THE NEW WORLD ORDER PROJECT WORK – WIND OF CHANGE: SOBRE O ENSINO INTERDISCIPLINAR DE INGLÊS INSTRUMENTAL CRÍTICO
THE NEW WORLD ORDER PROJECT WORK – WIND OF CHANGE: SOBRE O ENSINO INTERDISCIPLINAR DE INGLÊS INSTRUMENTAL CRÍTICO
Eurípedes Garcia Batista **, José Reinaldo F. Martins Filho **
Resumo: este artigo apresenta-se como um relato de experiência a partir do The New World Order Project Work – Wind of Change, realizado junto às turmas do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Centro de Orientação e Valorização da Adolescente e Mulher (ECOVAM), no município de Aparecida de Goiânia, em Goiás. Propõe-se no contexto de ensino e aprendizagem de inglês emba-sado pela abordagem interdisciplinar instrumental a tentativa de quebra dos paradigmas vigentes no ensino dessa língua em uma escola de Ensino Fundamental da rede pública. Como principais objetivos ressalta-se o maior empenho dos estudantes como protagonistas de seu processo de apren-dizagem, bem como melhores índices de participação nas aulas, interação com os demais e apro-priação dos conhecimentos discutidos.
Palavras-chave: Interdisciplinaridade. Inglês instrumental. Ensino crítico.
* Recebido em: 21.05.2019. Aprovado em: 31.10.2019.
** Graduado em Letras/Inglês pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Especialista em Língua Ingle-sa pela UniEvangélica - Centro Universitário de Anápolis. Professor da Rede Pública de Ensino do Estado de Goiás, na Escola Centro de Orientação e Valorização do Adolescente e Mulher (ECOVAM). E-mail: mrlypy@hotmail.com.
*** Doutor em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás. Professor no Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás. E-mail: jrei-naldomartins@gmail.com.
DOI: http://dx.doi.org/10.18224/gua.v9i1.7383
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, Goiânia, v. 9, n. 1, p. 29-37, jan./jun. 2019 | eISSN 2237-4957 29
Musica è
guardare più lontano e perdersi in se stessi. La luce che rinasce e coglierne. I riflessi.
Su pianure azzurre si aprono.
Su più su. I miei pensieri spaziano. Ed io mi accorgo che,
che tutto intorno a me, a te.
Eros Ramazzotti
ensino de Língua Inglesa como língua estrangeira (doravante, LE) nas escolas públicas em nossa região, grosso modo, tem se concentrado nas estruturas gramaticais, lexicais, em tentativas de tradução literal de pequenos textos didáticos. Assim, deixam de lado o
uso de textos autênticos, pautados por uma visão mais ampla de mundo, restringindo-se ao que é preconizado pelo conteúdo dos livros didáticos. Nesse contexto de ensino e aprendizagem, diferen-cia-se texto didático de texto autêntico no sentido de que o texto didático se faz entender por aquele totalmente formatado, com o objetivo de ensinar a língua, focando em suas estruturas, objetivando aprender as quatro habilidades da língua – ouvir, falar, ler e escrever enquanto, por outro lado, o texto autêntico é aquele que se descobre em diversas fontes, tais como a internet, livros, revistas, jornais, e que objetiva uma leitura mais ampla e interdisciplinar, se não, transdisciplinar do mundo.
