A BETTER SCHOOL LEADERSHIP
Erasmus KA121
Projeto 2021-1-PT01-KA121-SCH-000011723
2ª FORMAÇÃO
Erasmus KA121
Projeto 2021-1-PT01-KA121-SCH-000011723
2ª FORMAÇÃO
Estonia - one of the best Education systems in Europe (study visit to Estonia) -
VIPI Konsultatsioonid, em Talin (Estónia), entre 7 a 11 de novembro de 2022
Descrição do curso
De acordo com os últimos resultados do PISA:
• Os resultados dos alunos do ensino básico da Estónia são os melhores da Europa e estão entre os mais fortes de todo o mundo.
• A Estónia tem a menor percentagem de alunos com baixos desempenhos - metade em comparação com outros países.
• A Estónia tem muito pouca estratificação educacional em comparação com outros países - este sistema educacional é homogéneo e igualitário.
O objetivo do curso é dar a conhecer uma visão mais profunda do sistema educacional da Estónia. Este curso de benchmarking dá aos participantes a oportunidade de descobrirem, discutirem, partilharem conhecimento, trocarem ideias e experimentarem as escolas da Estónia, conhecendo e observando especialistas, professores e alunos. Pretende-se dar a conhecer, em profundidade, como funciona o sistema educacional da Estónia.
Principais tópicos deste curso (níveis possíveis - pré-primário, primário, secundário, ensino secundário superior)
- Aluno no centro (sistemas de apoio e integração de alunos com necessidades especiais)
- Professor no centro (desenvolvimento e suporte)
- Liderança e gestão em escolas, gestão colaborativa
1º dia de formação - 7 de novembro de 2022
O primeiro dia do curso de formação inicia-se na Casa do Professor, um centro de eventos e formação localizado no coração do centro histórico de Tallin, na praça principal da cidade.
O edifício, que remonta ao século XIII, sempre desempenhou um papel importante no desenvolvimento de Tallin. Primeiro, como residência de comerciantes ricos e cidadãos respeitados e, mais tarde, foi sede do Conselho da Cidade. Durante os primeiros anos da República da Estónia, foi residência do Presidente e acolheu o Governo Provisório.
Desde 1957, funciona aqui a Casa do Professor, já com uma longa história como centro cultural e educativo. A sua história e localização são prova da importância da educação na sociedade estónia, bem como do reconhecimento social e valorização da profissão docente na Estónia, um dos fatores apontados para o sucesso do sistema educativo deste pequeno país báltico, que surge em terceiro lugar na última edição do PISA, apenas atrás do Japão e de Singapura.
Para os estónios, aprender é um estilo de vida e, portanto, a educação é realmente valorizada pela sociedade, pois acreditam que a escola lhes abre um vasto leque de possibilidades. Por exemplo, o pré-escolar (dos 18 meses aos 7 anos) não é de frequência obrigatória, no entanto, é habitual que os pais das crianças que, por opção, entram diretamente para o equivalente ao nosso Primeiro Ciclo, os inscrevam em atividades de preparação para que possam acompanhar sem dificuldades os colegas.
Este primeiro dia, para além das atividades de apresentação dos participantes (oriundos de Portugal, Espanha, França, Croácia, Alemanha, Polónia e Suécia), fica também marcado pelo enquadramento do curso e por uma visão geral sobre o sistema educativo estónio (organização curricular, condições de
trabalho nas escolas, funcionamento dos estabelecimentos de ensino, autonomia e liberdade do professor na gestão do currículo,...).
Ao longo da semana, teremos oportunidade de visitar várias escolas de diferentes níveis de ensino e com diferentes práticas pedagógicas, bem como modelos de formação e treino dos professores, o que aguardamos com expectativa.
2º dia de formação - 8 de novembro de 2022
O segundo dia leva-nos numa longa viagem até ao sul da Estónia, à segunda maior cidade, Tartu, considerada a capital universitária do país, para visitarmos duas escolas com projetos educativos inovadores.
Na primeira, a Tartu Hansa Kool, tivemos oportunidade de assistir a duas aulas de Matemática e Ciências (4.º e 6.º anos) integradas num espaço amplo e aberto. Na verdade, tratam-se de 4 salas diferentes, com painéis deslizantes, que, quando abertos, formam um espaço único e muito acolhedor, de acordo com a filosofia Hygge. Em cada aula, alunos de 4 turmas, acompanhados de 4 professores, circulam pela “sala” de forma livre e autónoma e realizam as tarefas propostas que se encontram definidas nos 5 monitores espalhados pelo espaço. Os alunos realizam as tarefas por etapas de forma sequencial, auxiliando-se e partilhando ideias em pequenos grupos, num ambiente descontraído e colaborativo. As aulas de hoje eram sobre astronomia (4.º ano) e sobre o solo (6.º ano), temas que surgiram na sequência de dúvidas/sugestões apresentadas pelos alunos nas aulas anteriores. Quando precisam de maior isolamento, os alunos podem recolher-se em “caixas-sofá” insonorizadas para realizaram tarefas individuais e estudarem de forma autónoma. Os alunos pertencem a 4 turmas, no entanto estão agrupados por níveis de desempenho ou ritmos de aprendizagem, que não são notórios dada a constante interação e circulação de alunos, de tarefa em tarefa, num verdadeiro “caos perfeitamente organizado”.
