CARTA ABERTA À COMUNIDADE
A excelência da USP depende de todos: por que nossa luta é sobre inclusão e pertencimento
Prezados professores, alunos e colegas funcionários,
A Universidade de São Paulo é reconhecida mundialmente por sua excelência. No entanto, para que essa engrenagem de ensino, pesquisa e extensão funcione, existe um corpo de trabalhadores que atua diariamente nos bastidores.
Hoje, escrevemos para compartilhar por que nossa mobilização vai além de números: ela é sobre justiça, inclusão e o direito de pertencer.
Por que nossa luta também é pedagógica e social?
Uma universidade que ensina sobre democracia e igualdade em suas salas de aula não pode sustentar, em sua estrutura administrativa, um sistema de "dois pesos e duas medidas".
O sentimento de pertencimento nasce do reconhecimento.
Quando um setor da universidade goza de direitos plenos e progressões claras, enquanto outro enfrenta barreiras subjetivas e orçamentos sempre "em crise", cria-se uma barreira invisível que divide a comunidade acadêmica.
Nossas principais pautas tocam em pontos sensíveis dessa desigualdade:
* Isonomia e dignidade: não há inclusão real onde o trabalho de uns é compensado com folgas e o de outros gera dívidas gigantes de horas, com desconto de vale refeição
* Carreira e valorização: pertencer à USP deveria significar ter uma perspectiva de futuro. Hoje, a falta de uma carreira objetiva para os funcionários estagna talentos e gera desmotivação.
* Justiça orçamentária: a "crise" não pode ser seletiva. O investimento no capital humano deve abraçar a todos que constroem a universidade.
A excelência não deve gerar exclusão
Não queremos privilégios, queremos o fim deles. Lutamos por uma USP onde o funcionário da limpeza, o técnico de laboratório e o servidor administrativo sejam vistos como peças fundamentais do sucesso acadêmico, e não como um "custo" a ser reduzido.
Um convite à reflexão
Convidamos todos, docentes e discentes, a refletirem:
Pode uma universidade ser verdadeiramente de excelência se uma parte de seus trabalhadores é tratada como invisível?