Escultura
14 de abril – 12 de maio de 2018
Every life is part of the life of the Universe, life of the Unknowable.
Fausto Melotti
Em Suspensão e dependência de Rui Matos, as esculturam movem-se no espaço, como uma subtil linguagem do Universo. As formas compostas por linhas e traços cruzam várias perspectivas poéticas, numa visão de um delicado gesto, cujas imagens escultóricas aludem a uma musicalidade ou uma “linguagem-matemática” do cosmos.
O escultor desenha e projecta no espaço através de linhas e em pequenos detalhes de formas geométricas, depuradas e minimais. Reporta-nos à natureza e às leis do Universo. Como actos de sensibilidade estética, estas elegantes linhas de metal com pequenos apontamentos de formas geométricas desenham uma linguagem abstracta. Palavras suspensas que compõem a linguagem e a palavra. No silêncio e no vazio, numa viagem às origens, retornamos à criação.
Nesta exposição, as obras transformam o espectador com a renúncia da palavra, através da ausência do peso do material, o metal. Com a cor e a sua ausência, o espaço e a forma induzem-nos a outras dimensões desconhecidas. Entre a linha e o vazio, contemplamos as formas suspensas, nas suas múltiplas possibilidades, ora na superfície da parede, Escusas de falar para que eu te entenda, 2017, ora no meio do espaço, As figuras dos sonhos estão mais perto de mim, 2018. Esta visão de leveza evoca a mundos imaginários, tais como um sistema da natureza, em Centelhas numa paisagem interior, 2018, ou linguagens arquétipas de um passado longínquo, nas obras o mesmo olhar, simulador, 2017, e cálice, 2018.
Sentimos, enquanto espectadores, a presença da origem, ou do momento inicial da criação. A linguagem e a escultura fundem-se num só, criando a ilusão da transmutação da matéria e da palavra. O escultor, tal como um xamã, cria a harmonia e o equilíbrio de modo a transformar o espectador. Numa dicotomia cósmica entre palavra e vazio, som e pausa, cor e não-cor, ou mesmo, leveza e peso, abraçamos o mistério e o desconhecido.
Numa contemplação da linguagem do universo, o mito retorna-nos às origens. Assim, recordamos as palavras de Lévi-Strauss (1993):
É uma coisa estranha, a escrita. Aparentemente parece que a sua apariação não deixaria de determinar modificações profundas das condições de existência da humanidade; e que essas transformações deveriam ser principalmente de natureza intelectual.
Joana Consiglieri, 2018
14th of April – 12sd of May 2018
Every life is part of the life of the Universe, life of the Unknowable.
Fausto Melotti
In Suspensão e dependência [Suspension and dependence] by Rui Matos, the sculptures go round to space, as a subtle language of the Universe. The forms composed by lines and strokes cross various poetic perspectives, in a vision of the delicate gesture, whose sculptural images allude to a musicality or a "mathematical language" of the cosmos.
The sculptor draws and projects in space through lines and in small details of geometric shapes, minimal and purifying. It refers to the nature and laws of the Universe. As acts of aesthetic sensibility, these elegant metal lines with small formal notes are an abstract language. Suspending words which make up the language and the word, in silence and emptiness, on a journey to origins, we return to creation.
In this exhibition, the sculptures transform the spectator with the renunciation of the word, through the absence of the weight of the material, the metal. With and without colour, space and form, they induce us to other unknown dimensions. Between the line and the emptiness, we contemplate the suspended forms, in their multiple possibilities, sometimes on the surface of the wall, such as Escusas de falar para que eu te entenda [Don´t talk for I understand you] sometimes in the middle of space, as As figuras dos sonhos estão mais perto de mim [The figures of dreams are closer to me], 2018. This vision of lightness evokes imaginary worlds, such as a natural system, in Centelhas numa paisagem interior [Glimmer in an Inland Landscape], 2018, or archetypal languages of a distant past, such as works o mesmo olhar [the same look], simulador [ simulator], 2017, and cálice [chalice], 2018.
As spectators, we feel the presence of the origin, or the initial moment of creation. Language and sculpture merge into one, creating the illusion of the transmutation of matter and word. The sculptor, like a shaman, creates harmony and balance in order to transformer the viewer. From cosmic dichotomy between word and emptiness, sound and pause, colour and ‘non-colour’, or even lightness and weight, we embrace the mystery and the unknown.
Onto the contemplation of the language of the universe, the myth brings us back to the source. Thus, we may remember the words of Lévi-Strauss (1993):
‘It's a strange thing, writing. Apparently it seems that its apparition would not fail to determine profound modifications of the conditions of existence of humanity; and that these transformations should be primarily of an intellectual nature.’
Joana Consiglieri, 2018