VII Congresso Internacional - 7th International Conference
A Voz dos Avós: Saberes e Afetos
The Voice of Grandparents: Wisdom and Endearment
15 a 18 de novembro de 2021 (November 15-18th 2021)
Portuguese Beyond Borders Institute (PBBI) – Universidade Estadual da Califórnia, Fresno
Resumos das apresentações e painéis:
segunda-feira, 15 de novembro (Monday, November 15)
Velhice e sentido de vida
Lúcia Vaz de Campos Moreira, Cleia Zanata e Rafael Cerqueira Fornasier (Universidade Católica de Petrópolis, Brasil)
Resumo: A presente investigação tem como objetivo conhecer o sentido da vida e as perspectivas futuras apresentados por idosos. Trata-se de um estudo exploratório que teve como participantes 60 pessoas velhas residentes em bairros de classe média localizados na Região Metropolitana de Salvador/Bahia/Brasil, sendo 30 homens e 30 mulheres. Como instrumento de pesquisa foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturado, com questões abertas, elaborado pelos pesquisadores. O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa e as entrevistas foram gravadas e realizadas em local de conveniência para os participantes que foram acessados pela técnica bola de neve. Foi feita análise de conteúdo temático estabelecendo-se categorias a partir das falas encontradas e foram calculadas as porcentagens das respostas. Principais resultados: os aspectos mais importantes para os homens idosos no passado foram: a criação/educação que os próprios pais deram para eles (27,2%) e a família (24,2%). Os aspectos mais relevantes para eles na atualidade são: a família (35,6%) e a saúde (16,7%). Por sua vez, para as mulheres idosas, os aspectos mais importantes no passado foram: a família (52,6%) e a religião, a fé (13,8%). Os elementos mais relevantes para elas na atualidade continuam sendo a família (56,8%) e a religião/espiritualidade/Deus (13,5%) e, logo em seguida, a saúde (10,8%). Os planos para o futuro apresentados pelos velhos são principalmente: viajar (Brasil ou exterior), conhecer novas culturas (18,4%) e ajudar os descendentes (filhos, netos e bisnetos) a estarem bem encaminhados (13,3%). Já as velhas revelam principalmente os seguintes planos: ajudar os descendentes (filhos, netos e bisnetos) a estarem bem encaminhados (14,3%); viajar (Brasil ou exterior), conhecer novas culturas (11,3%) e ter paz, sossego e saúde (11,3%). Por fim, os homens idosos esperam da vida especialmente: ter velhice e morte tranquilas (23,4%); ter saúde, paz, felicidade (20,0%); e que as pessoas do Brasil e do mundo se tornem mais humanas, melhores (20,0%). Por outro lado, eles consideram que a vida espera deles, principalmente, que ajudem as pessoas (29,1%) e que sejam bons, honestos, sinceros (19,4%). Já as mulheres idosas esperam da vida, especialmente, desenvolvimento profissional, educacional e familiar dos descendentes – filhos e netos (24,4%) e saúde, paz, felicidade (18,9%). Por sua vez, elas consideram que a vida espera delas, principalmente, que ajudem as pessoas (30,0%). Levanta-se a necessidade de investigações futuras que pesquisem a velhice em outros contextos socioeconômicos.
Palavras-chave: Velhice. Envelhecimento. Sentido da vida.
Crenças de jovens sobre envelhecimento
Cléia Zanatta, Cláudio Manoel Luiz de Santana, Patricia Damiana da S. Coelho, Ana Dufflis, Luiz Fábio Domingos (Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil)
Resumo: Este trabalho tem como tema analisar as crenças de jovens sobre idosos, saber como pensam e emitem suas opiniões em torno da pergunta: “qual a opinião dos jovens sobre o envelhecimento e a pessoa idosa?” O envelhecimento populacional é um acontecimento percebido em nível mundial e particularmente no Brasil, evidenciado por aumento da população idosa em relação aos demais grupos etários. O fenômeno do envelhecimento da população traz consigo inúmeros desafios que demandam criar condições para que as pessoas idosas possam participar ativamente da vida econômica, social e política das comunidades nas quais estão inseridas. A velhice costuma ser vista na contemporaneidade, com um olhar cheio de preconceitos e estereótipos, nos quais a imagem da pessoa idosa costuma estar associada a aspectos negativos como: o declínio, a decrepitude, a ociosidade, a dependência, a decadência, o adoecimento e o sofrimento. A compreensão acerca do que sustenta o preconceito está diretamente relacionada ao tema crenças que permite conhecer a grande variedade de estilos interpretativos da realidade sociocultural e das correspondentes condutas sociais, tão distintas em nossa sociedade do ponto de vista étnico, econômico, político ideológico, etc. As bases teóricas que subsidiaram as análises e reflexões encaminhadas neste trabalho transitaram entre as contribuições oriundas dos estudos da Cognição Social, área de concentração do programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia, da Universidade Católica de Petrópolis/RJ/Brasil, no qual foi realizada esta investigação, com o propósito de entrelaçar as ideias de diferentes autores com o intuito de reunir interfaces em torno do tema envelhecimento a partir de paradigmas dos estudos da Gerontologia, numa vertente multifatorial, que considera o envelhecer como um processo dinâmico marcado por ondulações que não se submetem a