Linguística
BEBA COM (NENHUMA) MODERAÇÃO: CENAS DE ENUNCIAÇÃO E ESTEREÓTIPOS EM MEMES SOBRE O CONSUMO DE ÁLCOOL
LIMA, Nathália Soares de (IBILCE/UNESP - São José do Rio Preto)
Palavras-chave: Cenas de enunciação; Estereótipos
Resumo: Atualmente, pode-se dizer que o consumo excessivo do álcool tem sido banalizado, afinal o produto tem sido cada vez mais consumido nos últimos anos, conforme revelam pesquisas realizadas pela OMS a esse respeito. Diante desse contexto, neste trabalho, pretende-se contribuir com os estudos discursivos que tratam do consumo excessivo de álcool. Para tanto, com base no aparato teórico-metodológico da Análise do Discurso de linha francesa (MAINGUENEAU, 2001; 2006; 2010; 2015), analisa-se um conjunto de memes de humor que versam sobre o consumo de álcool, procurando identificar imagens que circulam nas redes sociais brasileiras sobre essa prática e sobre os consumidores de bebidas alcóolicas. Mais exatamente, para que se possam identificar essas imagens, analisam-se, inicialmente, as cenas de enunciação dos memes e a(s) memória(s) discursiva(s) em que se ancoram. Para a exposição assíncrona, que contará com a transmissão de um vídeo e do painel do trabalho, apresentam-se alguns dos resultados prévios da pesquisa, a partir de um recorte quantitativo do córpus – que, em sua totalidade, consiste em 40 memes que versam sobre o consumo de álcool e que circulam atualmente em redes sociais diversas, como o WhatsApp e o Instagram. Considerando-se os aspectos mencionados (as cenas de enunciação, a memória discursiva), os primeiros resultados da análise indicam que o consumo excessivo de álcool é retratado como uma prática social associada a diversos estratos sociais (por exemplo, a pessoas de qualquer classe social, a pessoas de qualquer faixa etária, etc.) e incentivada sob diferentes justificativas (por exemplo, como forma de lazer, como forma de enfrentar as dificuldades da vida, como forma de reforçar laços de amizade). Esses resultados sugerem que a imagem do consumidor de álcool está bastante distante do estereótipo do bêbado inoportuno e/ou perigoso, que pode oferecer algum risco e/ou ameaça séria para si ou para os outros.
AS ORAÇÕES CORRELATIVAS ADITIVAS NA(S) VARIEDADE(S) DA LÍNGUA PORTUGUESA SOB PERSPECTIVA FUNCIONAL
ROCHA, Rafaela Souza (IBILCE/UNESP - São José do Rio Preto)
Palavras-chave: Orações correlativas; Pares aditivos; Gramática Discursivo-Funcional.
Resumo: Este trabalho investiga as orações correlatas aditivas nas variedades da língua portuguesa à luz da Gramática Discursivo-Funcional (GDF) de Hengeveld e Mackenzie (2008). As orações correlatas, na visão da gramática tradicional (GT) não constituem um tipo diferente das subordinadas e das coordenadas. Nesses compêndios, as correlatas aditivas e alternativas são concebidas junto às orações coordenadas, e as comparativas, consecutivas e proporcionais, às subordinadas. No entanto, de acordo com Castilho (2012) e Rodrigues (2017) a correlação é um processo distinto da coordenação e da subordinação, uma vez que a correlação apresenta relações de interdependência em seus pares correlativos; acrescenta Pauliukonis (1995) que essa interdependência advém da carga semântica dos pares correlatos. Sendo assim, essa investigação dispõe como objetivo, descrever as estruturas correlatas aditivas, atendendo os aspectos pragmáticos, semânticos, morfossintáticos e fonológicos da língua. Buscam-se, por meio de uma análise de corpus “Português oral”, desenvolvido no âmbito do Projeto “Português Falado: Variedades Geográficas e Sociais” as ocorrências de pares correlativos aditivos, em que as ocorrências são levantadas com base em motivações funcionais de acordo com o modelo da GDF, sendo esses os níveis: I) Interpessoal, II) Representacional, III) Morfossintático e IV) Fonológico. Desse modo, por meio da análise, alguns resultados parciais consolidam-se, como, por exemplo, o uso das orações correlatas aditivas, frequentemente, para dar ênfase a uma informação. Além disso, verificamos também maior recorrência dessas estruturas em contextos formais de uso da língua, seja ela oral seja ela escrita, em semelhança com os estudos de Módulo (1999) e Rosário (2009) os quais defendem o uso dos pares correlativos como estratégias enfáticas.
