Francisco Alambert
Professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo
3 de outubro, às 10h
Conferência de Abertura
A Semana no século da Semana
Resumo: Apenas 40 anos antes da célebre Semana de Arte Moderna de 1922, as questões centrais do debate brasileiro sobre cultura e política poderiam ser resumidas a estas: devemos ou não abolir a escravidão?; é a Monarquia ou a República a forma política imprescindível para o Brasil do futuro?; culturalmente éramos meros copistas das ideias e das formas estrangeiras ou, ao contrário, tínhamos uma cultura própria, “original” e deveríamos assim nos afastar de toda influência “estrangeira”? Os artistas modernistas foram “filhos” desses debates do passado pós-colonial e, ao mesmo tempo, apóstolos das novas ondas trazidas pela civilização industrial. Eles forçosamente tinham que se debater com o passado recente que não passava e com o novo que já tardava. Cem anos depois, a única questão pertinente é: a Semana de 22 ainda pode iluminar a crise brasileira de 2022?
Laura Brandini
Professora no Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da Universidade Estadual de Londrina
3 de outubro, às 16h30
Conferência 2
Tarsila do Amaral com cores e palavras
Resumo: Uma das artistas que hoje melhor simboliza o modernismo brasileiro, Tarsila do Amaral, contudo, não participou da célebre Semana de Arte Moderna, cujo centenário comemoramos neste ano. Soube da Semana por cartas e, mesmo em Paris, descobriu a modernidade artística em São Paulo. Por outro lado, descobriu-se brasileira na capital francesa. Nesta palestra, vamos recontar essa história com as cores e as palavras da artista, suas telas e suas crônicas.
Carlos Berriel
Professor do Departamento de Teoria e História Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP
3 de outubro, às 19h
Conferência 3
Macunaíma na encruzilhada do Brasil
Resumo: Macunaíma é um dos mais densos textos literários da moderna produção brasileira, e bastaria esta obra para confirmar a existência do movimento modernista. Este romance formaliza uma das oposições decisivas do ponto de vista da oligarquia cafeeira paulista, a saber, a oposição entre o rural e o urbano, entre as decorrências gerais do capitalismo verdadeiro (a industrialização) e as decorrências gerais do tradicionalismo econômico e social. Supomos que Macunaíma exprime a experiência da oligarquia cafeeira, e sustenta-se do plasma da crise desta classe. A incompletude da oligarquia enquanto classe burguesa alimenta formalmente a obra e molda a composição das personagens. Este romance capta o impasse de um sistema que deseja implantar modificações — formas do novo — mas é incapaz de romper com o tradicionalismo — o velho. Esta contradição decide o andamento da narrativa. Lastreado em teoria da História, Mário de Andrade compõe uma das mais complexas obras de nossa literatura.
Valter Cesar Pinheiro
Professor do Departamento de Letras Estrangeiras da Universidade Federal de Sergipe
4 de outubro, às 10h30
Conferência 4
A Semana de 22 por dois “afrancesados”: René Thiollier e Sérgio Milliet
Resumo: No ano em que se celebra o centenário de realização da Semana de Arte Moderna de São Paulo, tem-se assistido à retomada e releitura do legado de muitos dos participantes do festival. Múltiplas foram as tarefas desempenhadas por seus organizadores, de que se citam a divulgação do evento na imprensa, o trabalho de bastidores e, é claro, a apresentação de obras de própria lavra no palco e no hall do Theatro Municipal. Dois nomes, no entanto, permaneceram praticamente ignorados na celebração deste centenário: os paulistanos de ascendência francesa René Thiollier (1882-1968) e Sérgio Milliet (1898-1966). Apresentar e discutir o papel de ambos no famoso evento é a proposta desta fala.
José Miguel Wisnik
Professor aposentado em Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo
4 de outubro, às 19h30
Conferência 5
Além e aquém de 1922
Resumo: O que significa modernismo e modernização no Brasil? Como reconhecer as linhas de fuga do movimento modernista ao longo desses cem anos que nos separam dele? Será mesmo o Brasil um país ‘condenado ao moderno’, sem nunca chegar a sê-lo?
