Quinta-feira: 14h - 15h30
A HERANÇA CLÁSSICA NA ACADEMIA BRASÍLICA DOS ESQUECIDOS
BELINE, Heloísa Viccari Jugeick (UNESP - ASSIS)
Palavras-chave: Retórica; Agudeza; Oitocentismo; Academia Brasílica dos Esquecidos
Resumo: O presente trabalho tem como objetivo apontar elementos clássicos constantes na produção letrada lusoamericana do século XVIII a partir de estudos voltados à Academia Brasílica dos Esquecidos, primeira academia histórico-literária brasileira, fundada na Bahia em 1724 pelo Vice-Rei Vasco Fernandes César de Meneses, cujo objetivo foi contar a história natural, política, eclesiástica e militar do país até aquele momento. Pretende-se demonstrar como as produções daquele momento reverberaram as influências clássicas greco-latinas tanto na forma quanto no conteúdo (matéria) das atividades poéticas da agremiação que se dividiram em produções com temas heroicos e líricos. Após a análise das produções em verso da ABE e da atividade censória praticada pelo secretário José da Cunha Cardoso, foi possível identificar que houve pressupostos básicos para a publicação dos textos, conceito cunhado por MOREIRA (2011) e que consiste no fato da obra se tornar pública. Tais pressupostos correspondem ao domínio dos preceitos estabelecidos pela retórica aristotélica, método fundamental, naquele período, para decodificar as obras literárias produzidas na Europa e na América do século XV até o XVIII. Ademais, os pressupostos consistem, também, no conhecimento e aplicação da agudeza, recurso definido por HANSEN (2000) como a utilização da metáfora engenhosa, seja na escrita, seja na fala, aproximando-se da verdade, do verossímil, que se configura como resultado da imitação (emulação), considerada, naquele momento, o principal mecanismo para a elaboração dos textos. Dessa forma, será possível observar como os elementos clássicos estiveram presentes nas atividades letradas lusoamericanas oitocentistas e verificar, assim, o quanto foram determinantes para a elaboração, censura, aprovação e publicação dos textos da ABE e, por extensão, daquele período.
AS ILUSTRAÇÕES DE MIJANGOS PARA O “DICCIONARIO DE MITOS CLÁSICOS” DE ESPERÓN E OVIES
SILVA, Gelbart Souza (IBILCE/UNESP - São José do Rio Preto)
Palavras-chave: mitologia clássica; ilustração; Amanda Mijangos; intersemiótica
No “Diccionario de Mitos clásicos” (2017), em parceria com o poeta Aurelio González Ovies, María García Esperón, escritora mexicana premiada e famosa por suas releituras de histórias clássicas, a exemplo de seus livros “Dido para Eneas” (2014) e “El velo de Helena” (2019), retoma alguns mitos clássicos da cultura greco-romana e narra-os em verso e prosa. Complementando esse projeto, a artista também mexicana Amanda Mijangos fornece ilustrações para a capa, alguns paratextos e determinados verbetes. O “Diccionario de Mitos clásicos” torna-se, assim, não só um material de consulta, como o é, por exemplo, o dicionário de mitologia greco-romana de Pierre Grimal, mas também uma obra de arte, já que a preocupação estética acompanha a intenção didática. Nesta comunicação oral, proponho analisar três verbetes acompanhados de suas ilustrações, os quais descrevem os mitos de Diana, Ulisses e Rômulo e Remo. Para tanto, compreendendo o mito em sua plasticidade (GRIMAL, 2013), ou seja, a possibilidade de ser (re)moldado em várias formas, e a ilustração como um processo de tradução intersemiótica (PEREIRA, 2008), procuro demonstrar como cada um dos gêneros adotados(poesia, conto e pintura) podem figurar como textos autônomos. Em especial, examino as três imagens no que tange às decisões, aos recursos e aos procedimentos presentes na construção da narrativa imagética. Como conclusão, demonstro como a ilustração pode apresentar simbologias que extrapolam a informação disposta nos textos escritos, de maneira que o leitor só consegue decodificá-las se tiver um determinado repertório acerca de outras versões ou leituras do mito ali ilustrado. Por fim, aponto como essa pluralidade de leituras é intencional, visando mostrar ao público a plasticidade inerente ao mito.
