ARTE, ASTROFÍSICA E METAFÍSICA
Para os cientistas, o universo se explica pela matemática. Eles estão quase certos. Para mim, o cosmo se entende pela arte. Estou quase certa, também. Para os povos, de modo geral, a cosmologia e a teogonia (origens do universo e dos deuses) ocorre pelas mitologias. Costumo comparar as percepções da realidade com as cores do arco-íris: nossa visão de mundo é captada pela luz, mas normalmente não vemos as sete cores em tudo que olhamos. Existem formas diferentes de captar, perceber, descrever, entender. Existem filtros diversos para a verdade: filtros físicos, mentais, sociais, psicológicos, emocionais, racionais, históricos, para citar sete.
A temporalidade desta crônica de hoje explodiu-me como um big-bang quando li que o MASP (Museu de Arte de São Paulo) apresenta uma exposição do pintor francês Paul Gaugin com uma abordagem dita ‘crítica’ e ‘contemporânea’, segundo a qual as obras do autor feitas durante sua permanência no Taiti são agora, cem anos depois, consideradas de cunho de exploração sexual, pois as mulheres são retratadas com os seios à mostra. A contemporaneidade, que resgata raízes indígenas e africanas essenciais, por um lado, peca, por outro, por certa necessidade de atacar bagagens europeias, e exagera quando criminaliza obras: eis o caso de ‘descobertas contemporâneas’ como a de escravidão em tia Anastácia, ou discurso machista em Manuel Bandeira. Parece, nessa óptica contemporânea, que todas as obras clássicas são atentados. No caso da pintura de Gaugin, agora se considera as figuras nativas femininas _ aliás, quadros que considero belíssimos _ como “um tipo de representação exótica, folclorizante, e que, de certa forma, reduz, sendo por vezes preconceituoso e racista”, segundo depoimento de um dos responsáveis pela curadoria brasileira da mostra. Tal crítica, a meu ver, trata-se de uma forma de modismo de subjugar a cor de Gaugin, embora as obras mais antigas gregas e romanas já explorassem muito o corpo humano nu, feminino e masculino, como expressões do belo.
A minha visão estética, ao contrário, não se comprime em seio bom ou seio mau, como a psicanalista Melanie Klein tão bem aborda sobre a construção do comportamento humano em
relação ao prazer e à frustração. O seio nu atrai-me para a problematização da força gravitacional que o seio materno exerce sobre a mente humana, tamanha força que distorce até o espaço tempo das obras, com um desvio de sinal vermelho e preconceitos. Prefiro o desvio para o azul. Vou explicar a seguir.
A Física Cósmica estuda o movimento do universo a partir da radiação da diferença de comprimento de ondas captadas da luz. Ao extremo do espectro das sete cores situam-se o vermelho e o azul. À medida que uma estrela se distancia ou se aproxima de nós, a onda de luz também se alonga ou se comprime. Galáxias muito distantes, cujas ondas de luz se distenderam já demais pelos bilhões de anos do universo, geram um efeito Doppler com desvio para o vermelho (a onda de maior comprimento é a que ainda captamos). Já uma galáxia que se aproxima da nossa vai comprimindo o espaço tempo, de modo que o azul, onda de menor comprimento, é captada.
Resumindo muito o extenso e incompreensível cálculo de astrofísica relativista, o sinal vermelho traduz-se em ‘afaste-se de mim’, ao passo que um sinal azul significa ‘ estou indo ao seu encontro’. O mais interessante ainda é que nas imagens da Física correspondentes a estes fenômenos aparecem formatos, imaginem só, semelhantes a seios! Deixarei nas postagens de fotos que acompanham esta crônica crítica. A matemática física também faz arte e até poesia.
Observem esses detalhes de cores do quadro de Gaugin - As Taitianas - que coloco abaixo.
Ao abarcar uma percepção filosófica da física, eu diria que o vermelho que afasta expressa o ódio a um seio mal. Para a linguagem do amor, eu fico, neste contexto, com o azul! Vocês vão entender ainda melhor na frase final deste texto. Afinal, segundo a física, agora é igual a agora, e em seguida é igual a em seguida. Juro! Essa equação é física!
Voltando a Gaugin, gosto da árvore azul e das roupas vermelhas, gosto de corpos nus, gosto da feminilidade dos seios.
Um certo olhar de bondade para a arte não deve jamais ser afastado. Arte se olha de perto, no espaço tempo metafísico de ter entusiasmo, ou seja, etimologicamente, com um olhar onde caiba Deus.
Texto produzido por mente humana (a minha) com ruptura proposital de padrões textuais para que Inteligência Artificial não copie, ainda.
