O ensino de alguns temas da astronomia consta em documentos orientadores da educação no Brasil, como a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Mas além da educação formal, a astronomia pode ser ensinada na educação não-formal, em espaços como museus, planetários, palestras, minicursos, clubes de astronomia e aulas extraclasse, por exemplo.
Abaixo, eu reuni alguns projetos que eu desenvolvi para o ensino de astronomia.
Este trabalho é uma proposta de utilizar um servo motor MG90S, um display OLED e a placa Arduino Uno para a complementar a montagem de modelos tridimensionais de um rover marciano e de uma sala de controle. O principal objetivo é usar a astronomia como ferramenta motivadora para o estudo de robótica.
O projeto foi desenvolvido com a minha turma de robótica (contraturno - aulas extraclasse) do Ensino Fundamental II em uma escola em Curitiba.
Antes da construção dos modelos de rover e sala de controle, eu expliquei para os alunos um pouco sobre as características de Marte e a importância dos rovers que estão no planeta, especialmente o Curiosity e o Perseverance.
Materiais utilizados: placa Arduino Uno, servo motor, display OLED, jumpers macho-macho e macho-fêmea.
Estrutura e equipamentos do rover Curiosity.
Os modelos construídos são simplistas, mas sua função é apenas motivar os alunos a estudar robótica e astronomia, não esclarecer detalhes técnicos da ciência por trás dos rovers e dos controles de missão. A montagem pode ser vista abaixo:
Construção de estruturas com papelão (caixas de sabonete) e papel preto.
Encaixe do servo motor dentro da estrutura de papelão e fixação da pá do servo motor. As rodinhas de papel foram coladas.
Posição do servo motor dentro do modelo do rover.
Modelo pronto. A parte móvel (colada na pá), representa a estrutura onde está Chemistry & Camera (ChemCam) dos rovers reais.
Modelo funcionando após montagem e programação, feita com o software mBlock.
Nos rovers marcianos, esta estrutura também se movimenta, pois o instrumento ChemCam usa laser para vaporizar materiais (solo, rochas) e depois analisa a amostra com um espectrômetro.
Para o modelo de centro de controle de missões, utilizamos o display OLED. A frase que eu sugeri que fosse exibida é "O rover pousou", para simularmos uma confirmação do sucesso da missão.
Montagem da estrutura com os componentes.
Este trabalho foi apresentado na XLVII Reunião da Sociedade Astronômica Brasileira.
Aqui está o proceeding (em inglês). Em breve, uma pasta no Drive com instruções detalhadas de montagem da atividade e slides.
A ideia de outras civilizações habitando planetas distantes é explorada em filmes e séries de ficção científica há muito tempo. É natural que crianças tenham curiosidade e se perguntem se existe vida em outros planetas. Mas é necessário expandir concepções sobre o tema. A partir disso, é possível introduzir alguns conceitos de astrobiologia, inclusive em aulas de ciências no Ensino Fundamental I. Seres extremófilos, zona habitável, evolução da vida, entre outros conceitos, podem ser trabalhados com alunos do 4° ano. Estes temas se relacionam com os conteúdos trabalhados na Unidade Temática "Vida e Evolução" em Ciências da Natureza, segundo a Base Nacional Comum Curricular.
Eu idealizei um pequeno livro para servir de complemento às aulas de ciências sobre microorganismos. Neste material, conceitos da astrobiologia são trabalhados de forma simples. Existe um guia para os professores nas últimas páginas, pois espera-se que o livro sirva como apoio conceitual para os docentes que não tiveram contato com temas de astrobiologia em sua formação pedagógica. E quanto aos alunos, espera-se que eles possam se sentir mais motivados a aprender ciências e astronomia, além de entender que a possibilidade de vida fora da Terra vai muito além da ideia de homenzinhos verdes.
Algumas páginas do livro, mostrando alguns dos assuntos mencionados. O material foi feito com um template de slides do site Slides Go, para que o livro fosse chamativo e lúdico.
Esta proposta foi apresentada na XLVI Reunião da Sociedade Astronômica Brasileira.
Fique à vontade para usar este livro nas suas aulas. O material pode ser baixado aqui. Aconselho a impressão, mas ele pode ser lido digitalmente também.
Desde o começo, a humanidade tenta encontrar seu lugar no universo, seja através de mitos e religiões ou através da ciência e modelos matemáticos. Neste contexto, um dos conteúdos que aparecem no currículo do ensino médio é o de modelos cosmológicos, no qual geralmente são estudados o geocentrismo e o heliocentrismo. Hoje sabemos que a Terra não é o centro do universo, ela orbita o Sol - que também não é o centro de tudo. Mas então, como é o resto do universo? É importante que os alunos saibam, além destes modelos históricos, um pouco sobre a ciência contemporânea.
Apresentar a cosmologia padrão Lambda CDM na educação básica pode parecer muito desafiador, mas é possível introduzir o tema e falar brevemente sobre a composição e a evolução do universo. Eu estou trabalhando em um material didático que utiliza imagens e vídeos da simulação cosmológica IllustrisTNG para ir além da explicação dos modelos geocêntrico e heliocêntrico. Esta é uma tentativa de fazer uma transposição didática de assuntos atuais na ciência, visando aproximar a academia do ensino básico.
Por enquanto, a versão preliminar está aqui.
A astronomia extragaláctica é uma área que, embora não esteja contemplada em currículos da educação básica, pode ser trabalhada em ambientes de educação não-formal, como aulas extracurriculares, clubes de astronomia, museus, exposições e etc. Estes espaços geralmente apresentam representações visuais para divulgar ciência, mas isso pode prejudicar a compreensão de pessoas com deficiência visual. Esta é uma proposta de conjunto de 3 materiais táteis bem simples sobre galáxias, feitos com EVA, papel e miçangas. Mais detalhes podem ser vistos aqui, no resumo publicado nos anais do V Congresso Brasileiro Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia.
Diagrama de Hubble tátil, feito com EVA em diferentes texturas.
Componentes de uma galáxia espiral, feita com EVA em diferentes texturas e papel.
Via Láctea tátil, feita com EVA e miçanga para marcar a posição do Sol.