Por Diúlia Berres Godoi e Nicolle de Oliveira Capellari
Por Diúlia Berres Godoi e Nicolle de Oliveira Capellari
Júlia Lopez de Almeida (24/09/1862 - 30/05/1934) é filha de um casal de portugueses. Júlia foi uma escritora brasileira de elite, no entanto soube conciliar tradição e vanguarda no período que abrange desde a abolição da escravatura e a presidência de Getúlio Vargas. Além de ser escritora, Júlia também foi jornalista, cronista, romancista, contista, novelista, ensaísta, conferencista, tradutora, militante feminista, bem como dramaturga. Foi uma das idealizadoras da Academia de Brasileira de Letras.
Por Diulia Berres Godói e Nicolle de Oliveira Capellari
The tale "the last ray of light" is narrated by a woman who tells about her youth. She says she still remembers the last ray of light that hurt her pupils.The girl says it's May and that her bedroom window faced the sea and there was a frame of yellow roses, she was fifteen. The girl had a serious vision problem so a doctor went to her house every day to see her eyes, and spent a lot of time talking to her mother about the disease.She describes the doctor as a gentle and handsome boy, and the girl falls in love with him. But she was only 15 years old, she still says "For him I was just a child, a flower that was barely blooming and sad". For her, he was everything! One day the doctor covered her vision with a dark handkerchief, and told her not to remove the handkerchief, and if she did, she would be blind. Obeying him was an immense happiness. And so she spent a few days motionless, hands folded. With the lack of vision, her hearing became much more acute and she imagined all the scenes reconstructed. On a certain day she feels the warmth of the sun, the scent of roses and then she thinks “Oh if I could run in the sun! Picking flowers for my beloved, singing happy songs that the sea view would inspire me, how good it would be, how good it would be ”! But for fear of disobeying the doctor she squeezed her hands more and more, started praying, very softly, but she is interrupted when she overhears a conversation in the garden, she gets up and gropes up to the window. Then she hears the voice of the doctor and her older sister. Which talked about love, to each other. The girl thought it was an illusion of her head and to be sure she removed the scarf from her eyes, and saw only the sun and nothing else, it hurt her eyes and so she lost her vision.
Por Ingrid Maiquéli Lazarotto e Karlin Schmidt
Por Alisson Weslley Vogt, Karen Thaís Dhein e Lucas Reis
Ânsia Eterna foi um livro publicado em 1903, com um total de 30 contos excepcionais de Júlia Lopes de Almeida, sendo eles de temática variada. Porém com maior ênfase no mundo feminino, com o acompanhamento de abuso, assédio, insanidade e suicídio, esse livro faz parte das listas de muitos vestibulares renomados.
São contos que estão ligados à inadequação das personagens femininas naquele período, pois as mesmas estavam bem longe de conseguir conquistar seus desejos e objetivos, pelo fato de não viveram a vida de maneira intensa, mas de uma forma como a sociedade molda o sexo feminino, mais especificamente, como a figura masculina desejava. A obra não virou filme, mas gerou comentários e ganhou repercussão pela maneira como a escrita de Júlia foi atravessada pelas tendências realistas e naturalistas no final do século XX. A escritora, definitivamente, escreveu e deu sua opinião a respeito das más regras que pautavam o lugar da mulher perante a sociedade, relações amorosas e matrimônio.
Feminicídio, assédio e abuso sexual no Brasil
Em um dos contos chamado “O caso de Ruth”, a protagonista da história vivenciou um abuso sexual dentro de sua residência e negou-se a revelar para sua mãe e para a avó. No Brasil, a cada 11 minutos ocorre uma violação sexual contra mulheres brasileiras ou não, esse estudo indica que o Brasil é o 5° país no mundo com maior índice de estupro.
Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2011 e 2017, o Brasil registrou um acréscimo 3% nas notificações gerais de violências sexuais contra crianças e adolescentes, nesse período foram notificados 184.524 casos de violência sexual, sendo 58.037 (31,5%) contra crianças e 83.068 (45,0%) contra adolescentes.
