Pactum reúne aqueles que enxergam o mundo como uma constante relação entre escolhas, possibilidades e consequências. Seus membros costumam observar uma situação tentando compreender não apenas o que está acontecendo, mas também o que pode acontecer a partir de cada decisão tomada. Para um Pactuano, quase nenhum problema possui apenas uma única solução e quase nenhuma escolha existe sem algum tipo de consequência. Por isso, seus integrantes desenvolvem uma capacidade natural de analisar circunstâncias, perceber interesses diferentes, encontrar pontos de acordo e utilizar os recursos disponíveis para alcançar determinado resultado. Eles podem ser excelentes negociadores, estrategistas, diplomatas ou simplesmente pessoas que aprenderam a pensar alguns passos à frente antes de agir.
A fraternidade valoriza a capacidade de construir caminhos mesmo quando as circunstâncias parecem desfavoráveis. Seus membros compreendem que nem sempre é possível conseguir exatamente aquilo que desejam, mas quase sempre existe alguma alternativa, troca ou possibilidade capaz de aproximá-los de seus objetivos. Isso pode aparecer em uma negociação entre dois reinos, na construção de uma aliança, na resolução de um conflito ou até mesmo em situações comuns da vida acadêmica. Um Pactuano pode utilizar essa habilidade para ajudar outras pessoas, evitar uma guerra, encontrar uma solução para um problema ou alcançar seus próprios interesses. Assim como nas demais fraternidades, não existe uma moral específica que determine como seus talentos devem ser utilizados. Um herói pode pertencer a Pactum por saber negociar quando todos os outros caminhos falham, enquanto alguém de caráter questionável pode utilizar a mesma habilidade para manipular situações em benefício próprio. Os valores da fraternidade são estratégia, persuasão, adaptabilidade, diplomacia, negociação, oportunidade, percepção e consequência.
Entretanto, Pactum também reconhece que pensar estrategicamente pode fazer com que uma pessoa enxergue tudo como uma oportunidade de troca. Quando levada ao extremo, a capacidade de negociação pode transformar relações em interesses, a cautela pode se tornar desconfiança e a estratégia pode fazer alguém esquecer que nem toda decisão precisa trazer alguma vantagem. Por isso, seus membros precisam aprender a reconhecer quando negociar é necessário e quando simplesmente agir, confiar ou abrir mão de alguma coisa pode ser a melhor escolha. Entre os Pactuanos podem existir diplomatas, estrategistas, mediadores, líderes, comerciantes, investigadores ou estudantes que simplesmente possuem uma maneira muito particular de encontrar soluções. O que os une não é a capacidade de manipular os outros, mas a habilidade de enxergar possibilidades onde outras pessoas enxergam apenas um caminho.
Para um Pactuano, toda escolha pode mudar o resultado, e compreender as possibilidades é o primeiro passo para decidir qual caminho seguir.
Quando Auradon School foi fundada, há dezoito anos, Rumpelstiltskin enxergou um problema que nenhum dos outros fundadores havia considerado completamente: reunir estudantes, famílias e reinos diferentes significava também reunir interesses diferentes. Cada reino possuía suas próprias tradições, necessidades e expectativas sobre o futuro da escola. Para ele, não bastava criar regras para impedir conflitos. Era necessário ensinar os estudantes a encontrar caminhos quando duas vontades diferentes não podiam simplesmente ser satisfeitas ao mesmo tempo.
A oportunidade surgiu durante uma das primeiras reuniões envolvendo representantes dos reinos que apoiavam a criação da escola. Uma discussão aparentemente simples sobre recursos, espaços e responsabilidades acabou se transformando em uma disputa maior. Cada lado defendia aquilo que considerava justo e ninguém estava disposto a abrir mão de sua posição. O encontro poderia ter terminado com alguns dos acordos de fundação sendo cancelados, colocando em risco a própria estrutura que ainda estava sendo construída.
Rumpelstiltskin então pediu que todos permanecessem na reunião e fez algo que se tornaria característico de Pactum. Em vez de escolher um lado, começou a reconstruir a discussão a partir dos interesses de cada participante. Algumas exigências foram modificadas, outras foram trocadas por compromissos diferentes e determinadas condições receberam novos termos. O resultado não agradou completamente a nenhum dos envolvidos, mas todos encontraram alguma vantagem suficiente para aceitar o acordo. A reunião terminou com aquilo que ficou conhecido como O Primeiro Pacto, considerado o primeiro grande acordo diplomático realizado dentro de Auradon School.
