Minicursos - Grupo 1
Segunda-feira: 03 de outubro, 14h às 15h30
Terça-feira: 04 de outubro , 14h às 15h30
O PROCESSO DE COORDENAÇÃO DE ORAÇÕES: MÚLTIPLAS PERSPECTIVAS
OLIVEIRA, Pedro (UNESP - São José do Rio preto)
Palavras-Chave: Coordenação; Linguística; Oração; Discursivo-Funcional.
A coordenação de orações é um dos fenômenos de linguagem utilizados para organizar a informação discursivamente e textualmente. Diferente do processo de subordinação, que implica em hipotaxe, a parataxe das orações coordenadas sugere uma inclinação à independência dos elementos coordenados. Fala-se em inclinação porque, assim como sugere a literatura já a partir da segunda metade do século XX e também da primeira metade do século XXI (MAURI, 2008; COMBETTES, 2014; CRISTOFARO, 2003; SWEETSER, 1990), a diferenciação do fenômeno da subordinação para o fenômeno da coordenação não é perfeitamente discreta, ao contrário, comporta um continuum de classificações com base em critérios de natureza cognitiva (LANGACKER, 1987), pragmática (DIK, 1997b; HENGEVELD; MACKENZIE, 2008), semântica (HASPELMATH, 2004), Morfossintática (STASSEN, 1985) e mesmo fonológica (PEZATTI, GALVÃO-PASSETTI, 2021). O presente minicurso objetiva evidenciar não apenas como esses níveis da linguagem podem ser organizados para compreender o fenômeno da coordenação, mas também sugerir a existência de uma hierarquia necessária entre o nível cognitivo > pragmático > semântico > morfossintático > fonológico, apresentados nessa ordem, conforme o arcabouço teórico da Gramática Discursivo Funcional de Hengeveld e Mackenzie (2008). Para isso, planeja-se confeccionar slides de PowerPoint e produzir handouts escritos em documento de texto, ambos visando fim expositivo do conteúdo por meio de compartilhamento de tela em plataforma digital adequada. Também como recurso didático, perguntas de compreensão são feitas ao final de cada handout, que permitem a auto-avaliação do ouvinte ao longo do curso e a retirada de dúvidas na medida do necessário. Bibliografia complementar também deve ser oferecida àqueles que buscarem.
MITOLOGIA CLÁSSICA COMO REPERTÓRIO NA LITERATURA E NAS OUTRAS ARTES [MINICURSO CANCELADO]
SILVA, Gelbart Souza (UNESP - São José do Rio preto)
Palavras-Chaves: Mitologia Clássica; Arte; Literatura
O romano Horácio, em sua “Arte Poética”, compara poesia e pintura em sua célebre frase “ut pictura poesis”, assim como o grego Plutarco, reproduzindo uma frase supostamente atribuída ao poeta Simônides de Céos, explica que a pintura é uma poesia silenciosa e a poesia, uma pintura sonora. Matéria bruta para as duas artes, o mito toma corpo nos versos loquazes da poesia e nas cores tácitas da pintura. Em se tratando da Antiguidade grega e romana, os mitos residiam no cotidiano, de variada forma: na contação oral, no estudo das primeiras letras, em taças e vasos, em tapeçarias, em gravuras parietais etc. A cultura clássica e os mitos gregos e romanos foram transmitidos e conservados no ocidente europeu, de modo que ainda são matéria-prima e repertório para as artes poéticas e visuais. Com isso em vista, este minicurso pretende fazer uma exposição panorâmica dessa recepção da mitologia greco-romana. Em um primeiro momento, discutiremos a definição de mito e mitologia (ELIADE, 1972; ARMSTRONG, 2005; BRANDÃO, 2010). Também será necessária uma discussão sobre a transmissão da cultura clássica grega e romana (HARDWICK; STRAY, 2008), de modo a mostrar como a tradição é conservada por meio da recepção ativa, criativa e às vezes disruptiva. Em um segundo momento, por meio de material composto de apresentação em Power Point e handouts com imagens e textos, discutiremos três episódios míticos (Leda, Laocoonte e Penélope) retomados nas artes plásticas (escultura, pintura e fotografia) e na literatura (poemas, contos e romances). Nosso foco é demonstrar como a recepção do mito clássico pressupõe mudanças relativas a forma, conteúdo e mensagem. A permanência do mito clássico se deve a sua plasticidade, ou seja, sua natureza maleável que permite reatualização.
