Amelie Neves e Rebeka Gonçalves
Sobre o Comitê
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) foi criado em 1950, por resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), no cenário pós Segunda Guerra Mundial, como mecanismo de auxílio em áreas afetadas pelos conflitos e - em especial - como ajuda aos milhões de indivíduos que fugiram e/ou perderam seus lares. O órgão atua em conjunto com autoridades nacionais e locais, organizações da sociedade civil e o setor privado para que todas as pessoas refugiadas, deslocadas internas e apátridas encontrem segurança e apoio para reconstruir suas vidas.
Em meio à crescente do fenômeno de desglobalização, a interconexão global sofre com a fragilização resultante do fechamento de territórios e de economias também a partir das políticas anti-imigratórias. Tal movimento de desarticulação de alianças políticas e econômicas entre países representa uma ameaça concreta à proteção de refugiados, preponderantemente em países desenvolvidos, uma vez que se é estabelecida a visão do estrangeiro como inimigo comum. Assim, o comitê busca debater a desumanização desses grupos, procurando compreender a dificuldade de integração e proteção em meio a um recomeço que deveria representar acolhimento.
Carta das Diretoras
Caros delegados,
No âmbito do processo de isolacionismo e de desglobalização torna-se imprescindível o debate relativo à segurança e à qualidade de vida daqueles que por motivações críticas foram forçados a abandonar seus lares para se constituírem de um novo capítulo da vida - desta vez não somente como números, mas também como seres: capazes de sofrer, de chorar, e principalmente, de sentir. Para refugiados o ato de cruzar uma fronteira - que pode ser considerado puramente burocrático por alguns - é uma ação de resistência, simbolizando um abismo entre o nada que ficou para trás e o incerto que se ergue adiante. Milhões de filhos sem seus pais, irmãos sem suas irmãs e avós sem seus netos atravessam fronteiras e situações críticas, diariamente, com uma única bagagem em comum: a da esperança.
O presente guia nos fala de "soberania" e "proteção de mercados", palavras polidas que, na prática, traduzem-se no silêncio de um porto fechado e no olhar de desconfiança de quem vê, naquele que chega, uma ameaça, e não um semelhante, expondo a marginalização massiva que afeta aqueles que buscam um recomeço. Assim, cabe a nós, membros da chamada “Geração Ativista” o exercício do olhar humano, a fim de mitigar os desafios enfrentados por minorias socialmente, economicamente e politicamente periferizadas. Enquanto os países discutem "cargas compartilhadas" como se falassem de mercadorias, homens, mulheres e crianças esperam apenas por um lugar onde o medo não seja a única herança. No fim, a verdadeira crise não é migratória, mas de empatia; é o esquecimento de que, sob as normas da Convenção de 1951 e as métricas do Pacto Global, bate um coração que busca, desesperadamente, apenas o direito de voltar a respirar sem pavor.
Sejam bem-vindos senhores delegados! E que a 18ª edição das Simulações Anglo seja capaz de fomentar a empatia e olhar o humano em cada um de seus corações. A mesa diretora do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) se coloca à disposição para esclarecer dúvidas ou demais intercorrências ao decorrer da edição. Desejamos uma ótima SiAn para todos: e que a chama da arte de simular se mantenha acesa em seus corações!
Amelie Santos Neves
Diretora do comitê
Rebeka Gonçalves de Souza Santos
Diretora do comitê