Por Evelin Alessandra Busa, Helen Caroline Marx e Ingrid Maiquéli Lazarotto
(A DONA DA CASA E AS AMIGAS ESTÃO TOMANDO UM CHÁ NO QUINTAL E CONVERSANDO, O JARDINEIRO ESTÁ POR PERTO CUIDANDO DAS FLORES, E AS MOÇAS O OBSERVAM)
Amiga 1: - Olhe -aponta para o jardineiro-, um homem de feio aspecto, tem um olhar sombrio e desconfiado, este sujeito compromete a tua casa, se queres um conselho, põe-no fora!
(SE ENTREOLHAM E OBSERVAM O JARDINEIRO)
Amiga 2: Tu tens uma casa tão grande e bonita, bons empregados….
(FAZ UMA PAUSA, CONTINUAM OLHANDO PARA O JARDINEIRO)
Amiga 2: Encontre alguém que não seja hediondo como este indivíduo, ele me traz calafrios, não te deixa estremecida?
Dona: Ele é um homem de feitio esdrúxulo, tem a pele avermelhada e é coberto de pelos eriçados, mas…(pausa) pobre homem! tens uns modos de animal bravio, mas não os tinha de certo por culpa sua! Ele cuida tão bem de minhas flores!!
(EM OUTRO DIA, A DONA DESCE AO JARDIM)
No pensamento de dona:
“Desci ao jardim, que crepúsculo aquele! No céu, esgarçado de nuvens, a lua, em foice, brilhava já, e com tamanha doçura, que dava vontade à gente de não fazer outra coisa senão olhar para ela! Havia também no ar, transparente e calmo, tal delicadeza de colorido, que a minha alma ficaria nela estática, se os olhos, percorrendo tudo, não vissem logo a infinidade de rosas, que as minhas roseiras prometiam.”
(DIALOGAM)
Dona: Quantos botões, Mãe do Céu!!
Jardineiro: - Tudo isto abrirá esta noite.. Amanhã haverá centenas de rosas no jardim!
no pensamento de dona: a minha fantasia desencadeou-se. Centenas de rosas frescas, todas abertas, deveriam dar uma graça nova àquele recanto, pouco acostumado a semelhante fartura de flores.
Dona: - Eu mesma quero colhê-las ainda frescas de orvalho, mandarei um ramalhete a minha mãe, cobriria de rosas a sepultura de minha filha, encheria de rosas a minha casa…
(ELE SE CURVA EM OBEDIÊNCIA)
Dona em pensamento:
“Talvez tenha usado uma forma imperativa e severa, pouco comum em mim, mas só disse a este medonho e hirsuto jardineiro, que não tocasse em nenhuma flor, e ele somente se curvou em obediência!”
(...)
“Nessa noite, deitei-me cedo, preparando-me para madrugar no dia seguinte, logo peguei num sono doce e tranquilo.”
(...)
“Acordei um pouco antes das seis horas, e na prontidão, já estava no jardim. Como quem desperta de um sonho, apatetada, olhei à roda e só vi folhas…. folhas e mais folhas verdes! Nem uma flor!!”
(OLHAVA PELO JARDIM E PROCURAVA O JARDINEIRO)
No pensamento de dona:
“ Chamei pelo jardineiro e ele veio, mas com tal jeito e tão demudadas feições, que tive medo. Com os olhos vermelhos, a barba áspera, longa e ruiva, e nos grossos braços tisnados tinha sinais fundos de unhadas…”
Dona: - As minhas rosas?! - assustada, disse ao jardineiro.
Jardineiro: - Estão aqui! - apontou para o quarto dele.
No pensamento de dona:
“O que quererá ele? estaquei. Lá não entrarei!
Jardineiro: - Se não quiser entrar, olhe daí.
No pensamento de dona:
“Encostei-me ao umbral para não cair. No meio do quarto, sob uma avalanche de rosas perfumadíssimas, entrevi o corpo de uma mulher.”
Jardineiro: - Era minha filha… um dia abandonou-me, correu por esse mundo… Esta noite, veio bater ao meu portão, muito chorosa…. que o amante lhe batera… ouviu bem, senhora?! Quis fazê-la jurar que desprezaria agora esse bandido, para viver só no meu carinho… só no meu carinho! Eu havia de tratá-la com todo o mimo, como se fora uma criancinha.. Fiz-lhe mil promessas, de joelhos, com lágrimas… Sabe o que me respondeu, a tudo?! Que amava ainda o outro! Cego de raiva, matei-a! Ah! Matei-a e não me arrependo… Antes morta por um pai honrado do que batida por um cão qualquer… Depois de morta… achei-a linda, linda! Mas, coitadinha! Vinha miserável, quase nua… tive pena, e para fazê-la aparecer bem a Nossa Senhora, vesti-a de rosas!