Dia 1: https://www.youtube.com/watch?v=B1_Uy69xvTM
Dia 2: encontro cancelado
MARCAS ANTECESSORAS E SUCESSORAS AO MODERNISMO: A CRÍTICA ATRAVÉS DA LITERATURA
DAVID, Caroline Buratti (UNESP FCL/ Assis)
MEDEIRAS, Natália Kanashiro de (UNESP FCL/ Assis)
Palavras-Chaves: Modernismo; Literatura brasileira; Literatura Comparada.
O presente minicurso tem como objetivo discutir as marcas da crítica social que antecedem e sucedem o modernismo literário que corresponde ao século XIX e XX. Pretende-se, a partir do recorte temporal, entender os recursos literários que são manifestados na poesia e no romance brasileiro antes e após a consolidação do modernismo. Para tanto, a produção literária de Lima Barreto e Nelson Rodrigues serão consultadas a fim de analisar as escritas e as intenções literárias dos autores e, assim, o que proporcionaram ao percurso do modernismo. Ainda, as produções de Gilka Machado e Ana Cristina César serão utilizadas como fontes literárias responsáveis por explorar os traços da modernidade antes e depois do movimento no Brasil. Ainda, busca-se reconhecer o espaço singular ocupado por cada uma delas, compreendido na produção de uma literatura nacional a partir da perspectiva da literatura feita por mulheres. O referencial teórico utilizado como base desse trabalho conta com as leituras de Fantinati (2011) em O professor e o escrivão: estudo sobre literatura brasileira e leitura; Jolles (1976) e sua obra Forma Simples; ambas nortearão as ideias sobre os recursos da sátira e do mito. Ainda, serão utilizadas as acepções de Lafetá (2004) A dimensão da noite, Texto/Contexto de Rosenfeld (1973) e A modernidade entre tapumes: da poesia social à inflexão neoclássica na lírica brasileira moderna de Vagner Camilo (2020) para compreender o modernismo literário. Por fim, são também considerados o trabalho de Bonnici e Zolin (2009) Literatura de autoria feminina e o de Showalter (1994) que recebe o título A crítica feminista no território selvagem. Os recursos utilizados contam com a apresentação elaborada em PowerPoint e/ou PDF e a leitura e exposição de referenciais teóricos e, sobretudo, a análise e exposição dos trabalhos relativos ao período histórico literário analisados.
PESQUISA EM FONÉTICA ACÚSTICA: RECORTES TEÓRICO-METODOLÓGICOS
CORREIA, Adilson da Silva (UNIVERSIDADE DO ESPÍRITO SANTO - UFES)
Palavras-Chaves: Acústica; Fala; Pesquisa; Metodologia.
A Fonética, como ciência que estuda o som da fala físico-fisiologicamente, contemporaneamente investe também em pesquisas com conteúdo linguístico e usa, para isso, a linguagem computacional e estatística a fim de descrever e explicar os fenômenos linguísticos (SILVA et al 2019; KENT e READ, 2015; BARBOSA e MADUREIRA, 2015). Uma Fonética de conteúdo linguístico vai dando lugar ao tradicional conceito de uma Fonética puramente física e fisiológica com conteúdo explicativo sobre a física do som da fala, não obstante tais conceitos serem basilares para a Fonética. As abordagens linguísticas vão caracterizando os estudos fonéticos sejam eles no campo acústico, articulatório ou perceptivo, ampliando-lhe o domínio e fortalecendo a concepção de uma Fonética linguística. Assim, esta oficina tratará sobre aspectos em pesquisa da Fonética Acústica, abordando elementos teórico-metodológicos da prática foneticista em coleta e análise de dados, bem como as diversas preocupações que o foneticista deve ter ao gerar e armazenar os dados e formular compreensões linguísticas sobre a interpretação dos dados acústicos coletados. Os cuidados requisitados para elaborar o plano de estudo, focando o cotidiano das pesquisas experimentais na Fonética e o recorte teórico e estatístico que ao foneticista é requisitado. Fundada no objetivo de compreender práticas em pesquisas fonéticas, esta oficina propõe, como recorte teórico-metodológico, o fenômeno da palatalização das oclusivas alveolares no Português Brasileiro para desenvolver as atividades práticas e explicações sobre o fazer fonético acústico em fenômenos linguísticos e as constantes preocupações do foneticista no tratamento dos dados. Para as atividades a serem desenvolvidas, usaremos o recurso de powerpoint em que serão demonstradas telas contendo segmentação de sons, imagens e conteúdos referentes aos dados apresentados, além de recursos sonoros para a exibição de áudios.