Vê-se, então, a necessidade de rompimento com a metodologia vigente, a qual parece não coo-perar na construção de resultados positivos para o aluno, a fim de que esta dê lugar a um leque mais ampliado de trocas de experiências, instigando o aluno à construção de um conhecimento plural. Isso coincide com o que disse o professor José Reinaldo Martins Filho durante a última etapa deste projeto. No que respeita ao nosso modo de ensinar “temos um ensino ainda muito estanque, desar-mônico, em que o professor, ainda que inserido num ambiente altamente transdisciplinar, continua atrelado aos velhos paradigmas aos quais ele próprio foi submetido longo de seus anos de estudo na universidade, quando de sua formação superior”. De acordo com essa visão, as práticas didáticas têm apresentado resultados de aprendizagem insuficientes. O educando acaba por concluir o Ensino Fundamental sem saber nenhuma das quatro habilidades da língua inglesa: nem ouve, nem fala, nem escreve, nem lê. Nesse sentido, caso reconheça a necessidade do aprendizado das quatro habilidades da língua, o professor regente se vê obrigado a romper com as suas próprias práticas “dogmáticas”, focando nas reais necessidades dos educandos e propondo uma abordagem de ensino pautado pelo ensino de Inglês Instrumental Interdisciplinar, a partir de diferentes estratégias de leitura que possi-bilitem o letramento do educando em LE.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E PROBLEMATIZAÇÃO
Para romper com a pedagogia tradicional, conforme Celani (1989), o professor de inglês ins-trumental deve ser pesquisador, elaborar programas, autor de materiais, examinador, observador de sua prática, explorador da realidade e experimentador da realidade. Ainda conforme a mesma pers-pectiva, além desses requisitos, o professor de inglês instrumental, para além dos conhecimentos linguísticos e pedagógicos que possui, deve também apresentar leitura e percepção crítica e reflexiva diante do que ocorre em sala de aula. Deve compreender o contexto social e econômico do educando, entendê-lo como indivíduo uníssono no processo de ensino e aprendizagem. Nessa mesma esteira, como apregoado na contribuição de Paulo Freire (1987), o professor deve instigar no aluno a inquie-tação, o questionamento do que se ensina e o que se aprende, ao contrário de formatar o ensino e o aluno conforme os padrões determinados pelas Secretarias de Educação e/ou outras agências gover-namentais ou não.
No contexto de ensino de LE em sua classe o professor regente constantemente prevê mu-danças, o que, de acordo com as pesquisas de Almeida Filho (1993), exige que seja um questionador de sua própria prática, de modo que favoreça o entendimento necessário dos pressupostos que se seguem ao uso de uma pedagogia crítica.
Ainda que pautados pela dúvida, inquietação diária dos poucos resultados de aprendizagem de LE, como também do baixo nível de compreensão de leitura de textos em inglês obtidos pelos alu-nos, vale a pena recorrermos a Hutchinson e Waters (1987), precursores na abordagem instrumental (English for Specific Purpose – ESP). Estes autores, os principais proponentes do ensino de inglês instrumental, propõem que, através da análise das necessidades dos educandos brasileiros, haja vista que a maioria necessita de inglês para a leitura de textos técnicos e/ou textos com o objetivo de apro-vação em concursos ou exames de ingresso ao ensino universitário, o inglês instrumental parece ser uma abordagem pertinente também para o ensino de LE no nível fundamental.
No que concerne à abordagem de ensino de LE nas salas de aula do Ensino Fundamental, no caso específico que serviu de mote para este artigo, em suas classes o professor regente recorre ao ensino pautado pela abordagem instrumental, ou seja, o ensino de leitura através de estratégias que visam a compreensão de textos. A escolha dessa abordagem não se justifica pela certeza de que esta seja a única abordagem possível ou, mesmo, a abordagem ideal para os seus alunos. Afinal, quais são as suas necessidades? Para que querem ou devem estudar uma LE? Tais questionamentos, como dissemos, são de fundamental importância para a escolha da metodologia adequada ao processo de ensino e aprendizagem. Dessa forma, não são as conquistas, em primeiro lugar, mas os tropeços dos estudantes que servem de norte para o professor regente, a fim de otimizar o bom êxito dos objetivos, quais sejam: a habilidade de compreensão em LE – não apenas do texto, mas também do contexto que o envolve.
