É a povoação mais distante das sedes de freguesia e concelho.
Situa-se no extremo nordeste, a meio da encosta norte da serra do Picoto e relativamente perto da nascente do rio Ceira (cerca de 2 km). Nos seus limites se encontram as linhas divisórias de três concelhos, Pampilhosa da Serra, Arganil e Covilhã, consequentemente de dois distritos, Coimbra e Castelo Branco e três regiões, Beira Baixa, Beira Alta e Beira Litoral.
A configuração íngreme do terreno e a natureza xistosa do solo, que só permite o crescimento de mato rasteiro, obrigaram os que ali se fixaram a uma vida penosa e cheia de privações, em ambiente medieval de casas alapadas de xisto e laje, que subsistiu até há bem pouco tempo. Só com o aparecimento da associação regionalista S.U.P. de Covanca, em 01-06-1968, a situação foi alterada e começou a chegar o progresso.
O milho e as batatas serão atualmente talvez os principais produtos vindos da terra. Praticamente toda a cultura é sazonal já que o rigor do Inverno que se faz sentir em Covanca não permite manter culturas durante esse período. As cerejas, castanhas, abrunhos, medronhos são os frutos mais comuns. Os moinhos que ainda se mantêm ao longo do Rio Ceira (movidos pela força da água) fazem girar a mó que produz a origem de um dos principais alimentos de subsistência de antigamente, a broa de milho.
Covanca: https://covanca.wordpress.com/2008/03/25/aldeia-de-covanca/
SINTESE HISTÓRICA DA COVANCA
“O Passado
A aldeia de Covanca situa-se no Alto Ceira, sendo a primeira aldeia do concelho de Pampilhosa da Serra a ser banhada pelo Rio Ceira.
Segundo Pesquisas que foram efetuadas e com a ajuda de relatos de pessoas mais idosas, supõe-se que os primeiros habitantes terão chegado a este local nos princípios do século XVII e ao que consta, terá sido o Sr. Covanca o seu primeiro habitante. Não se sabe ao certo que razão veio para aqui viver, mas segundo relatos transmitidos através de gerações, terá vindo por castigo. Aqui, viveu muitos anos aproveitando o facto de ser uma zona junto ao rio, com um solo relativamente fértil e alguma abundância de água.
Algumas décadas depois vieram para aqui três famílias cujas casas hoje são ruínas. Foram eles “Braz”, os “Marques” e os “Franciscos” sendo os seus descendentes, hoje a maioria da população de Covanca.
Houve, também aqui outros limítrofes à Covanca que, outrora eram habitados, como o Vilar, o Soladinho, o Pomoiro, sítios onde, ainda hoje são a maior parte das fazendas cultiváveis, sendo nessa altura a freguesia o Val d`Égua, lugar que hoje está desabitado e das suas casas, apenas restam algumas paredes que o tempo ainda não consumiu.
Hoje a freguesia de Covanca é a vila de Fajão que fica situada cerca de vinte quilómetros de distância onde, hoje em dia, se chega rapidamente, mas tempos houve em que para se deslocarem à freguesia de Fajão tinham que ir a pé por caminhos bastante sinuosos, dado que não existiam estradas, a fim de tratarem dos seus assuntos, tais como:
• Registarem os seus filhos
• Buscar as dádivas da Cáritas
• Sepultarem os seus entes queridos
O povo de Covanca foi durante muitos anos um povo esquecido, que viveu num isolamento total e com muitas dificuldades. Só na década de trinta - quarenta é que começou a ter contacto com o seu concelho, que fica a cerca de quarenta quilómetros de distância e com o “Mundo”. Foi nessa altura que os homens começaram a trabalhar nas minas da Panasqueira e nas Serralhoso de Ceiroco (há muito abandonadas), ou nos túneis que hoje fazem o transvaso da água da Barragem do Alto Ceira para a Barragem de Santa Luzia.
