Sou professor e cientista da Faculdade de Engenharia Agrícola da UNICAMP. Mas antes disso (e acima disso) sou alguém profundamente apaixonado por conhecimento, pela possibilidade de transformar a realidade por meio da ciência, e por ensinar o que aprendo ao longo do caminho. Minha trajetória não foi linear: foi feita de rupturas, retomadas e encontros decisivos com mestres, ideias e vocações. Além da atividade reflexiva e intelectual, valorizo muito a diversidade de experiências e as histórias pessoais como meio de crescimento pessoal, e estes valores fizeram de mim uma pessoa espiritualizada, apesar de imerso totalmente na ciência.
Esta página é um conector, que estou constantemente construíndo para reunir minhas atividades intelectuais e científicas, não somente para meus alunos, mas para todos aqueles que possam partilhar algum interesse em comum. Faço isso na esperança de que alguma coisa que aqui esteja possa ser útil.
Iniciei minha formação em Engenharia Química no Instituto Mauá de Tecnologia (1999–2005), onde adquiri uma base sólida em fenômenos de transporte, termodinâmica, operações unitárias e modelagem de processos, fundamentos que continuam estruturando meu modo de pensar ciência e engenharia. Durante o curso de Engenharia Química realizei uma iniciação científica no ano de 2003, na qual tive meu primeiro contato com a digestão anaeróbia de resíduos.
Em seguida, realizei o Mestrado (2006–2008) e o Doutorado (2008–2011) na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP), aprofundando minha formação em engenharia hidráulica, saneamento e processos biotecnológicos, com foco em digestão anaeróbia em condições sulfetogênicas, produção de biogás, redução de sulfato e metabolismo microbiano aplicado à valorização de resíduos.
Na foto, da esquerda para a direita: Walter Borzani, Suzana Maria Ratuznei, eu e José Alberto Domingues Rodrigues (Seminário do projeto temático EESC-USP, 2003).
Após o doutorado, segui um percurso de pós-doutoramento em múltiplas instituições, explorando de forma complementar física, engenharia e biotecnologia. Atuei inicialmente no Instituto de Física de São Carlos – USP (2011–2012), depois novamente na EESC-USP (2012–2013), e, em seguida, no National Research Council of Canada – Biotechnology Research Institute (2013–2014), onde trabalhei diretamente com microbiologia molecular, metagenômica e engenharia de bioprocessos, em colaboração com grupos internacionais dedicados à digestão anaeróbia e bioenergia.
Mais recentemente, obtive a Livre-Docência pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (2024), consolidando uma trajetória que integra engenharia, biotecnologia, ciência de dados e modelagem de sistemas complexos, com ênfase na construção de tecnologias e conceitos que permitam compreender, controlar e otimizar processos biológicos de conversão de energia e matéria.
Essa formação híbrida, que transita entre engenharia clássica, física, microbiologia e ciência computacional, sustenta minha abordagem atual: tratar sistemas biotecnológicos não como “caixas-pretas”, mas como sistemas dinâmicos, mensuráveis e controláveis, nos quais teoria, experimento e modelagem devem evoluir de forma integrada.
Gosto de explorar a interseção entre ciência básica, ciência aplicada, pensamento crítico e formação humana. Na pesquisa, meus principais interesses incluem:
Digestão anaeróbia para tratamento de resíduos e produção de biogás
Fermentação escura para produção de biohidrogênio
Desenvolvimento de configurações de biorreatores eletroativos
Inteligência artificial aplicada à biotecnologia
Pirólise de resíduos sólidos e de biomassa
Integração de processos (eletrobiológico + termoquímico)
Mais recentemente, começamos a estudar um pouco mais sobre bioquerosene para aviação (SAF - sustainable aviation fuel), mas com uma abordagem exploratória, para responder a seguinte pergunta, em âmbito pessoal: "Vale a pena mais essa área de pesquisa?". Neste quesito, uma frase me toca muito: "Nós podemos fazer qualquer coisa que quisermos, mas não todas as coisas que quisermos.".
