, de inclusão e de desenvolvimento pessoal e social, na educação não formal, informal e formal; promover práticas pedagógicas inovadoras, de modo a possibilitar o sucesso educativo dos mais novos.
O Seminário “Direito ao Tempo Livre, Lazer e Cultura na Infância e Juventude” propõe-se a ser um espaço de reflexão e debate, reunindo docentes, formadores, técnicos, estudantes e encarregados de educação em torno de temas como “tempo livre”, “lazer” e “cultura” — conceitos cada vez mais relevantes na sociedade atual.
Com a participação de especialistas de diversas áreas académicas, como Ciências da Educação, Psicologia, Literaturas e Culturas, o seminário visa enriquecer o conhecimento e a prática pedagógica dos profissionais que atuam com crianças e jovens em diferentes contextos educativos.
Os workshops e projetos apresentados, conduzidos por formadores especializados, proporcionarão experiências práticas relacionadas a áreas como literatura, cultura, raciocínio lógico, movimento corporal e expressões artísticas (musical, plástica e dramática), promovendo novas abordagens pedagógicas aplicáveis a diferentes campos de atuação e formações.
Os conceitos de tempo livre e lazer surgiram entre os séculos XVIII e XIX, inicialmente associados aos direitos laborais dos adultos e influenciados também pelos processos de migração (Pereira & Neto, 1997). Foi apenas a partir da década de 1970 que se começou a dar atenção ao tempo livre de crianças e jovens, com foco no seu aproveitamento em função do sucesso escolar. Na década de 1990, emergiram espaços de educação não formal, como os Centros de Atividades de Tempos Livres (CATL) e clubes recreativos e culturais, especialmente voltados para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Estes espaços tinham como objetivo promover a igualdade de oportunidades e oferecer novas estruturas de apoio à infância e juventude (Halpern, 1999). Atualmente, além dessas finalidades, esses contextos procuram desenvolver atividades que aliem aprendizagem e ludicidade, contribuindo para o bem-estar e o divertimento das crianças (Araújo, 2009).
Sabe-se que, os espaços de educação não formal e informal procuram ser um apoio à escola, integrando, deste modo, os objetivos previstos para a educação extraescolar, tal como previsto pela Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) (n.º 85/ 2009), a saber:
(…) permitir a cada indivíduo aumentar os seus conhecimentos e desenvolver as suas capacidades, em complemento da formação escolar ou em suprimento da sua carência; b) (…) perspetiva de educação permanente e visa a globalidade e a continuidade da ação educativa; c) (…) eliminar o analfabetismo literal e funcional; c) favorecer atitudes de solidariedade social e de participação na vida da comunidade; d) assegurar a ocupação criativa dos tempos livres de jovens (…) com atividades de natureza cultural (artigo 26.º).
As atividades de tempos livres, realizadas tanto em contextos escolares (como os recreios) quanto em contextos não escolares, exercem um impacto significativo no desenvolvimento global de crianças e jovens desde a infância. Estas experiências contribuem para a redução de comportamentos agressivos e de bullying, promovem a socialização e fortalecem as relações entre pares. Além disso, potenciam o sucesso educativo — tanto em ambientes formais quanto informais — através do desenvolvimento de competências pessoais e sociais, bem como de aprendizagens multidimensionais. Tais atividades também favorecem a consciencialização dos direitos cívicos das crianças e promovem a igualdade de oportunidades e a inclusão nas dimensões cultural, recreativa e expressiva (Bulhões, 2018; Cunha & Huhn, 2016; Espinosa & Gómez, 2006; Little et al., 2008; Pessanha, 2001; Rocha, 2016).
O contexto escolar é um espaço de grande valorização para a história de qualquer criança e jovem, pelas aprendizagens e relações estabelecidas. Neste mesmo contexto surgem os recreios como lugares de vida, onde tudo se torna possível de acontecer. Segundo Pereira et al. (1997), “para a maioria das crianças o recreio representa um espaço de grande prazer, onde elas convivem entre si, brincam, jogam, interagem, etc., favorecendo desta forma o seu desenvolvimento motor e a socialização” (p. 125). Neste sentido, há um recreio como momento de libertação e de enorme espontaneidade, desenvolvendo-se a sua personalidade (Neto, 2007). Para Pereira et al. (2013) nos recreios há múltiplas aprendizagens a nível pessoal e social, dado que permitem:
aprender a juntar-se a um grupo para jogar, aprender a escolher e a negociar as regras para esses jogos, saber lidar com vários tipos de personalidade e também aprender a manipular situações, de forma a tirar vantagens das mesmas. As crianças aprendem a socializar-se, a cooperar, a negociar, a ser assertivas e a defender os seus interesses (p. 606).
Pimenta et al. (2011) enfatizam que nos recreios as crianças não têm a possibilidade de recrear, como deveria ser suposto acontecer, dado que têm muitas limitações à partida – equipamentos, jogos inutilizáveis e zonas interditas. Para os mesmos autores, perdem-se valores essenciais ao momento de recreio. Há autores (Neto, 2007; Pereira, 2008) que chamam a atenção para a dinâmica dos recreios, pelo descuido que surge, pela desvalorização permanente e pela ocorrência de situações de bullying, sendo fundamental uma reflexão maior e uma intervenção mais eficiente e eficaz.
Segundo o projeto Recreios Na Escola – espaços de brincadeira, socialização e criatividade, desenvolvido com cerca de 400 crianças, na Vila de Rabo de Peixe (São Miguel – Açores), com crianças do pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico, promove uma infância mais rica e inclusiva, através de atividades lúdicas, artísticas e culturais. Estimula valores, criatividade, afetos e reduz comportamentos agressivos. Envolve as crianças de forma autónoma e oferece aos formandos uma prática educativa significativa, reforçando a importância da liberdade, da expressão e da valorização cultural (Bulhões, 2024).
