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O que é lógica?
A lógica faz parte do nosso dia-a-dia. Quando nos dispomos a conversar com as pessoas, usamos argumentos para expor e defender nossos pontos de vista. Um exemplo é quando os pais discutem com seus filhos adolescentes sobre o que podem ou não fazer, e estes rebatem com outros argumentos.
Sendo assim, precisamos averiguar o que sustenta nossos raciocínios, o que os torna válidos e em que casos são incorretos. O estudo da lógica serve para organizar as ideias de modo mais rigoroso, para não nos enganarmos em nossas conclusões. Vamos aqui examinar como surgiu a lógica na Antiguidade grega. Embora os sofistas e também Platão tenham se ocupado com questões lógicas, nenhum deles o fez com a amplitude e o rigor alcançados por Aristóteles (séc. IV a.C.). O próprio filósofo, porém, não denominou seu estudo de ‘lógica’, palavra que só apareceu mais tarde, talvez no século seguinte, com os estóicos.
ETIMOLOGIA :
Lógica, do grego ‘logos’, significa "palavra ", "expressão", "pensamento ", "conceito", "discurso ", "razão".
A obra de Aristóteles dedicada à lógica chama-se Analíticos e, como o próprio nome diz, trata da análise do pensamento nas suas partes integrantes. Essa e outras obras sobre lógica foram reunidas com o título de Organon, que significa "instrumento" e, no caso, instrumento para se proceder corretamente no pensar. Vejamos o que significa a lógica, como instrumento do pensar:
* estudo dos métodos e princípios da argumentação;
* a investigação das condições em que a conclusão de um argumento se segue necessariamente de enunciados iniciais, chamados premissas;
* estudo que estabelece as regras da forma correta das operações do pensamento e identifica as argumentações não válidas.
GLOSSÁRIO:
Termo e proposição: A proposição é um enunciado no qual afirmamos ou negamos um termo (um conceito) de outro. No exemplo "Todo cão é mamífero'' (Todo C é M), temos uma proposição em que o termo "mamífero'' afirma-se do termo "cão''. A proposição pode ser verdadeira (v) ou falsa (f).
Argumento: Um conjunto de duas ou mais proposições que concorda ou discorda de certo raciocínio; Um argumento é composto por uma ou mais premissa(s) e possui uma ou mais conclusões.
Premissa: É uma ou mais sentença(s) que, caso sejam V, apoiam a aceitabilidade de conclusão .
Conclusão: Raciocínio sustentado pelo(s) argumento(s).
Valor de verdade: a possibilidade da afirmação ser V ou F.
Validade do argumento: Um argumento é válido quando da verdade de suas premissas segue-se
necessariamente a conclusão.
Solidez do argumento: Um argumento é sólido quando possui premissas e conclusões V.
Um bom argumento é um argumento que é válido e sólido.
Exemplo de argumento: Premissa 1: Todos os homens são justos.
Premissa 2: Giges(um homem) é injusto.
Conclusão: Nem todos os homens são justos.
Argumentos dedutivos têm a conclusão necessariamente verdadeira, se as premissas forem verdadeiras. Nos argumentos dedutivos, nossas conclusões já estão contidas, mesmo que implicitamente, em nossas premissas.
Argumentos indutivos têm a conclusão provavelmente(probabilidade) verdadeira, se as premissas forem verdadeiras.
Falácias:
Falácias são argumentos que têm a pretensão de ser corretos e conclusivos mas que, no entanto, possuem algum erro em sua estrutura ou seu conteúdo. São majoritariamente encontradas em pensamentos envolvendo maus raciocínios ou ilusões que fazem com que um mau argumento pareça adequado quando, na verdade, é frágil ou inconsistente. Também podem ser chamadas sofismas, que são raciocínios elaborados maliciosamente a fim de enganar o interlocutor, ou paralogismos, que são raciocínios falsos mas, diferentemente dos sofismas, sem a intenção de enganar.
