SOBRE A MERCÚRIO
1. Breve Histórico
O Ponto de Cultura Mercúrio nasceu em 2017, através de um coletivo voltado para o desenvolvimento de projetos e atividades no campo das artes e das culturas, tendo como premissas a inclusão, a equidade e o fortalecimento dos direitos culturais. De lá para cá, cria e participa de ações em diversas linguagens artísticas e possui um espaço cultural independente, a Casa Mercúrio, onde realiza parte de suas ações e que se tornou um importante lugar para o fortalecimento do circuito das artes na cidade de Fortaleza.
A Mercúrio possui experiência em gestão e elaboração de projetos, coordenação e planejamento de ações educacionais e socioculturais; produção de eventos como festivais de música, de literatura e artes visuais; coordenação administrativa e financeira de projetos culturais a partir de editais municipais, estaduais e federais; gestão de políticas públicas para a cultura na área de criação, formação, difusão e fomento para linguagens artísticas; gestão colaborativa de carreiras de artistas; lançamento de álbuns e produção de shows através do selo Mercúrio Música.
Paralelo às ações da Mercúrio, em 2018 criamos um selo musical, a Mercúrio Música, que vem lançando álbuns e singles de artistas cearenses, apoiando-os na gestão colaborativa de suas carreiras e produzindo seus shows, tornando-se uma das principais referências do estado no apoio à cena musical independente e experimental.
Links importantes Mercúrio
Site – https://sites.google.com/mercurioproducao.com/mercurioproducao/
Instagram – https://www.instagram.com/mercurioproducao/
YouTube – https://www.youtube.com/@mercuriogestaoproducaoeaco6626/videos
Bandcamp – https://mercuriomusica.bandcamp.com/
Spotify – https://open.spotify.com/playlist/6XW9PfM6dNAFhbPCUmoSk3
Clipping
https://drive.google.com/drive/folders/14tdugBR8rvIxfAUenzsgNX9NN-nXWsUj?usp=sharing
2. Objetivos da Instituição
A Mercúrio – Gestão, Produção e Ações Colaborativas tem como finalidade promover desenvolvimento humano e social por meio das artes, culturas, educação e ações socioculturais, integrando dimensões tecnológicas, ambientais e econômicas. Atua realizando eventos e atividades formativas, além de prestar consultoria técnica para elaboração, gestão e execução de projetos culturais, sociais e educacionais, incluindo pesquisas, planos de trabalho e ações de planejamento e coordenação.
A instituição viabiliza suas ações com recursos próprios e também por meio de leis de incentivo, editais e convênios, colaborando com órgãos públicos e instituições privadas em áreas como cultura, assistência social, saúde, educação, meio ambiente, esporte, lazer, habitação, preservação do patrimônio e qualificação profissional. Entre seus objetivos específicos estão a promoção de projetos e eventos artísticos e culturais, a defesa e conservação do patrimônio material e imaterial, a produção e difusão de conhecimento e conteúdos editoriais e audiovisuais, a realização de cursos, seminários e intercâmbios, o estímulo à liberdade de expressão e à diversidade cultural, a contribuição para a Agenda 2030 e os ODS, e o apoio à administração e gestão de espaços e programas vinculados à sua atuação.
3. Casa Mercúrio
A Casa Mercúrio é o lugar onde a Mercúrio vira corpo, rotina e presença pública. Mais do que uma sede, ela funciona como infraestrutura de criação, formação e difusão, um espaço independente que acolhe ensaios, cursos, encontros, shows, lançamentos e processos de pesquisa, criando condições reais para que artistas e coletivos trabalhem com continuidade. Por ter nascido de uma prática colaborativa, a Casa sustenta uma ideia simples e difícil de manter: abrir portas, compartilhar recursos, formar gente, circular trabalho e fortalecer redes. É ali que a Mercúrio organiza seu cotidiano de produção, testa formatos, cuida do público e reafirma seu papel como ponto de cultura vivo, comprometido com equidade, acessibilidade e o direito de existir no centro da cidade com arte feita por muitas mãos. A Casa Mercúrio fica localizada na Av da Universidade, 2475, Benfica, Fortaleza-CE.