Mas era nas minas da Panasqueira que a maioria dos homens ganhavam o seu sustento e da sua família, e que a muitos causou a morte, na maioria dos casos prematura, devido a uma doença chamada “Silicose”, também conhecida como doença dos mineiros. As viúvas ficaram, assim com muitos filhos nos braços e sem meios para os criar.
A população de Covanca tinha boas relações de amizade com as aldeias que circundavam as minas da Panasqueira tendo, inclusivamente alguns jovens mineiros contraído aí matrimónio, mas era com a vila de Cebola, hoje São Jorge da Beira, que havia mais aproximação por ser aí um local onde os mineiros se abasteciam dos artigos de primeira necessidade.
Foi na década de cinquenta e sessenta, a seguir à Segunda Guerra Mundial, que o povo desta aldeia mais sofreu. A alimentação era escassa e para sobreviverem como os seus antepassados haviam feito, alimentavam –se, essencialmente da pesca e da caça, porque o que se cultivava nos anos de pouca produção, não dava para o sustento de casa. O dinheiro era pouco ou nenhum e o pouco comércio que existia, por vezes, baseava-se na troca de produtos ( por exemplo, quando a sardinheira ia à povoação era frequente trocar sardinhas por ovos). Mas a alimentação destes habitantes, era sobretudo à base de sopas e de carne do porco que criavam (geralmente um por ano) e matavam para depois guardarem as carnes nas salgadeiras, fazerem enchidos, com que se iam alimentando ao longo do ano. A carne de cabra (chanfana) e de ovelha, também era utilizada nas suas refeições. Por esta altura já existia na Covanca uma pequena loja de comércio que vendia um pouco de tudo.
Aos Domingos o povo de Covanca deslocava - se à aldeia vizinha do Porto da Balsa para ir rezar ao Senhor e para fazer compras na loja do Sr. António Leitão, que compreendendo as dificuldades desta gente, muitas vezes lhes fiava os produtos.
Até á década de sessenta a Covanca vivia praticamente sem contactos com o exterior, não existiam estradas, telefones, correios, água canalizada e, muito menos, eletricidade. Até ser definitivamente construída a primeira escola, as aulas eram dadas numa casa de habitação cedida para o efeito pelo Sr. António Jerónimo, mas o que acontecia durante muitos anos era não haver professor para dar as aulas. Quando não havia professor para dar aulas em Covanca, a solução era a escola do Porto da Balsa, para onde as crianças tinham que se deslocar a pé, fazendo este percurso de cerca de dez quilómetros, muitas vezes debaixo de neve, chuva e frio.
Durante muitos anos foi um mendigo, que frequentou esta região que fazia o correio do Porto da Balsa à Covanca, ou então era o Povo de Covanca que aos domingos, aproveitando a ida à missa, levava consigo as boas novas dos seus familiares e amigos. (Nota: Não é nossa intenção e nem nos dá prazer, descrever aqui um rol de desgraças, mas sim ser o mais fiel possível à realidade da altura e dar a conhecer principalmente aos mais novos, as dificuldades e a realidade em que viveu esta simpática gente.)
A Coletividade
Nos anos sessenta rapazes e raparigas de Covanca foram procurar melhores condições de vida. Uns emigraram para o estrangeiro, mas a maioria foi para Lisboa e aí começaram a ter consciência de que só através do associativismo regionalista era possível mudar o modo de vida da aldeia. Deram as mãos e não se pouparam esforços e no ano mil novecentos e sessenta e oito fundaram a S.U.P.C. (Sociedade União e Progresso de Covanca). Escolheram para o símbolo da sua bandeira um Galo sobre uma colina, com o nascer do Sol por detrás, que simboliza o romper da aurora e o despertar para mais um dia de trabalho das gentes da serra, pois é esta força de vontade que fazem o Regionalismo.
Começaram a organizar festas, piqueniques, almoços anuais, excursões e outras iniciativas para assim conseguirem verbas para fazerem face aos melhoramentos de maior necessidade na nossa aldeia.
