Unidade mínima grupo de palavras (sintagma).
Sujeito
Esta função sintática é sempre obrigatória numa frase em Português, no entanto pode ser explícito no enunciado ou ser implícito na medida em que é de realização nula.
O poeta escreveu um soneto.
Declamámos o poema com convicção. (de realização nula - nós).
Há cinco tipos de sujeito em Português:
sujeito simples - O poeta escreveu um soneto.
sujeito composto - O poeta e o ator declamaram a ode.
sujeito nulo subentendido - Declamámos o poema com convicção. (= Nós)
sujeito nulo indeterminado - Assaltaram o carro durante a madrugada. (Quem? Não se sabe.)
sujeito nulo expletivo - Choveu durante três horas. (Trata-se de uma 3.ª pessoa gramatical que nunca se expressa, pois o verbo é impessoal. (*Ele choveu. - Sim, é uma terceira pessoa gramatical, mas não admite pronome pessoal de sujeito antes do verbo, por isso a frase seria agramatical com esse pronome.)
Quando se tem dúvidas, a estratégia é perguntar: Quem?
Ex.: Quem escreveu o soneto? O poeta. | Quem declamou a ode? O poeta e o ator.
Há orações que também podem desempenhar a função de sujeito, como o exemplo seguinte:
Quem faltar ao exame não transita de ano.
Vocativo
Esta função sintática é usada quando se pretende interpelar ou chamar o interlocutor, pelo que surgem em frases do tipo exclamativo, imperativo ou interrogativo:
Escreveste um poema sublime, poeta!
Poeta, declama lá esse poema!
Declama lá, poeta, esse poema!
Declama lá esse poema, poeta!
Escreveste esse poema, poeta?
A sua posição na frase pode ser inicial, medial ou final, sempre separada por vírgula.
Predicado
Esta função sintática é essencial à frase. É desempenhada por um grupo verbal que pode ser constituído por um verbo ou pelo verbo pelos complementos que lhe são obrigatórios, dependendo para o efeito se o verbo é intransitivo, transitivo ou copulativo.
O poeta adormeceu. (verbo intransitivo)
O poeta escreveu um poema. (verbo transitivo direto)
O poeta ofereceu o poema ao público. (verbo transitivo indireto)
O poeta é famoso. (verbo copulativo)
Complemento direto
Esta função sintática é obrigatória aos verbos transitivos diretos.
O poeta adormeceu. (verbo intransitivo)
O poeta escreveu um poema. (verbo transitivo direto)
O poeta ofereceu o poema ao público. (verbo transitivo direto e indireto)
O poeta é famoso. (verbo copulativo)
Logo, as frases 1 e 4 não contêm um complemento direto, porque o verbo não obriga a isso.
O complemento direto pode ser sempre substituído por um pronome do complemento direto (-o, -a, -os. -as) ou por um pronome demonstrativo (isto, isso, aquilo).
O poeta escreveu-o. | O poeta escreveu isso.
As orações também podem desempenhar a função de complemento direto, como no exemplo seguinte:
O poeta escreveu que adormecia tarde. = Ele escreveu isso.
Logo, a oração "que adormecia tarde" tem a função de complemento direto.
Quando se tem dúvidas, a estratégia é perguntar: O quê?
Ex.: O que escreveu o poeta? | O poeta escreveu o quê?
O soneto.
Complemento indireto
Esta função sintática é obrigatória aos verbos transitivos indiretos
O poeta adormeceu. (verbo intransitivo)
O poeta escreveu um poema. (verbo transitivo direto)
O poeta telefonou ao seu editor. (verbo transitivo indireto)
O poeta ofereceu o poema ao público. (verbo transitivo direto e indireto)
O poeta é famoso. (verbo copulativo)
Logo, as frases 1, 2 e 5 não contêm um complemento indireto, porque o verbo não obriga a isso.
O complemento indireto pode ser sempre substituído por um pronome do complemento indireto (-lhe, -lhes).