Link importante
Instagram – https://www.instagram.com/casamercuriofortaleza/
4. Pontos relevantes da instituição
A criatividade é um eixo estruturante da Mercúrio. Ela aparece como método e como posição política: criar condições para que diferenças de gênero, raça, etnia e sexualidade não sejam apenas acolhidas, mas se tornem potência de linguagem, trabalho e circulação. Essa escolha também orienta a curadoria e o modo de produzir, com atenção a processos experimentais, a riscos estéticos e a formas de criação que escapam dos formatos mais previsíveis. Por isso, a Mercúrio atrai artistas, grupos e coletivos que muitas vezes não encontram espaço, escuta ou condições de realização em outros circuitos da cidade.
No campo da música, os lançamentos priorizam artistas que trabalham a experimentação como pesquisa sonora e que tensionam limites de gênero musical, forma e performance. A música é tratada como linguagem expandida, atravessada por audiovisual, artes visuais, literatura e presença cênica. Esse trabalho acontece por meio do selo Mercúrio Música e circula também em plataformas digitais, com alcance e reconhecimento internacional via Bandcamp.
Na formação, a Mercúrio investe em atravessamentos entre áreas, propondo experiências híbridas que conectam técnica, reflexão e prática. As ações formativas não se limitam a um recorte disciplinar, e frequentemente articulam diferentes campos, como em propostas que unem Fotografia e Literatura, ou residências que relacionam Performance, equidade de gênero e emergência climática. O objetivo é formar repertório e também ampliar capacidade de criação e de leitura crítica do próprio fazer cultural.
Na Casa Mercúrio, essa lógica se materializa em programação e acolhimento. O espaço funciona como lugar de experimentação, ensaio, apresentação e encontro, apoiando artistas e grupos que atuam em linguagens diversas e fortalecendo o circuito independente de Fortaleza com estrutura, pauta e mediação.
Ao mesmo tempo, a Mercúrio sustenta projetos estruturantes ligados ao patrimônio material e imaterial, conectando contemporaneidade e tradição sem folclorizar saberes. Um exemplo é a Formação em Gestão para a Cultura Tradicional e Popular, que introduz temas de gestão e produção cultural em contextos comunitários e de patrimônio. Outro é o Territórios de Criação, programa voltado a povos e comunidades tradicionais, que aprofunda debates sobre gestão, produção e memória, e inclui um Museu Virtual de Memória e Identidade, ampliando registro, circulação e reconhecimento de saberes e trajetórias.
5. Metodologia utilizada nas ações
Ao longo da execução de suas ações, a Mercúrio observa um desequilíbrio persistente no campo cultural: mulheres e pessoas de identidades femininas seguem sub-representadas na liderança, nas equipes técnicas e nos processos de criação e circulação, enquanto os resultados de editais e oportunidades formais tendem a reproduzir essa assimetria. Diante desse cenário, a instituição orienta a maior parte de suas iniciativas para mulheres cis e trans e para outras identidades femininas, fortalecendo também a presença e a permanência de pessoas LGBTQIAPN+, grupo que ainda enfrenta barreiras estruturais de acesso, reconhecimento e segurança nos espaços culturais.
Assim, o público prioritário da Mercúrio é composto por mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ com 18 anos ou mais, incluindo pessoas idosas, com diferentes níveis de escolaridade e trajetórias. Nas ações realizadas por meio de chamadas públicas e inscrições, a Mercúrio adota critérios afirmativos e reservas de vagas para pessoas negras, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência, buscando garantir diversidade real, permanência e condições de participação ao longo de todo o processo.
6. Sustentabilidade e desenvolvimento local
A Mercúrio entende sustentabilidade como um tripé inseparável. Sustentar a casa e as equipes, reduzir impactos ambientais e produzir um campo cultural mais justo. Por isso, organiza suas estratégias em dimensões econômicas, ambientais e político-sociais, sempre conectadas à geração de trabalho e renda e ao fortalecimento do circuito cultural de Fortaleza.
Sustentabilidade econômica
A sustentabilidade do Ponto se apoia em uma combinação de receitas e parcerias. A Mercúrio realiza eventos pagos tanto na Casa Mercúrio quanto em espaços parceiros, integrando programação artística com serviços como alimentação e bebidas, o que fortalece a viabilidade de cada ação. O espaço também pratica cessão de pauta e aluguel social, com valores acessíveis para artistas e grupos da cidade, contribuindo para a circulação local. Paralelamente, a instituição estrutura sua continuidade por meio de captação em editais públicos e chamadas nacionais e internacionais. Como parte dessa lógica de desenvolvimento local, promove feiras criativas que ampliam renda e visibilidade para mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, seja em ações periódicas de ocupação do espaço, seja no Barulhinho Delas, que cria oportunidades concretas de trabalho e comercialização para dezenas de empreendedoras a cada edição.