um único ou primordial fator, por exemplo, à idade cronológica, mas transita entre as condições biológicas, psíquicas, relacionadas ao labor, existenciais e, até mesmo, espirituais da pessoa. Para direcionar o trabalho definiu-se a seguinte questão: qual a opinião dos jovens sobre o envelhecimento e a pessoa idosa? Objetivou-se analisar os conceitos de crenças, estereótipos e preconceitos; refletir sobre o mito da eterna juventude, novos paradigmas sobre o envelhecimento e realizar uma pesquisa de opinião direcionada aos jovens a respeito do envelhecimento e a pessoa idosa. Metodologicamente realizou-se uma pesquisa de opinião, quantitativa, com jovens na faixa etária entre 18 e 21 anos, de escolha aleatória, sem considerar critérios de inclusão ou exclusão, apenas a faixa etária que demarca cronologicamente o ciclo de vida denominado juventude. A coleta de dados foi feita entre o segundo semestre de 2020 e primeiro semestre de 2021, de maneira remota, através de um link que apresentou um questionário de composto por 20 questões objetivas. Os dados foram analisados por meio do Google Forms e evidenciaram uma opinião positiva dos jovens em relação ao tema envelhecimento e à percepção da pessoa idosa. Os resultados revelaram que a amostra foi composta por 210 jovens brasileiros sendo 63,33% compostos por mulheres e 36,67 por homens; 57,14% estão cursando nível superior, 40% cursam o Ensino Médio e 2,86% o Ensino Fundamental; 50,48% dizem possuir algum vínculo empregatício, enquanto 49,52% não possuem nenhum tipo de atividade remunerada. Quanto à prática de atividade voluntária, 74,76% deles não as praticam, enquanto 25,24% o fazem. Sobre se possuem prática religiosa, 63,33% dos entrevistados confirmaram, enquanto 36,67% não praticam. Quanto à pergunta: “o envelhecimento parece, para você, uma fase da vida...”, as respostas flutuaram entre 36,67%, que consideram o envelhecimento muito bom, 36,67% acham bom, 13,33 regular, 10% ruim, 3,33% acham que é péssimo. Com relação ao item: “Você tem uma convivência com idosos?”, 88,52% têm convivência com os idosos e 10,48% que não possuem. Outro aspecto verificado diz respeito a como os jovens pesquisados sentem-se na convivência com pessoas idosas e, de modo positivo, a amostra apresenta que 89,52% sentem-se bem, comparativamente a 5,71%, que se sentem mal e 4,76% que não convivem com idosos. Por fim, o questionário contemplou uma pergunta sobre estereótipos positivos ou negativos dos jovens em relação à percepção dos idosos e predominou a opinião de que 77,14% dos jovens acreditam que os idosos sejam teimosos; 69,05% acham que sejam sábios, em seguida, 63,81% solitários. Conclui-se, portanto, que na investigação realizada os estereótipos dos jovens aparecem de maneira predominantemente positiva em relação ao envelhecimento.
PALAVRAS-CHAVE: Crenças de jovens. Envelhecimento. Pessoa idosa.
Memórias e Histórias: Galeria dos Pioneiros de Toronto 2021
Manuela Marujo, Toronto
Resumo:
PANEL: AVÓS - A SOURCE AND AN INSPIRATION FOR CREATIVITY IN THE PORTUGUESE DIASPORA IN NORTH-AMERICA (readings and discussion)
Sam Pereira, Lara Gularte, Scott Edward Anderson, Melissa Jensen-Hiser, Nancy Vieira Couto, and Elaine Avila (North American writers)
This panel will feature writers of the Portuguese Diaspora, from various regions and various genres, readings literary creations that focus on the role of grandparents in their works.
Terça-feira, 16 de novembro (Tuesday, November 16)
A vida e a morte invisíveis dos adolescentes que cumprem medida socioeducativa: as implicações das avós
Roberta de Andrade e Barros Roberta Andrade e Barros (Centro Universitário UNA/ Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Brasil)
Resumo: O presente trabalho faz parte de uma pesquisa de doutorado, defendida em fevereiro de 2021, realizada em Belo Horizonte (Brasil), que teve como um dos objetivos compreender de que maneira as avós dos adolescentes que cometeram atos infracionais, cumpriam medida socioeducativa prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990) e foram assassinados tentam criar uma rede para proteger os seus netos. Os pressupostos teóricos utilizados foram os da Psicologia do Desenvolvimento e Social, como relação neto-avó, avó guardiã e jovens avós das camadas populares. Como estratégias metodológicas, foram utilizadas a revisão bibliográfica, a análise documental e entrevistas semiestruturadas com uma avó guardiã que teve dois netos assassinados após o cumprimento de medida socioeducativa. Como resultado, foi possível constatar que a criação dos netos pelas avós pode ser compreendida como uma saída encontrada pelas famílias para lidar com alguma adversidade vivenciada, seja a gravidez na adolescência, a morte do pai ou da mãe das crianças e adolescentes, a prisão ou o abandono da mãe e/ou do pai. Por outro lado, em algumas situações, a circunstância de o neto ir morar com a avó é uma escolha baseada unicamente no afeto. Muitas dessas avós, a seu modo, organizaram-se para conseguir criar esses adolescentes em meio a tantas dificuldades: pobreza, diversos tipos de violência, falta de acesso a políticas públicas de qualidade que pudessem, de fato, tentar fazer uma reparação histórica com parcela significativa da população brasileira que vive marginalizada.