Minicursos - Grupo 2
Quarta-feira: 05 de outubro, 8h30 às 10h
Quinta-feira: 06 de outubro , 8h30 às 10h
A DICOTOMIA DA VIDA PESSOAL E ACADÊMICA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES
SANTOS, Thais Aparecida ( Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ)
Palavras-Chave: Psicologia; habilidades; emoções; universidade
Na vida contemporânea, as cobranças diárias e as demandas da vida pessoal e profissional geraram nos sujeitos ansiedade, angústia e solitude. Nesse sentido, trazemos as emoções a fim de contribuir com as lacunas subjetivas e coletivas do campo acadêmico. Com a realidade do mundo atual tomado por pressões constantes em todas as dimensões humanas apresentou-se a necessidade de falar-se, comunica-se, e (re)produzir diálogos frente a ruptura dos desafios enfrentados na universidade e na vida pessoal. O presente minicurso tem como objetivo dialogar sobre a dicotomia emocional entre a vida pessoal, coletiva e universitária, para maior desenvolvimento pessoal e acadêmico para que os alunos possam desenvolverem habilidades de motivação no percurso universitário, ou seja, maior capacidade de persistência, organização dos estudos e planos para a vida pessoal e menos autocontrole, e autocobrança, buscando as relações entre cinco habilidades de inteligência emocional((autoconsciência, automotivação, autocontrole, empatia e sociabilidade). Busca-se dialogar sobre desafios e possibilidades do bem estar acadêmico. Para construções referenciais será respaldado por: GARDNER (1995), GOLEMAN (1996), SIQUEIRA; BARBOSA.; ALVES ( 1999). Para recursos a serem utilizados salientamos, a utilização do livro Terapia do esquema emocional (Leahy, 2016). Por fim, ás capacidades de autoconsciência e automotivação como habilidades da inteligência emocional optaremos por utilizar teoria e a construção de diálogos com os participantes para melhores condições emocionais no universo acadêmico sobre qual, possibilitará uma correlação significativas para diminuição de ansiedade, autocobrança e desmotivação dos estudantes, na capacidade de exercerem o controle em frente ao conteúdo avaliativos e a capacidade de melhor condução dos sentimentos, pensamentos, emoções e comportamentos.
FRENTE AOS ESPELHOS DE MACHADO DE ASSIS E JOSÉ J. VEIGA: ENTRE SÍMBOLOS E RESSONÂNCIAS
VELOSO, Gabriela Lages ( Universidade Federal do Maranhão - UFMA)
Palavras-Chave: Literatura Comparada. Espelho. Representação simbólica. Filosofia.