Sustentabilidade ambiental
A emergência climática orienta decisões de produção e curadoria. A Mercúrio vem incorporando práticas de redução de impactos em seus eventos, especialmente no Barulhinho Delas, e foi reconhecida por essa agenda com premiação internacional do British Council por dois anos consecutivos, voltada ao investimento em ações socioambientais no festival. Além disso, a instituição participa de formações em Cultura Circular com referência internacional na área, discutindo como eventos culturais podem reduzir danos e reorganizar seus modos de produção a partir de critérios de responsabilidade ambiental.
Sustentabilidade político-social
A Mercúrio trabalha com a cultura como campo de direitos. Suas ações são atravessadas por práticas de enfrentamento ao racismo, à intolerância religiosa, à LGBTfobia, ao etarismo, ao machismo e à gordofobia, buscando produzir ambientes seguros, acessíveis e com diversidade real. A equidade de gênero é um eixo central, não como discurso, mas como diretriz de desenho de público, seleção, contratação e visibilidade, priorizando mulheres e pessoas de identidades femininas como sujeito de formação, criação e trabalho.
7. Público beneficiado
Ao longo da execução de suas ações, a Mercúrio observa um desequilíbrio persistente no campo cultural: mulheres e pessoas de identidades femininas seguem sub-representadas na liderança, nas equipes técnicas e nos processos de criação e circulação, enquanto os resultados de editais e oportunidades formais tendem a reproduzir essa assimetria. Diante desse cenário, a instituição orienta a maior parte de suas iniciativas para mulheres cis e trans e para outras identidades femininas, fortalecendo também a presença e a permanência de pessoas LGBTQIAPN+, grupo que ainda enfrenta barreiras estruturais de acesso, reconhecimento e segurança nos espaços culturais.
Assim, o público prioritário da Mercúrio é composto por mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ com 18 anos ou mais, incluindo pessoas idosas, com diferentes níveis de escolaridade e trajetórias. Nas ações realizadas por meio de chamadas públicas e inscrições, a Mercúrio adota critérios afirmativos e reservas de vagas para pessoas negras, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência, buscando garantir diversidade real, permanência e condições de participação ao longo de todo o processo.
8. Desenvolvimento local e economia da cultura
A geração de trabalho e renda e o fortalecimento da economia da cultura e da economia solidária atravessam grande parte das ações da Mercúrio, porque a instituição entende cultura como cadeia produtiva e como rede de cuidado. Isso implica um compromisso prático com qualidade de entrega, remuneração justa, circulação de recursos no território e criação de oportunidades para quem historicamente foi afastada dos bastidores, das áreas técnicas e dos espaços de decisão. Não se trata apenas de programar, mas de sustentar um ecossistema onde criação, técnica, gestão e empreendedorismo tenham condições reais de permanência.
No Festival Barulhinho Delas, essa diretriz se materializa com clareza. A equipe é majoritariamente composta por mulheres, com cerca de 80% de participação feminina, e a última edição gerou remuneração direta para 104 mulheres, com diversidade de raça e orientação sexual, incluindo também a contratação de profissionais do interior do estado, como de Juazeiro do Norte. Além da estrutura de shows e das equipes técnicas, a Feira do Barulhinho amplia renda e visibilidade para mulheres empreendedoras nos campos do design autoral e da gastronomia, conectando consumo, circulação simbólica e fortalecimento de pequenos negócios, em um circuito que não depende apenas do palco e que valoriza o trabalho cultural em suas múltiplas camadas.
Na Casa Mercúrio, essa economia cotidiana ganha continuidade. O espaço opera como plataforma de acesso a pauta, estrutura e público por meio de ocupações, chamadas públicas e ações regulares, priorizando artistas e empreendedoras mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ em apresentações, feiras e encontros. Com isso, a Mercúrio fortalece o circuito independente de Fortaleza a partir de uma lógica de permanência, onde a cultura não aparece como evento isolado, mas como rotina de trabalho, formação, circulação e construção de redes locais.
9. Manutenção da Infraestrutura
É importante destacar que parte significativa das ações da Mercúrio é realizada em parceria com as secretarias de cultura do Estado do Ceará e do Município de Fortaleza, contribuindo diretamente para a execução e o fortalecimento de políticas públicas de cultura, especialmente nos eixos de criação, formação, difusão e fomento, com recortes de equidade e democratização de acesso.
