No ano de 1980, a dupla já havia diminuído bastante suas atividades, atendendo apenas a convites eventuais.
Um desses convites foi para a participação no show intitulado “A Grande Noite da Viola”, realizado no dia 20 de junho de 1981, no Maracanãzinho, na cidade do Rio de Janeiro.
O casal ansiava pela participação no evento, que contaria com nomes importantes da música caipira do país, como Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco, Irmãs Galvão, Milionário e José Rico, entre outros.
Inhana.
Acervo Museu Municipal de São José do Rio Preto - SP.
Em 11 de junho, no entanto, a nove dias da apresentação, Inhana sentiu um mal-estar e procurou ajuda em uma farmácia próxima à sua casa, no bairro do Ipiranga em São Paulo. De lá, foi levada pelo farmacêutico ao Hospital Leão XIII e faleceu às 16h30 do mesmo dia. O laudo indicou “complicações cardíacas” como causa da morte.
Em 20 de junho, o show no Maracanãzinho aconteceu e contou com a presença de Cascatinha que, junto aos outros artistas, prestou homenagem à companheira cantando “Índia”, o maior sucesso da dupla.
Jornal não identificado - 12/06/1981.
Acervo Museu Municipal de São José do Rio Preto - SP.
Jornal não-identificado - 13/06/1981.
Acervo Museu Municipal de São José do Rio Preto - SP.
Recortes de Jornais - 1981.
Acervo Museu Municipal de São José do Rio Preto - SP.
Jornais não-identificados - 1981.
Acervo Museu Municipal de São José do Rio Preto - SP.
O casamento e a parceria artística estabelecida com Cascatinha legou à Inhana um lugar recorrente na sociedade naquele período: o de parceira de um homem.
Em quase todas as reportagens com a dupla, seja em jornais, revistas ou arquivos audiovisuais, o domínio da narrativa é sempre de Cascatinha.
Ao contrário do que ocorre com as músicas, a voz de Inhana é praticamente calada nas entrevistas. Sua fala aparece apenas em pontuais momentos, nas poucas vezes em que o entrevistador faz uma pergunta diretamente a ela.
Longe de desconsiderar ou diminuir a potência da dupla, conhecer Inhana para além de suas relações amorosas ou profissionais, é reconhecê-la como mulher e protagonista de sua própria história.
Por enquanto, a carência de fontes ainda dificulta esse caminho, mas estabelecido o compromisso. Novas pesquisas podem continuar nessa busca.
Jornais não-identificados - 1981.
Acervo Museu Municipal de São José do Rio Preto - SP.
Contribuição de Neuza Maria sobre a condição da mulher negra na sociedade.