São diversos os modos de uso do termo ‘falácia’. De maneira mais geral, é utilizada para fazer referência a qualquer falsa crença ou ideia equivocada, como quando alguém afirma que “todos os patos são brancos.” Em filosofia, as falácias fazem parte do campo de estudos da lógica e nesse campo são definidas, mais estrita e tecnicamente, como erro de argumentação ou de raciocínio e são, geralmente, aplicados pelos lógicos àqueles argumentos que, apesar de incorretos, podem parecer convincentes, de modo que apenas um exame cuidadoso é capaz de revelar seu erro.
Falácias formais
Falácias formais são erros que dizem respeito à forma de um raciocínio, independentemente de seu conteúdo, violando, assim, alguma regra formal das diversas que são tratadas no campo da lógica. O seguinte exemplo apresenta uma falácia formal:
Messi é craque
Cristiano Ronaldo é craque
Logo, Messi é Cristiano Ronaldo
O exemplo acima é um tipo do que chamamos de inferência lógica e pode ser logicamente apresentado da seguinte maneira:
A = B
C = B
logo, C = A
É possível perceber a falácia desta inferência apenas pela observação de sua forma, não importando qual é o contexto, o tema ou os elementos que são tratados na argumentação.
Falácias não-formais
Diferentemente das falácias formais, as falácias não-formais são os erros de raciocínio em que é possível incorrer por falta de atenção, de cuidado, de conhecimento, por um engano provocado por alguma ambiguidade da linguagem ou, ainda, por uso de alguma argumentação maliciosa no que diz respeito ao tema tratado. Veja-se o exemplo abaixo:
Todos os prédios são plantas
Todas as plantas têm clorofila
Portanto, todos os prédios têm clorofila
Esta inferência possui a seguinte forma lógica:
A = B
B = C
logo, A = C
Pode-se ver que a forma acima está correta, não possui falácia formal. Contudo, há no conteúdo da argumentação um engano provocado pelo duplo sentido da palavra ‘planta’, que pode significar tanto uma espécie de vegetal quanto o projeto de um determinado edifício. É, portanto, uma falácia não-formal.
As falácias não-formais possuem uma quantidade considerável de classificações que se acumularam no decorrer da história da lógica, de maneira a dificultar seu agrupamento em um único campo. Aristóteles as havia dividido em dois grupos, chamados pelos escolásticos de in dictione, quer dizer, os de acordo com o modo de se expressar, e extra dictionem, ou seja, aqueles que são independentes do modo de expressão. Estas somavam treze diferentes classificações de falácia. Posteriormente, diversas variações das classificações de Aristóteles foram identificadas como falácias não-formais, além de novas classificações, de modo que os manuais de lógica ainda não estabeleceram nenhum sistema definitivo de classificações dos tipos de falácias não-formais.
Exemplos de falácias não-formais
Argumentum ad verecundiam
Consiste em validar um argumento em cima da reputação de alguém. A conclusão desse raciocínio se baseia tão somente na credibilidade de quem a expõe ou pratica uma ação. Exemplo: O cantor Zeca Pagodinho consome bebidas alcoólicas. Logo, ingerir bebidas alcoólicas deve ser algo bom.
Fora os efeitos de relaxamento que o consumo do álcool pode trazer, esse raciocínio deixa de lado situações prejudiciais causadas pela bebida, como acidentes de trânsito, risco de câncer, violência. Há também o fato de que mesmo sendo um cantor de relevância no cenário nacional, ele não é uma referência na área da saúde.
Apelo à emoção
Você tentou manipular uma resposta emocional no lugar de um argumento válido ou convincente. Apelos à emoção são relacionados a medo, inveja, ódio, pena, orgulho, entre outros.