A Mercúrio mantém e opera um espaço cultural independente em Fortaleza, que nasce como Bruta Flor e se consolida hoje como Casa Mercúrio, em diálogo com uma rede de gestão compartilhada e parcerias locais. Ao longo do tempo, a instituição também construiu alianças com outras produtoras e com espaços culturais independentes da cidade, viabilizando programações e ações formativas em circulação, ampliando público, repertório e capilaridade territorial. Além disso, mantém parceria com a Estação das Artes, equipamento do Governo do Estado, para a realização anual do Festival Barulhinho Delas, projeto comprometido com a igualdade de gênero e com a valorização da cena independente e experimental.
O funcionamento da Mercúrio se sustenta, em grande medida, por meio de projetos captados via editais públicos municipais, estaduais e federais, além de apoios e cooperações específicas. Por serem financiamentos por projeto, esses recursos são temporários e não garantem continuidade automática, o que torna a manutenção de um espaço cultural independente um exercício constante de planejamento, articulação e sustentabilidade. Entre apoios recentes, destacam-se editais estaduais voltados à manutenção do espaço e à realização de ações formativas e de difusão, incluindo iniciativas em fotografia, artes visuais e ações direcionadas ao público trans e travesti, além de fomentos para ações de audiovisual, como cineclube. No caso do Barulhinho Delas, somam-se apoios institucionais e parcerias que ampliam capacidade de realização e intercâmbio, como patrocínios e cooperações com organizações nacionais e internacionais, a exemplo do Banco do Nordeste e do British Council.
10. Participação da Comunidade
A Mercúrio entende que ampliar repertórios é parte do trabalho cultural. Não apenas para o público, mas também para artistas, equipes técnicas e todas as pessoas que sustentam a cadeia produtiva das artes, como gestão, produção, comunicação e mediação. Por isso, a participação comunitária acontece como prática continuada de formação e convivência, em processos realizados em parceria com instituições e redes locais, onde a presença do território se torna mais intensa e consistente.
Além de formar público, a Mercúrio busca incluir pessoas dos próprios territórios nas funções de realização. Produção, áreas técnicas e equipes de execução são pensadas como espaços de aprendizado, trabalho e pertencimento, criando oportunidades concretas de inserção e circulação profissional. Em projetos voltados à cultura tradicional e popular, essa diretriz se aprofunda: a prioridade é garantir participação de pessoas das comunidades, respeitando saberes, modos de organização e referências locais.
No Territórios de Criação, essa participação se materializa pela presença ativa de povos e comunidades tradicionais, como povos ciganos, comunidades quilombolas e povos de terreiro, que não aparecem apenas como público, mas como sujeitas de pesquisa, mobilidade, produção de conhecimento e construção de memória, fortalecendo vínculos duradouros entre a política cultural, o território e quem o sustenta no cotidiano.
11. Área Territorial
O espaço cultural da Mercúrio está mudando de endereço e a partir de 2024 ocupará um espaço maior, com maiores possibilidades de acolhimento de artistas/grupos/coletivos que se inscrevem anualmente em uma chamada pública de ocupação do espaço, onde podem realizar suas apresentações e também podem usufruir de equipamentos, como microfone, som, iluminação, computadores, projetor, etc. Nesse espaço, a Mercúrio atua no fomento aos processos criativos de forma direta, com a cessão de pauta para ensaios, cursos, shows, exposições e palestras. Cada pessoa que passa por tais processos, torna-se, assim, multiplicadora na valorização e preservação da cultura local e regional.
O espaço está localizado no Benfica, bairro central da cidade, por conseguir ter uma localização que pode agregar diferentes públicos.
Além do público de seu espaço, a Mercúrio também alcança, através das parcerias com outros espaços e instituições, outros territórios e outros e mais diversos públicos. Assim, entende-se que tal alcance faz com que suas ações sejam descentralizadas.
12. Promoção de defesa dos direitos humanos
A prática da Mercúrio é orientada pela defesa de direitos de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, articulando cultura como campo de cidadania e como espaço de disputa por reconhecimento, segurança e acesso. Suas ações assumem posicionamento crítico diante das desigualdades estruturais e se conectam a debates contemporâneos que atravessam o cotidiano, os territórios e as políticas públicas, sem perder o pé na realidade concreta de quem produz e trabalha na cultura.