Entre os fatores que mais contribuem negativamente para o fracasso no processo de ensino aprendizagem de LE, podemos listar inúmeras inquietações: a) a falta de tempo para a formação con-tinuada do professor; b) a deficiência na formação do professor; c) a falta de tempo para a preparação de aulas, dada a sobrecarga a que são submetidos inúmeros profissionais da educação (num país que paulatinamente desvaloriza a categoria); d) a falta de ambiente adequado, laboratório para o ensino de línguas, e/ou a ausência de recursos tecnológicos tais como computadores, mídia de impressa; e) a não permissibilidade para uso do celular como recurso didático tecnológico em sala de aula, entre tantos outros que o leitor pode imaginar. Em geral, o que se tem como recurso didático não vai além de um quadro negro/verde, que mal aceita o giz que lhe é imposto, e um apagador que, efetivamente, também não apaga. Não raro, em muitos casos chega a faltar até mesmo o giz branco quebradiço, dos que ao serem comprimidos junto ao quadro se esfarelam, deixando a mão trincada pelo processo alérgico ainda mais branca. Enfim, os recursos são quase sempre os mesmos: cuspe e giz.
Em situações mais otimistas, incluiríamos neste rol as pesquisas realizadas por iniciativa dos próprios docentes, impressas em folhas A4 com fonte tamanho 8, também por conta da impossibili-dade de impressões, fotocópias e demais mecanismos que lhe são negados por parte da infraestrutura escolar. Ainda assim, não é possível deixarmos de mencionar outro percalço profundamente intrigan-te: a enorme quantidade de alunos por classe, de 30 a 40, em média enquanto o ideal para o ensino de LE seria de, no máximo, 10 alunos por turma. Trata-se de uma realidade que certamente impacta drasticamente sobre a qualidade do processo de ensino e aprendizagem das quatro habilidades de uma língua. Isso para não falar, enfim, do curto tempo destinado à disciplina de LE, em geral duas aulas de 50 minutos, conforme a maioria das matrizes curriculares vigentes – e isso considerando o trânsito do professor de uma sala a outra, o tempo de aquietação da turma de crianças/adolescentes, o tempo destinado à chamada, o lanche, os intervalos para ir ao banheiro etc.
Enfim, para além das condições materiais inerentes e necessárias ao processo de aquisição de uma LE, há ainda um último fator, quiçá de importância capital, que também parece faltar ao contex-to da atual sala de aula do Ensino Fundamental. Trata-se da motivação, conditio sine qua non para a aprendizagem efetiva, para tudo o que fazemos, inclusive, para o viver. Estamos imersos numa reali-dade profundamente desmotivada. Aqui nos referimos ao que poderíamos chamar de uma motivação intrínseca e uma motivação extrínseca, vez que nem o aluno vê plausibilidade no que lhe é ensinado e, tampouco, a escola lhe oferece o que almeja e precisa para provocar o desejo por aprender. Ainda que inconscientemente os estudantes recebam enxurradas de motivos para aprenderem, sobretudo através do uso massivo das redes sociais na internet, não veem usabilidade da aprendizagem em LE oportunizada pela escola. Não diferentemente da motivação intrínseca, a falta de motivação extrínse-ca também nos parece um ponto crucial e danoso. Ainda que esteja presente em tudo o que fazemos, nem sempre a usamos como aliada ao ensino e aprendizagem. Temos o professor como mediador, os próprios colegas com os quais se trabalha em pares durante as atividades, a escola per si, os pais, os quais almejam um futuro melhor para seus filhos e o mundo que os cobra diariamente. O mundo, a realidade exterior, cobra um sentido para a vida. De um modo geral, a aula de LE se faz suportável, mas não alcança maior sentido. Isso a despeito do que o psiquiatra vienense Viktor Frankl (2017) ressaltou a partir de um aforismo supostamente atribuído a Nietzsche: “Quando se tem um por que, pode-se suportar quase qualquer como”.