É importante dizer que às vezes um argumento logicamente coerente pode inspirar emoção, ou ter um aspecto emocional, mas o problema e a falácia acontecem quando a emoção é usada no lugar de um argumento lógico. Ou, para tornar menos claro o fato de que não existe nenhuma relação racional e convincente para justificar a posição de alguém. Exceto os sociopatas, todos são afetados pela emoção, por isso apelos à emoção são uma tática de argumentação muito comum e eficiente. Mas eles são falhos e desonestos, com tendência a deixar o oponente de alguém justificadamente emocional.Exemplo: Lucas não queria comer o seu prato de cérebro de ovelha com fígado picado, mas seu pai o lembrou de todas as crianças famintas de algum país de terceiro mundo que não tinham a sorte de ter qualquer tipo de comida.
Ônus da prova
Você espera que outra pessoa prove que você está errado, em vez de você mesmo provar que está certo. O ônus (obrigação) da prova está sempre com quem faz uma afirmação, nunca com quem refuta a afirmação. A impossibilidade, ou falta de intenção, de provar errada uma afirmação não a torna válida, nem dá a ela nenhuma credibilidade.
No entanto, é importante estabelecer que nunca podemos ter certeza de qualquer coisa, portanto devemos valorizar cada afirmação de acordo com as provas disponíveis. Tirar a importância de um argumento só porque ele apresenta um fato que não foi provado sem sombra de dúvidas também é um argumento falacioso.Exemplo: Beltrano declara que uma chaleira está, nesse exato momento, orbitando o Sol entre a Terra e Marte e que, como ninguém pode provar que ele está errado, a sua afirmação é verdadeira.
Falácia do apostador
Esta falácia de aceitação comum é provavelmente o motivo da criação de Las Vegas. Apesar da probabilidade geral de uma grande sequência do resultado desejado ser realmente baixa, cada lance do dado é, em si mesmo, inteiramente independente do anterior. Apesar de haver uma chance baixíssima de um cara-ou-coroa dar cara 20 vezes seguidas, a chance de dar cara em cada uma das vezes é e sempre será de 50%, independente de todos os lances anteriores ou futuros. Exemplo: Uma roleta deu número vermelho seis vezes em sequência, então Gregório teve quase certeza que o próximo número seria preto. Sofrendo uma forma econômica de seleção natural, ele logo foi separado de suas economias.
Falácia do Espantalho
A falácia do espantalho consiste em deturpar um argumento e assim utilizá-lo para atacar o interlocutor. Exemplo:
Maria: É preciso repensar a política de combate às drogas.
Pedro: Lá vem esse pessoal dizer que o melhor é liberar as drogas.
Maria afirma que é preciso repensar o modo com que se luta contra os entorpecentes. Pedro, porém, já interpreta o argumento como se ela tivesse dito que o melhor seria liberar qualquer tipo de substância ilícita. Se uma pessoa desconhece a fala de Maria pensará que ela defende a liberação das drogas, algo que em nenhum momento foi dito por ela.
Falácia ad hominem
Esta falácia tem como intuito atacar a pessoa que enunciou o argumento. Por isso, é considerada ad hominen, expressão em latim que significa contra o homem. Exemplo:
X: Sou a favor do casamento gay.
Y: Só mesmo um ignorante como você poderia ser a favor disso.
Observe que Y não busca refutar o argumento em si, "casamento gay", mas parte para uma agressão contra X, chamando-o de ignorante.
Falácia do Escocês
Consiste em apresentar um argumento e seu contra-argumento. Desta forma, o argumento inicial se torna inválido.
Todo verdadeiro escocês gosta de uísque
Meu pai é escocês e não gosta de uísque.
Logo, seu pai não é um verdadeiro escocês.
A premissa para ser um "verdadeiro escocês" é gostar de uísque e quem não compartilha desta opinião estará naturalmente excluído de ser um "verdadeiro escocês". Aqui temos um caso de premissas que podem levar à conclusões equivocadas como vemos com Aristóteles.
Falácia da Ladeira Escorregadia (ou Bola de Neve)
A partir de um fato, o interlocutor sempre o aumenta a fim de acabar com o argumento proposto. Exemplo: Se legalizamos o consumo da maconha todos vão querer experimentá-la, em pouco tempo estarão viciados e a sociedade se transformará em um bando de zumbis drogados vagando pelas ruas.