A TIPOLOGIA DA VIOLÊNCIA EM O ASNO DE OURO, DE APULEIO
SANTOS, Vinícius Medeiros dos (IBILCE/UNESP - São José do Rio Preto)
Palavras-Chave: Apuleio; Romance Antigo; Violência
Resumo: Nesta proposta de comunicação oral, nosso objetivo é apresentar uma análise acerca da manifestação da violência presente no romance antigo romano O asno de ouro, de Apuleio, escrito em latim no século II de nossa era, por meio da seleção e estruturação de uma tipologia violenta apuleiana. Neste estudo, buscamos apontar as maneiras pelas quais a violência organiza-se, seja por meio de sua história principal, quando a personagem protagonista Lúcio vivencia suas diversas aventuras, antes, durante e depois da metamorfose asinina, seja por meio de suas histórias intercaladas, quando as variadas personagens coadjuvantes sofrem agressões de toda ordem, a partir da análise dos níveis semânticos apuleianos, quais sejam, nível estrutural, nível temático e nível fenotípico. Nossa fundamentação teórica é baseada nos estudos do romance antigo romano (BAYET, 1981; CARCOPINO, 1984; BAKHTIN, 1988; WALSH, 1995; ALBRECHT, 1997; HOFMANN, 2005; CARDOSO, 2011; HARRISON, 2013), de O asno de ouro (MASON, 1978; TATUM, 1979; ANDERSON, 1984; WINKLER, 1991; SHUMATE, 1999; SANDY, 1999; BITEL, 2001; SHUMATE, 1996; HARRISON, 2013; SANTOS, 2020) e da violência (MICHAUD, 1989; GARRAFFONI, 1999; LEÃO, 2014; BLACK, 2015; RAY, 2018; SANTOS, 2020b; SANTOS, 2020c). Nossa metodologia organiza-se por intermédio do estudo acerca do romance antigo romano de modo geral, do romance apuleiano de modo específico e da violência. Os resultados alcançados apontam como a estrutura tipológica da violência apuleiana é bastante profícua e complexa, uma vez que expressões violentas similares podem encerrar, muitas vezes, análises interpretativas com significados diversos, quando considerados os níveis estrutural, temático e fenotípico manifestos na composição textual de Apuleio.
A presença do diabo no diário do embaixador (1752-1755)
COELHO, Amanda Mimoso Rodrigues (FCL/UNESP - ASSIS)
Palavras-chave: Retórica; Colonização; Diabo.
Resumo: O objetivo desta comunicação é apresentar como o europeu utilizou dos recursos retóricos ao adaptar a imagem do Diabo (Luther Link, 1998) no discurso religioso do século XVIII. O cristianismo ofereceu um referencial significativo para estabelecer a imagem do Outro em episódios da cultura ocidental. Durante o Renascimento, a Europa desenvolveu novos mitos que remontam a mitologia pagã e alguns desses aspectos entram em conflito com o cristianismo. Por outro lado, a ausência da iconografia na imagem do Diabo é útil para a dominação cultural ao relegar a cultura do Outro como primitiva e/ou demoníaca. Para tanto utilizamos a obra coletiva Manuscrito 42 da Biblioteca Mário de Andrade, O Diário do Embaixador (1752-1755), o qual foi designado pela Coroa portuguesa a uma missão religiosa e diplomática a Ásia, passando por Macau, China, Moçambique e Rio de Janeiro. Tomando por base esse cenário, a descrição do diabo/inferno aparece na passagem da embaixada pelo território chinês, pois a chamada “religião tradicional chinesa”, que inclui filosofia, magias, talismãs e reencarnação é a imagem do Diabo, este essencial para fortalecer a oposição entre os valores da ética cristã e os valores atribuídos a uma sociedade pagã. Desse modo as narrativas do Diário do Embaixador receberam uma valoração estética, pois os escritores empregavam a escrita alegórica e moralizante de seus valores para descreverem os lugares, situações e condições do povo chinês. Como método de análise, utiliza-se a Arte Retórica, de Aristóteles sobretudo o recurso amplificatio (amplificação) e para a contextualização do período e a imagem do diabo (MENON, 2000; MUCHEMBLED, 2001; GONÇALVES, 2020). A escolha desse método resguarda a leitura do texto à luz de sua época.
O FASCISMO E O ROMPIMENTO COM A LITERATURA ITALIANA: GRUPPO 63 E A CULTURA DE MASSA
CABREIRA, Bárbara Coelho Ciciliato (UNESP - Assis)
Palavras-chave: fascismo; Gruppo 63; kitsch; literatura de massa.
