“[...] práticas com formas de organização e significados muito diferentes [...], reúne as práticas corporais que têm como elemento organizador a exploração das possibilidades acrobáticas e expressivas do corpo, a interação social, o compartilhamento do aprendizado e a não competitividade. Podem ser constituídas de exercícios no solo, no ar (saltos), em aparelhos (trapézio, corda, fita elástica), de maneira individual ou coletiva, e combina um conjunto bem variado de piruetas, rolamentos, paradas de mão, pontes, pirâmides humanas etc. [...]; caracterizam-se pela exercitação corporal orientada à melhoria do rendimento, à aquisição e à manutenção da condição física individual ou à modificação da composição corporal [...]. Geralmente, são organizadas em sessões planejadas de movimentos repetidos, com frequência e intensidade definidas. Podem ser orientadas de acordo com uma população específica, como a ginástica para gestantes, ou atreladas a situações ambientais determinadas, como a ginástica laboral [...]: reúnem práticas que empregam movimentos suaves e lentos, tal como a recorrência a posturas ou à conscientização de exercícios respiratórios, voltados para a obtenção de uma melhor percepção sobre o próprio corpo [...]” (BRASIL, 2017, p. 215-216).
A unidade temática de ginástica é contemplada em todos os anos do Ensino Fundamental e dividida conforme tabela que segue:
A ginástica se configura como uma das mais antigas formas de exercitação, atendendo, desde a antiguidade, a diferentes objetivos em distintas épocas e sociedades. Schiavon (2003, p.7), afirma que, “[...] herdeira das peripécias do circo, da arte e da alegria, incorporou também ao longo da história os avanços da biomecânica, da ciência e deu origem às formas sistematizadas de movimentos até a sua desportivização”, apresentando atualmente beleza plástica, estética e harmônica de movimentos.
Com o desenvolvimento da ginástica ao longo da história, em diferentes contextos, ela acumulou saberes e conhecimentos ímpares e que, desenvolvidos adequadamente, podem contribuir com a formação dos alunos (COLETIVO DE AUTORES, 1992).
Schiavon (2003) afirma que as modalidades gímnicas na escola devem estar ligadas às propostas e princípios educacionais com vivências diversificadas e sem fins competitivos, indo além do “saber fazer” (prática), percebendo os conhecimentos construídos a partir das manifestações humanas e seus contextos e, portanto, ser vivenciados, apropriados e reinventados pelos autores/atores sociais da escola. A ginástica deve ser concebida como um saber produzido historicamente pela humanidade, necessitando ser ensinada na escola para que os alunos possam se apropriar dela (CESÁRIO; PEREIRA, 2007).
As atividades gímnicas foram aqui elencadas partindo das manifestações de ginásticas. Etimologicamente, a palavra ginástica vem do grego gymnastiké – arte ou ato de exercitar o corpo para deixá-lo forte e ágil. O termo gymnós (sem vestes, despido, nu) associa exercício físico à nudez do ser humano para que, desse modo, este se aproxime da sua essência (SÃO PAULO, 2009).
É possível compreender a ginástica como forma de trabalho corporal, realizado em espaço fechado, ao ar livre, na água, com ou sem aparelhos e materiais, com ou sem utilização de música, proporcionando experiências corporais que visam à conscientização do próprio corpo, suas possibilidades de movimentos ritmados, alegres, expressivos, com variações dinâmicas, geral e localizados (VIEIRA, 2013).
Considerando o espaço escolar, é importante que os saberes da ginástica, ao serem trabalhados em aulas de educação física, promovam aos alunos a sua compreensão como área de conhecimento, em sua totalidade, superando a fragmentação estabelecida por rótulos [...] buscando compreender as características, princípios, objetivos, técnicas de movimentos, próprios da ginástica. Ao longo da história, a ginástica tem sido direcionada para atingir diversos objetivos, ampliando as possibilidades de sua utilização.
Nessa perspectiva, a ginástica presente no currículo de Educação Física escolar é um conteúdo muito importante, pois possibilita a construção do conhecimento, contribuindo com o processo de formação integral dos alunos.
MESQUITA, A. M.; FANTIN, F. C. B.; ASBAHR, F. F. S. (orgs.). Currículo comum para o ensino fundamental municipal. Bauru: Prefeitura Municipal de Bauru, 2016.