“Nessa acepção, podemos perceber que Maria não está sozinha nessa sua experiência no mundo. [...] os mesmos braços que a recebem, de baixo para cima, podem indicar o movimento inverso: o de colocá-la no chão, ou, ainda, é possível inferir, que Maria está acompanhada em todo o seu deslocar. [...]
[...] o movimento humano é uma linguagem,sem dúvida importante, mas que não está fora de outra: a das palavras ditas. Os passos de Maria, suas relações com o espaço em que vive, com os objetos, com as pessoas não estão ausentes das palavras. Ainda que, na sequência gráfica, não haja balões de fala, podemos depreender que muitas conversas devem estar ocorrendo ali, mesmo Maria sendo um bebê que ainda não domina esse código típico de linguagem tradicional humana. Nós sempre conversamos com nossos bebês, com nossas crianças, mesmo antes de seus nascimentos.
[...] Toda palavra dita/existente gera nascimentos diversos. As palavras se fazem nas histórias e geografias da humanidade, se transformam, se modificam, mas, em simultaneidades, fazem as histórias e geografias do humano, promovem ressurreições.
[...] Falamos de caminhadas, de passos como os dados por Maria, que podem ser passos, mas podem ser um colo ou seu engatinhar, seu arrastar; falamos de palavras que são doadas e que são gêneses de muitos nascimentos e também de mortes; falamos de poesias como as cantigas que afastam medos. Fiamos muitas palavras. Se reconhecemos que o princípio geográfico da existência é sempre o encontro entre aqueles que já caminham e os que chegam para a suas caminhadas, há uma outra evidência a não ser negada: as relações de cuidar e educar em suas dimensões éticas e antropológicas.
(Lopes, 2020)
https://drive.google.com/file/d/1P8zanyAoTlludwQiOC6PTMds5Mkfw9eC/view?usp=sharing
https://drive.google.com/file/d/1C_vcJHWokAOyoiNnRlaL9I1ohWioK0xn/view?usp=sharing
https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/25189
https://drive.google.com/file/d/1zIOf9WA5KDxulYKJPHj_Rwo1Lr7jZZ9F/view?usp=sharing
https://drive.google.com/file/d/1nC2DPAStPXtleCmapAZ46Te1hlmaG8Mt/view?usp=sharing
https://drive.google.com/file/d/1QygA3Czi-rDY2XfJ7GXT5bVmG80TYuth/view?usp=sharing
HAMPÂTÉ BÂ, A. Aspects de la civilisation africaine. Paris: Ed. Présence Africaine, 1972.
HAMPÂTÉ BÂ, A. Confrontações Culturais: Entrevista concedida a Philippe Decraene no Le Monde, em 25 de outubro de 1981. Apud: Thot, n º 80, abr. 2004, p. 3-12.
SALUM, Marta Heloisa Leub. África: culturas e sociedades, da série Formas de Humanidade, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, 2005.