Em um mundo cada vez mais complexo, desigual e fragmentado, a Agenda 2030 das Nações Unidas desponta como uma bússola ética para orientar ações globais rumo ao desenvolvimento sustentável.
Dentre os seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes emerge como o coração pulsante dessa transformação, pois reconhece que não há sustentabilidade possível sem justiça, inclusão e diálogo social.
Mais do que a simples ausência de guerra, a paz, no contexto do ODS 16, significa a construção ativa de sociedades baseadas na confiança mútua, na proteção dos direitos humanos e na resolução pacífica dos conflitos. A justiça é entendida como acesso efetivo, igualitário e desburocratizado aos direitos fundamentais, e as instituições eficazes como pilares da democracia e da cidadania.
A concretização do ODS 16 exige a promoção de métodos que transcendam a litigância tradicional. A conciliação, a mediação e a justiça restaurativa são instrumentos fundamentais nesse processo. Eles permitem que os conflitos sejam resolvidos de maneira colaborativa, respeitosa e empoderadora, reforçando o protagonismo das partes e reduzindo o desgaste emocional e financeiro que o embate judicial gera.
À luz da teoria da justiça de Amartya Sen, que privilegia a remoção prática das injustiças concretas, métodos autocompositivos como a mediação e a conciliação se mostram mais do que alternativas processuais: são expressões vivas de uma justiça que liberta, amplia capacidades e concretiza a liberdade substantiva dos indivíduos.
No Brasil, iniciativas como o Sistema Multiportas do Judiciário e os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSCs) representam passos importantes rumo à implementação desse ideal. Contudo, é fundamental que haja investimento contínuo em educação para a paz, formação de mediadores e mediadoras qualificados, e fortalecimento das práticas de escuta ativa e comunicação não violenta.
Construir uma cultura de paz, justiça e instituições eficazes é um compromisso diário. É escolher, em cada conflito, a via do respeito, do entendimento e da cooperação. É compreender que a paz sustentável nasce da justiça acessível e que uma sociedade mais justa se faz com diálogo, inclusão e participação.
O futuro que queremos — para o Brasil e para o mundo — só será possível se tivermos a coragem de investir na construção de pontes em vez de muros, na transformação de conflitos em oportunidades e na promoção de uma justiça que, mais do que punir, construa paz.
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