Por Kailane Etges Kessler e Kelly Beatriz Lipreri
Jardineiro
Dona
Filha do jardineiro
Amiga
Amiga
Respectivamente por Wellynton Specht Goldmeier, Karlin Schmidt, Kelly Beatriz Lipreri, Kailane Etges Kessler, e Tamires Backes Brand.
O medo de perder o filho ou filha é um dos principais motivos que faz com que os pais desviem seu relacionamento. Alguns pais têm padrões preestabelecidos que custam a ser mudados.
Sabemos que hoje há muito preconceito, muitos pais não aceitam se o namorado(a) tiver uma grande diferença de idade, cor, classe social diferente ou por outros motivos. Com o tempo muitos pais aprendem a lidar com essas situações e conhecer o verdadeiro lado da pessoa que está com seu filho(a). Os pais, muitas vezes, mesmo que os filhos estejam crescendo, querendo se tornar mais independentes, ainda não estão convencidos de que estão prontos para deixarem seus filhos voar sozinhos, ou com um companheiro do seu lado. Para esses filhos, a saída mais inteligente é fazer com que os progenitores conheçam melhor o parceiro(a) e vejam que ambos estão maduros para assumir o relacionamento.
Muitas mulheres hoje sofrem com abuso dentro do relacionamento, e é aí que os pais deverão se posicionar e dar sua opinião. Sabemos que muitas mulheres têm medo de falar sobre o abuso que sofrem, em geral por serem pressionadas pelo companheiro para não contar nada. Mulheres que passam por isso e não terminam o relacionamento são muito julgadas pela sociedade, como sendo mulheres burras, que não sabem se valorizar e muitos outros julgamentos. Nesses momentos é que o amor fala mais alto, muitas mulheres apanham, mas continuam com seus companheiros porque os amam, lembram dos momentos bons que tiveram não só dos ruins, por mais que bater em mulher seja um crime, devemos pensar na situação que cada uma passa além disso.
Bater em mulher é crime, mas julgar uma pessoa sem saber o que realmente acontece na vida dela, muitas vezes machuca mais. Uma mulher sábia, procura sua felicidade, seu prazer e realização pessoal antes e, acima de tudo, procura manter a harmonia nas relações de família, amigos e amores, manter a paz e a alegria a sua volta. Toda mulher gosta de ser amada, valorizada e respeitada independente de tudo o que ela passa, dentro ou fora de um relacionamento.
Encontramos então a questão: como os pais podem ajudar as filhas a lidar com relacionamentos abusivos? Devem se intrometer? Quais são os limites? Em um dos contos do livro Ânsia Eterna, um pai mata a filha para não deixá-la voltar a um relacionamento abusivo com seu parceiro. Cruel. Evidentemente trata-se de ficção, mas a realidade se impõe: silenciar diante dos abusos que os filhos/as sofrem pode significar também, deixar que sejam mortos. O amor não mata, esse deve ser o primeiro ensinamento entre pais e filhos.
Por Vitória Berti
Vestibular da UFSC em 2021
Prova de literatura e língua portuguesa da UDESC
“As britânicas quebraram vitrines e patrimônios, sabotaram serviços públicos e chegaram até a realizar atentado com bomba diante da resistência do governo.” (PINHEIRO,2019, P.1)
As mulheres sabiam que tinham direitos, assim queriam obtê-los, desta forma, passou a ser criado em 1903 um movimento que ficou conhecido como movimento Sufragista, pois, até a época, as mesmas só “serviam” para cozinhar, limpar, reproduzir e educar, ou seja, as mulheres não possuíam o direito de expor sua opinião e muito menos de produzir uma obra. Após apoiarem o país durante a Primeira Guerra Mundial, conseguiram o direito ao voto, assim foram conquistando sua liberdade e seus privilégios pouco a pouco.