Romildo Sant'Anna
Mestre (linguística), doutor (teoria literária e literatura comparada) pela USP - São Paulo e livre-docente (literatura comparada) pela UNESP - Rio Preto
5 de outubro, às 14h
Conferência 6
Artes Naïfs e a Semana de 22
Resumo: A palestra versará sobre algumas vertentes da Semana de Arte Moderna no sentido de valorizar e dar voz às artes e personagens “do povo” e expressões ingênuas, espontâneas da cultura, notadamente defendidas por Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Esse ideário vingou no surgimento e valorização de escritores nordestinos – José Lins do Rego, Jorge Amado, Graciliano Ramos... Abonou a gravação dos primeiros discos de Moda Caipira (1929), por Cornélio Pires. E ecos de 22 surgem em artigos sobre a primeira exposição de José Antônio da Silva, na Galeria Domus em São Paulo, notadamente por Oswald de Andrade.
Maria Luiza Guarnieri Atik
Professora do Programa de Pós-Graduação em Letras e do Curso de Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie
5 de outubro, às 16h30
Conferência 7
Década de 1920: entre artes e artistas
Resumo: O início do século XX caracteriza-se por um momento de grandes mudanças tanto de valores artísticos, quanto culturais, num mundo marcado por acontecimentos que geraram a explosão da Primeira (1914-1918) e da Segunda Guerra Mundiais (1939-1945). Os movimentos de vanguarda, Futurismo (1909), Expressionismo (1910), Cubismo (1913), Dadaísmo (1916) e Surrealismo (1924), buscaram em suas diferentes maneiras de expressão abarcar as transformações da vida política e econômica das sociedades e alteraram os rumos da literatura e das artes, questionando a herança cultural recebida, a insatisfação dos procedimentos já sedimentados e propondo, concomitantemente, rupturas, mudanças e debates. No início do século XX, uma nova forma de ver e representar o nosso país já se manifesta na literatura e nas diferentes artes no Brasil e a Semana de Arte moderna de 22 foi o grande marco desse momento. Propõe-se destacar, nessa apresentação, alguns escritores, poetas e artistas que contribuíram para o desenvolvimento de uma linguagem estética alinhada com as vanguardas internacionais, questionando, contudo, os temas nacionalistas, a identidade cultural brasileira, a valorização do folclore, do primitivismo e a assimilação das novas vertentes artísticas. E nesse movimento pendular, característico do Modernismo, entre a questão do nacional e a do universal, entre a relação do patrimônio cultural europeu e as peculiaridades locais, entre a relação passiva e a devoração crítica, nosso olhar se volta para a obra plástica e poética de Vicente do Rego Monteiro. Nosso objetivo é delinear o perfil de um artista que soube devorar o código elaborado pelas vanguardas europeias e criar um código singular.
Leandro Valentin
Doutor em Letras pela Unesp/Ibilce, violeiro e professor de viola caipira
5 de outubro, às 19h
Conferência 8
Aspectos musicais e literários da música caipira
Resumo: Nesta palestra, traçaremos um panorama histórico do desenvolvimento da música caipira. Em nossa análise, abordaremos a diversidade dos ritmos do cancioneiro caipira e aspectos literários de suas letras, explorando a constituição de seus subgêneros dos pontos de vistas musical e literário.
Dagmar Manieri
Professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT)
6 de outubro, às 10h30
Conferência 9
Mário de Andrade e a República Velha: Uma Interpretação de Macunaíma
Resumo: Há uma forma de se interpretar a obra de arte na qual as condições sociais e históricas são levadas em consideração. Propomos tal forma na interpretação em Macunaíma. Obra lançada no final da década de 1920 e que procura realizar, através do romance, uma visão crítica do Brasil. Mário de Andrade estava intimamente ligado a um grupo político paulista denominado a “elite dos democráticos”; assim, de certo modo, a visão de mundo desta “elite” está presente na dimensão estética de Macunaíma. É isto que a análise literária persegue como objetivo de conhecimento.