Entre as duas aulas, houve lugar à discussão e colocação de dúvidas e para além dos esclarecimentos obtidos, foi sucintamente apresentado um projeto de mediação de conflitos inspirado num modelo desenvolvido pela polícia estónia – “Restore Justice”.
Durante a tarde, fomos recebidos na Tartu Forseliuse Kool, também uma escola Básica (1.º ao 9.º anos), que desde 2016 implementa o Projeto Ahhaa, desenvolvido na escola com o apoio da Universidade, com o objetivo de promover a autonomia dos alunos, o trabalho prático e colaborativo, através da ligação das aprendizagens a experiências da vida real. Para além da mudança nos currículos – os alunos podem escolher 2 disciplinas diferentes por ano, uma por semestre (Learning by Discovering, Happiness Elective, Discover the Musician in Youself, Money Wisdom,...), a escola introduziu diversas alterações no seu funcionamento diário, nomeadamente nos horários e na duração das aulas – entram mais tarde, aulas mais longas (até 85 minutos) e intervalos maiores (apenas 2 de 30 minutos cada). Em suma, o projeto assenta na autoaprendizagem e na autonomia, pois, segundo a Diretora, “não podemos dar-lhes a oportunidade de ‘não aprender’, mas podemos dar-lhes a oportunidade de escolher ‘como aprender’”.
3.º dia de formação – 9 de novembro de 2022
Hoje o dia foi consagrado à educação inclusiva.
A Tallinna Tondi Kool é uma escola dedicada exclusivamente aos alunos com necessidades educativas especiais, cuja fundação remonta a 1923, apenas cinco anos após implantação da República da Estónia, ainda antes da integração do país na antiga URSS. Desde muito cedo, as autoridades perceberam que havia um grupo de alunos que necessitava de uma atenção diferente e, portanto, de uma resposta diferente, o que está na génese desta escola, nessa época, apenas para acolher crianças com “deficiência mental”, papel que continuou a desempenhar no período soviético.
Hoje, a escola funciona num edifício recentemente requalificado (2020), com condições excecionais para receber alunos não apenas de Tallin (trata-se de uma escola municipal), mas também dos municípios vizinhos. Neste momento, acolhe 263 alunos, distribuídos por 43 turmas, com dois grupos internos (20 alunos), 9 grupos “after school” - complemento às aprendizagens da escola regular – e 130 funcionários, entre os quais 53 docentes e 13 técnicos especializados. Durante a remodelação, todo o “staff” foi consultado e deu sugestões sobre a conceção dos espaços e ambientes de aprendizagem, o que demonstra o cuidado e preocupação dos responsáveis políticos em aproveitar a experiência de quem está no terreno.
No sistema educativo estónio, os alunos que revelam algum tipo de dificuldade são sinalizados o mais precocemente possível, muitas vezes logo no pré-escolar, e avaliados por uma equipa multidisciplinar (“counseling team”), sob a tutela do ministério da educação, constituída por técnicos de várias áreas, que, em função do diagnóstico, recomenda o currículo e intervenção a adotar: Currículo Simplificado, “Coping Curriculum” ou “Nursing Curriculum” (casos que impliquem cuidados de saúde), e os encaminha para as escolas de Educação Inclusiva. Outro tipo de dificuldades de aprendizagem são acompanhadas e apoiadas nas escolas do ensino regular, se/enquanto os resultados o justificarem.
Embora seja uma discussão em aberto, neste momento o princípio que preside à orientação política sobre a educação inclusiva passa por dotar as crianças de competências sociais e profissionais, pois pretende-se que os alunos sejam o mais independentes possível no futuro, em adultos, com oportunidades no mercado de trabalho, competências digitais e capazes de viver na diversidade. Mais do que incluir na escola, o objetivo é preparar para incluir na sociedade!
4º dia de formação - 10 de novembro de 2022
De regresso à Casa do Professor, em Tallin, o dia começa com a apresentação das reflexões e resultados dos trabalhos de grupo realizados na véspera na Tallinna Tondi Kool. Durante a visita à escola, os formandos foram divididos em grupos de trabalho, que integravam membros dos diferentes países participantes, de forma a discutirem as diferenças e semelhanças na abordagem e resposta aos alunos com necessidades educativas especiais nos respetivos países.