A realidade posta é perversamente contrária. Suporta-se a escola porque os pais querem que os filhos tenham um futuro melhor, ou, ainda, consideram-na um lugar seguro para deixá-los por um período do dia. Além disso, perpetua no contexto educacional, uma enorme deficiência de professo-res nas mais variadas disciplinas. Em vista disso, devemos reconhecer que se trata de um panorama com alcance duplo, pois, ao mesmo tempo em que faltam professores em diferentes áreas do con-hecimento, também sobram aulas em diferentes disciplinas. Por um lado, em algumas escolas, pro-fessores de diferentes áreas, como por exemplo, professores de Matemática, Educação Física, entre outras disciplinas, assumem aulas em déficit de professores – com o propósito de ocupar os alunos. Contrariamente, como é o caso da escola estudada por este projeto, ao faltarem professores como de Geografia, por exemplo, sobram aulas vagas. No caso estudado, o professor de Língua Inglesa, a fim de complementar a sua carga horária, precisou assumir seis aulas de geografia em duas turmas do 9º ano. A aparente incompatibilidade funcional, no entanto, deu lugar a uma rica experiência a qual tomamos a liberdade de descrever no que segue, como forma de contribuir para a discussão de uma nova perspectiva educacional no Brasil, rompendo com o que se tornou obsoleto do paradigma atual.
Ao assumir a disciplina titulada Geografia Crítica, além da sua disciplina de formação em lín-gua inglesa, o professor regente propôs conduzi-las de forma integrada, dando margem para uma ex-periência de interdisciplinaridade. A configuração disciplinar, no entanto, pode conservar em seu nú-cleo uma proposta ainda mais vanguardista, a qual talvez atingisse uma forma transdisciplinar, o que na acepção do francês Edgar Morin (2010) e do brasileiro Ubiratan D’Ambrósio (1997), significaria o rompimento total com a estrutura vigente dando lugar a uma nova forma de construção dos saberes, por ora de modo integrado e não cindido. Este aspecto nos fica como provocação ao menos por conta do título construído pelo professor regente à sua disciplina, como segue: Ensino Interdisciplinar de Inglês Instrumental Crítico. Aplicou-se a expressão “interdisciplinar” para ressaltar a confluência das áreas ao redor de interesses comuns, admitindo-se que sua percepção epistemológica poderia ser ainda superficial e rudimentar acerca desse tema. Em outras palavras, o professor baseou-se no fato de ensinar duas disciplinas concomitantemente, tentando transitar entre ambas com o objetivo de reforçar e fortalecer a aprendizagem dos educandos nessas duas áreas das ciências humanas. Nesse contexto de ensino interdisciplinar, o professor constantemente aludia para as inúmeras possibilida-des de aquisição de um conhecimento mais global, haja vista que o que aprendemos sempre está em consonância com outros saberes por nós já adquiridos – não de maneira hierarquizada, mas coope-rativa ou complementar.
Referindo-se à prática interdisciplinar no contexto da sala de aula, não havendo um consenso sobre a sua usabilidade no ensino aprendizagem ou, ainda, sendo até rejeitada no ambiente escolar, causando olhares de rejeição por membros da comunidade escolar, ora, talvez, pelo fato de não con-hecer-se a importância da interdisciplinaridade, ora, quem sabe, pela desconfiança de o professor es-tar ultrapassando seu limite de saber e, consequentemente, invadindo espaços já ocupados por outros colegas, é preciso delimitar o que se pretende por seu uso. Nesse caso especificamente, o professor regente pautou-se pelo que defende Fazenda (1979), um dos precursores e incentivadores desta prá-tica, que sugere que a interdisciplinaridade é uma integração de conhecimentos parciais objetivando um conhecer geral. A mesma pesquisadora corrobora que o nível interdisciplinar é oriundo de um processo de mutabilidade, possibilitando o diálogo entre os interessados. Outrossim, por interdisci-plinaridade pretende-se uma atitude de síntese das reciprocidades no diálogo, atitude de humildade e predisposição ante as limitações, atitude de desafio em face do novo e envolvimento com os demais, com comprometimento e responsabilidade. Como ressalta Fazenda (1979), é a integração de con-texto e não mais a compartimentalização das disciplinas. Este passo, aliás, mostra-se decisivo caso almejemos o ultrapassamento do paradigma vigente por um novo modelo (o que acima mencionamos como transdisciplinar, como a meta constantemente posta).