Palavras-chave: Medidas socioeducativas. Avós. Analistas de Políticas Públicas. Assassinato de adolescentes. Seletividade do luto.
Memória e Tradição das avós: bordados de mulheres madeirenses (São Paulo, décadas de 1950-1960)
Maria Izilda S. de Matos (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/Brasil)
Resumo: Esses escritos privilegiam a presença feminina nos processos de deslocamentos, particularmente, focalizando as mulheres oriundas da Ilha da Madeira chegadas a São Paulo nas décadas de 1950 e 1960. Ao rastrear as experiências dessas mulheres observa-se como elas se transformaram guardiãs da memória e das tradições madeirenses, destacando-se as práticas dos bordados. Na Madeira, as mulheres bordavam seu próprio enxoval ou para presentear, assim, desenvolveram habilidades que, gradativamente, se transformaram em possibilidade de ganho. As meninas começavam cedo a aprendizagem do bordado ao lado das mães e avós e esses trabalhos de agulhas tornaram-se tradições. Nas memórias das imigrantes madeirenses essas tradições foram reconstituídas no novo contexto.
A importância das avós na transmissão das tramas com fios de palha
Arlete Assumpção Monteiro (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/Brasil)
Resumo: O presente estudo faz parte de uma pesquisa mais ampla sobre as tramas com fios. Primeiramente priorizou-se um estudo sobre as rendeiras de Santo Antonio de Lisboa, em Florianópolis, Santa Catarina, prosseguindo uma investigação com as rendeiras de Parnaíba e arredores, no Estado do Piauí, norte do Brasil. Com tal trajetória a presente comunicação tem como foco norteador a importância das avós na transmissão dos saberes nas tramas com fios de palha da carnaúba e ou babaçú onde as mulheres ferem suas mãos, para transformando a palha em bolsas, suportes, cestos e objetos de adorno, norte/nordeste brasileiro.
Meu avô açoriano: entre lembranças, pesquisa e afetos
Lená Medeiros de Menezes Professora Emérita e Titular de História Contemporânea da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Resumo: Na perspectiva de uma “história de si”, a comunicação apresenta os resultados de uma pesquisa sobre minhas origens, que, no diálogo entre memória e história, deu corpo a uma investigação documental que complementou ou retificou poucas lembranças. Nesse exercício dialético, foram encontrados resultados surpreendentes, que permitiram, por exemplo, o desvelamento do local de nascimento de meu avô, Matheus Lourenço de Menezes, sobre o qual a família não tinha qualquer informação, devido, principalmente, a uma conjuntura de antilusitanismo, que levou meus avós - como tantos outros - a reforçar a brasilidade dos filhos, lançando um determinado “apagamento” sobre as origens. As fontes utilizadas foram constituídas, principalmente, por notícias de jornal, registros de passaportes e livros de genealogia. O método utilizado foi o indiciário, passível de permitir um estudo de caso baseado em exercícios genealógicos, em uma escrita que sempre o diálogo entre o individual e o coletivo; entre o particular e o geral.
Palavras-chave: Origens portuguesas – Imigração no Rio de Janeiro – Escrita de si.
Avós que choram: as Arpillera, resistência e denúncia
Yvone Dias Avelino (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/Brasil)
Resumo: Esta apresentação trata do movimento das mulheres/ avós chilenas, que com técnicas artesanais antigas de Isla Negra retratam suas vivências e denunciam o período difícil ditatorial que se estendeu por 17 anos e chocou o mundo (1973-1990). Estas avós exercem a prática da resistência ao aplicar a arte artesanal, que possui valores que transcendem o aspeto estético, e contribuem para a construção cotidiana de realidades democráticas.
"From soup to nuts: How a family recipe drove me crazy searching for my Azorean roots"
Katharine F. Baker, presented by Anthony Barcellos
Resumo/Summary:
Nineteen days after Katharine Baker's widowed father died, she discovered that her family and their friends had totally concealed her paternal Portuguese roots from her. When confronted, her aunt tried to deny it, then admitted the truth only begrudgingly. Over the next decade, Katharine made a journey from ignorance of her roots to embarking on a career as a professional translator of Portuguese literature.
PANEL: GRANDPARENTS-CULTURAL AWARENESS, HERITAGES, AND IDENTITIES
Moderador: Diniz Borges
A panel discussion with Americans and Canadians of Portuguese ancestry and the cultural bonds that were forged with their grandparents.