Posteriormente, a equipa de cada escola apresentou, globalmente, o seu sistema educativo nacional, bem como a sua escola e modelo de funcionamento. Houve ainda lugar à partilha de ideias, práticas pedagógicas e organizacionais, experiências e projetos. Esta atividade permitiu-nos conhecer realidades distintas e, como sabemos, o contacto com a diferença e a diversidade enriquece-nos.
Simultaneamente, a reflexão conjunta leva-nos a concluir que muitos dos obstáculos com que nos deparamos na escola são partilhados pelos parceiros europeus e que não é certamente na educação que continuamos na cauda da Europa, embora tenhamos colhido aprendizagens que nos irão ser muito úteis.
Estes momentos de reflexão conjunta, que proporcionam o confronto de ideias e práticas, constituem-se como uma forma privilegiada de conhecer projetos e práticas inovadores, mas também perceber que alguns foram abandonados porque se revelaram inadequados ou não apresentaram os resultados pretendidos.
Certos de que a educação é “a chave que abre o futuro”, vamos continuar a tentar encontrar o melhor caminho, pois
“corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.”
Miguel Torga
5º dia de formação - 11 de novembro de 2022
O quinto e último dia de formação do curso leva-nos à Tallinna Lilleküla Gümnaasium, em Tallin, uma escola multicultural (10% dos alunos são estrangeiros) com 1320 alunos dos 7 aos 19 anos, isto é, da Primária ao Secundário, que não seleciona os alunos – sim, na Estónia existem “escolas de elite” que selecionam os alunos logo a partir do 1.º ano (7 anos).
Trata-se de uma escola que aposta em valores como a responsabilidade, a cooperação e o trabalho em equipa, de acordo com o lema da instituição – “Learnig by doing”. O contacto com natureza e com as experiências práticas é uma constante – todas as manhãs, o intervalo maior (45 minutos) tem obrigatoriamente de ser passado no exterior, impendentemente das condições atmosféricas. O ambiente na escola impressiona pela serenidade e tranquilidade com que todos os alunos circulam, sem qualquer tipo de agitação, dirigindo-se para as salas onde aguardam pela chegada do professor, já sentados, pois as portas estão abertas. Outra preocupação foi a insonorização – não se ouve qualquer ruído oriundo das salas e, dentro destas, também não é percetível qualquer som exterior.
Embora tenha sido construída em 1975, o edifício é moderno e funcional, com salas específicas para cada disciplina e devidamente equipadas com mobiliário e materiais selecionados de acordo com as especificidades das diferentes áreas, sempre a pensar no conforto dos alunos e nas vantagens pedagógicas. Por exemplo, a sala de Ciências que visitámos tinha sido pintada com tinta metálica para que se pudessem afixar trabalhos ou recursos educativos recorrendo a peças magnéticas).
O dia de hoje tinha como tema central “language immersion and second language learning practices”, pois esta é a escola mais multicultural do país. Com 10% de alunos estrangeiros, oriundos dos 4 cantos do mundo, a prioridade da escola no 1.º ano de integração é a aprendizagem da língua estónia, que pode estender-se entre 1 a 3 anos. Estes alunos não têm salas específicas, frequentam todas as disciplinas, em que apenas podem usar a língua do país de acolhimento. Nestas disciplinas, os professores devem ensinar-lhes sobretudo vocabulário específico dessa área, recorrendo a tarefas adaptadas, mas integrando-os também em grupos de trabalho com alunos estónios para que possam interagir oralmente. Paralelamente, têm reforço de língua estónia, em pequenos grupos de 4 a 5 alunos, 6 horas por semana. Durante o 1.º ano de frequência, estes alunos não são alvo de uma avaliação formal, pois a prioridade é a aprendizagem da língua e a integração na comunidade.
Relativamente à avaliação externa, existem exames no final do ensino obrigatório (9.º ano) a Língua Materna, Matemática e outra disciplina à escolha do aluno. Existem também provas equivalentes às de aferição no início do 5.º e 7.º anos, a diferentes disciplinas (a escola não sabe previamente quais). Para alunos estrangeiros, as provas e exames de Matemática são traduzidos para a língua materna dos alunos, que realizam também uma prova/exame de Estónio - 2.ª Língua.
Em março, aquando do início da guerra na Ucrânia, dado o elevado número de refugiados que a região de Tallin recebeu, em 3 semanas foi “construída” uma nova escola para acolher estas crianças, que, devido à falta de espaço foi instalada num edifício próximo e, agora, acolhe cerca de 400 alunos. Neste momento, o maior desejo da professora responsável é “fechar a escola”, pois significaria que a guerra terminara!