Sem qualquer comprovação factual ou científica, exagera-se o fato da legalização da maconha estendendo seu consumo à toda sociedade.
Composição
Consiste em atribuir características próprias de um elemento ao todo que se integra. Exemplo:
João joga muito bem futebol e assim seu time ganhará sempre.
O fato de João jogar bem, não significa que toda sua equipe também fará o mesmo
Divisão
Ao contrário da composição, consiste em dar características do todo apenas um elemento. Exemplo:
O Barcelona é o melhor time do mundo e João será um ótimo jogador ali.
Neste caso, não basta que o Barcelona seja uma ótima equipe para fazer um indivíduo ser um bom atleta ali. Muitas vezes é exatamente o contrário.
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Argumentum ad Temperantiam (Meio-termo)
Você declara que uma posição central entre duas extremas deve ser a verdadeira. Em muitos casos, a verdade realmente se encontra entre dois pontos extremos, mas isso pode enviesar nosso pensamento: às vezes uma coisa simplesmente não é verdadeira, e um meio termo dela também não é verdadeiro. O meio do caminho entre uma verdade e uma mentira continua sendo uma mentira. Exemplo: Mariana disse que a vacinação causou autismo em algumas crianças, mas o seu estudado amigo Calebe disse que essa afirmação já foi derrubada como falsa, com provas. Uma amiga em comum, a Alice, ofereceu um meio-termo: talvez as vacinas causem um pouco de autismo, mas não muito.
Ad populum
Você apela para a popularidade de um fato, no sentido de que muitas pessoas fazem/concordam com aquilo, como uma tentativa de validação dele. A falha nesse argumento é que a popularidade de uma ideia não tem absolutamente nenhuma relação com a sua validade. Se houvesse, a Terra teria se feito plana por muitos séculos, pelo simples fato de que todos acreditavam que ela era assim. Exemplo: Luciano, bêbado, apontou um dedo para Jão e perguntou como é que tantas pessoas acreditam em duendes se eles são só uma superstição antiga e boba. Jão, por sua vez, já havia tomado mais cerveja do que deveria e afirmou que já que tantas pessoas acreditam, a probabilidade de duendes de fato existirem é grande.
Apelo à autoridade
Você usa a sua posição como figura ou instituição de autoridade no lugar de um argumento válido. (A popular "carteirada".) É importante mencionar que, no que diz respeito a esta falácia, as autoridades de cada campo podem muito bem ter argumentos válidos, e que não se deve desconsiderar a experiência e expertise do outro. Para formar um argumento, no entanto, deve-se defender seus próprios méritos, ou seja, deve-se saber por que a pessoa em posição de autoridade tem aquela posição. No entanto, é claro, é perfeitamente possível que a opinião de uma pessoa ou instituição de autoridade esteja errada; assim sendo, a autoridade de que tal pessoa ou instituição goza não tem nenhuma relação intrínseca com a veracidade e validade das suas colocações.
Exemplo: Impossibilitado de defender a sua posição de que a teoria evolutiva "não é real", Roberto diz que ele conhece pessoalmente um cientista que também questiona a Evolução e cita uma de suas famosas falas.
Exemplo 2: Um professor de matemática se vê questionado de maneira insistente por um aluno especialmente chato. Lá pelas tantas, irritado após cometer um deslize em sua fala, o professor argumenta que tem mestrado pós-doutorado e isso é mais do que suficiente para o aluno confiar nele.
Generalização Precipitada (Dicto simpliciter)
A amostra é demasiado limitada e é usada apenas para apoiar uma conclusão tendenciosa.
Exemplo 1: Fred, o australiano, roubou a minha carteira. Portanto, os Australianos são ladrões.
Exemplo 2: O exercício é algo bom, logo, todos devem se exercitar. (Ao generalizar, não leva em consideração pessoas com problemas de saúde que devem evitar exercícios).
