Em alusão a famosa canção que leva o mesmo nome, “se você duvida eu vou sonhar pra você ver”. Zabelê, para nós é sonho: é adentrar pelas veredas do mundo onírico das infâncias. Nesse devir nos colocamos a sonhar. Sonhar como ato político de atuar, simultaneamente com o pé no chão que só a prática proporciona e com as asas da imaginação, em constante reflexão.
Zabelê significa pássaro de canto forte e aqui, entoamos com nossas vozes o que clama nosso espírito: o direito às infâncias. Infâncias de bem querer, de brincar sem hora para acabar, de se esbaldar na novidade do mundo, de criação de cultura e construção de saberes. Zabelê é pássaro, símbolo de união entre céu e terra em seu eterno movimento encantatório de ir e vir, para cima e para baixo, para o além e para as profundezas. Pássaro que nos remete à liberdade, em seu voo despreocupado, algo que nós, como humanos não experienciamos. Crianças em seu brincar imaginativo e formativo, em seu tempo não cronológico, algo que nós como adultos nos inclinamos com encanto e com o dever de respeitar e preservar.
Zabelê é pássaro brasileiro, que caminha e avoa por aí afora, nos (re)lembrando de nossa terra, de nosso pertencimento, das raízes que aqui fincamos, raízes estas nutridas por tantos e tantas que vieram antes de nós. Zabelê é pássaro de mistério, que nos acorda para os caprichos da natureza, ao colocar cor em seus ovos. Zabelê é engenhosa, e nos mostra a potência da materialidade que a natureza nos dá, coleta folhas e ajeita, uma a uma, montando seu ninho: lugar de afeto e nutrição, onde se originam novos seres, novas Zabelês.
Que possamos aqui, exercer esse ciclo, de troca, cuidado, afeto e assim, originar um espaço em que possamos pensar as infâncias, nos permitindo sonhar alto, aladas de esperança.