a dimensão bioclimática
A dimensão bioclimática se destina a análise de qualquer espaço socialmente utilizado e suas características, que se remetem ao conforto físico dos indivíduos. Esse conceito nos faz pensar na relação das sensações do usuário do espaço e ao meio ambiente urbano, que surgem através de condições climáticas, tais como modificação da temperatura e da umidade relativa do ar, da propagação e deformação do som, da passagem e difusão de luz natural, bem como da recepção ou evasão de partículas suspensas no ar e noivas a saúde humana.
Disto isto as condições climáticas nos trazem a sensação de conforto e desconforto, como bem estar higrotérmico, conforto acústico, conforto luminoso e qualidade do ar, dos lugares em que se é utilizado, tudo isso para fim de analise e melhor desenvolvimento bioclimático.
Assim o desenvolvimento da dimensão bioclimática se dá a partir do conforto biológico do metabolismo físico, diante das características dos lugares em conjunto com as modificações climáticas, que também podem ser utilizadas em analise de projetos, como edifícios, seus interiores, frações urbanas e cidades.
As condições bioclimáticas podem se modificar em relação ao local em que se encontra, torando-se mais propícia ou não ao conforto humano, e de acordo com a forma e função dos lugares podemos ter geradores de fenômenos indesejados que são causados por ações humanas, como ilhas de calor, poluição do ar, sonora, etc.
Para se gerar um desempenho bioclimático deve-se analisar tanto o comportamento humano como dos locais e suas interferências, como um todo, sendo assim são levados em conta e analisados o conforto metabólico em relação ao clima e espaço.
Abaixo estão as análises sobre o bioclima da cidade, sua relação com o Parque e o desempenho que ele exerce sobre a vida das pessoas.
Orientador: Dr. Orlando Vinicius Rangel Nunes
Equipe da Atividade de Extensão vinculada a disciplina de Planejamento Regional e Urbano II (Turma 2021-1):
Amanda Garcia Orlando Lima
Ana Carolina Oliveira da Silva
Anne Pereira Ruas
Bruna Evaristo Carlos Regal de Barros
Camille Degan Fioravanti Filgueira
Cleane Dutra Bloc
Daniela Otoni Pereira Miranda
Enêida de Vargas e Bernardes
Felipe Rodrigues Albuquerque
Iago Brasileiro Cunha
Júlia dos Santos Vasco Mendonça
Kayo Rodrigues da Silva
Livia Maria Aguiar de Barros Correia
Luana Neves Soares
Maria Margareth Wahrendorff
Milenna Yukie Silva Marques
Octávio Scalco Duarte
Raquel Santos Tamietti
Ruth Macêdo de Oliveira
Thaiane Costa de Sousa
Após uma análise do solo, pôde-se obter demonstrações de inclinações que o solo apresenta através dos cortes (transversal, longitudinal e diagonal), o relevo levemente plano,por vez apresentando leves ondulações com formas suaves e adequado para a permeabilidade, e de rugosidade em conformidade com as alturas na superfície do solo em distâncias relativamente pequenas.
Áreas livres emitem frescor tornando o clima ameno, o relevo em parte, apresentando leves ondulações, constituídos de unidades suaves favorecendo circulação de ar onde a sensação térmica pode ser notada, promove mais luminosidade e o som se propaga a longas distâncias. A temperatura do ar e a velocidade do vento são influenciadas em áreas urbanas livres e principalmente locais planos e arborizados dissipando a poluição melhorando assim a qualidade do ar.
A escala urbana nos grandes centros contribuem para alteração dos recursos ambientais, por isso tem que haver um equilíbrio entre o meio urbano natural e o urbano construído. A área urbana natural contribui para a proteção do microclima, e o processo de fotossíntese da vegetação auxiliando na qualidade do ar, portanto, é necessário a inserção de mais vegetação arbustiva e arbórea para o equilíbrio, e conservação ambiental.
Predomínio de área plana com declividade (0 a 3% de declividade). Declividade máxima 20% na áreas do Parque com poucas regiões onduladas (13 a 20% de declividade). Raríssimas áreas com declividade acima de 20%.