A metodologia de trabalho é horizontal e democrática, com decisões construídas de forma compartilhada e com atenção constante a quem historicamente foi empurrade para as margens dos espaços culturais. Um exemplo estruturante dessa política é o Festival Barulhinho Delas, que evidencia a participação de mulheres no campo das artes, fortalecendo sua presença dentro e fora dos palcos, e trazendo ao centro da programação a discussão sobre equidade de gênero, trabalho cultural e representatividade.
Tendo inspiração no movimento Guerrilla Girls, que traz questionamentos a respeito da presença das mulheres nas artes e como estas são apresentadas nos diversos espaços de representatividade, buscamos propor um alargamento das discussões que compõem o ser mulher e das questões que atravessam essa localização. Isso nos leva a perguntas que orientam nosso fazer: onde estão as mulheres cis, trans e travestis na história da arte? Estão como objeto, musa, ou como sujeitas ativas, produtoras e autoras? Essas mulheres têm oportunidade real de protagonizar suas narrativas? Como se dão sua formação, circulação e permanência como artistas, especialmente no Ceará? A partir dessas questões, a Mercúrio sustenta uma reflexão contínua sobre gênero, visibilidade e representatividade como política coletiva, tensionando e reconfigurando as fronteiras que historicamente mantêm desigualdades em funcionamento.
13. Inovação nas atividades e na programação
A criatividade é um dos pontos principais da Mercúrio. Em suas ações busca acolher as dissidências não só de gênero, mas também nas artes. Todos os seus lançamentos no campo da música são de artistas que criam a partir da experimentação, tendo um reconhecimento, através do Bandcamp, de vários países do mundo. Na formação, realiza ações sempre buscando transpor as barreiras das linguagens artísticas, através de possibilidade híbridas, como exemplo podemos citar um curso de Fotografia e Literatura ou uma residência artística que é pautada em Performance, Igualdade de Gênero e Emergência Climática.
14. Acessibilidade
A acessibilidade é um compromisso transversal da Mercúrio e é considerada desde o planejamento até a realização e a avaliação das ações. O objetivo é reduzir barreiras e garantir participação com autonomia, segurança e dignidade, combinando medidas fixas e adaptações conforme as necessidades de cada atividade e do público.
Acessibilidade arquitetônica
A Mercúrio prioriza a realização de ações em espaços com condições adequadas de circulação e permanência para pessoas com mobilidade reduzida, pessoas cadeirantes e pessoas idosas, observando rotas acessíveis, entrada sem obstáculos e uso de infraestrutura compatível com a atividade.
Acessibilidade comunicacional
Para enfrentar barreiras de comunicação, a Mercúrio adota recursos como contratação de intérpretes de Libras quando necessário, uso de linguagem simples e direta nos materiais, produção de conteúdos acessíveis em ações de audiovisual e cineclube, e, quando pertinente, impressão de materiais em braile, como cardápios e textos de sala em exposições. Também busca garantir que pessoas surdas e ensurdecidas tenham acesso ao conteúdo por meio de estratégias como legendagem e mediação adequada.
Acessibilidade metodológica
Nas ações formativas, a Mercúrio adapta conteúdos, dinâmicas e instrumentos para ampliar condições de aprendizagem e participação, incorporando metodologias teórico-práticas, diferentes formas de acompanhamento e ajustes de ritmo e suporte, sempre considerando perfis e necessidades do grupo.
Acessibilidade atitudinal
A Mercúrio investe na construção de ambientes respeitosos e acolhedores. Em eventos e projetos de maior escala, realiza formações com as equipes para prevenir discriminações e reduzir estigmas e estereótipos, fortalecendo práticas de cuidado, escuta e convivência ética com o público e com as pessoas participantes.
15. Impacto social
O principal impacto social da Mercúrio está no fortalecimento da presença de mulheres e pessoas de identidades femininas nas artes e culturas, especialmente nas áreas técnicas e de gestão, onde a desigualdade costuma ser mais dura e menos visível. Ao orientar formações, contratações e visibilidade para mulheres cis e trans, a instituição atua diretamente na redução de barreiras de acesso, ampliando condições reais de trabalho, permanência e circulação, com efeitos concretos na autonomia econômica e simbólica dessas trajetórias.
A Mercúrio também cumpre um papel consistente de formação de público. Ao construir ambientes acolhedores e realmente inclusivos, amplia a participação de pessoas que muitas vezes se afastam de programações culturais por falta de pertencimento, segurança ou acessibilidade. Nesse mesmo movimento, atua como difusora de processos artísticos que têm pouca abertura nos circuitos tradicionais, sustentando espaço e atenção para experimentação e para linguagens menos atendidas pelas agendas institucionais.