Quarta-feira, 17 de novembro (Wednesday, November 17)
Envelhecimento, Competências, Saberes e Intergeracionalidade
Maria da Conceição Pereira Ramos (Universidade do Porto, FEP & CEMRI, UAb)
Resumo: O desafio do envelhecimento releva a promoção de uma vida autónoma com qualidade e o potencial da participação ativa dos avós na sociedade, no apoio à família, e em ações de voluntariado e associativismo. Com o prolongamento da vida humana e a melhoria das condições de saúde e das qualificações, os avós têm vidas ativas mais longas, mais visível nas mulheres, com impactos na família, na educação das crianças e no envolvimento cívico. Especialmente as mulheres, sobretudo as avós, ajudam fortemente as crianças e os netos, de forma gratuita e solidária, em contexto nacional ou migratório. O voluntariado sénior é uma ferramenta de envelhecimento ativo, de aquisição de novas competências sociais e cívicas, de promoção do bem-estar e saúde dos idosos, da sua autorrealização e inclusão social, compatibilizando velhice, cidadania e utilidade social. As oportunidades geradas pelas inovações tecnológicas reduzem a distância física entre mais novos e mais velhos, entre avós e netos, e facilitam as aprendizagens entre gerações. Alguns fatores melhoram as competências dos mais velhos: incentivos à aprendizagem e condições favoráveis ao trabalho e à partilha de saberes intergeracionais; a educação promove sociedades mais saudáveis e uma cidadania mais ativa. As atividades intergeracionais proporcionam um espaço de troca mútua de saberes e de diálogo entre avós e netos, a partir dos conhecimentos e experiências de cada um, mantendo também as pessoas idosas intelectualmente ativas e estimuladas, e constituindo a educação intergeracional um estímulo do envelhecimento ativo e do bem-estar. Os programas intergeracionais promovem a interação entre gerações e atitudes sociais favoráveis relativamente aos idosos e ao processo de envelhecimento, mas também são importantes para o bem-estar e a aprendizagem dos mais jovens. É importante a transmissão dos saberes dos avós, aproveitar o seu tempo disponível, valorizar a sua experiência e encarar o envelhecimento de forma ativa e saudável, fomentando a solidariedade, a entreajuda e a cooperação a nível familiar, social e económico.
Palavras-chave: Envelhecimento Ativo; Competências e Saberes; Intergeracionalidade; Avós-Netos; Voluntariado Sénior.
Avós-Netos e Interculturalidade - Relacionamentos e Afetos em Tempos de Pandemia da Covid-19
Natália Ramos (Universidade Aberta & Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais/CEMRI); Rosa da Motta Azambuja (UDE, FBB & CEMRI/UAB).
Resumo: Nos diversos contextos sociais, culturais e familiares, desenvolvem-se laços intergeracionais e interfamiliares, constroem-se vínculos afetivos e relações privilegiadas entre avós e netos, sendo transmitidos, sobretudo através da família e das várias gerações, saberes, tradições, práticas de cuidados, afetos, solidariedades e valores morais, espirituais, educacionais, sociais e culturais. Nas diferentes culturas, os mais velhos e, em especial os avós, constituem elos de apoio e solidariedade entre gerações, funcionando como âncoras da cultura, tradição, cuidado, educação, afetividade e transmissão. A qualidade dos vínculos afetivos, relacionais e comunicacionais entre gerações, nomeadamente entre avós e netos é fundamental para o desenvolvimento, bem-estar e qualidade de vida das crianças e dos adultos e favorece novas relações e formas de solidariedade intergeracional. A atual e complexa situação epidemiológica global e de emergência relacionada com a pandemia da Covid-19, bem como as medidas de proteção, distanciamento e isolamento social impostas por esta pandemia, tem tido impactos sociais e familiares, dificultado as relações e solidariedades familiares e intergeracionais e afetando a saúde e o bem-estar psicológico dos indivíduos, das famílias e das várias gerações. A comunicação apresenta resultados de um estudo intercultural realizado com avós de Portugal, Brasil e Uruguai, em que se procurou compreender e analisar as vivências, convivência e relações afetivas de avós com os netos em tempos de pandemia da Covid-19 em diferentes contextos culturais.
Palavras-Chave: Avós-Netos; Interculturalidade; Covid-19; Intergeracionalidade; Relacionamentos; Afetos
A importância dos afetos entre avós e netos
Ana Isabel Mateus Silva (Universidade Aberta & CEMRI, UAb)
Resumo: Vários são os estudos que salientam que os afetos positivos são de extrema importância para contribuir para um envelhecimento mais saudável, bem como podem ser preciosos para um desenvolvimento de competências na área educacional e afetiva das crianças e adolescentes. Estes afetos podem ser transmitidos de várias formas, nomeadamente entre Avós e netos: através de histórias, partilha de saberes, de crenças e valores e entre netos e avôs, nos nossos dias, através da partilha do mundo virtual, jogos e aplicativos móveis. A área da comunicação é de extrema importância na relação destas duas gerações uma vez que a internet veio trazer uma informação que por vezes é completamente desconhecida para os avós. Partindo da premissa de que avós e netos são educadores e educandos vamos refletir sobre os efeitos positivos das relações afetivas entre avós e netos e netos e avós, recorrendo a pesquisa bibliográfica, bem como apresentaremos reflexões sobre o nosso trabalho com avós, crianças e adolescentes, quer em contexto de trabalho, quer no âmbito de investigação.
Palavras-chave: Afetos; Relação; Avós; Netos.