Petição de Princípios
A expressão latina petitio principii ("petição de princípio") indica uma retórica falaciosa que consiste em afirmar uma tese, que se pretende demonstrar verdadeira na conclusão do argumento, já partindo do princípio de que essa mesma conclusão é verdadeira e empregando essa pressuposição em uma das premissas. Exemplos:
"Como eu não estou mentindo, claro que eu estou dizendo a verdade."
"Deus existe porque diz na Bíblia e a Bíblia é a palavra de Deus".
Falsa Dicotomia
É quando se apresenta dois estados alternativos como as únicas possibilidades para alguma coisa, quando, de fato, existem outras possibilidades. Também conhecido como falso dilema ou preto-e-branco, essa tática insidiosa aparenta formar um argumento lógico. Porém, sob um olhar mais cuidadoso, torna-se evidente que existem mais possibilidades do que a escolha que foi apresentada. O pensamento binário não permite as diferentes variáveis, condições e contextos em que poderiam existir mais do que apenas as duas possibilidades apresentadas, enquanto enquadra o argumento equivocadamente e atrapalha um debate honesto e racional.
Exemplo: Enquanto reunia apoio para seu plano que iria, fundamentalmente, diminuir o direito dos cidadãos, o Supremo Líder disse às pessoas que ou elas estavam ao seu lado, ou estavam do lado do inimigo.
Falsa Causalidade
Quando se apela à falsas correlações de fatos : Ao apontar para um gráfico complicado, Rogério mostra que as temperaturas vem aumentando nos últimos séculos, enquanto que o número de piratas vem diminuindo; logo, os piratas causam resfriamento global e portanto o aquecimento global é uma farsa.
Falsa Analogia
A falsa analogia é uma falácia que ocorre quando a conclusão de um argumento depende de uma semelhança entre dois objetos que possuem diferenças relevantes. Por exemplo:
Foi descoberta a cura do câncer de pulmão em seres humanos. Um novo medicamento foi testado em ratos e mostrou uma eficácia extraordinária. Como seres humanos são mamíferos assim como ratos e compartilham uma série de semelhanças com esses, é certo que também curará o câncer em seres humanos.
Falácia do atirador
É quando se filtra propositalmente um conjunto de dados para poder encaixá-lo no argumento. Essa falácia é uma metáfora a um atirador que, após disparar aleatoriamente em diferentes alvos, escolhe apenas os alvos em que acertou no centro como evidência de suas habilidades. Neste caso, se o atirador tivesse usado todos os alvos como análise de sua perícia, teria se mostrado menos habilidoso. Além disso, padrões podem aparecer naturalmente por acaso, sem indicar necessariamente que existe uma relação entre dados.Exemplo: Um fabricante de refrigerante mostra que, dos cinco países onde sua bebida é mais vendida, três deles estão entre os dez países mais saudáveis do planeta, e por isso os seus refrigerantes são saudáveis.
Argumento Circular (Raciocínio Circular)
Um argumento circular ocorre quando a conclusão está incluída na premissa.
Esse argumento logicamente equivocado frequentemente nasce em situações em que pessoas possuem uma suposição forte e há longo enraizada, daquelas que se tem como um axioma, verdades inquestionáveis universalmente válidas. Pensamento circular é ruim porque não é muito bom. Exemplo: A palavra de Zorbo, O Grande, é impecável e perfeita. E todos sabemos disso pois ele diz isso no seu manuscrito “O Grande e Infalível Livro das Melhores e Mais Verdadeiras Coisas Ditas Por Zorbo Que São Definitivamente Verdadeiras e Nunca Devem ser Questionadas”.
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Proposições:
Tautologia, contradição e contingência:
Algumas proposições são logicamente verdadeiras. Por exemplo: o gato é um gato. Não é necessário observar qualquer gato para saber que essa afirmação é verdadeira. Esse tipo de afirmação é uma verdade necessária e é chamada de tautologia. São afirmações que são sempre verdadeiras.
Contradições são afirmações necessariamente falsas que logicamente destoam entre si. Um exemplo é: Um solteiro é um casado. Não é necessário observar se algum solteiro para saber que o solteiro é casado é falso.