Stela de Castro Bichuette
Professora do Departamento de Letras da Universidade Estadual do Centro-Oeste
Conferência 10 [Evento cancelado]
Os prefácios para Macunaíma - a construção estética do Brasil
Resumo: Mario de Andrade escreveu dois prefácios para sua obra mais conhecida: Macunaíma. Nos dois prefácios, o autor discute a processo de criação literária, estética e ideológica da futura icônica obra modernista. A partir desses prefácios, refletiremos sobre o entendimento do modernista sobre o seu momento literário bem como a importância da literatura de participação, termo que ele utiliza para explicar que arte deve estar comprometida e não deve ser eclipsada pela neutralidade
Fernanda Mussalim
Professora Titular do Instituto de Letras e Linguística (ILEEL) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
7 de outubro, às 14h
Conferência 11
Sobre a constituição do Modernismo brasileiro: polêmicas e legados
Resumo: Nesta palestra, abordarei questões referentes ao modo como o grupo dos primeiros modernistas geriram sua inscrição no campo da arte brasileira. De maneira mais específica, irei me debruçar sobre a polêmica que instauraram nesse campo com outros movimentos artísticos, buscando diferenciarem-se desses movimentos, a fim de construir uma identidade própria, bem definida no campo. Tal polêmica não será apresentada da perspectiva de um historiador, de um sociólogo ou de um crítico de arte. Meu ponto de partida serão os textos produzidos pelo próprio grupo dos modernistas, serão as marcas de enunciação encontradas nesses textos, que me permitiram – num batimento com hipóteses fundamentadas na história – reconstituir, de alguma maneira, o jogo de forças que ocorria naquele momento entre o “grupo dos novos” e os “passadistas” (para me valer aqui de um termo de Graça Aranha). Na apresentação da polêmica, tecerei comentários a respeito de um dos legados dos modernistas que julgo ter sido um divisor de águas na construção de nossa identidade cultural e artística.
Gisele Novaes Frighetto
Professora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela FFLCH - USP
7 de outubro, às 16h30
Conferência 12
O Rei da vela, hoje
7 de outubro, às 16h30
Resumo: O Rei da vela (1933), de Oswald de Andrade, foi encenada apenas na década de 60 pelo teatro Oficina, numa montagem teatral antológica, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa. Revolucionária e de vanguarda desde sua concepção, constitui um marco na dramaturgia brasileira e permanece pertinente na atualidade. O texto foi adaptado para curta-metragens, recentemente, por estudantes de Letras, coordenados pela palestrante. Abordaremos a história dessa obra, sua importância para o movimento Modernista e para a literatura nacional, assim como nossa experiência como docente de Literatura brasileira.
Arnaldo Franco Junior
Professor do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários da Unesp/Ibilce
7 de outubro, às 19h
Conferência de encerramento
Lygia Fagundes Telles - escritora da terceira geração modernista
Resumo: Vinculada à chamada terceira geração modernista, cuja produção se afirmou a partir dos anos de 1940 no sistema literário brasileiro, a obra de Lygia Fagundes Telles inova na representação da personagem feminina ao aprofundar-lhe a dimensão psicológica em confronto com uma sociedade pautada pelos valores patriarcais. Este traço, que já caracteriza os livros de contos publicados pela escritora na década de 40 do séc. XX, se afirma plenamente já em seu primeiro romance - Ciranda de Pedra, publicado em 1954 e centrado numa heroína que, depois de sofrer para tentar integrar-se aos valores e à ordem dominante em sua família e círculo social, abandona-os em favor da assunção de uma vida livre de tais valores, comportamentos e práticas sociais. Amplia-se, posteriormente, no romance As meninas, publicado em 1973, em que a representação das personagens femininas se diversifica, incorporando contradições que constituem suas respectivas psicologias e condição de classe social e de estrato cultural. Vamos, em nosso trabalho, abordar estes aspectos da literatura de Lygia Fagundes Telles, relacionando-os, ainda que brevemente, com o trabalho de escritoras precedentes da primeira e da segunda gerações modernistas.