O poeta telefonou-lhe.
O poeta ofereceu-lhe o poema.
As orações também podem desempenhar a função de complemento indireto, como no exemplo seguinte:
O poeta ofereceu o poema a quem assistiu ao sarau.
Logo, a oração "a quem assistiu ao sarau" tem a função de complemento indireto.
Quando se tem dúvidas, a estratégia é perguntar: A quem?
Ex.: A quem ofereceu o poeta o poema? | O poeta ofereceu o poema a quem?
Ao público.
Complemento agente da passiva
Esta função sintática é obrigatória aos verbos transitivos diretos na voz passiva.
O poeta adormeceu. (verbo intransitivo)
O poeta escreveu um poema. (verbo transitivo direto) - Um poema foi escrito pelo poeta.
O poeta telefonou ao seu editor. (verbo transitivo indireto)
O poeta ofereceu o poema ao público. (verbo transitivo direto e indireto) - O poema foi oferecido ao público pelo poeta.
O poeta é famoso. (verbo copulativo)
Logo, as frases 1, 2 e 5 não podem ser transformadas em frases passivas, porque não têm verbos transitivos diretos que selecionam um complemento direto na voz ativa.
As orações também podem desempenhar a função de complemento agente da passiva, como no exemplo seguinte:
O poema foi oferecido por quem declamou o poema.
Logo, a oração "por quem declamou o poema" tem a função de complemento agente da passiva.
Estratégia de identificação: Perguntar à frase "Por quem?"
Por quem foi oferecido o poema? | O poema foi oferecido por quem?
Pelo poeta. | Por quem declamou o poema.
Predicativo do sujeito
Esta função sintática é obrigatória aos verbos copulativos.
O poeta adormeceu. (verbo intransitivo)
O poeta escreveu um poema. (verbo transitivo direto)
O poeta telefonou ao seu editor. (verbo transitivo indireto)
O poeta ofereceu o poema ao público. (verbo transitivo direto e indireto)
O poeta é famoso. (verbo copulativo)
Logo, só a frase 5 contém um predicativo do sujeito.
As orações também podem desempenhar a função de predicativo do sujeito, como no exemplo seguinte:
O poeta é como tu me descreveste.
Logo, a oração "como tu me descreveste " tem a função de predicativo do sujeito.
Estratégia de identificação: Verificar se se trata de uma predicação do sujeito, isto é, se apresenta alguma característica, alguma localização, algum aspeto relativo ao sujeito.
Os verbos ser, ficar, estar, continuar, andar, lembrar, parecer, permanecer são os mais usados.
O poeta ficou feliz.
O poeta está em casa.
O poeta continua desaparecido.
O poeta lembra um aviador.
O poeta parece cansado.
O poeta permanece ao meu lado.
O poeta continua tal qual era.
Predicativo do complemento direto
Esta função sintática é obrigatória aos verbos transitivos que obrigam a um juízo de valor.
O poeta adormeceu. (verbo intransitivo)
O poeta escreveu um poema. (verbo transitivo direto)
O poeta telefonou ao seu editor. (verbo transitivo indireto)
O poeta ofereceu o poema ao público. (verbo transitivo direto e indireto)
O poeta é famoso. (verbo copulativo)
O poeta considerou o sarau muito bem organizado. (verbo transitivo direto que obriga a um juízo de valor).
Logo, só a frase 6 contém um predicativo do complemento direto.
Estratégia de identificação: Verificar se se trata de uma predicação do complemento direto, isto é, se apresenta alguma consideração ou juízo de valor sobre o complemento direto.
Os verbos considerar, achar, julgar:
O poeta considerou o recital maravilhoso.
O poeta achou o soneto imperfeito.
O poeta julgou o júri retrógrado.
Repara-se que nestes verbos é obrigatório o predicativo do complemento direto:
* O poeta considerou o recital. (Falta a conclusão da consideração).