A animação educativa configura-se como uma forma de intervenção no campo da educação, favorecendo o desenvolvimento integral de crianças e jovens por meio de diferentes recursos. Atualmente, desempenha também um papel relevante na valorização turística, artística e cultural da Região Autónoma dos Açores (RAA). Este impacto reforça a compreensão de que a educação não se limita ao espaço escolar, podendo (e devendo) estender-se a contextos de educação não formal e informal, onde se promovem relações, capacidades, oportunidades e aprendizagens significativas. As atividades de animação — de natureza lúdica, artística e cultural — oferecem inúmeros benefícios a nível pessoal e social, contribuindo para uma infância e juventude mais ricas e com maior qualidade de vida. Através da arte (como o teatro, a dança e a música), crianças e jovens têm a oportunidade de transformar as suas experiências, desenvolvendo competências pessoais como a autoestima e a autoconfiança. Já a ludicidade — expressa na brincadeira livre, no jogo e na recreação — permite-lhes criar mundos imaginários que estimulam aprendizagens essenciais ao seu percurso de vida e académico. Por sua vez, a cultura, enquanto expressão de modos de vida, valoriza o contexto, as relações, os grupos, os valores e as tradições, conferindo às atividades de animação um profundo sentido de inclusão e pertença. Através dela, promove-se uma educação mais democrática, justa e inclusiva, essencial para a construção da identidade das novas gerações (Bulhões, 2025).
Livro de Resumos
Os oradores convidados irão contribuir para aprofundar os conhecimentos teóricos e académicos acerca das temáticas em destaque no Seminário - tempo livre, brincar, lazer, cultura, educação inclusiva, filosofia para crianças e expressões. São especialistas - docentes e investigadores - em diferentes áreas, como as Ciências da Educação, Psicologia, Filosofia e Literaturas e Culturas, e trarão, assim, um olhar multidisciplinar sobre a infância e a juventude, fazendo com que os presentes (estudantes, profissionais de educação e outros, encarregados de educação) possam enriquecer e potenciar as suas práticas e os seus estudos, com base em momentos de partilha e de debates coletivos.
Miguel Filipe Esteves é licenciado pela Universidade dos Açores em Educação de infância, em 2007. Desempenha funções desde essa data, na Creche e Jardim de Infância “A Estufinha”, valências do Centro Social e Paroquial de Fajã de Baixo, em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel – Açores . Apaixonado por livros infantis, começou a contar estórias no grupo “Histórias Riquinhas”, que uma vez por mês se desloca à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada para sessões de contos. Durante o confinamento, em tempos de pandemia, criou a Página no Facebook “Histórias em casa por um final feliz” e um canal no Youtube com o mesmo nome para fazer chegar estórias a casa ao maior número de crianças possível. Foi parceiro da Associação de Dislexia do Pólo dos Açores, marcando presença em algumas formações organizadas por esta mesma Associação, onde promoveu workshops para a exploração de estórias infantis abordando o livro nas diversas áreas de conteúdo.
Participou como orador no Seminário “Literatura na infância”, no âmbito da III Edição da Semana da Criança, promovido pela Autarquia da Lagoa. Atualmente, tem o seu Projeto “Miguel das Estórias” onde dinamiza sessões de contos em Creches, Jardins de infância, Escolas, CATL, Bibliotecas, Pediatria do Hospital e em alguns eventos organizados por entidades, levando estórias e música às crianças. É também mediador de leitura da Editora The Poets and Dragons Society onde promove os livros da Editora, através de sessões de estórias nas escolas.
Os moderadores promoverão a apresentação dos oradores das conferências e dos painéis em destaque, de forma a estabelecer uma moderação potenciadora de debate e de partilha de experiências formativas. Será um contributo valioso e indispensável para o sucesso do Seminário. Estes foram convidados de acordo com a sua experiência profissional e académica, em diferentes áreas do saber.
Os projetos têm como base a elaboração de um plano de trabalho orientado para a concretização dos objetivos, seguindo a missão de “prever, orientar e preparar bem o caminho do que se vai fazer, para o seu posterior desenvolvimento” (Serrano, 2008, p. 16).
Com esse propósito, os projetos desenvolvidos nas áreas da cultura, da inclusão e do exercício físico, na infância e juventude, pretendem revelar que o percurso, as etapas e as conquistas alcançadas fazem parte do sonho de transformar vidas e de criar novas oportunidades educativas, culturais e sociais.
Os workshops proporcionarão uma dinâmica prática ao Seminário, constituindo uma oferta diversificada e enriquecedora a nível pedagógico, através de diferentes áreas de intervenção educativa com crianças e jovens como – música , literatura, desenvolvimento pessoal, exercício físico, dança, ciência e artes plásticas e circenses. Conduzidos por formadores especializados, estes momentos aliam a ludicidade e a aprendizagem, estimulando a partilha de saberes e as vivências.
Participe e descubra novas formas de aprender, sentir e viver!
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IV SEMINÁRIO "DIREITO AO TEMPO LIVRE, LAZER E CULTURA NA INFÂNCIA E JUVENTUDE"
Entrevista - Açores Hoje
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As inscrições decorrerão até ao dia 17 de novembro de 2025, havendo um número limitado de participantes nos workshops (deverão registar quatro opções de preferência).
Caso haja desistência de participação, solicitamos informação para o e-mail: seminariormcatl.rg@gmail.com
João Dâmaso Moniz e Paulo Bulhões
Helena Raposo Henrique Branco Rafael Sousa Rita Furtado Miguel Simas Sandra Cordeiro