Zabelê nasce da curiosidade de duas educadoras a respeito das infâncias. Curiosidade enquanto “inclinação ao desvelamento de algo”, como nos diz o mestre Paulo Freire. Zabelê surge como uma forma de dedicarmos nosso amor e comprometimento com as infâncias, por meio de ideias, posicionamentos, práticas, propostas e, principalmente, trocas. O nosso primeiro passo foi criar uma página no Instagram com o objetivo de desvelar com nossos pares a potência das infâncias. Assim, iniciamos esse perfil como um canal de troca, de escuta e conexão por meio do qual pudemos construir saberes e ampliar nossos olhares sobre as possibilidades e desafios acerca da educação. Na página estamos com vocês, - educadores, famílias e curiosos - compartilhando contextos e reflexões que se alinham com desejos de pesquisa, bem como fases de desenvolvimento das crianças.
Com a pandemia e as trocas propiciadas pela página, percebemos a ascensão de debates acerca de demandas sobre o brincar, o conviver, os espaços, tempos e relações. Tais demandas, que já eram pautas de nossas reflexões, passaram a nos atravessar de modo a nos convidar a outras atuações, para além do virtual. A pandemia nos impôs a necessidade do distanciamento social, o que levou nossas relações a se apequenarem em telas. Essa circunstância escancarou o quanto somos seres relacionais: precisamos uns dos outros para sermos.
Como nos diz Vygotsky “através dos outros, nos tornamos nós mesmos”, para ele, a criança se desenvolve a partir de suas relações, com os outros e com o mundo. Além disso, a primeira infância, compreende um período muito importante do desenvolvimento humano, da separação entre o eu e o outro, da constituição desse Eu e de sua relação com o mundo. A partir dessa concepção, é possível compreender a grandeza dos impactos do isolamento social na vida destes seres que estão em constante desenvolvimento, mas com seu meio interacional reduzido.
Assim, passamos a nos encontrar com algumas crianças individualmente e em pequenos grupos que já estavam se vendo. Nesse momento em que as crianças foram tão afetadas pela falta dos encontros, ficou muito claro para nós, enquanto educadoras, a importância e a responsabilidade de propiciar momentos de convivência e brincar com a companhia do outro, com todo o cuidado requerido, como caminho de minimização dos danos do isolamento. No fim das contas, a página virtual que se propõe a pensar as infâncias, se ampliou para um espaço físico onde as crianças possam também exercer seus direitos e sua cidadania, desfrutando de uma infância bem vivida.
Desse modo, renasce Zabelê agora, um espaço de pensar e VIVER as infâncias.