Este minicurso consistirá na apresentação dos resultados da pesquisa “Frente aos espelhos de Machado de Assis e José J. Veiga: entre símbolos e ressonâncias”, que está vinculada ao Programa de Pós-graduação em Letras, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e que é orientada pelas professoras doutoras Rita de Cássia Oliveira (UFMA) e Emilie Geneviève Audigier (UFMA). Esse estudo tem, como principal objetivo, realizar uma leitura comparada dos contos O Espelho (1882), de Machado de Assis, e Espelho (1997), de José J. Veiga, a fim de compreender a representação simbólica do espelho contida nesses textos. Para tanto, iremos propor um diálogo entre Literatura e Filosofia, tendo por sustentação as teorias do filósofo Schopenhauer (1850, 1851), além do recurso à fortuna crítica que já se formou em torno da temática do espelho e de sua representação literária. À vista disso, utilizaremos como aporte teórico os estudos de Todorov (2013); Chevalier & Gheerbrant (1973); Carvalhal (2006); Eco (1989); Siqueira (2009); Carmo (2015), dentre outros. Vale ressaltar que iremos realizar uma exposição dialogada, com o intuito de compreender o espelho enquanto um símbolo que evoca uma pluralidade de significados possíveis, sobretudo no que se refere a temas existenciais/metafísicos, tais como vida, morte, o “eu” e o “outro”, a busca por identidade e verdade, o dito e o não-dito, dentre outros. Além disso, é importante destacar que esse minicurso contará com a carga horária de 3 horas distribuídas em dois dias (1h30 cada dia); de modo que, no primeiro dia, faremos uma breve conceituação dos principais aspectos da filosofia schopenhaueriana, bem como investigaremos a representação simbólica do espelho na literatura nacional e mundial; e, por fim, no segundo dia, analisaremos os contos O Espelho (1882), de Machado de Assis, e Espelho (1997), de José J. Veiga, de acordo com os objetivos propostos.
POLÍTICA LINGUÍSTICA: TERMINOLOGIAS, USO DAS LÍNGUAS MATERNAS E VITALIDADE LINGUÍSTICA
LOPES, Mário (Unilab)
Palavras-Chave: políticas linguísticas; planejamento linguístico; uso das línguas; vitalidade
No primeiro semestre de 2022, ministramos a disciplina “Políticas Linguísticas” na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) no campus do Palmares no município de Acarape/CE. A universidade se destaca pelo ambiente intercultural proporcionado pelos estudantes dos países membros da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Os discentes, vindos desses países, contribuem com suas experiências de vida, pois suas “vivências linguísticas” tornam-se enriquecedora por estar em contextos multilíngues. Como consequência, na sala de aula, há espaço para reflexões mais aprofundadas envolvendo a temática “Políticas Linguísticas”. A partir dos debates feitos na disciplina, organizamos o presente minicurso nos seguintes eixos, a saber: (I) Definições de alguns termos utilizados na área da política linguística; (II) Descrição e análise da vitalidade das línguas maternas indígenas no Brasil e das línguas dos países integrantes da CPLP; e, por fim, (III) Análise do contexto de Guiné-Bissau em relação ao uso do português e o uso das 23 línguas maternas desse país. Primeiramente, iremos definir os termos “Política Linguística”, “Planejamento Linguístico”, “Língua Materna e sua importância no ensino”, Línguas “Minoritárias” e “Minorizadas” tendo como base as seguintes referências: Aquino (2016); Calvet (2010; 2009); Couto (2016) e PONSO (2017). Em seguida, faremos a descrição e análise geral da força de vitalidade das línguas maternas tanto no Brasil, considerando as línguas indígenas, quanto nos países da África Lusófona, focalizando as línguas maternas dos respectivos países. E, por fim, abordaremos sobre o contexto de Guiné-Bissau em relação ao português considerada a língua oficial do país, o Kriol como a língua nacional e as línguas maternas faladas no interior, nas tabankas/aldeias. Com isso, pretendemos contribuir na formação dos discentes destacando as semelhanças e diferenças de “Políticas Linguísticas” feitas tanto no Brasil quanto nos países da África Lusófona.