No campo da formação, realiza de forma continuada centenas de horas anuais de ações formativas, com destaque para produção, gestão cultural e áreas técnicas, conectando teoria e prática e criando caminhos de profissionalização em diferentes níveis de experiência. Na dimensão econômica, suas ações incorporam geração de renda e fortalecimento de redes, inserindo mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ como artistas, técnicas, produtoras e também como empreendedoras em feiras e eventos.
A acessibilidade é tratada como compromisso de planejamento e execução, com medidas comunicacionais, metodológicas, arquitetônicas e atitudinais, incluindo formações internas e, quando pertinente, a contratação de pessoas com deficiência para compor equipes e qualificar processos. Já na dimensão ambiental, a Mercúrio integra práticas de redução de impacto e discussão pública sobre emergência climática, buscando minimizar resíduos, repensar modos de produção e inserir a sustentabilidade como critério real de realização cultural.
16. Resultados Alcançados
A Mercúrio tem ampliado sua incidência pública e sua capacidade de execução cultural nos últimos três anos, combinando gestão, produção, formação e difusão artística. No campo da participação política, já ocupou a cadeira de produção cultural no Conselho Municipal de Cultura de Fortaleza, por meio de sua presidenta Nádia Sousa, e mantém presença ativa em articulações setoriais como o Fórum de Produção Cultural do Ceará e o Fórum das Áreas Técnicas. Integra também a Rede Cearense de Cultura Viva, reforçando seu compromisso com políticas culturais de base comunitária.
Em entregas concretas recentes, a instituição realizou ações formativas e de fruição com impacto direto em públicos diversos. Em 2024, o Ateliê de Artes para Crianças somou 80h/a, com 20 crianças em formação metodológica e 303 crianças em práticas artísticas em atividades de mediação.
No mesmo ano, o Cine Ar Livre circulou por 6 bairros, com público médio de 1.800 pessoas, garantindo sessões com Libras e acessibilidade.
Entre 2024 e 2025, os Ciclos de Formação em Audiovisual alcançaram 60h/a, com 20 pessoas participantes e 10 vídeos produzidos.
Em 2025, a Mercúrio expandiu a frente editorial e de formação: foram 23 obras lançadas ao longo do ano, incluindo publicações vinculadas a seus programas estruturantes.
Ainda em 2025, executou o Agilizo Cultural com 250h/a de formação para agentes culturais nas 12 regionais de Fortaleza, fortalecendo competências práticas como elaboração de projetos e prestação de contas.
No eixo de circulação e memória, os resultados também se expressam em escala: o Territórios de Criação, em execução entre 2024 e 2026, prevê 38 bolsas de mobilidade e o lançamento de 20 livros.
Em paralelo, o Ceará Sem Fronteiras, entre 2025 e 2026, articula 40 bolsas e 10 livros, ampliando intercâmbios e repertórios para artistas, pesquisadoras, produtoras e técnicas.
Esse conjunto de entregas revela uma linha coerente de atuação: abrir oportunidades reais de trabalho e formação, garantir protagonismo de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ nas ações e equipes, fortalecer redes locais e interioranas, e sustentar práticas de acessibilidade e responsabilidade socioambiental como critério de qualidade e permanência institucional.
17. Destaques de projetos relevantes da OSC
Territórios de Criação
O Territórios de Criação é um programa estruturante realizado pela Mercúrio desde 2020, voltado ao fortalecimento da pesquisa, da formação e da circulação artístico-cultural no Ceará, com atenção a processos de memória, identidade e produção de conhecimento. Em 2024, o programa é executado em modelo de gestão compartilhada entre a Secult-CE e a Mercúrio Produções, reunindo duas frentes complementares: a concessão de 34 bolsas de mobilidade formativa e a publicação de 20 pesquisas acadêmicas, incluindo teses e dissertações de mestrado. A iniciativa busca ampliar condições concretas para a mobilidade artístico-formativa de artistas e agentes culturais do estado, ativando redes, qualificando trajetórias e consolidando a difusão pública do conhecimento produzido no território.