Do ponto de vista da declividade do terreno, não existem obstáculos topográficos. Sendo um terreno plano, favorece a circulação dos ventos, a incidência sol, a luminosidade e a propagação do som, que alcança grandes distâncias.
É necessário preservar e ampliar a área de vegetação, amenizando a sensação de aridez, reduzindo ventos, produzindo sombras e evitando a propagação demasiada do som, além de atuar no papel de “filtragem” do ar; bem como, evitar a absorção de radiação com a utilização de materiais pouco reflexivos.
O mapa destaca as edificações, categorizadas conforme suas alturas, e a massa arbórea presente nesta região.
Podemos destacar que a concentração das edificações e vegetação estão dispostas no entorno do parque, mas estes agrupamentos não deixam de gerar um desconforto higrotérmico, acústico, luminoso e da qualidade do ar tanto nas próprias áreas quanto em relação ao parque.
O parque, também, não deixa de ser uma problemática, quanto a porosidade e rugosidade, por ser muito aberto.
As áreas em preto indicam maior concentração de árvores, enquanto em roxo menor concentração. Podemos ressaltar que dentro do parque há um número insuficiente de árvores, que tem como causa de impacto negativo a menor absorção de radiação, mas em controvérsia como ponto positivo há uma livre circulação dos ventos. Essa falta de vegetação ocasiona um desconforto higrotérmico e de luminosidade.
A baixa densidade de ocupação (define-se pela relação entre área ocupada pelos edifícios e a área total da situação considerada, sendo, portanto, uma relação quantitativa. KOHLSDORF, 2017) no Parque proporciona áreas livres, sem construções e com baixa concentração de vegetação deixando o terreno com nenhum obstáculo topográfico, o que não impede a circulação dos ventos. Entretanto na área do parque há uma baixa rugosidade (define-se como as composições entre saliências e reentrâncias da área considerada. KOHLSDORF, 2017), pela baixa concentração de áreas com árvores ou edificações, o que ocorre de forma mais presente nos espaços que circundam o Parque, como o Complexo Brasil 21, Setor de Indústria Gráfica, Superquadras Sudoeste e o Setor de Grandes Áreas Sul (SGAS). Já a porosidade( refere-se aos ‘orifícios’ na configuração do lugar considerado, os quais se comportam como permeabilidade aos ventos. KOHLSDORF, 2017) apresentada é considerável, por ser uma área com menos construções de grande altura ou a ausência de uma massa arbórea representativa, causando ampliação de áreas livres no interior do Parque, deixa-o mais poroso.
Na concepção de densidade, porosidade e rugosidade as alternativas para uma intervenção referente a vegetabilidade e preservar a vegetação existente, principalmente nativas do cerrado, e introduzir mais árvores e arbustos para trazer o ar bucólico, que o parque deveria ter e, também, conforto luminoso e higrotérmico. Já referente às edificações é importante manter e respeitar as normas de gabaritos, assim como seus afastamentos para melhorar a circulação do ar, bem como, incentivar construções mais ecológicas que beneficiam o parque e o meio ambiente. A zona de estudo desfruta de grande concentrações de massa arbórea e edificações menos elevadas, isso permite um conforto maior e espaços mais agradáveis se comparado à outras dimensões, um ponto importante na contribuição da conservação ambiental.
Em Brasília, o vento mais frequente vem do Leste, de janeiro a novembro. Sua velocidade varia de 1 a 19 km/h.
As formações urbanas compreendidas nos cheios e vazios de uma cidade, influenciam no clima local criando microclimas. Mudanças naturais nesse processo é a formação de ilhas de calor formadas pelo calor antropogênico, uso de materiais que armazenam energia solar e falta de umidade suficiente para dissipar calor, relacionada ao deslocamento de massas de ar mais lentas, assim como diminuição na frequência de ventos, contribuem para a concentração de poluentes e ausência de conforto térmico e na iluminação natural impactada negativamente pelo adensamento de massas que não conseguem se dissipar. Superfícies artificiais absorvem mais a energia solar do que áreas vegetadas, contribuindo para a formação das ilhas de calor, sendo assim uma das principais soluções na mitigação das ilhas de calor, são espaços com vegetação balanceados com áreas construídas, criando assim áreas naturais de dissipação do calor, fluxo de ventos e ameninação de poluentes.