Este trabalho tem como objetivo apresentar brevemente um grupo literário italiano intitulado por “Gruppo 63” que foi constituído nos anos de 1960 com o intuito de rompimento com os padrões impostos pela sociedade tradicional italiana na época. O fascismo trouxe imposições na arte e literatura e alguns literários se opuseram a esse regime. Abordaremos questões reflexivas e histórico-culturais sobre a temática do fascismo e concepções de kitsch, principalmente abordadas pelo escritor italiano Umberto Eco em relação a literatura e cultura de massa. O fascismo italiano teve o início na década de 1920 e um dos marcos principais e iniciais do regime fascista foi a “Marcha sobre Roma” ocorrida em novembro de 1922. O grupo 63 consistiu em um movimento literário de vanguarda formado nos anos de 1960 por uma comunidade de intelectuais italianos que compartilhavam o mesmo ideal, caracterizado pela ruptura radical da conformidade presente com a sociedade tradicional italiana da época. Seu surgimento foi através de um período artístico e político controverso quando se opuseram ao conservadorismo praticado pela ditadura fascista. A linguagem usada pelo grupo se libertava da cultura burguesa e suas reivindicações à racionalidade, tornando-se uma ferramenta para compreender e livrar o homem da alienação capitalista, e logo tornar-se também uma ferramenta voltada para a revolução. Esse movimento pode ser caracterizado como um meio de denúncia e crítica pela época do pós-guerra vivenciada pelos membros, as formas de livre expressão utilizadas caracterizavam uma ruptura radical com a imposição do governo. O kitsch se estabeleceu nas culturas de massa das metrópoles e atingiu os percursos da globalização.
UM CONVITE AOS LÁBIOS QUENTES DA FERA: ANÁLISE DO POEMA “O OLHO AZUL DO MISTÉRIO”, DE ADEMIR ASSUNÇÃO
VALANDRO, Valéria Fernanda Ribeiro (IBILCE/UNESP - São José do Rio Preto)
Palavras-Chave: Assunção, poesia, distopia.
Resumo: Resultado da investigação científica “As vozes distópicas na poesia de Ademir Assunção”, realizada no primeiro semestre de 2021 e orientada pela Profª Draª Susanna Busato, esta comunicação tem por objetivo apresentar uma análise do poema “O olho azul do mistério”, presente no livro A voz do ventríloquo (2012), que ganhou o Prêmio Jabuti de Poesia em 2013, do poeta brasileiro contemporâneo Ademir Assunção. Além de proporcionar um olhar minucioso para a arquitetura do texto poético do autor, de modo a estimular possíveis novos leitores de sua poesia e valorizar a literatura contemporânea brasileira, nosso trabalho tem como horizonte estabelecer relações entre o poema “O olho azul do mistério” e os conceitos “utopia” e “distopia”, tomando como base, para as nossas indagações teóricas, os autores Jacoby (2001) e Cioran (1994). Visamos, nesse percurso, apresentar os conceitos utopia e distopia, bem como demonstrar a maneira que esses termos estão relacionados e se retroalimentam, de modo a conduzir não só ao caos, mas também à esperança. No poema em questão, o autor, por meio de seu eu lírico-poeta, conduz o leitor, via cavalgamento de versos, a um cenário distópico, que tende à surrealidade, de modo a desnudar o absurdo social normalizado, especialmente em relação à esfera econômica. Mergulhados no universo disfórico da poesia de Assunção, somos estimulados a encontrar, em meio a um ambiente “infernal”, a euforia. Impelidos pela poética afiada do autor, somos incitados a refletir sobre o lugar do poema e do poeta no mundo contemporâneo, de modo a repensar a poesia, a sociedade e nós mesmos.