O TUDO, O NADA E AS CORES DA CALMA
Encontro-me em estado de estupefação com as imagens que vi das últimas fotos coloridas de alta resolução do planeta vermelho, Marte, capturadas pela nave rover chinesa Zhurong. Inacreditável, mas tudo que eu vi foi… o nada. E olhem que sou uma apaixonada por pareidolia. Vou explicar, calma! Paredolia é um fenômeno neuropsicológico que leva a mente humana a reconhecer um objeto familiar em um estímulo aleatório, como em uma mancha. Graças a esse fenômeno, achamos imagens de anjinhos e carneirinhos no formato de nuvens, por exemplo. Eu adoro ver coisas em todas as coisas: não apenas ver a coisa que a coisa é, como uma poça de água no meio da rua, como também identificar nela alguma semelhança com uma flor, uma cara de animal, ou até os olhos do ser amando. Apesar desta minha queda pela projeção do inconsciente, na superfície de Marte eu não vi realmente nada. Esse vazio existencial me abalou. Como uma visão interplanetária pode ter me decepcionado tanto?
Não bastasse a desilusão com os seres verdes com antenas (assim acreditavam ser os marcianos), para completar minha desilusão percebi que a função da palavra ‘calma’ exclamada no meio de uma conversa calorosa não é um pedido de tempo para o falante reorganizar suas ideias. Muito mais do que isso, ‘Calma!’ é uma estratégica de persuasão e exercício de comando de poder, no qual o requerente visa desviar o assunto de um tema que ele não quer responder e quer que você não aborde. Em outras palavras ‘ calma!’ poder ser usado como um imperativo ‘Cale-se!’. Parece absurdo, mas, tenha calma e avalie as vezes em que te pediram calma.
Como texto e imagem são ambos formas de linguagem, e como tal, elementos de disputa de poder, optei por um papo ameno com Friedrich Wilhelm Nietzsche, um sujeito mal compreendido, meio gauche como Drumond, que pregava uma felicidade realizável enquanto muitos só percebiam nele a negação da existência. Para o filósofo ( 1844- odeio datas, odeio catar migalhas de informação no Google. E a obra dele está viva aí), felicidade é “o sentimento de que o poder cresce, de que um obstáculo é superado", conceito que sempre me traz o paralelo de se ver a pedra do caminho Drumoniano chutada para trás. Se há um poeta nietzcheniano no Brasil, só pode ser nosso bardo mineiro. Tanto o filósofo quanto o poeta buscavam a utilidade na vida, o outro lado da solidão do efeito boi no campo. Esse reverso, só se atinge quando se alcança um sentido para a vida.
Para arrancar logo a pedra marciana, vou simplificar: a vida precisa ter significado! Com ou sem calma, não tente me desviar do assunto! O que se precisa é de significado para as palavras, as imagens, a existência e até o vazio! Como preciso rever o meu significado no seu olhar! Aliás, esta é a única maneira de se entender o universo e o buraco negro. Tudo tem um sentido, um significado, uma visão passageira e volátil da felicidade.
Gostava tanto quando seus olhos me capturavam!
Assim, meus amigos, calma. Não vou responder o que vocês querem saber. Vamos falar de outra coisa, pois assim as águas desviam-se das pedras e alguma matéria, de fato, escapa da gravidade do horizonte de eventos do buraco negro.
Enfim, uma fotografia espacial com alguma esperança. Um poema, finalmente, será escrito e lido. Calma, o sentido é que ele seja declamado para que você veja, ouça e entenda o poder do amor que lhe dedico
DISTÂNCIA
Por definição, distância é comprimento do segmento de reta que liga dois pontos. Seria simples, se a má temática física governasse também a do destino e ele não fosse escrito por linhas curvas, espirais, tortas, rasgadas, apagadas ou jamais traçadas.
A palavra distância vem do latim, cuja etimologia se refere a estar longe, afastado. Para entender, eu parto (do verbo partir, ir para longe) do princípio de que a distância é sempre tetravalente: envolve o espaço, o tempo e dois corpos.
A distância dista da ânsia, da vontade e do entusiasmo. Nenhuma distância liberta; ao contrário, ela é uma prisão ao inverso: prisão da ausência de grades, ou melhor, uma prisão pelas grades da ausência.
A única maneira de enganar a distância é a ilusão da luz. A ilusão de brilho das estrelas que trazem bilhões de anos para o agora, assim como o brilho entre os olhos traz a ilusão de confluência e permanência. Talvez venha dessa ilusão o conceito de abstrato _algo que foi afastado, puxado para fora_ justificando, assim, esse meu estilo de pintar abstrato e de escrever metaforicamente, tentando ver e dizer algo que fica faltando, meio equivocado no espaço e no tempo sem saber se existe ou não. Às vezes, a inexistência vai para a lágrima; outras vezes, para o silêncio; outras, para as cores, essa ilusão da luz. Essa coisa, indefinível, que vaga sem destino e dói é o que chamo de arte, um estado permanente de gozo, não gozado, um estado intocável, um estado em que a única coisa que existe é a vida que me toca.