Zonas verdes são as principais demandas quando se trata de correlacionar os espaços naturais e urbano, sistemas de corredores verdes, parques urbanos, além do uso de massa verde nas próprias edificações influenciam diretamente no controle bioclimático em diversas escalas, mas para que sejam eficientes precisam de estudo e planejamento de implantação. Parques urbanos, como a área de estudo, possuem grande influência na preservação ambiental de centros urbanos, funcionam como filtros urbanos, que amenizam e controlam as alterações ambientais negativas causadas pelas construções, criam áreas livres para que os ventos circulam, por ser um espaço permeável contribui para dissipação do calor solar e dissipação de poluentes.
Observa-se que, apesar da grande quantidade de área construída, a distribuição espaçada e o gabarito baixo das edificações, caracterizadas como rugosidade e porosidade, permitem uma ventilação adequada para o controle higrotérmico. Além disso, a predominância de vegetação, ameniza o calor gerado pela grande radiação causada pelos materiais construídos e possibilita que haja absorção das águas da chuva pelo solo, potencializando o controle bioclimático.
O entorno é composto por conjunto de edificações em concreto, algumas com fachada espelhada (*Brasil 21 e Parque cidade), vias e estacionamentos em asfalto, espelhos d’água, calçadas em concreto, canteiros gramados, massa arbustiva pontuais e áreas de terra nua. O Parque é circundado por uma via (asfalto) que percorre toda a sua extensão, o que já o distancia das edificações que o margeiam. O Parque é composto basicamente por edificações pontuais em concreto, uma pista de corrida também em concreto, um lago, grama e massa arbustiva e terra nua.
As principais ilhas e fontes de calor provêm das áreas cimentadas e asfaltadas dentro e à margem do Parque, possuindo elas uma menor inércia porque absorvem mais calor, além de áreas de terra nua que aumentam a aridez do local. Contudo, pode-se observar que apesar disso a configuração do Parque (áreas vegetadas e lago) permite uma inércia térmica maior, podendo amenizar os efeitos de ilha de calor que o entorno propicia. O afastamento das áreas edificadas e asfaltadas aliado ao grande lago e extensão de vegetação presente no Parque da Cidade fazem com que ele mantenha um ambiente confortável e agradável, mesmo existindo algumas ilhas de calor ao redor.
É necessário preservar a vegetação já existente, assim como a existência de vegetação nativa do Cerrado nos canteiros, além de diminuir os espaços de terra nua para a melhor absorção de água e nutrientes, amenizando a sensação de aridez. Manter o respeito às normas de gabarito das edificações e o espaçamento entre elas, o que possibilita maior ventilação e menor concentração de calor causado pelos materiais. Evitar o uso de materiais que sejam impermeáveis, muito reflexivos ou que absorvam muita radiação. Realizar estudos que identifiquem áreas de permanência/convívio para que nelas sejam realizadas análises individuais e a partir disso possam ser feitas, se necessário, intervenções de caráter paisagístico que agreguem conforto higrotérmico sem interferir na permeabilidade dos ventos.
As áreas industriais causam mais incomodidade, seguido pelas áreas de comércio. Na área estudada percebe-se (em vermelho) a zona mais problemática: o SIG. É onde se concentram os usos de atividade industrial e comercial, portanto onde a qualidade do ar e a acústica são conflitantes com a qualidade bioclimática dessa região. O Parque da Cidade atua eficientemente amenizando tais efeitos nocivos.
Na área em estudo é possível perceber que a maioria dos lotes analisados como geradores de incomodidade são de uso comercial, tendo uma certa dispersão das atividades e de onde elas são alocadas, o que acarreta em efeitos bioclimáticos menos nocivos. Ademais, o Parque da Cidade, assim como os espaços de massa arbórea que são distribuídos pela Asa Sul, são como mecanismos de controle dessas incomodidades, atenuando o calor e a poluição sonora.
A demanda por intervenção é pequena pois a vegetação urbana existente é feita a partir de plantas nativas, reduzindo o estresse da planta. É possível ter uma melhora bioclimática onde os usos comerciais ou industriais competem com o uso residencial, como ocorre na Octogonal. Para tanto deve-se propor um afastamento desses usos que causam impacto bioclimático e planejar formas de amenizar os mesmos.
