PREFÁCIO PARA O LIVRO MAIS COR POR FAVOR
de Solange Figueiredo
Cor: o deslumbramento da luz!
Exuberância e euforia de um Uni-verso penetrável aos olhos humanos pela poesia da percepção. O mistério do tempo sem fim, o desdobramento do espaço sem fim, a criação e a vida, enfim, contidos, ali, em cada rio de luz cósmica, que perdura na eternidade da viagem entre mundos, desde a primeira estrela a brilhar no céu primordial.
A cor é um absurdo!
Complemento perfeito de tudo que habita entre o branco e o preto, entre a claridade e a escuridão: Yin e yang em todas as manifestações da paz, do amor e da união.
E a cor, também, é uma quebra, uma ruptura, um declínio da unidade da luz.
A luz, branca, aparentemente branca, em seus segredos, resulta da mistura de todas as cores! Sete cores, infindos tons, coesos, lado a lado, percorrendo mistérios ainda insolúveis, pela Física. A ilusão de uma cor advém de uma reflexão, de uma única ideia, diria, dentro da tecitura da luz. Assim, é, também, uma absorção da amplitude de diversidade de ideias em forma e nuances, que qualquer objeto recebe da luz. A maçã do paraíso era vermelha? Por quê? A maçã não tem cor. Nada tem cor própria! O vermelho, ou o verde, de uma maçã não estão na fruta, e, sim, na dualidade absorção/reflexão que se instaura sobre o objeto ao efeito da incidência da luz branca. Ao encontrar um objeto, as cores que compõem a luz são absorvidas pela superfície, e lá permanecem absortas, exceto por uma fração desse raio de luz, que se expõe e se reflete de volta. Sobre uma superfície se devolve o azul, por exempli; sobre outra, o laranja; sobre outra, o violeta. Uma das sete cores básicas salta da onda e dá cor ao objeto, enquanto as outras cores do espectro se recolhem, como uma espécie de silêncio invisível.
Aos olhos compete a interpretação do multifacetado arco-íris. Eu ouso olhar além. Eu imagino. Imagino o céu vermelho, o mar amarelo, as árvores azuis! Por que não? Estão todas as cores lá, absorvidas. Se a folha me devolve o verde, ou se olhos recebem apenas a reflexão da onda verde, então, onde, onde se escondem as demais cores? Será que outros olhos, diferentes dos humanos, perceberiam as cores que ficam absorvidas nas coisas?
Assim, de certa forma, operam também as palavras: apenas uma representação simbólica do objeto a que designam. Quantas palavras não caberiam numa mesma palavra?
Há palavras ácidas necessárias para que o vinagre das letras limpe o mofo dos preconceitos. Há palavras doces, também, necessárias, para que as metáforas do amor incendeiem os intervalos do silencio,
Em cada cor existe uma onda de paixão, ódio e indiferença. Há paixão e ira no vermelho. Há paz e solidão no azul, há amizade e ciúme no amarelo. Há esperança e indiferença no verde.
São os nossos olhos que recebem a parcela de luz que queremos ver nas condolências e nas celebrações com que abrimos nossas lentes óticas para o mundo.
As cores são um absurdo espatifado, ou um maravilhamento da dádiva da doação que a luz faz de si mesma, para ofertar a cada pedacinho do universo a riqueza da diversidade, da multivisão, da divisão fraternal do amor e do desapego do ego.
Filha da escuridão e da luz, a cor é uma humilde lição de diversidade.
Assim, também, é uma antologia: fragmentos refletidos de cada autor, de cada palavra, de cada ideia. Fragmento de alegrias, de magias, de mágoas, de mentiras, de verdades, e até de poesia, que um(a) escritor(a) reflete entre tantos silêncios que absorve.
Neste livro, predominantemente, de autoria feminina, fico a imaginar a cor com que cada poeta pintaria cada uma de suas palavras! Como seria linda uma página toda escrita em letras nas mais variadas cores!
Ler é decifrar o arco-íris escondido em cada alma, ao recebermos apenas uma cor preta refletida (melhor dizendo, absorvida) sobre a brancura do papel. Todas as cores estão lá. Entre o preto e o branco de cada página, todas, todas as cores estão contidas nos reflexos do amor que entregamos ao mundo na ternura da poesia.