Saberes e Afetos de Avós Hindus em Portugal: Vivências em Contexto Migratório
Ivete Monteiro (Hospital Dona Estefânia, CHLC; CEMRI/UAb); Natália Ramos (Universidade Aberta; CEMRI/UAb)
Resumo: A presença dos avós hindus na educação e desenvolvimento das crianças é essencial para a sua estruturação pessoal e cultural. Os avós são respeitados pela sua sabedoria e pelo seu conhecimento, mas são também considerados um porto de abrigo que dá eco às dúvidas e incertezas dos elementos mais novos das famílias hindus. A proximidade familiar entre estas duas gerações é cultivada desde o nascimento, e, traduz a cumplicidade e companheirismo existentes, anulando o hiato temporal e valorizando a necessidade mútua de saberes e afetos. O estudo qualitativo foi dirigido a 20 avós hindus residentes na região de Lisboa que têm um contacto próximo e contínuo com os netos. Os seus objetivos são identificar o papel dos avós na educação dos netos e analisar a interação estabelecida em contexto familiar e comunitário que retrata a relação entre estas duas gerações. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas e efetuada a análise das observações fílmicas e fotográficas. Os dados obtidos revelam que a transmissão de ensinamentos dos avós aos netos é mais visível nas vertentes religiosa, cultural e gastronómica procurando perpetuar memórias e tradições através de gestos e de comportamentos e, delegando nos mais jovens a responsabilidade de reinterpretar e adaptar ao contexto migratório as práticas culturais transmitidas. A partilha de saberes evidencia uma cumplicidade geracional marcada pelos valores hindus, pelo reconhecimento e pelo carinho, criando deste modo, laços e preservando a identidade hindu em contexto migratório.
Palavras- Chave: Avós; Educação Intergeracional; Transmissão; Saberes; Hindus em Portugal
Quando a infância e a velhice se encontram: os poemas de Sidónio Muralha e “a arte de ser avô”
Roseli Boschilia (Universidade Federal do Paraná); José Raimundo Noras (Investigador do CH-ULisboa. Doutorando em história (PIUDHist)
Resumo: Sidónio Muralha, poeta e escritor português de notável talento, nasceu em Lisboa, em 1920. Foi um dos expoentes do movimento literário neorrealista e sua posição política contrária ao regime salazarista o arrastou precocemente para o exílio. Depois de viver alguns anos no Congo Belga, se deslocou para a Bélgica e no início dos anos sessenta radicou-se no Brasil, onde residiu até sua morte, em 1982.
Na sua variada produção intelectual, além da forte marca que a experiência do exílio deixou em seus escritos, o gênero literário infantojuvenil ganha destaque, especialmente no contexto da década de setenta, quando Sidónio, pai de 4 filhos, passa a vivenciar a experiência de ser avô. Em “Poema para Beatriz”, publicado em 1972, o autor já havia dedicado seus versos a uma das filhas, no qual ele a encorajava a estar sempre de “olhos bem abertos”, a não aceitar a fome e a guerra e nem chamar de heróis aqueles que matam. Mas é efetivamente a partir da convivência com a neta, Valéria, nascida em 1974, que Sidónio passa a se apropriar da literatura infantil como um instrumento político na divulgação de suas ideias em defesa do meio ambiente e de um mundo mais justo.
Assim, paralelamente à publicação de obras, como, Bichos Bichinhos e Bicharocos e Televisão da Bicharada, hoje consideradas verdadeiros clássicos da língua portuguesa, Sidónio se dedica à escrita do conto intitulado Valéria e a Vida, no qual a protagonista, com a ajuda dos animais da floresta escreve cartas às meninas e aos meninos de todo o mundo para que se consiga parar a poluição.
Na ânsia de compartilhar com os seus interlocutores não só os temores da destruição trazidos pelo progresso, mas sobretudo suas expectativas de um mundo melhor, o escritor continua a exercitar a sua arte de ser avô na escrita das obras Catarina de todos nós e Todas as crianças da terra, nas quais também presta homenagem às netas, Catarina e Patrícia.
Assim, esta comunicação tem como objetivo mostrar como os netos, e mais especialmente as netas mulheres, ocuparam um lugar de destaque no universo dos afetos de Sidónio, instigando-o a continuar na sua incessante luta contra todos os tipos de opressão e na construção de uma sociedade mais igualitária.
“O fio do tempo nas narrativas de «Avós: Raízes e Nós» – contextualização histórica”
Inez Marques (Professora de História, Lisboa, Portugal)
Resumo: Na obra Avós : Raízes e Nós, das narrativas emotivas, pessoais e afetivas, emergem características comuns e diferenciadas. Apesar das diferenças temporais ou geográficas, sobressai um contexto histórico que as enquadra e justifica.
Nesta comunicação, é minha intenção, após análise e inventariação dos dados, inserir as narrativas particulares numa caraterização geral de comportamentos da sociedade portuguesa no tempo histórico a que estão circunscritas, destacando estereótipos e exemplos desviantes do padrão de conduta dominante.
Avós: transferência cultural, herança e identidade
Lélia Pereira Nunes (socióloga, escritora, Florianópolis, Brasil)
Resumo: Da oralidade transmitida à herança identitária. Arquiteturas de memórias, histórias de vida, afetos. A interculturalidade tecida no espaço e no tempo, revivificada 274 anos após a grande diáspora açoriana e madeirense do século XVIII.
Avós e netos sem pontes de afetos
Aida Baptista (professora aposentada, cronista)
Resumo: Sempre que se fala de avós, a palavra afetos é, de imediato, aquela que lhes está associada, resultante das memórias afetivas que a maioria das narrativas nos descrevem. Raramente se encontra uma voz dissonante ou a daqueles que, apesar de terem tido avós, nunca lhes foi permitido conhecê-los, porque a honra falava sempre mais alto do que a bastardia. Com esta comunicação, pretendo desconstruir as relações que nos são sempre apresentadas de forma idílica, esquecendo que muitas outras realidades coexistiram, mas remitidas para o estatuto de segredos de alcova.
