Luzia Alves é uma jovem artista plástica, uma nossa ex-aluna que se mantém ligada à Fernando Namora, porque a escola é uma das suas raízes.
Ainda subo às árvores.
Deito-me no chão do meu monte quando ele me chama.
Olho para as mãos enquanto trabalho.
Faço esculturas onde podemos entrar.
Aqui está uma montanha, um escudo.
As quedas já não me sabem a nada,
E sonho com aquelas que ainda não vivi.
Sabem-me mais a água e vento.
Nunca pensei que fosse agora,
A vertigem.”
Luzia Alves. 09.04.2020
Sobre ela escreveu Isabel Pinheiro, a propósito de uma exposição na Faculdade de Belas Artes, em Lisboa:
«O seu processo criativo passa sempre por estas três fases de pensamento, por esta ordem ou inversa. As obras surgem da procura da sua essência, de explorar o seu lugar na sociedade e saber exactamente qual o caminho que pretende seguir e como se apresenta ao público, enquanto artista.
Ouvi-la falar é um desafio, pois o seu entusiasmo em relação ao trabalho, o porquê disto ou daquilo, deixam-nos inquietos mas também incapazes de sair dali enquanto Luzia Alves nos explica em pormenor o que fez, porque fez e o que pode significar. É desafiante sentir aquela energia, mas temos que prosseguir.» (in https://www.facebook.com/CulturandoIsabelPinheiro)
"Hie mons, scutum - Aqui está uma montanha, um escudo" é o título da 1.ª exposição individual. Da folha de sala, podemos lembrar:
Todas as esculturas representam um equilíbrio de forças entre a Natureza e os seres humanos. Todas têm diferentes relações de escala com o corpo humano, e por isso, oferecem diferentes sensações ao observador quando se aproximam e interagem com elas. As pinhas no chão convidam a uma performance que a artista desenhou para que se pudesse caminhar, cronologicamente da primeira escultura até à mais recente.
Por fim, as molduras contêm fotografias que nos transportam para uma fisicalidade específica. Esta memória descritiva, existe desde cedo na sua prática artística. No ateliê, andam por gavetas e em caixas com etiquetas, funcionam como memória do processo durante os cinco anos de trabalho sobre o tema. Ás vezes são palavras, listas, lembretes, arquivos de texturas, técnicas e materiais, outras vezes são referências para explorar mais tarde.
São relicários que eternizam um bocadinho de cada obra, apresentados dessa forma, porque os sente perdidos no tempo, e que por essa mesma razão, são preciosos e irrepetíveis.
Foi, também este, o motivador para o Workshop que ela realizou na nossa escola, durante o qual os alunos realizaram esculturas efémeras, com materiais recicláveis e/ou resíduos.