Mostra Oficial 1
22/06/2026 às 18h30
Jatso
Chloé Beillevaire - França
06:20
Quando o tempo corre célere, Tudo o que resta são fragmentos — Remanescentes dispersos, Migalhas do que um dia foi.
Naquele instante fugaz, Um segundo roubado Faz mais sentido Do que tudo o resto.
Numa era moldada pela velocidade, pelo desempenho e pela produção incessante, o corpo torna-se um lugar de resistência, abrindo espaço para o efêmero, o frágil e o economicamente improdutivo. JATSO procura revelar a beleza transitória do movimento, não como um espetáculo, mas como um rastro — uma prova de que a presença ainda pode existir dentro de sistemas que exigem um impulso ininterrupto. Cada gesto torna-se uma suspensão, um instante arrancado ao tempo, uma forma silenciosa de recusar o apagamento total.“Just a tiny sip of” é um filme de dança que questiona a nossa capacidade de capturar fragmentos de movimento num mundo de fluxo constante. Forjado através do encontro entre a coreógrafa e realizadora Chloé Beillevaire, o compositor LTIR e catorze talentosos intérpretes do programa intensivo Performact. Concebido e realizado num intervalo de apenas dez dias, sem apoio financeiro, o projeto surgiu entre as paredes cruas de uma antiga fábrica de vinho em Torres Vedras, Portugal. Impulsionada pelo compromisso coletivo, a equipa transformou a limitação em força criativa, dando vida à visão de Chloé Beillevaire através da invenção e de uma intensidade corporificada.
Kin
Rocio Luna, Ana Baer - Mexico/USA
05:19
Uma videodança site-specific que explora a relação entre humanidade e natureza, trazendo à tona questões ecológicas e buscando — ainda que parcialmente — remediar ambientes degradados. Inspirada por práticas da arte ambiental, a obra abre espaço para o diálogo sobre nosso entrelaçamento precário com o mundo natural, convidando-nos a reimaginar e reconfigurar essa relação. Inspirada nas teorias pós-humanas de Donna Haraway.
THE DUST OF MY CONCRETE CHILD
Lino Eckenstein, Eden Manga-Knoy - Suiça
06:47
THE DUST OF MY CONCRETE CHILD (A Poeira da Minha Criança de Concreto) um catálogo em vídeo de retratos sobre intimidade e violência
‘The Dust of My Concrete Child’ é um catálogo em vídeo composto por 7 curtas-metragens que retratam 7 perspectivas diferentes de intimidade e violência. Despidas de seus contextos sociais e emocionais habituais, a intimidade é compreendida e explorada como um estado frágil, e a violência como uma força brutal, não como um ato de agressão. A série acompanha sete bailarinos enquanto navegam por diferentes narrativas e atmosferas em uma jornada distópica, mas poética, repleta de sensações de desconforto, solidão, fragilidade, vulnerabilidade e desejo. Embora os filmes formem um universo conectado, cada retrato subsiste plenamente por si só. Cada RETRATO (curta-metragem) oferece uma perspectiva distinta sobre o tema.
RETRATO 1: TEXTURA / PRESSÃO / FRICÇÃO Este filme explora as interações entre as matérias-primas e o corpo, entre texturas e as sensações que delas emanam. A violência e a intimidade são vivenciadas como forças que provocam sensações ríspidas, frágeis, brutais e carregadas. O som incômodo de sacolas plásticas roçando umas nas outras, a pele comprimida entre pneus, balões flutuando — essas imagens frágeis e inocentes causam um forte impacto em nossos corpos. Este retrato nos atrai para uma atmosfera onde os bailarinos são expostos a certos materiais que carregam essas qualidades confrontantes em si. Pneus de borracha, poeira, penas e sacos de lixo inflados — objetos que parecem inofensivos — criam encontros abrasivos, frágeis e cheios de tensão enquanto os bailarinos os navegam, suportam e imitam. Os intérpretes vivenciam as forças desses materiais em seus corpos ao interagir com eles e vivenciar seus desdobramentos.
Free Spirit
Pablo Soto, Konstantionos Potamianos -Grecia
04:51
Um filme de dança que retrata a liberdade de expressão e de existência. Utilizando elementos de danças tradicionais de vários países e culturas que simbolizam a liberdade, foi criada uma coreografia com dois corpos que buscam a liberdade do espírito.
Um elevador
Paulinho Caruso - Brasil
07:13
Presa em um elevador quebrado, uma mulher dança para espantar o tédio.