Links importantes
Site Territórios de Criação. 1ª edição – https://territoriosdecriacao.wordpress.com/
Site Territórios de Criação. 2ª edição – https://territoriosdecriacao.com.br/
Clipping. Edição 2024
Instagram – https://www.instagram.com/territoriosdecriacao/
Vídeos publicados
https://www.youtube.com/playlist?list=PLM8qM4YDL3bfRHTHx6hQ7JxBAX7NcdXqJ
Festival Barulhinho Delas
Compromissado com a igualdade de gênero e com práticas socioambientais coerentes, o Barulhinho Delas deixou de ser apenas um evento pontual e se consolidou como um ecossistema de artes integradas que articula formação, criação e fruição. A programação reúne música, performance, dança, artes visuais e feiras criativas e gastronômicas, com protagonismo de mulheres tanto no palco quanto nas áreas técnicas e de produção, reafirmando a cultura como trabalho, presença e disputa de espaço simbólico.
Em 2024, na 5ª edição, o Festival estruturou sua realização em quatro frentes complementares: residência artística, ações formativas, prévia e Festival, envolvendo diretamente 330 mulheres. No mesmo ciclo, as ações formativas somaram 180 horas-aula no campo da produção, comunicação e áreas técnicas, conduzidas por professoras e direcionadas a mulheres cis e trans, conectando qualificação profissional a circuitos reais de circulação cultural.
A dimensão internacional do Barulhinho aparece tanto na circulação de referências quanto nas colaborações: na 4ª edição, por exemplo, houve residência com a artista inglesa Carrie Reichardt, viabilizada no âmbito do Cultura Circular com apoio do Oi Futuro e do British Council.
Além disso, o Festival foi aprovado pela segunda vez para apoio do British Council Brasil pelo Cultura Circular, reforçando a consistência das ações ambientais e a capacidade de diálogo com agendas contemporâneas.
Em 2025, o projeto ampliou sua estratégia de mobilização e preparação de público com as Prévias do Barulhinho Delas realizadas na Casa Mercúrio em novembro e dezembro, com shows e feira de mulheres designers independentes, como aquecimento para o grande Festival em janeiro de 2026.
Nesse desenho, o Barulhinho Delas se alinha a objetivos transversais como diversidade, equidade, acesso e sustentabilidade, combinando excelência artística com compromisso público, e posicionando Fortaleza como território de experimentação estética, formação e circulação liderada por mulheres.
Por dois anos consecutivos o Festival foi premiado pelo Conselho Britânico e fez parte de uma delegação de festivais brasileiros, a convite do British Council, para conhecer experiências de festivais do Reino Unido – https://www.instagram.com/p/CqYGNFQr8e_/?img_index=1
Links importantes
Currículo Festival
https://drive.google.com/file/d/1EnIe9beX0DoI9zy7WaKcSbYEoFGj3UVb/view?usp=sharing
Vídeo Festival – https://www.youtube.com/@mercuriogestaoproducaoeaco6626/videos
Instagram Festival – https://www.instagram.com/barulhinhodelas/
Site – https://barulhinhodelas.com.br/
Clipping
https://docs.google.com/document/d/18qll65NL-_xJ2PMSocaDV3KVdPbVKwuyxf3yvCD4TIs/edit?usp=sharing
Barulhinho Delas na Casa Mercúrio
O projeto Barulhinho Delas na Casa Mercúrio, apoiado pelas Ações Continuadas da Funarte, será executado em 2026 e 2027 e consolida o Ponto de Cultura Mercúrio como um espaço permanente de formação, criação e difusão da música independente e experimental protagonizada por mulheres e pessoas de identidades femininas. A proposta articula formação técnica inclusiva e programação artística contínua, estruturada em três eixos anuais: 200 horas de formação nas áreas técnicas da música, 40 shows com mulheres como protagonistas e vivência prática supervisionada para participantes da formação, e fortalecimento da Casa Mercúrio como plataforma de circulação e desenvolvimento de carreiras.
O público prioritário são mulheres cis e trans e outras identidades femininas interessadas em atuar em sonorização, iluminação, palco, produção cultural e gestão de espaços, com atenção a jovens e adultas em vulnerabilidade socioeconômica e a grupos historicamente minorizados. O projeto combina cursos e oficinas em níveis inicial e avançado, tutorias para criações autorais, rodas de conversa, shows mensais em formato pocket, além de uma noite dedicada à música experimental e performance sonora e uma residência artístico-experimental com artista convidada.
