A exposição coletiva Olhares sobre o Bairro reúne trabalhos em pintura, desenho, escultura, instalação e fotografia de alunos do Agrupamento de Escolas Fernando Namora.
Ao longo das 10 salas, podemos encontrar diversos olhares, desde os mais circunstanciais aos mais críticos, desde os mais distantes aos mais íntimos. Mas essa diversidade de observação é, pelo ponto de partida e pelo modo como foi absorvida na exposição, quase anulada, como se as obras fossem iguais, traduzindo, assim, uma forma de ser comunidade – o mais importante no Bairro é aquilo que une.
Nas salas vamos também encontrar obras que são a apropriação e interpretação de artistas já consagrados, de gerações diferentes, e que estão ligados ao nosso concelho.
1 - O Bairro visto por cima
Na primeira sala, a Brandoa é vista «de cima», com um distanciamento físico que só o Ortofotomapa, que está exposto logo à entrada, permitiria. Cada aluno-artista partiu de uma parcela, extraída do grande mapa, que se reorganiza numa nova composição coletiva em 22 das obras aí expostas.
São obras de alunos do 8.º ano, realizadas a grafite, lápis de cor e caneta de feltro.
2 - O Bairro visto de frente
Nesta segunda sala, o bairro é visto de frente. Do real, revelado pela fotografia, os alunos-artistas partiram para duas propostas. Um registo mais simplificado, dando ênfase ao recorte dos volumes (Skyline), em trabalhos a pastel de óleo (direita e esquerda) e um registo mais pormenorizado, a caneta de feltro e lápis de cor.
3 - À direita, As casas do estendal, reconstituição de uma instalação com os trabalhos dos pequenos-artistas do 1.º ano, turma 2, realizada na EB1/JI da Brandoa. O bairro é uma explosão de cor, em obras de forte sensibilidade e alegria, contrastando com a poesia de Fernando Pessoa. O bairro de várias cores não é monótono. Encontramos desenhos, colagens, maquetes em cartão reciclado e outros materiais.
Continuando na sala, à direita encontramos obras skylines mais aproximadas, dando destaque à mancha do construído em contraste com a paisagem em que se insere, fazendo apelo ao contraste luz-sombra.
À esquerda, o registo mais alargado da skyline, banhado de luz e cor.
Duas atitudes, dois estados de espírito.
4 - Bairro cor de prata
Continuando a visita, encontramos uma série de 12 colagens, em que, através das texturas, se ressaltam os planos do Bairro, visto de vários ângulos.
5 - Joia de aluno
Na sala Joia de aluno estão reunidas obras de joalharia e de fotografia sobre joalharia: trabalhos de fotografia sobre as joias de arte povera de autor ou, em dois casos, sobre peças de bijuteria. Na sala Joia de aluno estão reunidas obras de joalharia e de fotografia.
As joias, na linha da chamada arte pobre, são realizadas a partir de materiais não nobres e criadas tendo por base os motivos vegetalistas do bairro ou usando mesmo materiais recolhidos nas ruas do bairro.
As fotografias, à excepção de dois casos que recorreram a bijuteria, foram realizadas sobre a própria joia de autor, colocada em contexto, ou seja, sobre o corpo.
6 - Sala em Negro
Na sala escura, não há medos. O traço e a linha, a caneta de feltro preta sobre folha branca, são os elementos definidores da organização do bairro e traduzem a força de vida, de movimento, de vizinhança, que vem desde a história antiga até aos dias de hoje.
7 - Plantas com história
A história do bairro visitada através dos jornais, antigos ou mais modernos. As notícias são pedras da vida comum. Os trabalhos expostos são uma outra forma de leitura do espaço que são as raízes da comunidade. Constroem um painel coletivo, em técnica mista (colagem sobre cartão: textos transcritos de jornais antigos e desenhos da planta do bairro a caneta de feltro preta sobre papel).
8 - Os rostos do bairro
O bairro é uma comunidade, cheio de vida, com pessoas que lhe dão alma. Nesta sala apresentam-se vários trabalhos sobre os rostos dos jovens alunos, em fotografia manipulada digitalmente por eles.
9 - Nova Arcade
Da observação da paisagem construída, do bairro real, por inspiração do artista João Penalva, foi criada uma Nova Arcade, jogo entre o real e o ficcional, entre o visual e o literário. Apresentam-se duas propostas: uma mais livre (com pintura aliada a um texto de fragmentos de uma poesia de Ruy Belo e de textos de alunos) e uma outra proposta mais próxima do autor inspirador (com texto e desenho a pastel de óleo sobre cartolina preta e tinta da China)
Átrios
Que linda fachada
Aqui podemos observar três obras de edição de imagem a partir das pinturas de Cruzeiro Seixas, um artista do concelho. A partir da decomposição e simplificação da obra do pintor, os alunos apresentaram propostas para novas obras de arte urbana aplicadas às fachadas do Bairro.
Diálogo Multidisciplinares - Neste espaço exterior, podemos observar a exposição Diálogos pluridisciplinares. Nesta exposição são apresentadas 9 obras de alunos-artistas do 10. ano, realizadas a partir da obra do artista brandoense Nuno Rodrigues de Sousa: a obra Edifício em superfície plana
Cada aluno-artista apresenta duas obras: a primeira, uma composição fotográfica integrando a fotografia da maquete (em cartão) de uma escultura sobre a fotografia do edifício da Rua do Município, edifício que foi o ponto de partida para uma das obras do artista plástico Nuno Rodrigues de Sousa.
Uma outra obra, uma proposta 3D da referida escultura.