Que esta obra seja a luz de cada autora, seja clarão de vida, seja Sol em cada palavra escrita! Que cada texto ilumine cada coração, e que cada cor-ação reflita comunhão com a paz.
Carmem Teresa do N. Elias
Docente Pós graduada em Letras( Inglês/ Português)
Pesquisadora e palestrante em Literatura Comparada e Gêneros Textuais
Escritora e Artista Plástica
PREFÁCIO PARA O LIVRO ESTÁTUAS DE BRONZE
de Gisele Sant'Ana Lemos
Tengo miedo a perder la maravilla
de tus ojos de estatua,
( Frederico Garcia Lorca )
Fixos e secos . Estanques. Nada me impressiona mais em estátuas que seus olhos. E apesar da rigidez metálica isenta da realidade de lágrimas, esses olhares fecundam-nos quando nos fitam e absorvem um ínfimo instante de nossa vida para uma eternidade tridimensional no abismo entre a morte e a memória.
Se uma existência está ali perpetuada e, muito além da forma, concede-nos para sempre o conteúdo de uma vida e patrimônio imaterial de sua arte, afinal, de que são feitas ?
O bronze ? Não há pureza no bronze .. é produto de uma liga de variados metais, talhada por mãos humanas, capaz de exercer um divino domínio sobre a forma, a existência e a supremacia da permanência ao tempo.
Uma estátua é, assim, uma liga. E um lia-me.
Uma liga capaz de consolidar a matéria ao imaterial, o homem à sua história, o passado ao patrimônio , o silêncio ao eco memorável dos feitos, dos escritos, do realizado.
Se do bronze na antiguidade cunharam-se armas, destas sucedeu-se a arte, a arte de esculpir, modelar, lapidar, polir e ‘dourificar’- envolver com aura de resistência o brilho de vidas cujos legados moldam as nossas com seus exemplos.
Mas toda arte é diálogo. E hoje é nossa vez de retribuir àqueles olhares com nossas visões. Aqui neste livro fundem-se 38 escritores ao brilhos de seus homenageados. Arte que se funde à arte, plasticidade à palavra, história ao reconhecimento. Assim dá-se liga nesse uni-verso:
“Para a perfeição do criador revelada, não mostra a angústia da dor, na ânsia de permanecer com o mundo nas mãos.
Ao som do bronze Entre a triste partida que resvalesce na música tecem -se dúzias de versos aos passos dos gigantes. O que há escondido? Ah, deixa falar, que se de a notícia! Ele morreu ? O representante do choro brasileiro ? O menino gigante de Belo Horizonte ? O rei da bola de três corações ?
É vero. É Veríssimo! É Rosa do povo e sentimento do mundo . É arte . É cultura, cultura ! É nada em Oxalá ! É mulher e sua luta . É flor da morte . Música, apesar do lamento . Foge de todas as explicações do mundo, para um espaço aberto e descontraído, pertinho da minha casa...fica só olhando o mar nessa ausência perpetuada de luz em horas de estrelas.
Que coisa louca é ser escritor ! Ao mesmo tempo gota e oceano nessa vida de bronze com perfume de almas . Encontro marcado com amigos das letras , com as conquistas e liberdades de um lugar merecido para desanuviar o corpo das inquietudes .
Por onde começar ? Simples, com uma conversa com quem vive em outra dimensão, com esses anjos de pedra que noutro mundo ainda por aqui nos abraçam. Alvorada aos corações gratos pela luta, resistência e retidão. De repente, uma vida, uma obra, uma estátua, um verso, um livro, o conteúdo que parecia faltar aos olhos parados “.
Por tudo isso é que concluo que as estátuas choram. Choram no ardor abrasador dos metais nas temperaturas extremas do derretimento. Choram na modelagem liquefeita em fusão. Choram aqui e nas esquinas do mundo. Choram no amálgama do tempo e do silêncio que cede voz a quem agora ecoa poemas como ferreiros das palavras e e guardiãos das memórias, das tradições e da história.
Aos escritores e realizadores deste livro, gratidão .