Princípios
Princípios
Este espaço se constitui de alguns princípios basilares para orientar as práticas pedagógicas no Ensino Médio Integrado, pautadas em uma concepção crítica de Educação Física escolar
Os professores devem trabalhar em parceria e o currículo considerar o aluno sujeito de seu próprio aprendizado. Quando o trabalho é coletivo, aumentam-se as chances de se formar cidadãos autônomos e críticos.
O processo ensino-aprendizagem se dá quando o estudante consegue estabelecer conexões entre o que é aprendido com sua realidade cotidiana, ou seja, a relação entre o conhecimento e o contexto sócio-cultural ao qual está inserido. Para tanto, é preciso que haja o diálogo entre os agentes educacionais (professor-aluno), no sentido de valorizar o conhecimento prévio que os estudantes trazem de suas vivências e experiências.
Tido como um dos princípios de Paulo Freire, significa romper com aquela educação em que o professor exerce um papel ativo no processo pedagógico, depositando, transferindo o conhecimento para o aluno, e este o recebe passivamente, tornando-se um depósito de informações vindas do professor. Nessa educação só se formam indivíduos medíocres, tolhendo-lhes a capacidade de criatividade.
Paulo Freire defende a educação problematizadora. Para ele é uma abordagem humanística da aprendizagem concentrada no diálogo e no pensamento crítico entre os grupos oprimidos (classe menos favorecida) para lutar contra a invasão cultural do opressor (classe dominante).
O diálogo entre educadores e educandos se configura como metodologia que contribui para a formação crítica dos sujeitos envolvidos na prática pedagógica.
Uma educação que se pauta na valorização do conhecimento de mundo do educando, a partir do diálogo, é capaz de gerar a busca por novos conhecimentos. Através do diálogo o professor faz uma investigação de temas significativos da vida dos alunos sobre determinado conteúdo.
A problematização do conhecimento científico confrontada com a realidade histórica-cultural dos educandos se faz necessária para possibilitar o reconhecimento de mundo ao qual pertence e a construção de sua autonomia.
Por meio do diálogo o professor promove a mediação, contextualização e problematização dos conteúdos da cultura corporal e suas relações com contexto histórico, político e social, levantando questões de poder, de interesses e contestação, para chegar a uma visão descortinada e crítica da realidade.
O ensinar não se resume somente em transferir ou reproduzir conhecimentos, e sim possibilitar a produção crítica a partir da construção desses conhecimentos, o que leva a conscientização dos sujeitos.
Organiza o conhecimento e desenvolve o processo de ensino-aprendizagem de forma que os conceitos sejam apreendidos como sistema de relações de uma totalidade concreta que se pretende explicar/compreender (RAMOS, 2005). Tem sido utilizado como tentativa de contemplar uma compreensão global do conhecimento e de promover maiores parcelas de interdisciplinaridade na sua construção. A integração ressaltaria a unidade que deve existir entre as diferentes disciplinas e formas de conhecimento nas instituições escolares.
Consiste na interação entre as disciplinas como forma de superar a fragmentação curricular, na busca pela compreensão de temas de estudo de interesse comum, a partir do conhecimento específico de cada área, o que favorece a análise crítica e enriquece a visão de mundo dos estudantes.
A interdisciplinaridade, constituindo-se no meio para se promover o currículo integrado, contribui para a formação integral dos educandos, preparando-os para o mundo fora da escola.
Essa abordagem busca explicar temas e conceitos básicos relacionados à saúde e atividade física, discutindo o sentido de qualidade de vida e bem estar. Apesar do cunho biológico dessa abordagem não se afasta de questões sócio-culturais, como a inclusão de grupos habitualmente excluídos como sedentários, obesos, com baixa aptidão física, portadores de necessidades especiais (GUEDES; GUEDES, 1996; NAHAS, 1997).
A Abordagem Saúde-Renovada visa influenciar crianças e adolescentes para constituírem um comportamento mais saudável na fase adulta, estimulando assim uma vida mais ativa e com hábitos que promovem a saúde.
Tendo em vista a crítica que existe a essa abordagem, de que ela não considera fatores sociais e ambientais e limita a promoção da saúde apenas à questão individual, recorre-se à Abordagem Crítico-Superadora para complementar essa lacuna. Propõe-se, assim, além da conscientização dos estudantes sobre a importância de desenvolver um estilo de vida ativo, o diálogo e a problematização dos conceitos acerca da saúde, atividade física e qualidade de vida relacionados com temas sociais e ambientais atuais como políticas públicas relativas à mobilidade urbana, espaços públicos para a prática de atividade física, saúde pública.
Essa abordagem preocupa-se com a aprendizagem do objeto de estudo da Educação Física - a cultura corporal - de forma contextualizada historicamente e confrontada com a realidade do educando, possibilitando a reflexão crítica por parte destes sobre os conteúdos trazidos do seu cotidiano,relacionando-os com temas atuais, a fim de superar uma realidade que seja desfavorável socialmente para determinada classe (COLETIVO DE AUTORES, 1992).
Tem como premissa a oposição ao antigo modelo mecanicista baseado no desempenho físico, na seleção de talentos esportivos, no militarismo e no higienismo. Além disso, é dotada de um caráter político-pedagógico, pois visa encaminhar propostas para reflexão, intervenção e superação da realidade social das pessoas.
O professor deve adotar uma postura de diálogo em suas aulas, promovendo a mediação e problematização dos conteúdos da Cultura Corporal e suas relações com a sociedade, bem como confrontar o conhecimento do senso comum com o conhecimento científico, incentivando a curiosidade, a criticidade e a criatividade dos educandos.