Quinta-feira, 18 de novembro (Thursday, November 18)
Bisavós no Brasil? Uma contextualização sociodemográfica
Emily Schuler, Cristina Maria de Souza Brito Dias, George W. Leeson. (Universidade Católica de Pernambuco)
Resumo: O Brasil é muitas vezes visto internacionalmente sob uma perspectiva estereotipada, sendo considerado um país bastante jovem, suscitando questionamentos sobre a existência de bisavós na sociedade brasileira. O objetivo deste artigo de revisão foi explorar o contexto sociodemográfico da presença dos bisavós no Brasil. A análise do envelhecimento populacional mostra que, devido à redução das taxas de mortalidade para todas as faixas etárias, aliada à queda das taxas de fecundidade, o consequente aumento da expectativa de vida no Brasil criou um quadro demográfico que permite um aumento da proporção de idosos, que possuem a possibilidade de se tornarem bisavós. Esse papel não está necessariamente vinculado à idade cronológica avançada, pois ainda existe um grande número de mulheres que se tornam mães antes dos 20 anos. Ao se considerar os bisavós mais velhos, que já estão no estrato considerado "idoso" no Brasil, há uma heterogeneidade em termos de fatores socioeconômicos, condições de saúde, antecedentes familiares e histórias de vida pessoais. Os achados desta revisão indicam que os contextos sociodemográficos, culturais e históricos não apenas possibilitam o surgimento do papel dos bisavós no Brasil, mas também influenciam nesse papel, evidenciando a necessidade urgente de pesquisas sobre o tema
As avós encarceradas e seus netos: um olhar da psicogerontologia
Daniely da Silva Dias Vilela (Universidade Católica de Pernambuco); Cristina Maria de Souza Brito Dias (Universidade Católica de Pernambuco); Cirlene Francisca de Sales da Silva (Universidade Católica de Pernambuco).
Resumo: este estudo de revisão narrativa da literatura teve o objetivo geral de investigar como a Psicogerontecnologia pode influenciar na relação das avós encarceradas e seus netos. Mais especificamente almejou: 1) caracterizar a relação das avós encarceradas e seus netos; 3) argumentar como a Psicogerontecnologia pode contribuir para amenizar os impactos provocados pelo contexto pandêmico sobre essa relação. O crescimento da população de idosos no Brasil é um fenômeno igualmente observado dentro das penitenciárias. Esse contingente populacional aumentou 660% no recorte temporal de 2005 a 2019. Entre os 10.000 idosos encarcerados encontram-se as mulheres idosas, que, na maioria das vezes, são mães, esposas e avós. A vida no cárcere é bastante desafiadora, pois a baixa representatividade em um sistema construído para homens contribui para sua invisibilidade e dificulta o acesso a direitos. A esse contexto, somam-se as influências e modificações que ocorrem no universo social e político. Dentre essas mudanças, merece destaque a Pandemia da COVID 19 com a suspensão das visitas as unidades prisionais e, em consequência, o distanciamento entre as avós e seus netos. A separação dificultou esse relacionamento e trouxe repercussões à saúde mental e física dessas mulheres. Diante disso, a Psicogerontecnologia busca compreender sistemicamente a pessoa idosa em desenvolvimento, na interface com a elaboração de estratégias que possibilitem o uso das tecnologias, a fim de proporcionar maior qualidade de vida e saúde mental a essas pessoas. Em consequência do momento atual, faz-se necessário discutir ações e políticas públicas que possam ser implementadas em prol da manutenção desses vínculos em contexto prisional.
Os pais como mediadores do relacionamento avós e netos
Rodrigo de Oliveira Aureliano (Uni. Católica de Pernambuco); Cristina Maria de Souza Brito Dias (Uni. Católica de Pernambuco)
Resumo: A maior permanência, em função da longevidade, no papel de avós tem suscitado a pesquisa e a observação das relações entre avós, netos e pais. Dessa forma, esta pesquisa teve como objetivo geral fazer uma análise intergeracional fundamentada na mediação dos pais frente ao relacionamento entre avós e netos. Especificamente, buscou-se identificar as práticas da mediação dos pais na interação entre avós e netos; analisar quem toma a iniciativa desta interação; compreender como os pais percebem a influência dos avós na vida dos netos; identificar como a mediação sofre alterações à medida em que os netos crescem; além de captar se ocorreram conflitos nesta relação e, quando existiram, perceber como foram resolvidos. Adotou-se como referencial teórico para compreensão destes fenômenos a Teoria Geral dos Sistemas de Ludwig Von Bertalanffy, complementada pelos pensamentos sistêmicos novo paradigmático e complexo de Edgard Morin e Maria José Esteves de Vasconcellos, bem como a literatura científica produzida sobre o relacionamento avós e netos. Como instrumento da pesquisa, foram utilizados um roteiro de entrevista semiestruturado e um questionário sociodemográfico, elaborados pelo pesquisador e respondidos por 07 (sete) pais, heterossexuais, casados, de ambos os sexos, de camada social média, de diferentes faixas etárias e cujos avós não coabitavam com os netos. Os resultados foram analisados por meio da Técnica de Análise de Conteúdo Temática, composta por uma pré-análise, exploração do material, tratamento dos resultados obtidos e interpretação. Os principais resultados da pesquisa apontam: 1) a importância dos avós nas diferentes fases de desenvolvimento dos netos, na perspectiva dos pais, além dos cuidados, como na transmissão de saberes e manutenção do legado familiar; 2) o relacionamento e as atividades realizadas entre avós e netos fortalecendo os vínculos de amizade, solidariedade e confiança; 3) o aprendizado que se produziu gerando trocas entre avós e netos de forma multilateral, como na utilização de ferramentas de comunicação, no aprendizado de jogos e atividades lúdicas além da transmissão cultural e religiosa; 4) como foram resolvidas as dificuldades porventura existentes nesse relacionamento, apresentadas nas questões de autoridade, regras e padrões de comportamento, inclusive no lidar com as questões de preferencias tanto em relação aos netos como aos avós; 5) as mudanças no relacionamento que ocorreram na medida em que os netos foram crescendo, que na perspectiva dos pais passa a ser mantido pelos netos de forma autônoma; 6) o significado e importância dos pais como mediadores neste relacionamento, como elo entre gerações. Espera-se com esta pesquisa dar visibilidade à mediação dos pais, que ainda é pouco observada nos estudos intergeracionais.