Um dos contos da obra Ânsia Eterna que chama muito a atenção do leitor é o conto “A Caolha”, este relata sobre uma mulher que não tinha muita higiene e seu corpo era bem deformado, conforme o trecho a seguir
Não bastasse a descrição anterior, a mulher possuía o olho esquerdo para fora, fato que logo identificava o seu apelido. Era de origem pobre e morava em uma casinha com seu filho, que, quando pequeno, comia no mesmo prato. O filho se chamava Antonico, quando passou a frequentar lugares públicos, sofreu muito com o bullying, por onde ele passava as pessoas dizem “lá vem o filho da caolha”.
Um dia, Antonico encontrou uma menina, eles aparentavam estarem apaixonados. Porém, a moça fala que Antonico teria que se mudar de casa, pois era conhecido como filho da caolha e se eles se casassem ela seria conhecida como nora da caolha. O moço então resolveu se mudar da casa de sua mãe e ela chorou muito por saber que seu filho havia se mudado dali por sua causa. No dia seguinte, Antonico foi ter uma conversa com sua madrinha para saber o motivo de sua mãe ter uma deformação, eles foram até a casa da caolha, onde soube que foi responsável por furar o olho da progenitora com o garfo quando pequeno.
Este conto chama muita atenção, uma vez que algumas pessoas não gostam das mães ou das mulheres como elas realmente são, sem se dar conta de que, talvez, as cicatrizes que elas possuem foram por sua causa e pelas cidadãs batalhadoras e corajosas que foram até o momento.
O sexo feminino no século XXI, ainda vive inúmeros casos de opressão, apenas por serem mulheres, as mesmas buscam padrões para que a sociedade as aceite como bonitas e suficientes. Devem se vestir com roupas “adequadas” para não serem abusadas e oprimidas pelo sexo oposto, isto é um ensinamento que até as avós repassam. Percebemos que ainda vivemos repasses de uma sociedade medieval, onde a objetificação da mulher ainda é considerado algo totalmente normal.
Hoje, graças ao feminismo, as mulheres já conquistaram inúmeros direitos, mas ainda precisam lutar muito para vencer o preconceito de exercer tal cargo, a violência doméstica, que é praticada na maioria das vezes por pessoas que dizem “amá-la”, ou seja, como no conto da Caolha, violência cometida por quem deveria amar e proteger, sejam os filhos ou maridos/companheiros.
Dentre os vários direitos conquistados pelas lutas feministas destaca-se o direito ao estudo, ao voto e ao trabalho remunerado. A mulher deve ter o direito de seguir a profissão que tem vontade, sem nenhum preconceito, bem como ter o trabalho doméstico reconhecido, e, quem sabe um dia, remunerado ou realmente dividido com o parceiro e as demais pessoas da casa, a quem, infelizmente, essas mulheres ainda servem.
Alguns contos do livro de ânsia eterna tiveram algumas modificações propostas pela autora Verônica Berta, esta deu mais vida para os contos “Ânsia eterna”, “Caso de Ruth” e “A caolha”, todos apresentam a temática da violência contra a mulher, este, presente cada vez mais na sociedade atual.
Por Helen Caroline Marx e Vanessa de Barba
A primeira entrevistada desta 1ª edição do Jornal Literário Eduarda Vogt, ela é estudante do IFSC, Campus de São Miguel do Oeste, e tem 16 anos. Fizemos algumas perguntas sobre o objetivo e o aprendizado do livro.
Por que você teve interesse em realizar a leitura do livro?
Li somente por curiosidade.
Qual conto chamou mais a sua atenção? E por quê?
O conto que mais achei interessante foi "o caso de Ruth". Gostei pois Ruth, a personagem, derruba o estereótipo de moça frágil e indefesa que lhe era concedido, e embora no papel de vítima, ela provou sua resistência ao poder masculino, em pensamento, em discurso e em ação. Enquanto Eduardo continua com a ideia de que nada é mais importante do que sua honra, pois até mesmo morta a noiva poderia ferir seu ego. Demonstrando que as diferenças ainda são fortes, mas muitas vezes disfarçadas e perpetuadas em discursos que alegam que essas distinções são inerentes às diferenças de gênero.
Em sua opinião os problemas que ocorrem durante os contos, ainda estão presentes no século XXI? Quais são os mais comuns?