LINGUÍSTICA COMPUTACIONAL E OS DESAFIOS NO PROCESSAMENTO DO TEXTO JURÍDICO
PAIVA, Ana Rosa Frazão (USP - SÃO PAULO)
Palavras-chave: Linguística Computacional; Processamento de Língua Natural; Linguagem Jurídica
Resumo: O estudo do texto jurídico é desafiador em razão da linguagem jurídica ser circundada por dilemas como hermetismo, complexidade, latinismos, culto ao canônico etc. O objetivo deste trabalho é perceber as dificuldades enfrentadas no processamento de linguagem jurídica para aplicação em modelagens de Inteligência Artificial. A Linguística Computacional é uma área de estudos que consiste em, basicamente, utilizar ferramentas, a partir de métodos formais de representação de conhecimento, para que máquinas desempenhem tarefas que envolvam língua humana. Quando se insere o texto jurídico no contexto de Aprendizado Máquina, algumas adversidades comparecem. Um fator observável é que a tipologia da linguagem do direito apresenta questões muito particulares e que são atípicas ao uso comum de uma língua, uma delas é a resistência a mudanças, o que posiciona essa variante num lugar controverso. Por vezes, a cristalização pode representar um ganho para o processamento de língua por se mostrar estática e padronizada, fator que facilita a representação, por outro lado, cabe questionar se a reprodutibilidade de padrões de uma linguagem pouco acessível é necessária à sociedade. A busca para essa e outras inquietudes impulsiona essa pesquisa que pretende, a partir de referencias teóricas da área do direito, tecnologia e linguística, conectar estudos para entender os enfrentamentos decorrentes do processamento de textos jurídicos. Fabiano Hartmann contribui na interface direito e inteligência artificial na medida em que discute o tema da utilização de agentes inteligentes pelo judiciário brasileiro. Acerca de processamento de língua natural, Daniel Jurafsky e James Martin são referências teóricas robustas no tratamento linguístico computacional do tema. A pesquisa se debruça sobre um modelo de linguagem utilizado pelo Poder Judiciário Brasileiro, o Sinapses, e espera como resultado uma abordagem disruptiva por entender que ensinar máquinas sobre o texto jurídico é preciso, antecipadamente, atender a uma demanda social que é tentar simplificá-lo.
PRODUÇÃO TEXTUAL DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO A PARTIR DAS CONTRIBUIÇÕES DA ESCRITA CRIATIVA NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
CAMARGO, Igor Rocha (UFTM-UBERABA)
Palavras-chave: Escrita Criativa; Produção Textual; Língua Portuguesa; Literatura.
A escrita como um processo gráfico de produção de texto é um trabalho intelectual permeado de enunciações constantes que fazem com que o discurso seja emanado na modalidade escrita, muitas das vezes, exprimindo ideias e conceitos relacionados ao contexto social em que a pessoa vive ou que ela estuda/pesquisa, de modo que é possível perceber o posicionamento argumentativo dos alunos durante suas produções. Nessa perspectiva, destaca o pensamento de Geraldi (2003) de que a língua tem uma sistematização aberta, ou seja: ampla, considerando ainda, o contexto histórico-social dos produtores textuais, evidenciando que o texto é “um compartilhamento do eu e tu” - em outras palavras - há um entrelaçamento entre o interlocutor e receptor do texto produzido. Ainda de acordo com Geraldi (2003), o sujeito e a relação discursiva participam ativamente do desenvolvimento linguístico, e da compreensão de significação e expressão próprias de contextos semelhantes e até mesmo distintos - pois aqui podemos elencar a intertextualidade. Diante disso, o presente trabalho pretende evidenciar os resultados de uma abordagem prática relacionada a escrita criativa de alunos do ensino médio da rede pública estadual de ensino, de uma escola da cidade de Uberaba-MG, que foram obtidos na disciplina de Orientação e Estágio Supervisionado em Língua Portuguesa II, dos cursos de Letras da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), a partir das contribuições de Fiad (2006) e Geraldi (2003). A escrita criativa foi utilizada como uma alternativa para auxiliar os estudantes no processo de desbloqueio na produção textual deles, a partir de leituras diversas, inclusive de textos não verbais ligados aos movimentos artísticos e culturais que fizeram parte da história do Brasil e do Mundo – como forma de inspiração e ruptura de paradigmas concernentes a escrita.
