Covanca
Aldeia situada no sopé do picoto de cebola, a Covanca é uma das aldeias mais importantes da freguesia. Dista cerca de vinte quilómetros da vila de Fajão hoje percorridos por uma estrada de qualidade em relação aos caminhos bastante agrestes e sinuosos de outrora. O percurso era palmilhado, frequentemente, para registarem os filhos, buscas de benesses das caritas e para sepultarem os seus familiares.
Esta aldeia viveu durante anos a fio num isolamento geográfico e cultural, só com a ida de alguns dos seus habitantes para as minas da Panasqueira e para as do Serralhoso (Ceiroco), e para as obras dos túneis de ligação entre a Barragem do Alto Ceira e a Barragem de Santa Luzia, é que a sua população começou a conhecer o mundo em que vivia.
A sua população sendo amigável e divertida depressa estabeleceu laços de proximidade e de afeto com as populações circundantes às minas da Panasqueira, como por exemplo, a vila de Cebola (hoje designada de S. Jorge da Beira), tendo inclusive, alguns habitantes da Covanca aí contraído matrimónio.
A religiosidade dos seus habitantes trazia-se no percurso domingueiro entre Covanca e Porto de Balsa, local onde era celebrada a eucaristia ao senhor. Aproveitavam, também para fazer algumas compras na loja do Sr. António Leitão.
A sua capela data de meados do séc. XVII sendo que não existem dados concretos sobre a sua origem. Sabe-se, todavia, que era no seu interior que eram sepultados os seus entes queridos. Mais tarde foi transformada em casa de habitação da família “Braz”. Este processo ficou conhecido como “as sortes da Capela”. No início do séc. XX foi construída outra capela que tinha um altar de talha dourada oferecida pela Igreja de Unhais-O-Velho. Já no fim do séc. XX foi demolida e construída a capela agora existente. O padroeiro é o Santo Amaro mas a festa é em Honra de Santa Barbara
Ao nível da instrução das suas gentes, também, esta população passou privações e dificuldades na medida em que quando não havia aulas na Covanca os alunos tinham de se dirigir para Porto de Balsa.
O correio foi assegurado durante muitos anos por um mendigo que fazia o percurso entre o Porto de Balsa e a Covanca, em alternativa quando o povo se descolava ao domingo à missa (Porto de Balsa) ficava a saber boas novas dos seus familiares.
“É primeira aldeia do concelho de Pampilhosa a ser banhada pelo rio Ceira” terra de abundância e fartura de água sempre teve nos seus terrenos férteis a fonte de alimentação das sua gentes. Reza a lenda que o seu nome deriva do facto do seu primeiro habitante se chamar de Covanca, depois chegaram as famílias “Braz”, “Marques” e os Franciscos”.
Os hábitos alimentares dos Covanquenses são: Chanfana, Cabrito assado no forno a lenha, trutas, Nabos Escoados, Sopas de Botelha com Feijão, tigelada, coscoréis, Pão leve. Arroz doce, bolinhos no forno.
É composta por um casario de traça xistosa em que muitas das habitações são, ainda rústicas e típicas ao jeito antigo.
A sua população está muita enraizada e mantem as suas tradições como se pode comprovar pela ligação que os migrantes e imigrantes têm com a sua terra. Esta ligação umbilical é traduzida na afluência aos convívios organizados pela associação de desenvolvimento local (Comissão de Melhoramentos da Covanca).
Ao nível das infraestruturas tem uma casa de convívio moderna e acolhedora que possui alojamento com cozinha, sala de Jogos com bilhar, sala de estar. Está situada na rua principal tendo ao lado um café com salão de festas.
No percurso entre a Covanca e Camba situa-se a barragem do Alto do Ceira. Esta possui uma zona envolvente que convida ao descanso e ao lazer com parque de merendas e zona verde muito frequentadas por turistas e locais.
Seguindo pela estrada municipal entre a Covanca e Fajão encontramos a placa indicativa da povoação de Camba.
Artigo Jornal "Serras da Pampilhosa"