Para o trabalho final da disciplina Identidade e Cultura, nosso grupo precisava escolher uma manifestação cultural presente no cotidiano e analisar como ela expressa práticas sociais, símbolos, valores e modos de vida. Entre diversas possibilidades, optamos por observar a Feira de Carros que acontece semanalmente no Complexo Poliesportivo de São Bernardo do Campo, localizada próxima à UFABC.
Escolhemos esse espaço porque, apesar de parecer apenas um ponto de comercialização de veículos, ele reúne um ambiente rico de interações socioculturais: vendedores com trajetórias distintas, compradores das mais variadas origens, trocas simbólicas, estilos estéticos dos carros e até códigos próprios daquele grupo. É um recorte que conecta cultura urbana, economia informal, identidade regional e práticas sociais visíveis no cotidiano da cidade.
O tema surgiu de forma natural: todas as quintas-feiras, ao lado da universidade, ocorre essa feira que mobiliza moradores, comerciantes e curiosos. Observávamos esse movimento semanalmente e percebemos que havia ali um ótimo campo para análise cultural, já que:
É um evento espontâneo, popular e consolidado na região;
Atrai perfis sociais diversos;
Carros não são apenas itens materiais — carregam valores, status, estilos e identidades;
O espaço funciona como ponto de encontro, sociabilidade e compartilhamento de práticas culturais.
Além disso, por acontecer perto da UFABC e em horário acessível, o evento atendia ao requisito de ser visitado durante o quadrimestre, permitindo observação direta, fotos e coleta de relatos.
A feira é realizada tradicionalmente no estacionamento do Ginásio Poliesportivo de São Bernardo do Campo, um espaço público conhecido por sediar eventos esportivos, shows e encontros culturais. A Feira de Carros, em especial, ocorre há anos — mobilizando comerciantes informais, lojistas independentes e compradores interessados em veículos usados. Ela funciona como:
um mercado popular;
um ponto de convivência e negociação;
um ambiente com códigos próprios, como gírias, formas de abordagem, comportamentos e estilos de apresentação dos veículos;
um espaço que revela aspectos importantes da cultura do ABC, marcada pela indústria automotiva e por forte relação com mobilidade, trabalho e identidade regional.
Nosso foco é investigar:
Como práticas culturais se materializam na feira (estética dos carros, sonorização, personalização, modos de circulação).
Como se estruturam as relações sociais entre vendedores, compradores e visitantes.
Quais símbolos, valores e identidades aparecem nesse contexto.
Como o espaço urbano é apropriado temporariamente por um grupo específico.
Como essa feira representa elementos da cultura local da região metropolitana do ABC, historicamente ligada ao setor automobilístico.
Análise conjunta das características do evento e do público participante, incluindo:
Vestimentas e comportamentos;
Maneiras de negociação;
Linguagem corporal e formas de abordagem;
Organização dos grupos de vendedores;
Sons, músicas e elementos estéticos;
Disposição dos carros e estratégias de apresentação;
Preços, público e expressões típicas daquele ambiente;
Duração da feira e o fluxo de pessoas.
A feira nos permite observar conceitos fundamentais da disciplina, como:
Identidade coletiva: os vendedores possuem modos de se expressar e interagir que criam um senso de pertencimento.
Cultura material: os carros e acessórios representam desejos, status, gostos e valores.
Práticas cotidianas: negociação, circulação, comunicação e convivência representam ações culturais vivas.
Espaço urbano como território cultural: a feira transforma um estacionamento comum em um espaço carregado de significado.
Representações simbólicas: estética dos veículos, gírias, modos de vestir e de se relacionar mostram identidade local.
Assim, um ambiente aparentemente simples se revela um campo cultural complexo, que dialoga diretamente com o conteúdo estudado em sala.