Palavras-chave: família; intergeracionalidade; pais; netos; avós.
Avós e netos/as adultos/as jovens: como se dá essa relação?
Cirlene Francisca de Sales da Silva (UNICAP); Cristina Maria de Souza Brito Dias (UNICAP); Daniely da Silva Dias Vilela (UNICAP)
Resumo: A presente comunicação, tem como objetivo geral compreender os modos como acontecem as relações entre avós idosos/as e adultos/as jovens, a partir de suas próprias perspectivas. E, como objetivos específicos: 1) Descrever as características da relação entre eles; 2) Analisar como percebem a influência entre si; 3) Descrever os fatores positivos e/ou negativos presentes na relação; 4) Indicar, a partir da percepção dos participantes, o que pode ser realizado para facilitar a relação. O referencial teórico empregado para a compreensão do fenômeno foi o Pensamento Sistêmico. Utilizou-se para analisar o estudo, o método qualitativo, de coorte transversal e com uma amostra por conveniência. Os instrumentos para a coleta de dados constaram de um questionário sociodemográfico e um roteiro de entrevista semiestruturado, que foram respondidos individualmente em momentos e locais diferentes, pelas díades compostas por avós e adultos/as jovens; além do grupo focal, que foi realizado em uma única sessão. Os resultados foram avaliados através da Técnica de Análise de Conteúdo Temática, composta pela pré-análise, exploração do material, tratamento dos resultados obtidos e interpretação. As principais conclusões foram: 1) houve a percepção de distanciamento entre as gerações, o que corrobora com a literatura, embora exista um membro de cada grupo, com o qual se tem mais proximidade; 2) entre os que vivenciam uma relação mais próxima, existe uma influência mútua; 3) bem como fatores positivos e negativos na relação, como exemplo de positivos: a atenção, cuidado, carinho, aprendizado, confiança, entre outros; e negativos: a falta de tempo do/a jovem, o uso da tecnologia, a distância geográfica, religião, questões familiares (tensões e conflitos), entre outros; 4) as estratégias citadas pelos participantes para facilitar a relação foram: conviver mais tempo, o/a jovem dedicar mais tempo à relação, procurar se compreender e respeitar as diferenças, dentre outros. Destacou-se ainda, que há uma carência de estudos sobre o relacionamento entre avós idosos/as e netos/as adultos/as jovens; outro achado interessante foi a maior parte dos participantes terem preferido os avós paternos e uma maior proximidade entre avós-netos(as). Conclui-se, a partir dos resultados elencados, que para minimizar o distanciamento entre as gerações, ou seja, “aproximar os que estão mais distantes”, faz-se necessário, como medida mais imediata, a implantação de Programas e encontros intergeracionais, que contribuam para promover a aproximação entre as gerações. Por outro lado, é premente ensinar às pessoas, desde a infância, a respeitar, acolher, compreender, cuidar e amar a pessoa idosa, dada a vulnerabilidade na velhice. Sendo ideal esses ensinamentos transporem os muros domésticos e fazerem parte do currículo escolar, no afã de desconstruir o estigma social da maioria das sociedades ocidentais, que coloca a pessoa idosa no lugar de descartável e peso social. Por fim, espera-se dar visibilidade social e científica à importância do relacionamento entre essas gerações, fornecer subsídios teóricos e práticos aos profissionais que trabalham com esse público, incitando ao aprofundamento de pesquisas acerca das questões levantadas, no afã de contribuir para a solidariedade intergeracional.
Palavras-chave: Avós Idosos/as; Netos/as adultos/as jovens; Intergeracionalidade.