Uma vez decidido pela abordagem instrumental interdisciplinar na condução das aulas de língua inglesa, o professor propôs-se a pesquisar e a preparar materiais interdisciplinares em sintonia com a disciplina de Geografia. Em suma, foram textos em sua maioria extraídos de fontes autênticas, tais como notícias atuais de diferentes jornais publicados em língua inglesa, todos pertinentes aos as-suntos discutidos pelo livro didático de Geografia – que continuou sendo a referência curricular para o transcurso da disciplina. Para provocar e facilitar o letramento dos estudantes em LE, o professor lançou mão de várias estratégias de leitura, como: exploração do título, conhecimento prévio sobre o assunto proposto pelo título, predição, inferência, skimming, scanning, sufixação, prefixação, leitura global, uso de palavras cognatas, processo bottom up e processo bottom down.
Ao longo dos três primeiros meses de aula os alunos apresentaram resultados surpreendentes, já conseguindo ler um texto autêntico sobre assuntos atuais, extraídos de diferentes fontes da web. Foram capazes de ler, discutir e resumir os textos oferecidos com grande percentual de aproveitamento e sem uso de dicionários. Em virtude desses resultados satisfatórios adquiridos pelos alunos, uma média de 80% de alunos proficientes com um índice de compreensão de até 80% do conteúdo dos textos, o pro-fessor propôs às turmas alguns projetos interdisciplinares de língua inglesa e Geografia. Ao longo das discussões nos grupos durante as aulas, de acordo com cada capítulo do livro de Geografia, os alunos conseguiram fazer pequenos projetos, pôsteres que incluíram conteúdos de disciplinas como Artes, História, Geografia, Inglês e Português – embora o envolvimento dos demais professores não tenha ocorrido. Ao se depararem com o capítulo sobre a Nova Ordem Mundial, no qual se discutiu sobre a Segunda Guerra Mundial, os grandes Blocos Bipolares, a Cortina de Ferro, o Muro de Berlim, vários textos escritos em inglês foram lidos e debatidos em sala de aula. Eis que surgiu, no contexto da dis-cussão sobre a queda do Muro de Berlim, a necessidade e vontade de fazer um projeto sobre o tema.
Fora do contexto de sala de aula, em conversas informais com o professor José Reinaldo Mar-tins Filho, em que se discutiam as formas a partir das quais o professor administrava as suas aulas, embasadas pela abordagem instrumental interdisciplinar, indagou-se a possibilidade de cooperação entre ambos – o professor regente Eurípedes Garcia Batista e o professor Martins Filho. A princípio, pairou o medo de confrontar a metodologia empreendida na presença de outros professores. Passado o período de autoconscientização do professor regente sobre os resultados positivos da parceria, marcou-se um primeiro encontro como forma de estabelecimento de contato com a turma. Para esta finalidade, também fora convidada a professora Leonice Ângela de Jesus, musicoterapeuta de formação e também professora de Música. Dessa experiência nasceu a proposta de conciliar a Mú-sica e o ensino da língua inglesa como LE: de um lado, o reforço ao conteúdo de Geografia Crítica, paralelamente ao desenvolvimento de habilidades cognitivas e motoras relativas à LE e à Música. Foi, então, elaborado o projeto titulado The New World Order Project Work: Wind of Change, o qual teve como objetivos ensinar a tocar e a cantar a canção Wind of Change, da banda alemã Scorpions, como mote para a construção de uma abordagem interdisciplinar (para não dizermos, como temos insistido, transdisciplinar).
