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Aristóteles: Metafísica I
Por natureza, todos os homens desejam o conhecimento. Uma indicação disso é o valor que damos aos sentidos; pois, além de sua utilidade, são valorizados por si mesmos e, acima de tudo, o da visão. Não apenas com vistas à ação, mas mesmo quando não se pretende ação alguma, preferimos a visão, em geral, a todos os outros sentidos. A razão disso é que a visão é, de todos eles, o que mais nos ajuda a conhecer coisas, revelando muitas diferenças.
Ora, os animais nascem por natureza com o poder da sensação, daí adquirindo alguns a faculdade da memória, enquanto outros não. Por conseguinte, os primeiros são mais inteligentes e capazes de aprender do que aqueles que não podem se lembrar. [...] Assim, os outros animais vivem de impressões e memórias e só têm pequena parcela de experiência; mas a raça humana vive também de arte (techne) e raciocínio.
É pela memória que os homens adquirem experiência, porque as inúmeras lembranças da mesma coisa produzem finalmente o efeito de uma experiência única. A experiência parece muito semelhante à ciência e à arte, mas na verdade é pela experiência que os homens adquirem ciência e arte; pois, como diz Pólo com razão, “a experiência produz arte, mas a inexperiência produz o acaso”.
IDEALISMO PLATÔNICO E REALISMO ARISTOTÉLICO
[Aristóteles: O sexto capítulo do livro I da Metafísica contém uma crítica explícita à filosofia de Platão, especificamente à teoria das Ideias, sistematizando as principais dificuldades do dualismo platônico, ou seja, da relação entre o mundo das formas e o mundo natural.]
“... Platão seguiu-o e supôs que o problema da definição não se refere a coisa sensível mas a entidades de outro tipo, pela razão de que não pode haver definição geral de coisas sensíveis, que estão sempre mudando. Chamou essas entidades de “Ideias” e afirmou que todas as coisas sensíveis são nomeadas segundo elas e em virtude de sua relação com elas; pois a pluralidade de coisas que têm o mesmo nome das Ideias correspondentes existe por participarem delas.
[...] a teoria não tem lógica, pois enquanto os platônicos derivam a multiplicidade da matéria, embora sua Forma gere somente uma vez, é óbvio que apenas uma mesa pode ser feita de uma peça de madeira e, no entanto, aquele que lhe dá forma, apesar de ser um só, pode fazer muitas mesas. [...] Esse, pois, é o veredito de Platão para a questão que investigamos. Desse relato fica claro que ele considerava apenas duas causas: a essencial e a material; porque as Ideias são a causa da essência em tudo o mais e o Um é a causa da essência nas Ideias. Ele também nos diz qual é o substrato material de que as Ideias são dotadas no caso das coisas sensíveis e o que é o Um no caso das Ideias — o que vem a ser essa dualidade, “o Grande e o Pequeno”... “
Idealismo e Realismo
Teoria Aristotélica
Teoria Platônica