LA SAISON E A ESTAÇÃO: O PAPEL DA IMPRENSA FEMININA E DE SUA TRADUÇÃO NAS RELAÇÕES CULTURAIS ENTRE FRANÇA E BRASIL NO SÉCULO XIX [MINICURSO CANCELADO]
ROMERO, Beatriz (Unesp/Ibilce)
Palavras-Chave: Representação cultural; Imprensa feminina; La Saison; A Estação
Este minicurso tem como objetivo apresentar o jornal feminino francês La Saison (1867-1909) e a sua respectiva tradução para o português brasileiro, A Estação (1875-1904), a fim de mostrar qual o papel e a relevância da imprensa feminina francesa na constituição da cultura brasileira no século XIX. Para o seu desenvolvimento, parto da teoria de Marc Crépon (2004/2016), que pressupõe que aquilo que cada cultura tem de próprio é, na verdade, o efeito de uma tradução ou de uma sucessão de traduções. Sendo assim, busco elucidar de que modo a imprensa feminina francesa e sua tradução contribuíram para a constituição da imagem e dos costumes da mulher brasileira naquela época – e até mesmo nos dias atuais –, impondo, de modo explícito ou não, a adoção das ideias e dos hábitos franceses. Durante o minicurso, farei primeiramente uma breve apresentação do contexto sociocultural da França e do Brasil na época, para em seguida apresentar alguns exemplares de La Saison e A Estação. A partir dos jornais, analisarei os aspectos culturais e tradutórios que os constituem e qual a implicação desses aspectos na transferência cultural entre os dois países. Por fim, mostrarei como a imprensa francesa foi de fato grande influenciadora de hábitos no Brasil por meio de um processo de tradução da cultura francesa. Como referencial teórico, baseio-me nos trabalhos de Figueiredo e Glenadel (2006), Passos (2015) e Casanova (1999/2002) para tratar dos aspectos socioculturais da França e do Brasil. No que concerne às pesquisas sobre a imprensa feminina brasileira e francesa, apoio-me dos trabalhos de Buitoni (1986; 2009), Silva (2009) e Sullerot (1963). Já no que diz respeito à problemática da tradução enquanto representação cultural e do contato inevitável com o outro, parto do estudo de Crépon (2004/2016).
Minicursos - Grupo 3
Quarta-feira: 05 de outubro, 21h às 22h30
Quinta-feira: 06 de outubro , 21h às 22h30
UMA ABORDAGEM DISCURSIVA DA EGIPTOMANIA: MODOS DE SE “LER” O PASSADO
FERRARI JÚNIOR, Jair (Unesp/Ibilce)
Palavras-Chave: Egiptomania; Análise do Discurso; Estereótipos; Hieróglifos.
O fascínio sobre o Antigo Egito e os modos de representação dessa cultura milenar pelo Ocidente é objeto de estudos da Egiptologia que recebe o nome de “egiptomania”. Esse fenômeno engendra a produção de textos, de filmes e de séries. Destarte, o objetivo do presente minicurso é trazer a perspectiva da egiptomania sob o aspecto discursivo, partindo do pressuposto de que a gênese de um discurso é obtida a partir de um sistema de trocas com o seu Outro, entendido como o interdiscurso (MAINGUENEAU, 1984). Assim, tendo como aparato teórico-metodológico da Análise do Discurso francesa, o minicurso apresentará ao público um inventário de textos e produções artísticas que remetem ao Egito dinástico e que influencia o modo de se pensar a civilização egípcia por meio dos caracteres ocidentais, além do processo que leva ao funcionamento de estereótipos e clichês cujos efeitos contribuem para a formação das formações discursivas que emergem da egiptomania. O minicurso será organizado em três tópicos: I) uma contextualização histórica da sociedade egípcia do início do período dinástico até a contemporaneidade; II) uma introdução à leitura da língua egípcia e a escrita com hieróglifos (do grego “escrita sagrada”), tendo como suporte teórico a Gramática do Egípcio Hieroglífico de Pereira (2016), que faz um traçado da língua escrita no Egito antigo que compreende o período entre 3000 e 1300 a.C.; e III) apresentará a egiptomania sob o aparato da Análise do Discurso, articulando os corpora selecionados com os conceitos de interdiscurso e a Semântica global (MAINGUENEAU, 1984) e de estereótipos (AMOSSY, 2022). Para a exposição do conteúdo, utilizaremos slides com apresentação de imagens e de textos que permitam a compreensão dos discursos e da iconografia egípcia.