Guardiões da oralidade: avós contadores de histórias e sua importância para o desenvolvimento infantil
Alana Evellyn da Silva Almeida (UFPB), Ester Balbina Barbosa (UFPB), Wendrielly Sousa da Silva (UFPB), Victor Flávio Alves Palma (UFPB), Adriana Pereira Lopes (CREI/JP), Maria Teresa Barros Falcão Coelho (UFPB)
Resumo: A contação de histórias realizada pelos avós fortalece os laços afetivos com os netos, ao promover a coeducação, ou seja, a troca de experiências entre as gerações. Atualmente, devido às medidas protetivas para o enfrentamento da pandemia, vivencia-se em graus diferentes o distanciamento social, o qual tem impactado as relações familiares. Diante da complexidade desse cenário pandêmico, torna-se cada vez mais relevante reconhecer e valorizar a intergeracionalidade, ao promover momentos de interação por meio da contação de histórias em família. Nesse sentido, os avós assumem um papel muito importante ao partilharem suas experiências de vida e ao contarem histórias, possibilitando um resgate das tradições culturais e incentivando os netos a participarem das narrativas orais. Este trabalho visa relatar os resultados da ação de extensão intitulada Semana dos Avós, proposta pelo projeto Contação de histórias: promovendo a imaginação infantil e a formação docente, que tem como um de seus objetivos promover a contação de histórias para as crianças como um recurso que potencializa o seu desenvolvimento. O projeto faz parte do programa de extensão da Universidade Federal da Paraíba/Brasil e conta com uma equipe com dez integrantes, entre discentes e docentes. A Semana dos Avós foi planejada e vivenciada com o objetivo de estabelecer trocas com as famílias das crianças atendidas pelo projeto e incentivar a valorização da contação de histórias entre avós e netos. Para tal, foram realizados estudos sobre a importância da contação de histórias nos contextos familiar e escolar para o desenvolvimento da oralidade, imaginação e afetividade infantil, visto que, a contação de histórias contribui com o processo de ampliação do vocabulário e desenvolve habilidades cognitivas, sociais e emocionais da criança. Além dos estudos teóricos sobre a temática, realizaram-se entrevistas com cinco avós contadores de histórias, com o intuito de homenageá-los e destacar suas contribuições para o desenvolvimento das crianças. Foi entrevistada também uma escritora de livro infantil e produzidos vídeos com contação de histórias pelos extensionistas, cujo enfoque foi a relação avós e netos. Todas as entrevistas, textos e vídeos foram publicados no Instagram do projeto @oficinasdecontacao, no momento com 442 seguidores. Por fim, constatou-se a partir das participações e relatos recebidos no Instagram do projeto, que a contação de histórias promove a troca de experiências entre avós e netos, ampliando os laços afetivos existentes entre eles.
Palavras-chave: Contação de histórias. Coeducação. Intergeracionalidade. Avós. Netos.
Língua e identidade: a importância do relacionamento intergeracional avós-netos nos materiais didáticos em contexto universitário
Manuela Marujo (Prof. Emérita, Universidade de Toronto, Canadá); Luciana Graça (Leitora do Camões, I.P./Universidade de Toronto, Canadá; CIDTFF).
Resumo: Esta nossa contribuição voltar-se-á para a apresentação de materiais didáticos sobre a temática dos avós utilizados em contexto universitário, no âmbito da aprendizagem de línguas, em geral, e de uma língua de herança, em particular – no caso, a língua portuguesa. Mais especificamente, e após uma breve apresentação das principais linhas teóricas orientadoras deste nosso trabalho, destacando, designadamente, e conforme já demonstrado pela investigação, a relevância indiscutível assumida pelos próprios materiais de ensino nas práticas dos professores, apresentaremos não só possíveis ideias para promover o ensino do português com o recurso a contextos e a materiais de ensino autênticos como também exemplos concretos desta mesma aplicação em sala de aula, discutindo-se as múltiplas potencialidades deste recurso.
Avós da Diáspora, a Voz da Memória: Gerações, Migração e Língua
Rosa Maria Neves Simas (Professora Emérita, Universidade dos Açores)
Participação de jovens da Diáspora Portuguesa e Brasileira nos EUA e Canadá (bilingue)
Resumo: O escritor Virgílio Ferreira já o disse, com mestria e justeza: “Uma língua é o lugar donde se vê o mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar e ouve-se o seu rumor, como da língua de outros se ouvirá o som da floresta ou o silêncio do deserto.” Embora sejam ao mesmo tempo belas e certeiras, estas palavras traduzem a realidade de uma pessoa monolingue, moldada por uma só língua, a língua materna que a acompanha ao longo da vida. Na diáspora portuguesa na América do Norte, é óbvio que o inglês é a língua materna das gerações de luso-descendentes. No ambiente familiar, porém, muitos destes jovens acabam por ter contacto com o português falado pelas gerações mais velhas, especialmente pelos avós. Que impacto tem esta experiência na construção identitária e no desenvolvimento linguístico destas gerações? Como sentem o português em contraste com o inglês? Que relação têm com os avós, com a voz da memória?
»»»»» Do português, o que veem estas gerações? Do português, o que ouvem?
The Portuguese writer Virgílio Ferreira said it with mastery and accuracy: “A language is the place from which we see the world, the place where the boundaries of our thinking and feeling are drawn. My language lets me see and hear the sea, just as the languages of others let them hear the sound of the forest or the silence of the desert.” Even though these words are both beautiful and true, they convey the experience of a monolingual person shaped by one language, the mother tongue used over a lifetime. In the Portuguese diaspora of North America, the mother tongue of generations of luso-descendants is obviously English. Within the family, however, many young people end up having contact with the Portuguese spoken by older generations, especially avós – grandparents. What impact does this experience have on the personal and linguistic identity of these generations? How do they feel about Portuguese compared to English? What relationship do they have with their avós, the voices and keepers of memories?
»»»»» From Portuguese, what do these generations see? What do they hear?