A nossa coletividade tem sido a alavanca do desenvolvimento da nossa aldeia, nalguns casos com ajuda da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra e da Junta de Freguesia de Fajão - Vidual. Embora ainda sejamos carentes de muitos melhoramentos, nomeadamente assistência médica e saneamento básico, a S.U.P.C contribuí para a concretização de vários melhoramentos:
• Abastecimento de água canalizada;
• Empedramento das ruas
• Eletricidade
• Telefones
• Arranjo de Caminhos
• Cemitério
• Construção de Nova Capela
• Reforço de captação de água (dois furos)
• Colaboração na abertura da estrada da barragem do Alto Ceira até ao Vilar.
A Covanca tem uma casa do povo, que muito nos orgulha. Possui um salão de Festas, com capacidade para cerca de duzentas pessoas, uma sala de jogos, duas salas de reuniões e uma sala destinada para consultas médicas, um bar e ainda uma zona de habitação. Queremos aqui referir que este melhoramento teve um contributo muito especial de um sócio da nossa colectividade emigrante na África do Sul. Mas o que mais nos enche de alegria e satisfação é a concretização do melhoramento mais desejado no Alto Ceira, pelo qual a nossa coletividade sempre lutou, que é alcatroamento da Estrada Nacional 344, que liga toda a região do concelho ao distrito de Castelo Branco e nos proporciona melhor acesso, sendo agora mais fácil visitar, por exemplo, o Piódão e outras aldeias vizinhas. Todo o concelho da Pampilhosa beneficia com este melhoramento, pois para além de toda a região do Alto Ceira ter melhores condições de acesso para visitar o seu concelho, será também uma mais valia para o desenvolvimento de toda a região, principalmente, a nível turístico. Para dar mais significado a este grande melhoramento a nossa coletividade tem agendado para o dia vinte e dois de Janeiro de 2000 a sua inauguração, contando com diversas personalidades do distrito e principalmente do nosso concelho.
A Covanca, “a menina bonita do Alto Ceira”, como já alguém a apelidou, merece ser visitada pelas suas magnificas paisagens, pela sua gente, muito simpática e hospitaleira, que sabe muito bem receber todas as suas visitas. Apesar de ter apenas, cerca de cinquenta habitantes (permanentes) é ainda assim, a aldeia do Alto Ceira com maior população, tendo-se nestes últimos anos, assistindo a uma assinalável reconstrução e construção de várias casas de habitação, o que significa que muitos tem ideias de voltar às suas raízes e assim, não deixar morrer a aldeia que os viu nascer. As atividades principais do povo de Covanca são a agricultura e a pastorícia, mas há aqueles que também se dedicam à apicultura, uns por necessidade e outros por lazer.
A comunidade covanquense em Lisboa está bem representada pelas suas gentes que exercem atividades em diversos ramos, principalmente, na hotelaria onde, tem empresários com bastante sucesso.
A Religião
A primeira capela da nossa aldeia foi construída em meados do século XVII sendo também, o local onde eram, na altura, sepultados os seus entes queridos. Mais tarde sofreu alterações e foi habitação da família do Sr. Manuel Braz e esse local ficou conhecido como “as sortes da capela”.
No princípio do século XX foi edificada uma capela no centro da aldeia que ostentava no seu interior um belo altar de talha dourada oferecido pela igreja de Unhais. Em 1997 foi demolida e construída uma nova, no mesmo local, mais moderna, mais espaçosa e acolhedora, tendo sido para a comissão formada para o efeito e para todos os covanquenses uma honra muito grande, na inauguração, termos entre nós a presença de diversas personalidades do nosso distrito, nomeadamente, sua Excelência Reverendíssima D. Eurico Dias Nogueira.