A ORDENAÇÃO DO PRONOME RELATIVO NA GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS
RAMOS, Juan Prete Tojeira (IBILCE/UNESP - São José do Rio Preto)
Palavras-chave: Orações correlativas; Pares aditivos; Gramática Discursivo-Funcional.
Introdução do painel: A proposta deste trabalho, vinculado ao projeto de pesquisa O uso dos pronomes relativos no português falado e escrito por adolescentes no interior do estado de São Paulo, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Proc. Nº. 2020/15623-7), é esclarecer, sob a perspectiva da Gramática Discursivo-Funcional, os motivos pelos quais o pronome relativo ocupa, na língua portuguesa, a posição inicial da Oração.
Literatura
NARRATIVA E MEMÓRIA EM LYGIA FAGUNDES TELLES: ANÁLISE DO CONTO “VERDE LAGARTO AMARELO”
BUENO, Amanda de Freitas (IBILCE/UNESP – São José do Rio Preto)
Palavras-chave: Alteridade; Existência; Epifania; Modernidade.
Resumo: Este trabalho de pesquisa busca investigar as relações entre narrativa e memória no conto “Verde Lagarto Amarelo”, presente na coletânea Antes do Baile Verde (1970), de Lygia Fagundes Telles, renomada escritora da literatura brasileira moderna e contemporânea. No conto selecionado como objeto de estudo, foram investigados os elementos constitutivos da narrativa que permitem que esta, por meio da abordagem da memória, concorra para a criação da subjetividade do personagem principal e, também, do modo como essa subjetividade é afetada pelas reminiscências deste personagem no desenvolvimento da ação e do conflito dramático. Para este estudo, além do conto selecionado para o corpus, foram mobilizados conhecimentos pertinentes à teoria da narrativa, às figuras de linguagem e à teoria da literatura. A metodologia consiste, fundamentalmente, na articulação da análise descritiva sistemática com a interpretação do conto. Além disso, foram utilizados textos teórico-críticos voltados para a abordagem das relações entre narrativa, memória e identidade e, também, das relações entre literatura e história. O conto constitui-se como uma narrativa que, pelo uso do fluxo de consciência do personagem principal, Rodolfo (que narra em primeira pessoa uma visita de seu irmão), articula lembranças de um passado doloroso com o momento presente para criar um personagem protagonista complexo que revive, ao ser visitado pelo irmão, as dores do passado que moldaram o seu modo de ser atual (solitário, retraído). Deste modo, Lygia Fagundes Telles cria uma atmosfera em que fica evidente que, apesar de dolorosas e do desejo que o personagem protagonista possui de se desvincular delas, as lembranças de sua infância estarão sempre presentes, pois foram elas que o formaram e que se refletem no indivíduo que ele é hoje.
O SER NO OUTRO: A COMPREENSÃO DA EXISTÊNCIA DE SI A PARTIR DA PERCEPÇÃO DA ALTERIDADE EM A PAIXÃO SEGUNDO GH
LEANDRO, Vitória Mari (IBILCE/UNESP - São José do Rio Preto)
Palavras-chave: Alteridade; Existência; Epifania; Modernidade.
Resumo: A Paixão Segundo G.H. é um romance de 1964, escrito por Clarice Lispector, que possui um enredo, em princípio, banal, no qual a vida cotidiana se apresenta como um amparo à personagem, que, em uma espécie de segurança acomodada, representada por uma “terceira perna”, engaja-se em um ilusório sentimento de ordem. A obra nos apresenta a personagem protagonista G.H., uma escultora pertencente à classe média alta que, em uma manhã aparentemente corriqueira, após a demissão de sua empregada, decide limpar o quarto que era ocupado pela funcionária. Esta ação dá início a uma transformação, uma vez que, dentro daquele pequeno cômodo, G.H. se confronta com a imagem de distintas alteridades ali presentes (o desenho gravado na parede, a memória do aborto e a barata, respectivamente) – o que suscita a investigação das relações entre identidade e alteridade. O conflito identidade X alteridade é um dos principais eixos temáticos do romance. E é, também, o objeto de estudo deste trabalho de pesquisa. Compreender a maneira como G.H. passa a perceber as alteridades que a cercam e como isso transforma a sua percepção sobre a sua própria condição de existência é, portanto, o objetivo principal do nosso trabalho, cuja análise se faz a partir do desmembramento da narrativa de Clarice Lispector em partes que declaram, cada uma à sua maneira, a importância da alteridade para a compreensão do indivíduo como sujeito complexo constituído de três dimensões vitais que o encaixam dentro da Existência: a) corpo – Existência enquanto matéria; b) sociabilidade – existência enquanto indivíduo inserido em uma sociedade); c) subjetividade – Existência psíquica, isto é, uma “propriedade do ser ativo” (LEONTIEV, 1978, p. 44) que o torna único e singular.
