Houve um tempo em que as flores nasciam nas ruas, rompiam o asfalto, o nojo e o ódio. Houve um tempo em que elas também floresciam nas salas de aula, nas mentes e olhos das pessoas. Existiu um tempo em que as aulas eram presenciais, onde o pó de giz formava uma camada natural sobre nossas peles. Houve um tempo em que os sonhos eram plantados em maio e colhidos quando estavam prontos. Cada sonho era um mundo distinto, e dentro de cada mundo existiam milhares de outros, todos diferentes entre si; esse era o nosso mundo.
Houve um tempo em que, dentro da sala de aula, os mundos eram virados de cabeça para baixo, o sul tornava-se norte e o norte virava sul. Houve um tempo em que o longe era próximo e o próximo era entrelaçado; onde chorar denotava alegria e a tristeza era um indício de saudade. Existiu um tempo em que a dúvida significava ter a certeza de que precisávamos aprender mais, e a certeza indicava que não tínhamos conhecimento suficiente. Houve um tempo em que levantar a mão não era apenas para fazer perguntas, mas para se posicionar com punhos cerrados. Houve um tempo em que o tempo era escasso e tínhamos apenas um sábado para ensinar e aprender tudo o que podíamos. Nas aulas de história, o tempo fluía de trás para frente; nas de matemática, o tempo era o "quando"; nas de português, era um verbo; nas de geografia, era o relevo (revelo?) nas de física, era mistério.
Esse tempo não existe mais? Em alguns lugares ainda existe esse tempo e essas coisas, graças aos professores, educadores, Cursinhos Populares e Escolas. Mas, certamente o tempo atual do sistema corrente está tentando acabar com esses espaços. Então, lembremos: O Tempo atual está “embarazado” de vários outros novos tempos, que valem mais a pena, para fazê-los ser, basta seguirmos as premissas de Galeano: “Há que ajudá-los a nascer”.
Crônica de: Diogo Valmor