Como impacto sociocultural, o projeto promove um ciclo contínuo de aprendizado, prática e difusão, ampliando inserção profissional e enfrentando barreiras simbólicas e estruturais que limitam a participação feminina nas áreas técnicas. Também assume compromissos objetivos de acessibilidade física, comunicacional e atitudinal, com Libras quando necessário, comunicação inclusiva, espaços com infraestrutura acessível e conteúdos com recursos como legendas e descrição de imagens. Na dimensão afirmativa, prevê ações concretas de equidade de gênero e raça na composição de equipes e seleções, reserva de vagas para pessoas trans e travestis, protocolos de acolhimento e enfrentamento a discriminações, além de práticas socioambientais voltadas à redução de resíduos, uso de copos reutilizáveis, doação de água ao público, incentivo à mobilidade por bicicleta e disseminação de práticas sustentáveis na rede de espaços culturais independentes.
Técnicas do Futuro – Formação para Mulheres Criativas
Em 2024, a convite do Ministério das Mulheres, a Mercúrio iniciou o projeto Técnicas do Futuro. Formação para Mulheres Criativas, voltado ao aprofundamento de práticas e conceitos do campo da produção musical, com foco em produção, gestão, pesquisa e áreas técnicas. O percurso formativo é organizado em encontros interligados e complementares, combinando conteúdos teórico-práticos e um seminário, com a discussão sobre violência de gênero como eixo transversal que atravessa as atividades.
Com ações realizadas em Fortaleza e no Cariri, o projeto busca ampliar oportunidades reais de trabalho, renda e visibilidade para mulheres nas áreas técnicas da música, enfrentando a sub-representação histórica desse público nos bastidores da cadeia produtiva cultural. A meta é formar 300 mulheres, totalizando 300 horas-aula, promovendo intercâmbio cultural e profissional, criação de redes e debates qualificados sobre as violências que atravessam essas trajetórias.
O projeto está em execução e será finalizado no início de 2026.
Escolas da Cultura
A Escola de Gestão para as Artes, Culturas, Tradições e Patrimônio é um programa formativo de longo curso voltado a aprofundar debates e práticas sobre cultura, tradição e patrimônio, estimulando competências em produção, gestão, pesquisa e registro de iniciativas vinculadas às manifestações tradicionais e populares e à preservação do patrimônio cultural.
Estruturada em um percurso total de 600 horas, a Escola se organiza em três programas formativos de 200 horas cada, distribuídos ao longo de três anos. O desenho combina cursos de longa duração, orientação para escrita e desenvolvimento de projetos, seminários de apresentação de resultados e cursos livres temáticos, formando uma trilha que articula repertório crítico, qualificação técnica e aplicação prática em contextos reais.
Com programação continuada e capilaridade territorial, a Escola mantém ações formativas em andamento até 2027, consolidando-se como uma iniciativa estratégica para fortalecer agentes culturais, pesquisadoras, curadoras e profissionais que atuam em culturas tradicionais, patrimônio, cultura comunitária e políticas públicas, com atenção a diversidade, acessibilidade e ações afirmativas.
Link importante Escolas da Cultura
Instagram – https://www.instagram.com/escoladearteseculturas/
Ceará sem Fronteiras
O Ceará Sem Fronteiras é realizado em modelo de gestão compartilhada entre a Secult-CE e a Mercúrio, como 2ª edição do programa de concessão de bolsas de mobilidade formativa e publicação de pesquisas. A 1ª edição, executada pela Mercúrio, iniciou em 2024 e segue em curso até junho de 2025. O programa busca fortalecer a circulação de artistas, pesquisadoras e agentes culturais, promovendo intercâmbios e valorizando a produção de conhecimento sobre as artes e culturas do Ceará.
A iniciativa se organiza em dois ciclos. O primeiro concede 40 bolsas de mobilidade, sendo 20 para intercâmbios no Brasil e 20 para experiências internacionais. O segundo prevê a produção e lançamento de até 15 publicações, com temas ligados a acervos, memória, fontes históricas, trajetórias e produções artísticas, contribuindo para a difusão de saberes e a preservação do patrimônio imaterial. As seleções ocorrem via editais, com banca de heteroidentificação e avaliação técnica por profissionais com titulação e experiência, garantindo transparência e equidade. Ao final, está previsto um evento de lançamento das publicações, e as contrapartidas das bolsas serão definidas em comum acordo com cada pessoa contemplada, respeitando diferentes formatos de apresentação.
Links importantes Ceará sem Fronteiras
Instagram – https://www.instagram.com/ceara.semfronteiras/
Site – https://cearasemfronteiras.com.br/
Clipping https://docs.google.com/document/d/1E9zt_0ulnqKrEPyddX4ucLIv5PTXGcdCuNcw4BDEsfA/edit?usp=sharing