AS MULHERES E O REVISIONISMO DE CONTOS DE FADAS
LOPES, Maria Clara Teixeira (UNESP - São José do Rio Preto)
Palavras-chave: Contos de fadas; Revisionismo; Feminismo; Educação
Resumo: Nesta pesquisa analisamos releituras feministas de contos de fadas. Angela Carter, em A câmara sangrenta (2017), reescreve as histórias tradicionais focando os adultos. Já Vita Murrow, em Lute como uma princesa (2019), escreve para o público infanto-juvenil. A partir desses textos objetivamos estudar as representações femininas nas obras citadas, compará-las e diferenciá-las dos contos tradicionais; destacar a importância das reescrituras e explorar a possibilidade de trabalhar com esses textos na escola a fim de reforçar a identidade de gênero nos alunos promovendo a equidade segundo a agenda da ONU. Para atingirmos tais objetivos realizamos diversas leituras, além de produzirmos fichamentos e das discussões da aluna com sua orientadora, assim: o livro (Re)Escrituras (2015) trouxe maior esclarecimento a respeito das releituras; A psicanálise dos contos de fadas (2020) e A interpretação dos contos de fadas (1990) abarcaram o aspecto do imaginário infantil e da importância que as histórias de fadas têm para as crianças; Gênero, sexualidade e educação (2014) e Ensinando a transgredir (2017) têm nos ajudado a refletir sobre o contexto de discussões de gênero em sala de aula e sobre o papel do professor mediando tal conflito; Corpos que importam (2019) foi utilizado como norteador dos principais conceitos utilizados na pesquisa, como, sexo, gênero, identidade de gênero, entre outros. Até o presente momento os resultados parciais da pesquisa envolvem a subversão dos estereótipos de gêneros notada tanto nas releituras de Carter quanto nas de Murrow; a identificação de como a fantasia permite às crianças compreenderem melhor não só a si mesmas como ao mundo em que vivem; a importância do revisionismo como nova perspectiva dada as histórias que refletem uma cultura e uma sociedade anteriores a atual. Em relação à sala de aula, ainda estamos no processo de entender como mudar a maneira dessas histórias serem trabalhadas na escola.
ANÁLISE DE OBRAS DA LITERATURA INFANTIL, AGREGANDO SABERES NA FORMAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO
RUNKE, Raiane Cinara (UFRGS, UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL, GRADUANDO DA FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA A DISTÂNCIA – TRÊS DE MAIO/RS)
Palavras-chave: Análise literária; Literatura Infantil; Mediação
Resumo: O curso de Biblioteconomia à distância, ofertado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, apresenta a composição de diferentes disciplinas para a formação do bibliotecário, visto que a biblioteconomia, em sua concepção atual, trabalha com o gerenciamento e acesso à informação e ao conhecimento, além de sua função social e educativa, sendo o indivíduo o centro deste processo. Na disciplina de Literatura e Leitura Infantil e Juvenil, ocorre o exercício cognitivo para ampliar a descrição de obras literárias em centros de informação e documentação, ampliando as possibilidades temáticas além das descritivas disponíveis nos catálogos de bibliotecas. O trabalho objetiva analisar cinco obras para extração de elementos temáticos contextuais em obras de literatura infantil. A metodologia deste estudo é de cunho bibliográfico, a escolha das obras apresenta-se a partir da acessibilidade aos livros, considerando para a seleção, a intencionalidade de um equilíbrio quantitativo entre autores nacionais, internacionais, títulos clássicos e contemporâneos, assuntos pertinentes na sociedade, assim como histórias que instiguem o imaginário e o letramento, além da articulação entre o texto e as ilustrações. A análise realiza-se através da leitura integral da obra, a brevidade de páginas e os elementos que dialogam com a sequência narrativa e se fazem presentes desde a capa e a folha de rosto. Apresenta-se os resultados, compreendo o bibliotecário como mediador da informação, que além de promover a busca pelo conhecimento, analisa-se as obras inseridas em um acervo infantil, encarregando-se de compreender sobre as ilustrações e a importância delas para o aprendizado de seus usuários. Conclui-se que as obras analisadas ampliam as experiências pessoais tanto do bibliotecário, como do usuário, visto que a literatura infantil promove de forma integral a linguagem, a percepção visual, assim como o desenvolvimento de emoções e a identificação como leitor.