GRAMATICALIZAÇÃO E SUBJETIVIZAÇÃO DAS CONSTRUÇÕES COM SE BEM (QUE) NA HISTÓRIA DO PORTUGUÊS
BENEDETTI, Gabriel (IBILCE/UNESP - São José do Rio Preto)
Palavras-chave: Gramaticalização; Concessividade; Subjetivização
Resumo: Neste trabalho, investiga-se, em perspectiva diacrônica, o processo de gramaticalização do qual resultou a perífrase conjuncional concessiva se bem (que) na história do português. A pesquisa está pautada no quadro teórico da Gramaticalização, sobretudo nos trabalhos de Traugott e Dasher (2002), Heine e Kuteva (2007) e Bybee (2010, 2015). Em particular, analisa-se a mudança dos significados à luz da tendência à subjetivização, um processo semasiológico pelo qual falante/escrevente desenvolve significados capazes de codificar ou expressar suas perspectivas ou atitudes a respeito do conteúdo das proposições, das posições argumentativas e do próprio evento comunicativo (Traugott e Dasher, 2002). Nessa perspectiva, o objetivo maior da pesquisa está na compreensão dos contextos que propiciaram a cristalização do juntor complexo se bem (que) e a emergência do significado concessivo. Metodologicamente, a pesquisa é norteada pelos padrões polissêmicos das construções, juntamente com suas propriedades distribucionais. À maneira de Mauri e Ramat (2012), conjugam-se estágios múltiplos de mudança a uma tipologia de contextos, nos vieses qualitativo e quantitativo, distinguindo contextos compatíveis somente com o significado fonte, contextos que mostram dupla compatibilidade com fonte e alvo e contextos compatíveis somente com o significado alvo, tendo como base uma amostra de textos de gêneros diversos, produzidos em um recorte temporal de cinco séculos (século XVI até XX/XXI). Os resultados indicam possíveis estágios de mudança, nos quais sobressaem traços da fonte bem, em suas funções de partícula escalar e partícula focalizadora, juntamente com a condicionalidade de se, em que se observa um ganho de factualidade, típico de relações contrastivas, e enfraquecimento do valor hipotético de se condicional. Além disso, os dados apontam para uma especialização de se bem que na expressão de relações concessivas restritivas.
POSSIBILIDADES E DESAFIOS NO ENSINO DE INGLÊS PARA INTERNACIONALIZAÇÃO POR UM VIÉS DECOLONIAL
SILVA, Nayara Stefanie Mandarino (UFPR-Curitiba)
Palavras-chave: ensino de língua inglesa; Internacionalização; decolonialidade.
Resumo: A internacionalização é um processo que tem recebido cada vez mais atenção no Brasil, que se insere no Sul Global, sendo frequentemente entendida como resposta à globalização (KNIGHT, 1999; SZYSZLO, 2016). No Brasil, foi a partir do Ciência sem Fronteiras (CsF) que a internacionalização passou a ser mais discutida pela comunidade acadêmica, embora pouco se questione o porquê de internacionalizar, como notam Buckner e Stein (2020) ao analisarem discussões sobre o tema no contexto global. O surgimento do programa Inglês sem Fronteiras (BRASIL, 2012) e, posteriormente, do Idiomas sem Fronteiras (BRASIL, 2014), está ligado ao CsF. Neste trabalho, refiro-me a minha atuação no programa, atualmente configurado como Rede Andifes IsF (ASSOCIAÇÃO..., 2019). Considerando que globalização, capitalismo e neoliberalismo decorrem da colonialidade, esta também perpassa a internacionalização (MARTINEZ, 2017). Nesse contexto, a língua inglesa se torna uma ‘moeda’ nas transações de conhecimento (FABRICIUS; MORTENSEN; HABERLAND, 2016), passando a ser entendida como uma ferramenta a ser adquirida (JORDÃO; MARTINEZ, 2020). Diante disso, esforços por uma internacionalização crítica fazem-se urgentes, ainda que repletos de desafios e limitações (STEIN, 2019). Neste trabalho, objetivo analisar meus próprios esforços para promover um ensino de inglês para internacionalização a partir de um viés decolonial no âmbito do Idiomas sem Fronteiras (IsF), em que fui professora de 2018 a 2020. Para tanto, utilizo a autoetnografia (ERIKSSON, 2010; PARDO, 2019), analisando materiais das aulas e cursos que desenvolvi no período mencionado, bem como as notas de campo geradas durante o processo. O estudo evidencia desafios e contradições no processo, com momentos de desprendimento (MIGNOLO, 2007) e de reforço do pensamento moderno/colonial.
Quinta-feira: 19h40 - 21h30
REPRESENTAÇÕES MASCULINAS NO ROMANCE MUNDOS MORTOS: TRAGÉDIA BURGUESA, DE OCTAVIO DE FARIA
CARVALHO, Lucas (UEL - Londrina)
ALCANTARA, André Henrique de (UEL - Londrina)
Palavras-chave: Masculinidades; Representações Masculinas; Octavio de Faria; Tragédia Burguesa vol. I.
