A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) funciona desde 1953, na época ainda como Escola Politécnica da Paraíba. Foi a partir da sua criação que outras universidades foram instaladas na cidade, tornando Campina Grande um centro universitário que atraía cada vez mais estudantes. Em 1973, juntamente com a Faculdade de Ciências Econômicas, foi integrada à Universidade Federal da Paraíba (UFPB), tornando-se o Campus II. A UFCG foi criada em 2002, a partir do desmembramento da UFPB, e conta hoje com sete campi.
O Curso de Design da UFCG iniciou suas atividades em 1978, como Bacharelado em Desenho Industrial. Foi o primeiro curso de Desenho Industrial integrado à área de tecnologia, inicialmente vinculado ao Curso de Engenharia Mecânica, e o primeiro do interior do nordeste, numa realidade em que os cursos criados até o momento estavam localizados nos grandes centros e eram vinculados a artes ou humanidades. O Curso de Desenho Industrial da UFCG teve sua origem no Laboratório de Desenho Industrial (um dos cinco implantados no Brasil pelo CNPq), até então dentro do Departamento de Engenharia Mecânica. Até que em 1993 foi definitivamente desmembrado do departamento de origem e transformado em Departamento de Desenho Industrial. No ano de 2013, o então Curso de Desenho Industrial passou a se chamar oficialmente Curso de Design, e em 2014 iniciamos as atividades do Mestrado em Design, abrindo nova porta para a inserção acadêmica da pesquisa em design na UFCG.
O pioneiro em Design Participativo na UFCG foi Luiz Eduardo Cid Guimarães, formado na PUC-Rio em 1981, e coordenador do Grupo de Design e Desenvolvimento Sustentável. Um projeto que ilustra sua visão foi de seu Mestrado e envolveu lavadeiras com problemas de saúde como varizes, dores na coluna, dermatite devido ao uso prolongado de produtos químicos. A ideia era desenvolver o produto de forma participativa, com as lavadeiras sugerindo ideias, modificações e melhorias. A partir das observações das lavadeiras e do protótipo, uma máquina de lavar que funciona a pedal foi projetada para que o produto fosse fabricado principalmente em concreto armado e com poucas peças de metal.
Outro caso foi do ex-aluno Sérgio Matos, que trabalhou com a fibra de arumã em um grupo de artesãos da etnia indígena Kuripaco, no Amazonas. A fusão do design com o artesanato materializa identidade e a cultura dos povos da floresta, perpetuando tradição, pertencimento, saberes seculares e ritos entre gerações.
Para finalizar, a pesquisa concluída no mestrado da UFCG por Geislayne Mendonça, em parceria com o INPA (AM), na Reserva Extrativista Auatí-Paraná, com árvores naturalmente caídas na forma de árvores mortas em pé, troncos caídos e galhos grossos. A madeira foi utilizada na confecção de móveis e os seus resíduos aplicados na produção de biojóias. Todo processo foi feito em conjunto com os comunitários enfatizando cada parte, da criação à confecção das peças.
A apresentação é o resultado de um conjunto de entrevistas abertas com o prof. José Luiz Mendes Ripper, um dos pioneiros do Design na PUC-Rio, sobre as origens do curso de Desenho Industrial na década de 70 e, em especial, da disciplina Planejamento Projeto e Desenvolvimento em Design - Projeto Básico, cuja abordagem metodológica inicial foi o Design Social, atualmente especificado como design em parceria/participativo. Tem-se em vista estabelecer pontes entre a abordagem metodológica design em parceria/participativo e a filosofia do ato responsável, tal qual exposta por Mikhail Bakhtin (1919). Ressalta-se a importância da abordagem na formação do discente, em especial, nos fundamentos de contextualização, significação, experimentação, ressignificação e encantamento. Defende-se que a abordagem possibilita ao discente o reconhecimento de uma das bases da filosofia do ato bakhtiniana que sustenta que "ser significa ser para o outro e através dele para si" e que esse reconhecimento é base para um projetar com responsabilidade em Design.