Definido o projeto, materiais foram preparados pelo professor regente e providenciados para os alunos envolvidos. Inúmeras leituras foram executadas em sala de aula, realçando a pronúncia da letra da canção, por inúmeras vezes ensinada aos alunos. Esta etapa contou com boa receptividade e interação entre professor e alunos, inclusive através de grupos de discussão via internet (pela rede so-cial facebook). Foram delegadas várias funções aos estudantes, que se prontificaram voluntariamente a preparar o grande momento conclusivo do projeto.
Tendo chegado o grande dia em que os conhecimentos seriam explorados concomitantemente, finalizando-se com a apresentação da canção por todos os estudantes das três turmas do 9º ano do En-sino Fundamental, a maioria dos alunos chegou adiantada. Houve correria para todos os lados, aju-dando a organizar o salão, espalhar as cadeiras e mesas e preparando os instrumentos musicais, a fim de receberem os professores visitantes. No salão, a professora de canto e instrumento Leonice Ânge-la empreendeu a primeira etapa da atividade, a apreciação da canção e, em seguida, a reprodução da mesma pelos estudantes. Enquanto isso, em outro espaço, o professor José Reinaldo Martins Filho, ensaiava os instrumentistas, os quais se juntariam ao grande coro para compor a apresentação final. Passados alguns arranjos nos grupos, organização de vozes e preparação dos instrumentos, iniciou-se o primeiro ensaio. Após executarem a música por algumas vezes, os professores convidados falaram sobre a necessidade e importância de projetos dessa envergadura. Alguns alunos também deram a sua contribuição oral sobre as várias possibilidades de aprendizagem com a execução de tal projeto, inclusive com relatos de pesquisas sobre o tema de que tratava a canção, realizados em português e em inglês. Finalizando, executou-se a música novamente e concluíram-se as atividades relacionadas ao projeto.
Nas aulas que seguiram à conclusão do projeto, os alunos participantes foram convidados a relatar por escrito a sua experiência. Ao ler cada texto produzido pelos alunos, percebe-se que há ain-da uma enorme dificuldade de expressão de suas ideias por escrito. Nesse sentido, entre as eventuais ressonâncias da experiência, resta discutir-se formas de amenizar esta situação, como resolução de problemas lexicais e gramaticais, entre outros identificados no registro escrito. Permanece a cons-ciência de que o projeto ainda não terminou, sendo seus frutos ainda visíveis em todo o ambiente escolar: maior adesão dos alunos junto às disciplinas, crescimento da motivação pelo estudo de LE e anseio por novas iniciativas semelhantes à empreendida. De um modo geral, o projeto ainda será submetido a alguns ajustes ao longo do ano de 2019, a fim de aprimorar cada vez mais a sua prática interdisciplinar quem sabe atingindo a composição de um novo cenário.
Entre outras questões, evidencia-se que a execução de projetos em sala de aula difere-se muito das formas tradicionalmente utilizadas, isso tanto para o ensino de Língua Inglesa quanto de outras disciplinas. No caso do projeto The New World Order Project Work: Wind of Change, podemos listar inúmeras contribuições para o processo de ensino e aprendizagem tanto do aluno quanto dos professores envolvidos. No que se refere ao aprendizado da língua inglesa, percebe-se que os alu-nos se envolveram com mais interesse em aprender, uma vez que, caso não se esforçassem, seriam evidenciados na participação com seus pares, aumentando a resiliência ante as dificuldades e, por meio disso, a sua motivação intrínseca. Outro fator que também contribuiu para o aumento do inte-resse foi, certamente, a presença de outros professores envolvidos, especialmente quanto à pronúncia da música, ensinada por professores distintos. Deve-se ainda levar em conta o maior empenho em aprender a pronúncia, o reforço na plausibilidade para o uso de uma LE. Nesse sentido, houve uma direta repercussão do conteúdo aprendido e seu uso concreto na canção. É, portanto, irrecusável o peso da usabilidade como fator preponderante para qualquer tipo de aprendizagem, especialmente em se tratando de uma LE.