A análise da área de estudo leva em conta fatores que contribuem para melhor avaliar da vegetação e suas funções, podendo melhor observar maciços arbóreos, cerrado vegetação e jardins e sua contribuição para área de estudo.
A necessidade de conforto Higrotérmico, que é o equilíbrio térmico e de umidade relativa do ar entre o homem e o meio ambiente, considerando suas categorias morfológicas e em foco o estudo sobre a vegetação arbustiva e arbórea, segue o diagnóstico baseado na representação extraída pelo estudo do mapa.
Ventos predominantes: Noroeste - vem relativamente úmido, é o mais frequente em Brasília e traz um clima relativamente agradável, Noroeste - vem da amazônia, não é muito frequente, no máximo 3 meses no ano, mas a maioria 1 vez no ano com velocidade intensa. Criar barreiras para esses momentos pode ser interessante. A massa arbórea é verificada mais próxima aos edifícios das entrequadras da Asa Sul e também margeando o Parque da Cidade, com pouca concentração dentro. Já os jardins, que podem ser considerados também às áreas gramadas, são observados em uma grande quantidade dentro do Parque, no Cemitério de Brasília e em seguida às margens da via L4. O Cerrado, em contraposição ao proposto no paisagismo do Parque, não é verificado aqui, apenas em uma pequena região localizada no Setor Sudoeste. Diante do resultado analisado em mapa, a distribuição da vegetação na área estudada não possui desempenho excelente ao necessário quanto à qualidade do ar, conforto higrotérmico, conforto luminoso e conforto acústico. Quanto à qualidade do ar, a quantidade arbórea observada é eficiente apenas nas áreas verificadas, próxima aos edifícios das entrequadras da Asa Sul e também margeando o Parque da Cidade, porém, analisando o Parque como um todo, deixa a desejar, causando um impacto negativo. Quanto ao conforto higrotérmico no geral, a troca de calor e frio com a utilização de vegetais é ínfima diante da maior quantidade de terra sem sombreamento. A sensação de bem estar se torna ineficiente pois com a vegetação em pouca quantidade, gera um desconforto. O conforto luminoso pode ser verificado apenas onde há maciços arbóreos, porém a maior parte das árvores estão isoladas, e com esse contexto, o sombreamento se torna raro. A vegetação não pode ser interpretada quanto a acústica porque não serve de barreira, não impede que ruído se propague. Com todos os itens tendo bom desempenho, gostamos de estar na cidade, no espaço urbano, o que não pode ser verificado de acordo com a análise supra.
De acordo com a análise da distância entre fontes emissoras e receptoras de ruídos, o Parque da Cidade Sarah Kubitschek além de um gerador de ruídos também é um receptor. Pode-se notar áreas de maior incidência de ruído dentro e fora do parque.
A análise do entorno do Parque da Cidade Sarah Kubitschek da distância entre fontes geradoras/receptoras de ruídos podemos identificar além dos setores comerciais, as duas grandes vias que há um maior tráfego gerando ruídos mais do que as demais vias.
No espaço das cidades e ambientes construídos, em geral, as formas mais importantes são a estrutura urbana (dimensões dos edifícios e dos espaços entre eles, o tamanho das vias e ruas), a cobertura urbana (construído, pavimentado, vegetação, água, solo descoberto), o tecido urbano (materiais construídos e naturais) e o metabolismo urbano (calor, água, poluição devidas às atividades humanas) (ROMERO, 2001,p.17). Podemos notar que todas essas formas se complementam para uma melhor agregar o rendimento funcional da cidade como um todo. A geração de ruídos é algo inevitável mas controlável sem interferir no meio e sim com o intuito de amenizar, o que, muito possivelmente, contribuirá para a qualidade e sustentabilidade da qualidade da vida urbana.
A intervenção viável seria o aumento de vegetação para que haja a diminuição dos poluentes que são emitido pelo espaço urbano e utilizar desse aumento fontes de barreiras naturais sonoras.
Essa leituras serviram de base para formulação de cenários futuros para a cidade de Brasília.