* O poeta achou o soneto. (Falta a conclusão dessa apreciação).
* O poeta julgou o júri. (Falta a conclusão desse juízo de valor.)
Complemento oblíquo
Esta função sintática é obrigatória aos verbos transitivos indiretos que não selecionam um complemento indireto.
O poeta adormeceu. (verbo intransitivo)
O poeta escreveu um poema. (verbo transitivo direto)
O poeta telefonou ao seu editor. (verbo transitivo indireto)
O poeta ofereceu o poema ao público. (verbo transitivo direto e indireto)
O poeta é famoso. (verbo copulativo)
O poeta assistiu ao sarau. (verbo transitivo indireto)
O poeta guardou o poema no baú. (verbo transitivo direto e indireto).
Logo, só as frases 6 e 7 contêm um complemento oblíquo.
Estratégia de identificação: Verificar se é obrigatório ao predicado e se não pode ser substituído por um pronome do complemento direto ou indireto. Este complemento diz-se oblíquo porque está mediado do verbo por uma preposição. Veja-se os exemplos seguintes:
O poeta gostou do sarau. (*O poeta gostou-lhe. | *O poeta gostou-o - são frases agramaticais.)
O poeta pendurou o diploma na parede. (* O poeta pendurou-lho. | *O poeta pendurou-lhe o diploma. | *O poeta pendurou-a o diploma. - As frases são agramaticais ou não correspondem ao sentido da frase inicial.)
Modificador do grupo verbal
Esta função sintática não é obrigatória pelo que pode ser suprimida do predicado sem criar problemas de comunicação:
O poeta adormeceu tarde. - O poeta adormeceu.
O poeta escreveu um poema de noite. - O poeta escreveu um poema.
O poeta telefonou ao seu editor ontem. - O poeta telefonou ao editor.
O poeta ofereceu o poema ao público no sarau. - O poeta ofereceu o poema ao público
O poeta é famoso em França. - O poeta é famoso.
O poeta assistiu ao sarau de pé. - O poeta assistiu ao sarau.
O poeta guardou depressa o poema no baú. - O poeta guardou o poema no baú.
Logo, todos os elementos sintáticos podem ser suprimidos nas orações anteriores, pois são modificadores do grupo verbal - apenas acrescenta um pormenor que não é relevante para a comunicação.
Modificador do nome
Esta função sintática não é obrigatória pelo que pode ser suprimida sem criar problemas de comunicação.
Esse poeta francês é famoso. - Esse poeta é famoso.
O livro que me emprestaste é magnífico. - O livro é magnífico.
O poeta, de que ninguém fala, é soberbo. - O poeta é soberbo.
O livro, com traços de originalidade, é sempre o mais procurado. - O livro é sempre o mais procurado.
Logo, todos os elementos sintáticos podem ser suprimidos nas orações anteriores, pois são modificadores do nome - apenas acrescenta um pormenor que não é relevante para a comunicação.
No entanto nas frases 1 e 2, trata-se do modificador do nome restritivo, porque restringe a informação ao nome que se refere.
Nas frases 3 e 4, está presente o modificador do nome apositivo, que não restringe o nome, mas que apenas lhe dá uma explicação adicional.
Complemento do nome
Esta função sintática é obrigatória ou está implícita ao nome.
O condutor de automóvel atropelou o peão. (O condutor é sempre de algum veículo).
O pai do poeta era médico. ( O pai é sempre de alguém).
A imagem da falésia é deslumbrante. (A imagem é sempre de alguma coisa).
A preocupação dos pais é educar bem os filhos. (A preocupação é sempre de alguma coisa).
A entrega dos livros foi um sucesso. (A entrega é sempre de alguma coisa.)
O embaixador de Portugal em Marrocos é simpático. (O embaixador é sempre de alguém ou de algum serviço).
A associação de pais é muito ativa. (A associação é sempre de pessoas ou de serviços).