Rumpelstiltskin preservou o documento original em uma sala reservada da futura sede de Pactum. Entretanto, o contrato recebeu um encantamento peculiar: suas palavras não permanecem exatamente iguais. Quando alguém tenta interpretá-lo procurando apenas aquilo que pode ganhar, determinados termos ficam ocultos. Para compreender o documento completamente, é necessário observar também aquilo que cada parte ofereceu em troca. O encantamento se tornou uma das primeiras lições da fraternidade: nenhum acordo pode ser compreendido apenas pelo benefício que alguém recebe, mas também pelo preço que foi aceito para alcançá-lo.
A partir desse acontecimento, os Pactuanos começaram a desenvolver uma tradição própria chamada Mesa dos Termos. Em determinados momentos do ano, estudantes podem levar à mesa um problema envolvendo duas ou mais pessoas e tentar encontrar uma solução negociada. Não existem vencedores ou perdedores obrigatórios. Uma boa solução é aquela em que as partes compreendem exatamente o que estão recebendo, aquilo que estão oferecendo e quais consequências assumirão depois. Ao longo do tempo, a tradição passou a ser utilizada tanto para pequenos conflitos entre estudantes quanto para decisões importantes envolvendo projetos da escola.
Mas Rumpelstiltskin também fez questão de registrar os acordos que deram errado. Ao lado do Primeiro Pacto existe o Livro das Consequências, onde são preservadas histórias de negociações que terminaram mal, promessas que não foram cumpridas e decisões que produziram resultados inesperados. O objetivo nunca foi expor ou humilhar aqueles envolvidos, mas permitir que as próximas gerações estudassem os erros anteriores. Entre os Pactuanos, aprender com uma negociação fracassada é considerado tão importante quanto aprender com uma negociação bem-sucedida.
Com o passar dos anos, a influência de Pactum ultrapassou as paredes da escola. Antigos integrantes tornaram-se diplomatas, mediadores, comerciantes, estrategistas, conselheiros e representantes de diferentes reinos. Alguns utilizaram suas habilidades para impedir conflitos, outros para construir alianças e alguns para alcançar objetivos exclusivamente pessoais. A fraternidade nunca tentou determinar qual desses caminhos era o correto. Para Rumpelstiltskin, a verdadeira habilidade estava em compreender as possibilidades antes de escolher uma delas.
O Primeiro Pacto continua preservado até hoje, assim como a Mesa dos Termos e o Livro das Consequências. Dizem que Rumpelstiltskin deixou uma última anotação escondida na parte inferior do documento original, descoberta apenas muitos anos depois: “Toda escolha tem um preço. A sabedoria está em decidir qual preço aceitar.”
Para um Pactuano, portanto, nenhuma situação precisa terminar necessariamente em vitória ou derrota. Sempre existe uma possibilidade que ainda não foi considerada, um caminho que ainda não foi encontrado ou um acordo que ainda não foi proposto.
É uma das tradições mais antigas da fraternidade. Estudantes podem levar à mesa conflitos, projetos ou decisões que envolvam diferentes interesses e tentar encontrar uma solução negociada. Cada lado precisa apresentar aquilo que deseja, aquilo que pode oferecer e aquilo que está disposto a aceitar. A tradição ensina que uma boa negociação não depende apenas de conseguir o que se quer.
Pactum mantém um livro onde são registradas negociações, acordos e decisões que tiveram resultados inesperados. Tanto os sucessos quanto os fracassos podem ser registrados. A tradição existe para lembrar aos Pactuanos que uma escolha nunca deve ser analisada apenas pelo resultado imediato.
Uma vez por ano, os Pactuanos recebem um desafio no qual precisam encontrar uma solução para duas posições aparentemente incompatíveis. O objetivo não é descobrir quem está certo, mas encontrar uma terceira possibilidade que nenhum dos lados havia considerado inicialmente. A tradição é considerada uma das maiores demonstrações da capacidade estratégica da fraternidade.
A entrada de Pactum ficaria escondida em uma antiga sala de mapas próxima às áreas administrativas da escola. A sala parece comum, cheia de mapas antigos dos reinos, até que um Pactuano percebe que alguns deles possuem detalhes que não correspondem ao mundo atual.
No centro existe uma grande mesa com um mapa mágico. Quando um estudante se aproxima, o mapa apresenta duas rotas diferentes para chegar à sede. Nenhuma delas é simplesmente “a correta”. O aluno precisa analisar as possibilidades e escolher uma. Dependendo da escolha, o caminho até a sede muda.
Existe ainda uma peculiaridade: ocasionalmente, o mapa oferece uma terceira alternativa que não estava visível inicialmente. Essa é uma das primeiras lições que os novos Pactuanos recebem sobre a própria fraternidade.
Como o aluno entra: precisa analisar as possibilidades apresentadas pelo mapa e escolher conscientemente uma delas. A passagem se abre quando o estudante demonstra que compreendeu que sua escolha terá consequências.