O nosso padroeiro é o Santo Amaro, mas é à festa de Santa Bárbara, que se realiza no terceiro fim de semana de Agosto que mais covanquenses vão de visita à sua aldeia. Outra festa para nós com muito significado é a festa de Nossa Senhora de Fátima que tem lugar em Maio, dando à nossa aldeia muita cor e alegria com a procissão a percorrer as ruas enfeitadas para esse fim, indo de casa em casa.
Noutros tempos a Covanca era local de passagem e de abrigo para muitos peregrinos que a pé percorriam montes e vales por caminhos difíceis para irem cumprir as suas promessas ao Vale da Maceira, à Senhora das Preces.
Gastronomia
Os pratos típicos da nossa aldeia são:
• A chanfana
• O cabrito assado no forno a lenha
• Nabos escoados
• Sopa de botelha com feijão
• Tiborna
Doces
• Tigelada
• Coscoréis
• Pão leve
• Arroz Doce
• Bolinhos no forno
Cultura e Desporto
De há uns anos a esta parte a nossa coletividade organiza, anualmente, uma excursão que nos tem proporcionado momentos agradáveis de convívio e onde tem sido possível visitar diversos locais históricos do nosso País, o que contribuí também para reforçar a amizade entre todos os covanquenses.
Geralmente as nossas festas e almoços são muito concorridos e o ponto alto destes encontros são os nossos leilões que somam importâncias razoáveis e são a nossa maior fonte de receita, sendo a maioria das ofertas leiloadas da nossa aldeia.
Nas nossas festas, em Covanca, temos vindo a recuperar alguns dos nossos jogos tradicionais que em tempo se perderam e agora, voltaram a praticar de novo:
• O jogo da malha
• A corrida da saca (tem sido um enorme sucesso)
• O jogo do burro (o passatempo das horas de lazer dos homens que ainda vivem em Covanca).
É habitual termos nestes convívios, para nos animar a presença do Duo Irmãos Marques, filhos de naturais de Covanca. Estes jovens têm ao que tudo indica, uma carreira musical bastante promissora, tendo sido finalista da última edição do programa Cantigas da Rua e lançaram recentemente o seu primeiro trabalho em CD. Representaram também a freguesia de Fajão no programa Jardim das Estrelas e o nosso concelho na II Semana Cultural que decorreu na Feira Popular de Lisboa.
A Sociedade União e Progresso de Covanca não tem esquecido a parte desportiva e para tal formou o seu Grupo Desportivo composto praticamente por jovens filhos de naturais de Covanca, que estão em atividade durante o ano inteiro. Treinam todos os fins de semana, o que permite um grande convívio entre eles e acima de tudo fomenta um grande espírito de união e amizade, criando também, assim um orgulho e um amor pela aldeia dos nossos pais. Tudo isto contribui para que mais tarde se venham a colher os frutos desta dedicação e trabalho. Estes jovens, na verdade, não tem deixado os seus créditos por mãos alheias, principalmente, em torneios de futebol 5, organizados a nível concelhio, onde por várias vezes, têm obtido o 1º lugar, o que muito nos honra e encoraja para continuar a apoiar estes jovens, alguns dos quais inclusivamente fazem parte dos órgãos sociais da nossa coletividade.
Projetos
Apesar de já existir uma casa de turismo rural, a Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra cedeu à S.U.P.C. o edifício da escola, que já há alguns anos se encontrava inativa por não haver alunos para a frequentar, para que esta seja aproveitada para turismo. Para tal elaborámos um projeto que está em vias de ser aprovado e consequentemente, ser comparticipado com verbas do Estado, havendo assim, mais uma razão para visitar a Covanca e o Alto Ceira.
Esperamos, também, a aprovação de mais três projetos que já foram entregues ( a reconstrução de dois moinhos e um forno comunitário). Temos também já concluído um outro projeto mais ambicioso que consiste num complexo desportivo que inclui um restaurante panorâmico e um espaço com capacidade para se praticarem diversas modalidades e que no futuro, também possa também vir a ser palco para as nossas festas ao ar livre.”
Artigo retirado do Jornal Serras da Pampilhosa, Janeiro de 2000