por Renata Fideles
Desde 1983, quando surgiu o primeiro celular, os aparelhos vêm evoluindo constante, fazendo também com que as operadoras de telefonia móvel melhorem o tipo e a qualidade do serviço que é oferecido aos usuários. Isso porque a tecnologia que antes era usada para ligações, com capacidade de conversação, em tempo contínuo de aproximadamente 20 minutos, hoje é utilizado para satisfazer muitas outras necessidades e desejos como atualização pessoal, profissional e acadêmica - através de pesquisas - fotos para acervo próprio e/ou de trabalho, além de acesso as redes sociais. Talvez, o primeiro (a ligações) seja o menos utilizado nos celulares e o último ( acesso as redes sociais), um dos pontos principais de uso.
De acordo com entrevistas realizadas nos dias 04, 05 e 06 de dezembro de 2017, a 24 jovens de idade 16 a 21 anos, sobre o uso do celular nas atividades acadêmicas, ficou evidente o foco nas redes sociais. Eles afirmam que o celular é sim uma ferramenta que permite acesso rápido a informações para sanar dúvidas e se sentirem mais seguros durante as aulas e perante as explicações do professor. Não que o professor não tenha capacidade para saná-las, mas, porque é interessante o uso da tecnologia, na palma da mão, de maneira facilitada, até mesmo para ter acesso a diversos exemplos, do mesmo assunto, simplificado e/ou detalhando de diversas maneiras diferentes.
Ao passo que os jovens afirmam que o uso do celular facilita para pesquisas rápidas, ressaltam que inseri-lo efetivamente na sala de aula é algo que necessitará de supervisão e deverá ser uma atividade esporádica, pois, de fato não existe, nas pessoas de uma maneira geral, maturidade para uso somente acadêmico, uma vez que tal dispositivo conectado a internet, permitirá, por exemplo, o acesso às redes sociais, que desviam completamente o foco e atenção na atividade proposta. Afirmam também que não somente os alunos devem ser trabalhados e orientados previamente, mas, também os professores, educadores e gestores educacionais, para que saibam guiar e conduzir com autonomia, dinamismo e seriedade as atividades que utilizarem tais tecnologias. Informações também apresentadas pela coordenadora do programa de aprendizagem do Centro Adolescente Ativo, Givanilda Márcia Vieira, que afirma que o uso do celular hoje é proibido devido a má usabilidade que perdura e piora no decorrer dos anos do uso de celular e internet e, para que sejam utilizados, necessita ainda de muita conscientização e formação ética dos envolvidos. O que não anula um trabalho bem guiado e supervisionado.
Em conformidade com o lado negativo do uso do celular em sala de aula, a educadora social Iara Maria Soares apresenta que o uso de tal tecnologia pode levar ao comodismo do raciocínio lógico e próprio, uma vez, que na internet encontramos respostas prontas. São exatamente os modelos citados pelos jovens, como forma de facilitar o entendimento que por ela é visto como algo que pode retardar a construção do conhecimento e desenvolvimento intelectual próprio do indivíduo.
Enfim, necessitamos mais do que projetos de leis aprovados - como foi a ação do Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em 06 de novembro de 2017, sancionada para permitir o uso pedagógico do celular em sala de aula, dando autonomia para que os professores permitam a utilização e também o utilizem. É preciso definir previamente o necessário do desnecessário, o permitido do não permitido, o ético do antiético. É preciso de fato, a conscientização do uso com maturidade, uma vez que está última é argumento apresentado pelos próprios jovem como algo primordial, antes mesmo da liberação ou não do uso, para que o aproveitamento seja verdadeiro, a construção do conhecimento efetivo e os caminhos da criatividade apontados de maneira real e significativamente construtora de bons conceitos.
Eis, então, os desafios a serem encarados àqueles que desejam desbravar este novo mundo, muito atraente e com certeza cheio de experiências engrandecedoras, mas, com grandes obstáculos a serem trabalhados e transpostos.