Também tenho interesse em filosofia, com ênfase em epistemologia, filosofia da ciência, metafísica e os limites do conhecimento científico. Neste sentido, venho estudando com atenção os seguintes temas:
Escrita científica e autoetnografia como forma de expressão e análise
Pseudoceticismo como forma dogmática justificada cientificamente
Educação interdisciplinar e metodologias de ensino inovadoras
Religião comparada, com destaque para o dialeteísmo entre doutrina espírita e budismo
Lógica paraconsistente
Semiótica relacionada a tecnognosicismo
Esses interesses me levam a buscar colaborações amplas e a pensar a ciência como uma prática aberta, transdisciplinar e sensível ao contexto histórico e social. Nesse espectro, minha posição filosófica oscila — por convicção — entre realismo e anti-realismo, entre coerência e correspondência, aceitando que o pensamento crítico não se resolve, mas se exercita.
Entre o laboratório e o silêncio
A vida acadêmica, com suas exigências mentais e afetivas, exige contrapesos que permitam a presença, o cuidado e o reencontro com o corpo. Ao longo dos anos, descobri que a atividade física intensa, a meditação e o simples ato de respirar com consciência são tão fundamentais para minha prática científica quanto qualquer leitura ou experimento.
Caminhadas longas, corrida vigorosa, ciclismo, artes marciais, musculação e momentos de silêncio tornaram-se parte da minha rotina diária — não apenas como higiene física, mas como uma forma de escuta interna. O progresso é fruto de atenção, repetição e desapego continuamente exercitados.
Para mim, bem-estar não é luxo, mas parte do método. Corpo e mente não estão dissociados: eles se entrelaçam na produção de ideias, decisões, descobertas — e sobretudo na forma como habitamos o tempo.
Mens sana in corpore sano.
Além do laboratório
Além da vida acadêmica e profissional, cultivo uma série de interesses que me ajudam a manter o equilíbrio e a criatividade no cotidiano. Valorizo muito o tempo com minha família, que é sempre prioridade e fonte de inspiração e de transpiração. A música é uma paixão constante. Tenho um gosto eclético, que vai do jazz ao rock’n’roll, do heavy metal à música clássica — cada gênero tem seu momento e seu papel. Também me interesso por trilhas sonoras e composições instrumentais, que muitas vezes acompanham meu trabalho ou momentos de relaxamento.
No tempo livre, gosto muito de explorar universos de videogames e RPG de mesa, atividades que considero não apenas divertidas, mas também ricas em narrativas, estratégia e construção coletiva — habilidades que dialogam bem com a ciência e a educação. Sou fã de filmes de suspense e terror, especialmente aqueles com roteiros criativos e atmosferas densas. E, acima de tudo, valorizo o bom humor. Gosto de piadas, bobagens saudáveis e do riso espontâneo — acredito que manter o espírito leve é essencial, mesmo diante dos desafios mais complexos.
Enfim... uma busca eterna por equilíbrio
Em meio a tantas atividades — acadêmicas, pessoais e criativas —, tudo é, no fundo, uma busca contínua por equilíbrio. Um equilíbrio difícil de atingir e, mais ainda, de manter. Ninguém passa incólume por uma trajetória intensa. Este texto pode dar uma impressão errada, que já corrijo aqui: são meus interesses. Eu procuro ser assim. Eu desejo me melhorar sempre. Muitas vezes eu me perco. Na busca contínua pelo aperfeiçoamento, inércia e indolência batem na porta. As vezes eu atendo. Na busca pelo equilíbrio, cair é inevitável. É parte do processo. Mas o mais importante é levantar rápido, tentar aprender com o tombo e seguir em frente. Tenho um monte de cicatrizes que me ensinaram isso — e são elas que moldam, silenciosamente, minha forma de ensinar, pesquisar, criar e conviver.