Resumo: Questões sociais, como a perpetuação da supremacia masculina, são frequentemente retratadas em textos literários, sendo estes ótimos meios para se refletir e descobrir o tecido social, no qual os indivíduos manifestam suas diversas crises, experiências pessoais, vivências e pensamentos patriarcais. O presente trabalho surgiu mediante discussões levantadas no projeto de pesquisa denominado Reconstituições dos homens: as masculinidades entre o debate teórico e a literatura, desenvolvido na Universidade Estadual de Londrina, que visa tratar do reconhecimento das masculinidades e sua manifestação nas variadas expressões, promovendo reflexões e análises das masculinidades e sobre suas configurações na literatura. Crises humanas e vivências masculinas, apresentam-se no romance a ser analisado na presente proposta, a saber: Mundos Mortos: tragédia burguesa I (1937), do autor carioca Octavio de Faria, dado o enquadramento do tema. Desta forma, pretende-se analisar e refletir o referido romance, lançando luz às questões das representações masculinas e seus reflexos sociais. Para tanto, apresentamos arcabouço teórico que versa sobre masculinidades e suas representações na literatura (BOLA, 2019; MUSZKAT, 2011; SIMON, 2016; dentre
A FIGURA FEMININA EM O MULATO, DE ALUÍSO DE AZAVEDO
BARBOSA, Gustavo Nascimento (UFMA- São Luís)
Palavras-chave: Feminino; O Mulato; Aluísio Azevedo.
Resumo: Este resumo tem como proposta de apresentar o trabalho sobre o engajamento da literatura saramaguiana no romance As intermitências da morte (2005). Nesta obra, José Saramago cria uma narrativa em que a morte decide desaparecer no cotidiano das personagens, no entanto, a expectativa de conviver com a eternidade é frustrada devido aos desencadeamentos perturbantes que ocorreram posteriormente ao acontecimento, diante disto, as discussões elaboradas neste trabalho promovem a análise do funcionamento e do comprometimento da literatura de José Saramago para esclarecer a relação entre homem e finitude e o uso das manifestações satíricas na narrativa como abordagens para retratar o mundo às avessas e a ridicularização das personagens do enredo. Dessa forma, para realizar a análise literária houve a seleção das leituras teóricas, como: Huizinga (2015) e Ariès (2012), cujos comentários refletem sobre os vínculos sociais e históricos entre a figura da morte e o homem; os autores Calbucci (1999), Berrini (1998) e Bloom (2005) que apresentam suas respectivas análises sobre a produção literária de José Saramago e seus efeitos e, além disto, para entender os propósitos dos escritores e da Literatura na era da modernidade foram consultados os textos de Sartre (2006) e Berman (1986); Por fim, os autores Hodgart (1969), Soethe (1988) e Jolles (1976) auxiliam na compreensão dos recursos satíricos, como: o desnudamento, o chiste e o mundo às avessas. Sendo assim, a produção deste trabalho acredita que a Literatura e o escritor podem demonstrar alguma forma de engajamento para discutir assuntos que são ocultados pelo corpo social, por exemplo, o receio da morte e, ademais, os resultados parciais obtidos foram as constatações da eficiência na utilização dos recursos cômicos para retratar a relação entre homem, sociedade e finitude.
FELIZ ANO NOVO DE RUBEM FONSECA SOB A ÓTICA DE ANTONIO CANDIDO, UMA FORTURNA CRÍTICA
SILVA, Enrico de Castro Carvalho (MACKENZIE - São Paulo)
Palavras-Chave: Antonio Candido; Literatura Comparada; Rubem Fonseca.