Por fim, há afirmações que não são necessariamente falsas, nem necessariamente verdadeiras. Por exemplo: baleias existem. Essa afirmação é verdadeira atualmente. No entanto, essa não é uma verdade lógica. Primeiro, porque temos que observar o mundo para saber que baleias existem. Segundo, porque no futuro elas podem deixar de existir pela ação do homem ou catástrofes naturais. Sendo assim, baleias existem é uma verdade contingente. A palavra é diferente mas não significa nada demais: contingente é o contrário de necessário.
O que é uma Definição?
Aristóteles também foi um dos primeiros filósofos que temos notícia que propôs uma “Teoria da Definição” em Segundos Analíticos. Segue alguns alguns apontamentos que correspondem com teorias contemporâneas de definição: Primeiro nos perguntamos “o que se define?” e “como se define?”, para Aristóteles;
(1)Uma definição precisa fornecer a essência daquilo que está sendo definido (definiendum).
(2)Uma definição não deve ser circular: Definir "cavalo" como "membro da espécie equus" não diz coisa alguma sobre como compreender o que "cavalo" quer dizer. Usar termos sinônimos para definir um termo implica circularidade. Esse vício é chamado de circulus in definiendo. Por outro lado, usar termos correlatos ao que se quer definir é aceitável e, às vezes, inevitável.
(3) Uma definição não deve ser negativa quando ela pode ser positiva.( "saúde" como "ausência de doença". Tal recurso é às vezes inevitável; "ponto", por exemplo, é normalmente definido como "algo sem partes" e "cegueira" é normalmente definida como "ausência de visão em criaturas que geralmente a possuem")
(4) Uma definição não deve ser expressa em linguagem figurativa ou obscura. (Se uma definição pretende esclarecer ou explicar o significado de um termo através de outros termos, então esses termos não podem eles mesmos necessitar de maiores esclarecimentos, sob pena de necessidade de novas definições sucessivas, pode gerar a falácia ad infinitum.)
Temos muitos “tipos” de definições, entre elas, definições reais e nominais, que visam exprimir a, “essência” das coisas, sendo através do nome, ou referenciando suas qualidades objetivas ( “ouro” como: “Corpo amarelo, de um certo peso, maleável, fusível e fixo” é uma definição real), definições do dicionário, definições estipulativas, definições descritivas definições explicativas, definições ostensivas.
Uma definição não deve ser ampla demais, nem estreita demais. O ideal é que uma definição seja tal, que possa ser aplicada a todos os casos a que se aplica o termo, isto é, não deixe nada de importante de fora, e tal, que evite incluir coisas sobre as quais o termo não se aplica, isto é, não seja abrangente demais.
Alcançar consenso a respeito daquilo que pode ser considerada a definição de um termo, de uma coisa ou de um conceito em uma linguagem qualquer, formal ou não é muito complexo. Se buscamos resposta à questão socrática - como “O que é a Justiça?” - veremos que a definição real ou uma definição nominal depende da concepção que se faz dessa atividade filosófica particular. Quando buscamos uma resposta socrática, estamos tentando obter uma visão mais clara dos nossos usos da palavra "justiça", ou estamos tentando dar conta de um ideal que é, até certo ponto, independente desses usos? Sob a primeira concepção, estamos visando uma definição nominal; sob este último, em uma definição real.
ATIVIDADES:
1) O que é lógica? Escreva com suas palavras.
2) Identifique as premissas e conclusão dos seguintes argumentos, explicitando quaisquer premissas
ocultas:
Exemplo:
As ostras não são fósseis, pois nenhum fóssil pode ter relações sexuais e uma ostra pode ter relações sexuais.
Premissa 1: Nenhum fóssil pode ter relações sexuais.
Premissa 2: Uma ostra pode ter relações sexuais.
Conclusão: Logo, as ostras não são fósseis.
A) A pintura Escola de Atenas foi pintada por Rafael. Por isso é bonita, já que tudo o que é pintado por Rafael é bonito.