A experiência adquirida pelo projeto instigou os alunos à curiosidade. A pesquisa pelos assun-tos envolvidos durante as aulas aumentou a participação individual em índices bastante expressivos, além de também contribuir no maior envolvimento em atividades em grupo. Os alunos se tornaram mais solícitos uns com os outros e com o andamento da disciplina. Todos queriam assumir alguma responsabilidade antes, durante e depois da execução do projeto. Houve casos de discussões e dispu-tas para decidir quem ajudaria os professores. Os alunos conseguiram relacionar conceitos abstratos às condições e realidades presentes no momento das atividades, aprenderam a questionar, exigir que haja mudanças no modo de ensino das demais disciplinas e que a escola seja um lugar de mais envol-vimento dos alunos em atividades extracurriculares, ou seja, que a escola e os professores saiam de seus casulos e comecem a mudar, gerando condições para que os alunos sejam os reais protagonistas de sua aprendizagem.
A realização de projetos dessa natureza mostra aos alunos novos ambientes de aprendizagem. Impulsiona-os a aprenderem com o que está além das quatro paredes da sala de aula. Projetos assim forçam que o foco da aula seja o aluno e não mais o professor, numa aproximação ao que é conheci-do como flip classroom em metodologias ativas. O professor, em contrapartida, reconhece seu papel de intermediador das conquistas. As avaliações escritas possibilitaram que os estudantes se sentis-sem plenamente identificados com o processo, capazes de reconhecer os próprios limites e as reais circunstâncias da aprendizagem. Além disso, a presença dos professores visitantes realçou entre os alunos a importância de aproveitarem oportunidades como o projeto executado, de valorizarem co-munidade escolar como um todo, com seus limites e potencial de mudança. Também o envolvimento das famílias ficou claro. Uma mãe relatou ter acordado às 4 horas da manhã para preparar o lanche que a filha levaria para o momento da partilha. No outro dia, partilhou as impressões descritas pela filha, que se mostrava mais interessada pelo ambiente escolar. Tornou-se evidente entre os alunos a importância de cultivarmos um olhar interdisciplinar, ou transdisciplinar, pois esta é a realidade do mundo que nos circunda.
Enfim, a experiência despertou nos alunos o potencial reflexivo e ativo necessário para a trans-formação da realidade escolar: Quem sou eu? Qual é a minha importância no mundo? O que estou fazendo aqui? Sentiram-se pessoas integradas, amadas, valorizadas e instigadas ao conhecimento. Sentiram-se mais autônomos para o empreendimento de seu próprio conhecimento o que não se pode estabelecer sem se valer dos laços sociais que os envolvem. Quanto à experiência do professor regente, este destaca ser um dos grandes momentos de sua vida como educador. Percebeu que seus conceitos de ensino instrumental, ensino interdisciplinar e ensino crítico, os quais o impelem a contribuir com o processo de ensino e aprendizagem, necessitam ser constantemente revistos em prol do aprimoramento de suas práticas. Resta, portanto, fazer desta experiência um apelo aos professores, alunos, coordenação e direção escolar a fim de que, apesar dos constantes desmontes a que são sub-metidos, permaneçam fieis em seu propósito de transformação.
ON INTERDISCIPLINARY INSTRUMENTAL CRITICAL ENGLISH TEACHING
Abstract: the current paper presents an experience report carried out in a three 9th grade elementary student groups project work termed as The New World Order Project Work – Wind of Change in the school Escola Centro de Orientação e Valorização do Adolescente e Mulher (ECOVAM), in the city of Aparecida de Goiânia, Goiás. The study is an attempt to resignify, based on an interdisciplinary approach to the teaching of English for specific purpose (ESP), the current paradigms of English language teaching in an elementary public school. The principal objectives are greater commitment of the students as protagonists of their learning process, better involvement and participation in classes, interaction among them and a more significant appropriation of the knowledge acquired.
Keywords: Interdisciplinarity. English for Specific Purpose. Critical Teaching.
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