Resumo: o presente estudo apresenta uma fortuna crítica sobre a obra Feliz ano novo, publicada por Rubem Fonseca em 1975, frente à concepção de Antonio Candido sobre teoria e crítica literária. Esta pesquisa é motivada pela necessidade de mapeamento dos conhecimentos científicos construídos nos últimos nove anos, para que se possa definir um ponto de partida e expandir o estudo dos contos de Rubem Fonseca sob o viés da literatura comparada. Objetiva-se apresentar um recorte dos artigos indexados no portal de periódicos da CAPE – de 2008 até 2017 – sobre Feliz ano novo (1975), especificamente, sob o olhar que Antonio Candido constrói sobre literatura brasileira de crítica sobre a obra de Fonseca. O referencial teórico mobilizado para esse fim refere-se à concepção de literatura de Candido (1989; 2011) e ao olhar de Ferreira (2002) sobre revisão de literatura. O corpus de pesquisa foi analisado de modo quantitativo-qualitativo frente à metodologia de revisão bibliográfica. Os resultados obtidos demonstraram que as articulações entre Candido e Fonseca são heterogêneas, porém coesas, o que torna evidente a potencialidade do pensamento do teórico da literatura para compreender e promover uma reflexão sobre o aspecto questionador que a obra fonsequiana promove da ordem social dominante, por meio de articulações estilísticas transgressoras e ultrarrealistas. É possível concluir que abordar a produção de Rubem Fonseca sob o viés de tendências contemporâneas dos estudos literários – como, por exemplo, a concepção de literatura comparada desenvolvida por Carvalhal (2006) – traz diversas possibilidades de pesquisa para compreender a atualização da obra ao longo do tempo.
O ROMANCE BALZAQUIANO E A CONSOLIDAÇÃO DO QUOTIDIANO COMO OBJETO LITERÁRIO
MENDES, Fernando Henrique Magalhães (UNESP/IBILCE – São José do Rio Preto)
v
Palavras-chave: Literatura francesa, Balzac, quotidiano
Resumo: A presente comunicação tem como objetivo fazer uma breve análise acerca da importância da obra literária, de Honoré de Balzac, para a consolidação da representação da vida quotidiana burguesa como objeto artístico para o romance moderno. Para essa análise, tomamos como ponto de partida a observação feita por Otto Maria Carpeaux, em sua História da Literatura Ocidental, sobre a importância da Comédia Humana para a Literatura Ocidental, na qual o crítico afirma que anteriormente a Balzac, o significado da palavra “romance” era relacionado a uma história extraordinária, “romanesca”, fora do comum; depois do autor francês ela seria como um espelho do nosso mundo, dos nossos países, das nossas cidades e ruas, das nossas casas, dos dramas que se passam em nossos apartamentos e quartos. Outra fonte relevante para nossa análise é o ensaio Romance como Epopeia Burguesa de Gyorgi Lukács (1999) que a conquista do cotidiano se iniciou com os escritores ingleses do século XVIII, e vai se consolidar com Balzac e os escritores realistas do século XIX. Outro conceito importante para essa análise é o “Enchimento”, que o Franco Moretti (2014) define como, situações que ocorrem nos romances entre os momentos decisivos da narrativa. Desse modo tomamos como objeto de estudo três romances: Pai Goriot, Ilusões Perdidas e Esplendores e Misérias das Cortesãs, que juntos formam uma trilogia que foi denominada de Ciclo de Vautrin pela crítica balzacista. Buscaremos fazer uma análise de trechos de cada uma das obras, de maneira a demonstrar como o quotidiano é expresso nelas e de como ele é um importante elemento para a narrativa e para artisticidade da obra literária moderna.
"E se deixássemos de morrer?": O engajamento da literatura saramaguiana na obra As intermitências da morte.
MEDEIRAS, Natália Kanashiro de (UNESP/FCL - Assis)
Palavras-chave: José Saramago; Engajamento literário; Sátira; Morte
Este resumo tem como proposta de apresentar o trabalho sobre o engajamento da literatura saramaguiana no romance As intermitências da morte (2005). Nesta obra, José Saramago cria uma narrativa em que a morte decide desaparecer no cotidiano das personagens, no entanto, a expectativa de conviver com a eternidade é frustrada devido aos desencadeamentos perturbantes que ocorreram posteriormente ao acontecimento, diante disto, as discussões elaboradas neste trabalho promovem a análise do funcionamento e do comprometimento da literatura de José Saramago para esclarecer a relação entre homem e finitude e o uso das manifestações satíricas na narrativa como abordagens para retratar o mundo às avessas e a ridicularização das personagens do enredo. Dessa forma, para realizar a análise literária houve a seleção das leituras teóricas, como: Huizinga (2015) e Ariès (2012), cujos comentários refletem sobre os vínculos sociais e históricos entre a figura da morte e o homem; os autores Calbucci (1999), Berrini (1998) e Bloom (2005) que apresentam suas respectivas análises sobre a produção literária de José Saramago e seus efeitos e, além disto, para entender os propósitos dos escritores e da Literatura na era da modernidade foram consultados os textos de Sartre (2006) e Berman (1986); Por fim, os autores Hodgart (1969), Soethe (1988) e Jolles (1976) auxiliam na compreensão dos recursos satíricos, como: o desnudamento, o chiste e o mundo às avessas. Sendo assim, a produção deste trabalho acredita que a Literatura e o escritor podem demonstrar alguma forma de engajamento para discutir assuntos que são ocultados pelo corpo social, por exemplo, o receio da morte e, ademais, os resultados parciais obtidos foram as constatações da eficiência na utilização dos recursos cômicos para retratar a relação entre homem, sociedade e finitude.