B) Não podes ser um bom filósofo se não sabes argumentar. Ora, tu sabes argumentar, portanto podes ser um bom filósofo.
C) Pavarotti é italiano, portanto é latino.
D) É verdade que alguns políticos usam argumentos falaciosos. Ora, somente os bons oradores são políticos, e alguns bons oradores usam argumentos falaciosos.
3) Distinguir, entre os argumentos abaixo, os dedutivos dos indutivos. Se o argumento for dedutivo, diga se é válido ou inválido, e, caso seja indutivo, diga se os considera forte ou fraco.
Ex. Nenhum mamífero é invertebrado. Posto que gatos são mamíferos, gatos são vertebrados.
Argumento dedutivo, válido e sólido.
A: A grande maioria dos entrevistados declarou que não votará no candidato da oposição. Logo, a oposição não vai ganhar as eleições.
B: João é solteiro. Logo, João não é casado.
C: Há fumaça saindo do supermercado e vários carros do Corpo de Bombeiros indo naquela direção. Podemos concluir,
portanto, que há um incêndio no supermercado.
D: Todos os miriápodes são marcianos. Todos os narápodes são miriápodes. Logo, todos os narápodes são marcianos.
E: Os grandes criadores musicais permitem certas dissonâncias nas suas sinfonias com a finalidade de realçar as partes harmoniosas. Ora, o mundo é como uma sinfonia. Daí que o criador do mundo permita a existência do mal com a finalidade de realçar o bem.
F: Impedir alguém que não é cristão de fazer aborto em nome da santidade da vida é como impedir os cristãos de comer carne de vaca em nome da divindade das vacas para os hindus. Ora, é errado impedir os católicos de comer carne de vaca porque os hindus consideram que as vacas são sagradas. Logo, é errado impedir os que não são cristãos de fazer aborto em nome da santidade da vida.
G: Todos os espanhóis são toureiros. Plácido Domingo é espanhol. Logo, Plácido Domingo é toureiro.
H: Todos os portugueses são latinos. Luís Figo é latino, portanto Luís Figo é português.
I: Ou bem uma obra é religiosa, ou bem é científica, sendo que é impossível que uma obra seja simultaneamente religiosa e científica. A Bíblia é uma obra religiosa. Logo, não é uma obra científica.
J: ABC é um triângulo equilátero. Logo, cada um dos seus ângulos internos tem 60 graus.
4 - “Todos os homens são mortais. Sócrates é homem, portanto Sócrates é mortal.” Sobre esse argumento, é correto afirmar que:
a) se trata de um ad hominem. c) se trata de um apelo à autoridade.
b) se trata de um argumento válido. d) se trata de uma falácia do apostador
5 - “Você sabe que Deus é justo e benevolente, porque Deus é Deus e não pode ser injusto ou não benevolente.”Sobre esse argumento, é correto afirmar que:
a) se trata de um argumento válido. c) se trata de uma petição de princípio.
b) se trata de um apelo à emoção. d) se trata de uma falsa analogia.
6 - “Deviam permitir aos estudantes consultar seus livros durante as provas. Afinal, os cirurgiões levam radiografias para se guiarem durante uma operação, os advogados consultam seus papéis durante um julgamento, os construtores têm plantas e projetos que os orientam na construção de uma casa. Por que, então, não deixar que os alunos recorram a seus livros durante uma prova?” Sobre esse argumento, é correto afirmar que:
a) se trata de um argumento válido. c) se trata de uma petição de princípio.
b) se trata de uma falácia do apostador. d) se trata de uma falsa analogia.
7 - “Todas as ações humanas são eventos, e todo evento tem causa. Nenhum evento que tenha causa pode ser uma manifestação de livre-arbítrio. Portanto, nenhuma ação humana pode ser uma manifestação de livre-arbítrio.”
a) se trata de um argumento válido. c) se trata de uma generalização precipitada.
b) se trata de uma falácia do apostador. d) se trata de uma falsa analogia.