Along the Way
Ana Baer Carrillo, Michelle Bernier- USA
04:34
Uma narrativa não linear inspirada na metáfora de como podemos enfrentar uma tempestade, apoiar uns aos aos outros em momentos tumultuados ou oferecer um barco salva-vidas quando a vida fica difícil. O estilo de vinhetas do filme confere a ele um senso de imediatismo e também permite a emersão de ideias intrínsecas sobre o luto, a alegria e o conforto encontrados na amizade e na comunidade. A visão de uma jornada contínua que é melhor quando percorrida juntos, mas que reconhece a inevitabilidade da perda ao longo do caminho.
Les Chaussures Rouges
Carolina Kzan - França
09:50
Escrito por Maylis Arrabit, com Carolina Kzan trazendo sua visão para as telas, Les Chaussures Rouges (Os Sapatinhos Vermelhos) acompanha Maylis enquanto ela enfrenta uma separação iminente em sua vida. A relação que ela compartilha com um parceiro fundamental em seu dia a dia a compele a revisitar sua jornada e suas emoções. Através da dança, este filme explora sentimentos de mudança, transição, emancipação e os laços invisíveis que ecoam dentro de nós.
Naval Ode
Fu Le - Portugal
06:00
O poema Ode Marítima – de Fernando Pessoa – capta o movimento de separação entre o cais e o navio e, portanto, a distância – entre o interior e o exterior, entre o eu e o outro. O texto é corporificado por uma dança misteriosa e suspensa, imbuída de um desejo nostálgico, que infla como uma vela.
Last Breath
Tania Christina Gentidou - Alemanha
04:38
Seguimos uma dançarina em um mundo subaquático. O que inicialmente parece ser uma simbiose frágil entre movimento e matéria gradualmente se transforma em uma luta sufocante. A sacola plástica se enrosca em seu corpo, privando-a de ar. Nesta dança, a dançarina luta por fôlego, controle e vida.
SPCD on the Road #01 (Convidado)
SP Cia de Dança - Brasil
02:15
Mostra Oficial 2
23/06/2026 às 19h
MOV KAE (Convidado)
Osmar Zampieri - Brasil
07:07
MOV KAE é um filme de dança que visa retratar a dança espontânea, bem como a comunicação corporal e verbal do jovem artista Kae Oiwa Pires, com Síndrome de Down e autismo.
Ele coloca em evidência a dança espontânea de Kae, considerando que seu cotidiano é sempre repleto de movimentos: gestos e danças inventadas por ele mesmo e que tomam o espaço ao seu redor onde quer que esteja: em casa, na praia, na natureza, com pessoas, com animais, com os movimentos da rua, etc. A dança que não é ensinada ou treinada é uma dança própria, única e original.
To see you again
Sofia Rivero, Lisa Luna, Cristian Echalaz-Mexico
03:04
Duas presenças flutuam no tempo e no espaço, desencontrando-se a princípio — mas sempre sentindo uma à outra. A amizade torce-se, estica-se e surge num riso, numa cor ou num gesto, aprendendo a viver através da ausência. Mesmo em realidades diferentes, elas encontram-se nos pequenos momentos do dia a dia.
O reencontro é imediato, instintivo e cheio de alegria. Um laço que se molda, cresce e continua a dançar, mesmo quando os caminhos se separam. Um laço que, mesmo se sofrer desgaste, nunca se rompe — simplesmente espera.
Quiet Since Yesterday
Maciej Frąk, Katarzyna Zakrzewska - Polônia
05:46
Um estudo sobre a ausência. Ambientado em um espaço doméstico polonês, Quiet Since Yesterday explora a ausência através de uma relação coreografada que nunca se encontra por completo. Dois corpos movem-se em grande proximidade, mas permanecem emocionalmente dessincronizados, em um espaço onde os gestos sugerem conexão, mas nunca chegam a se concretizar. O filme reflete sobre um espaço frágil que resiste a ser nomeado, onde algo parece quase familiar, mas impossível de reter.
Compost
Ana Baer, Rocio Luna - Mexico/USA
05:00
Uma videodança site-specific inspirada na proposta de políticas regenerativas para a convivência em um mundo multiespécies, de Donna Haraway.”