RELAÇÕES ENTRE MACHADO E POE NO BRASIL DO SÉCULO XIX
ANDRADE, Anderson de Souza (UNESP - Assis)
Palavras-chave: Tradução e adaptação; Machado de Assis; Edgar Allan Poe
Resumo: A relação de Machado de Assis com autores, como Edgar Allan Poe, entre outros, não se limitou aos paratextos e excertos que permeiam sua obra, mas abarcou também ao trabalho de tradutor, com destaque à tradução do célebre poema “O corvo”, do escritor norte-americano. O autor brasileiro ao qual fazemos referência, foi fortemente ligado a literaturas estrangeiras, porém, quando nos é posto seu no papel de tradutor, Machado de Assis não se limitou ao exercício da simples transposição dos versos em inglês do poema poeano para a Língua Portuguesa, mas realizou um trabalho de adaptação, para o qual contribuíram as diferenças linguísticas e culturais envolvidas no exercício tradutório. Feitas essas considerações, a comunicação tem por objetivo apresentar alguns comentários acerca das traduções de textos literários realizadas por Machado de Assis, além de fazer uma apresentação de recortes de jornais do século XIX nos quais as traduções de Machado de Assis foram publicadas, principalmente do poema “O Corvo”, de Edgar Allan Poe. Como referencial teórico serão utilizados conceitos sobre tradução e adaptação, empregados em trechos retirados do poema original para o confronto com a Língua Portuguesa.
TAXONOMIA DOS ESPELHOS EM A VIDA MODO DE USAR, DE GEORGES PEREC
ALONSO, Mariângela (USP -São Paulo)
Palavras-chave: Mise en abyme; Taxonomia; Georges Perec; A vida modo de usar
Resumo: A presente comunicação insere-se nos estudos de intertextualidade e tem por objetivo a discussão do procedimento narrativo da mise en abyme no romance A vida modo de usar, do francês Georges Perec (136-1982). Composto por noventa e nove capítulos distribuídos em mais de quinhentas páginas, esse livro impressiona pela profusão de personagens e detalhes que o cercam, na medida em que são narrados todos os diferentes compartimentos de um edifício parisiense, localizado na Rue Simon-Crubellier, espécie de epicentro do texto. De forma lúdica, a obra é produzida por meio de análise combinatória e de tabuleiro de xadrez. Além disso, a estrutura explora bicarré latin orthogonal d’ordre 10, la polygraphie du cavalier e la pseudo-quenine d’ordre 10. Isso significa dizer que o livro é composto com base em uma figura com 10 x 10 quadrados preenchidos com 10 diferentes letras e 10 diferentes números, cada quadrado contendo uma letra e um número; o movimento do cavalo no tabuleiro de xadrez, e a ação de trocar a ordem de um determinado conjunto de coisas linearmente arranjadas. Empregando diversos paratextos, Georges Perec apresenta taxonomias, como índices, listas, tabelas e verbetes, que se intercruzam e se acumulam ao modo das vidas descritas. Em cada cômodo narrado há objetos que se espelham, favorecendo outras histórias encaixadas dentro do capítulo de que fazem parte. Nessa dinâmica em forma de puzzle, entra em jogo o exercício especular da mise en abyme, corroborando uma ficção errática, em constante tecimento. Ao modo de uma suma enciclopédica do edifício e, por extensão, do mundo como um jogo, Perec nos mostra a vertigem de uma narrativa espelhada, cujas taxonomias ou esquemas classificatórios são somente projetos irrealizáveis. Assim, por meio das formulações de Lucien Dallenbach (1977; 1972; 2001) em torno da mise en abyme, propomos a leitura do romance mencionado.