LITERATURA ESPANHOLA MODERNISTA: UMA INTRODUÇÃO
OLIVEIRA NETO, Walter Pinto de (UFMA-São Luís)
Palavras-Chave: Literatura espanhola; Modernismo; Generación del 98; História crítica da literatura.
A seguinte proposta de minicurso apresenta alguns dos autores e obras principais do modernismo literário espanhol, assim como algumas orientações críticas de leitura. Esse movimento, também denominado por alguns estudiosos de Generación del 98, teve algumas diferenciações ideológicas e estéticas com relação ao resto de Ocidente, uma vez que a nação espanhola do período finissecular e da primeira metade do século XX se encontrava dividida entre a modernização e a tradição. Isso gerou certas especificidades no ethos nacional desaguados na linguagem poiética. Dessa forma, tencionamos com este minicurso evidenciar quais as características fundamentais do modernismo literário espanhol e algumas nuances crítico-teóricas que podem servir de inspiração a futuras pesquisas. Para isso, dividiremos nosso trabalho em três momentos: primeiro, abordaremos a mudança da sensibilidade artística no fim de século, quando os autores realistas e naturalistas se impregnaram dos modernismos provenientes de Hispanoamérica e França; no segundo, faremos uma distinção crítica e anacrônica das duas orientações estéticas principais do momento: a modernista e a antimodernista; e no terceiro, explanaremos a respeito dos literatos mais importantes dessas gerações, atentando-nos, principalmente, ao romance, teatro e poesia. A fim de fundamentar essas temáticas, utilizaremos algumas obras importantes de história crítica da literatura espanhola moderna: Shaw (1982), Salinas (2001) e Mainer (1980); assim como alguns especialistas em autores e obras que abordaremos, a saber, Correia (2013), Ortega (2017) e Fernández (2013) etc. Todavia, nos apoiaremos em teóricos de gêneros específicos da literatura, como Lukács (2000) ou Fuks (2016), e filósofos da história da literatura, como Sarlo (1985), no intuito de entender as tramas discursivas em que a historiografia da literatura se desenvolve. É a partir dessas premissas que pretendemos introduzir o leitor/pesquisador na literatura espanhola modernista. Para a apresentação do conteúdo, utilizaremos slides com apresentação de imagens e textos.
DA PÁGINA PARA A TELA: A HISTÓRIA E A FÓRMULA DAS ADAPTAÇÕES PARA TELEVISÃO
ROBERTO, Thaís (Unesp/Ibilce)
Palavras-Chave: literatura e outras artes; televisão; adaptação.
Desde o surgimento da televisão na década de 1920, o aparelho vem se consolidando como o principal meio de comunicação no mundo. Atualmente, com o vasto alcance da internet e a consolidação do streaming, uma das formas mais populares de entretenimento é o seriado televisivo. A produção anual de séries tem aumentado a cada ano e uma grande porção desses programas são adaptações de outras obras - sejam elas livros, filmes, jogos, etc. Assim, visando entender o que uma adaptação televisiva envolve e como ela acontece, primeiramente este minicurso apresentará um panorama histórico da televisão, falando de suas origens e do crescimento da sua popularidade e analisando seu papel no cotidiano da população mundial. Discutiremos, com base em Gripsrud (1999), as formas como a televisão age na preservação das ideologias dominantes e como ela pode, também, servir como agente de mudança social. Em seguida, analisaremos as diferentes fórmulas televisivas e suas características, focando na fórmula do seriado e explorando também de que maneira a evolução do streaming influenciou o modo como consumimos programas televisivos (Broe, 2019). Passaremos, então, às relações entre a televisão e as adaptações, que estão presentes nas programações desde o surgimento do aparelho e até hoje alcançam um grande público ao redor do mundo. Discutiremos quais características da televisão a tornam um meio tão propício para as adaptações, conforme Cardwell (2007) e Wells-Lassagne (2017), e analisaremos alguns casos em que obras literárias e não-literárias foram transformadas em seriados televisivos, comentando quais estratégias foram utilizadas e para que fins. Para a execução do minicurso, utilizaremos apresentações de slides para melhor visualização do conteúdo compartilhado e cenas pontuais em vídeo dos seriados