Homo Artisticus: falar, fazer e existir muito além de 1922
De 3 a 7 de outubro de 2022
Homo Artisticus: falar, fazer e existir muito além de 1922
De 3 a 7 de outubro de 2022
Apresentação
"Os girassóis amarelo! resistem."
Manuel Bandeira
Neste ano de 2022, a Comissão Organizadora da 34ª Semana de Letras propõe o tema: “Homo artisticus’: falar, fazer e existir muito além de 1922”. O evento é um encontro científico e cultural organizado pelos alunos do 3º ano do curso de Licenciatura em Letras da UNESP de São José do Rio Preto/SP, com o apoio do corpo docente, e está previsto para ocorrer no formato on-line entre os dias 03 e 07 de outubro de 2022.
Em 2022, os centenários são incontornáveis, ou seja, o bicentenário da Independência do Brasil e o centenário da Semana de 1922. Em 1822, com a emancipação política, vem o questionamento do que é ser culturalmente brasileiro. A independência e as criações artísticas do século XIX fizeram talvez muito mais barulho do que os “revolucionários”, da elite brasileira, que se reuniram no Theatro Municipal de São Paulo em fevereiro de 1922. Cem anos antes e cem anos depois disso, o Brasil buscou e ainda busca sua identidade cultural, fazendo da Semana de 22 parte desse processo. Vale salientar também que o contexto histórico da Semana de Arte Moderna é muito semelhante ao da atualidade brasileira: o povo saía de uma pandemia, a gripe espanhola; havia a iminência de uma nova guerra na Europa que aterrorizava a todos; o fascismo ganhava fama no Brasil e no mundo; e a tradição acadêmica reagia (e sempre reagirá) fortemente à ruptura das estéticas vigentes, proposta pelos artistas de vanguarda.
“Homo artisticus” surge, pois o ser humano, sempre em movimento, fala, se comunica, faz e (re)produz a sua existência para aquém e além de 1922, mudando o modo de fazê-lo, a superfície e a estética: o único princípio é o da mudança, de maneira que o “hoje” planeja violar o “ontem” de uma forma cada vez mais rápida, sendo que, muitas vezes, o resultado não é obrigatoriamente inovador, mas consiste, paradoxalmente, numa “tradição da ruptura”.
É esse conjunto de reflexões que nos leva a revisitar os preâmbulos e os “futurismos” do fin de siècle XIX, de Sérgio Buarque de Holanda, e como estes afetaram o início do século XX no Brasil, os desdobramentos da Semana de 22: entender a proposta de liberdade às amarras do academicismo e de que jeito esse ideal de ruptura inspirou avanços em diversas áreas do saber como a Literatura, a Linguística e a Educação. Não se tratará de abolir o cânone e a tradição do passado, mas de analisá-los, de modo que as abordagens científicas mais contemporâneas e os autores não canônicos percam seu estigma de embrionários, periféricos, e adquiram o devido espaço e compreensão, e, eventualmente, prestígio, em nosso fazer acadêmico atual.