Do Rio Comprido à Maré
Gabriela I. Gaia - Brasil
06:08
Um domingo de sol. Duas mulheres. Um calor escaldante. Algumas águas em transmutação. Filmado num Rio de Janeiro urbano e fora do olhar exotificador, do rio comprido a maré é um poema visual que investiga o prazer sensual e espiritual do encontro de dois corpos femininos e sua relação com as águas: uma ode a dança cotidiana do afeto que nasce entre duas mulheres num espaço de cuidado e intimidade.
What Blind us
Damien Bourletsis - França
04:55
E se, no sopro de um corpo, o eco de outro já estivesse ressoando?
Num impulso vital onde cada movimento se transforma num grito, nove bailarinos desvelam a sua luta interior através de paisagens mutáveis: mar, falésia, cidade, estúdio de dança, teatro antigo. Nove territórios singulares. Cada um entrega-se à improvisação crua — um momento de questionamento enraizado no seu espaço íntimo — onde o movimento se torna a linguagem da urgência: ser, resistir, existir. Os corpos respondem, entrelaçam-se e fundem-se numa continuidade orgânica, tecendo pontes entre as suas batalhas solitárias. Ecos vivos de uma geometria invisível, unindo corpos para lá de formas e fronteiras.
E se aquilo que parecia isolado já fizesse parte de um movimento mais vasto e elusivo?
Taranto por Tres Cantos
Eduardo "Barraquito" Tobalina Garrido - Espanha
05:54
Um taranto flamenco marca o batimento cardíaco da dança do luto. Três vestidos revelam emoções que permeiam a perda: raiva, nostalgia e silêncio. O espaço se transforma entre o conflito e a resistência, até atingir um momento suspenso diante de uma tela de luz. Ali, a bailaora dança com o seu eco, com o que já não está lá, com um xale que voa como uma bandeira de memória viva. Uma jornada íntima e luminosa para uma despedida.
Dancing to the sound of thunder
Alex Domingues - Brasil
04:00
Em uma noite de temporal, uma mulher em estado de sonambulia dança de frente para a tempestade, revelando em seus movimentos formas animalescas.
Flores que Nascem no Escuro
Clara Baldacim, Fabi Abdala, Fê Cezario, Lari-Brasil
05:34
“Flores que Nascem no Escuro” é uma videodança do grupo Enraiza que investiga as múltiplas formas de violência vivenciadas pelas mulheres, expondo práticas que atravessam gerações e permanecem profundamente enraizadas desde os primórdios da sociedade. Por meio do corpo, da imagem e da presença, a obra cria um espaço de confronto e resistência, onde histórias silenciadas ganham voz e forma.
Black Bird
Maria Laura Cachoeira - Brasil
07:00
Pássaro Preto constrói-se em investigação de 'como' este corpo dançante ocupa tal lugar arquitetônico no qual se faz presente, conversando com contrastes musicais e visuais, possibilitando leituras por meio da gestualidade e imagens construídas. Pausa, observação, movimento. Trajetórias que se recondicionam conforme a repetição vem à tona.
Complexidade do simples ou simplicidade do complexo?
Dobras (convidado)
SP Cia de Dança - Brasil
12:18
Mostra Convidados
23/06/2026 às 14h
Janela 43
Osmar Zampieri - Brasil
34:03
Tendo como interface as despudoradas janelas do Edifico Mirante do Vale, no coração de SP, o filme nos convida a acompanhar uma jornada íntima e vertiginosa do seu reencontro presencial, após um ano de isolamento e interações virtuais.
Como não deixar o corpo e a vontade esmorecerem diante de um horizonte com vista para o caos? Como inventar sentidos para continuar dançando e criando diante da intimidação e limitação provocadas pelos acontecimentos recentes?
Essas são algumas perguntas que impulsionaram o Grupo Grua para a realização deste filme.
Matakala
Barbara Malavoglia e Bianca Turner - Brasil
33:27
Um filme de dança onde o corpo se entrelaça com a mata, dando passagem à Ela.
Um filme rito que convida a travessias por portais femininos e suas profundezas: a boca da noite, as entranhas da terra, o útero-mistério.
Um manifesto atravessado pelos gritos das terras daqui.
Uma oferenda para a Deusa que tudo devora, que tudo transmuta, de onde tudo renasce.
Ela é chamada por muitos nomes: Shakti, Kali, Durga, Maa. A intensidade da realidade, a guardiã da floresta, o amor extensivo, a energia que tudo penetra.
Tramando simbolismos indianos, floresta tropical e digestões íntimas de um corpo de mulher, MATAKALA é um convite para esta recordação.
Lista de obras selecionadas