Os contos são muito interessantes, pois trabalham com concepções que englobam não só o suspense mas, essencialmente, o grotesco, destacando questões trágicas que invadem o senso de realidade, mostrando um lado mais atrevido, sem se afastar do objetivo, trazendo questões sociais e morais em grande parte da obra, principalmente questões que continuam muito presentes em nosso meio voltadas para o universo da mulher, como o abuso, assédio, loucura, suicídio, racismo e mais.
A segunda entrevistada é Maria Eduarda Ghilardi, ela também é estudante do IFSC, Campus de São Miguel do Oeste, e tem 18 anos. Fizemos o mesmo questionário para ela.
Por que você teve interesse em realizar a leitura do livro?
Eu li o livro pois tive que fazer um trabalho da escola.
Qual conto chamou mais a sua atenção? E por quê?
O conto ‘OS PORCOS’ foi o que me chamou mais a atenção, pois mostrou como uma mulher é julgada pela sociedade. A protagonista do conto após engravidar do seu amante, foi expulsa de casa e mandada embora da vida da sua família e do pai da criança, caso contrário matariam as duas.
Em sua opinião os problemas que ocorrem durante os contos, ainda estão presentes no século XXI? Quais são os mais comuns?
Pelo que eu me lembre o patriarcado e o preconceito contra as mulheres na sociedade estava muito presente nos contos e em pleno século XXI isso não muda muito.
A terceira entrevistada é Vanessa Pott, ela é estudante da Escola de Educação Básica Padre Vendelino Seidel, em Iporã do Oeste e tem 18 anos.
Por que você teve interesse em realizar a leitura do livro?
Em primeiro lugar, por se tratar de um dos livros escolhidos para a edição do Café Literário “O sabor da leitura” deste ano, mas talvez principalmente e/ou também por ser uma das leituras obrigatórias da proposta mais recente do vestibular da UFSC, o qual eu pretendo prestar, ademais, o fato de ser um clássico, uma das obras necessárias sobre observações acerca do cenário brasileiro de cunho social crítico na época, onde já se havia uma busca por uma revolução feminista.
Qual conto chamou mais a sua atenção? E por quê?
Logo de início, o que abre o livro já é atraente, assim todos em sua maioria/ de modo geral, mas certamente para mim foram: o conto intitulado de “OS PORCOS” e “O CASO DE RUTH”. Ambos se encontram ao começo do livro, mas lendo-o todo ainda definitivamente são e tem sido os que mais me marcaram, quais a minha memória insiste em não esquecer, pelo fato da grosseira realidade que apresentam, seja pelo preconceito ou dualidade de interpretação até a banalização de época para com moças virgens ou mulheres pretas, cujas eram violadas pelos padrastos, pais ou padres, patrões e seus próprios filhos homens que seguiam o exemplo e feito o pai tratavam com selvageria nojenta as mulheres de sua vida, ato que enoja muito mas que era de caráter comum, intrínseco na sociedade ou âmbitos familiares do passado, tendo continuidade ainda dentro da atualidade. A moça negra de “OS PORCOS” rejeitada por engravidar antes de um casamento, ainda por cima do filho do patrão, negada pelo próprio amante rico e seus familiares obviamente, como ainda o desgosto e vergonha de quem não a criou para ficar dando por aí feito uma puta mulher promíscua, juntamente dos demais julgamento de uma sociedade inteira sobre essas mulheres, sempre na defesa do homem como verdadeira vítima, e para tal situação a solução encontrava-se ou na fuga de casa sozinha ou no aborto forçado sem cuidado, ou na entrega da criança ainda bebê aos porcos de criação comerem.
Em sua opinião os problemas que ocorrem durante os contos, ainda estão presentes no século XXI? Quais são os mais comuns?
A autora transcreve muito bem nesse livro a violência doméstica, o preconceito desta época, a questão do abordo, do abuso sexual por parte dos familiares ou envolvidos mais diretamente, como no trabalho por exemplo, porque os casos de abuso geralmente ocorrem assim mesmo, dentro dos lares, ou seja, a crítica principal e defesa da obra e autora é por todas essas mulheres e meninas, o empoderamento dessas, a necessidade de uma quebra de estereótipos, a eterna guerra pela queda do patriarcado, a busca por igualdade, direitos femininos mínimos. Dentre as temáticas no livro, a busca pelo feminismo está muito presente e se destaca, por ser também algo muito defendido pela própria escritora defensora social, que certamente vivenciara certas coisas cruéis inimagináveis na pele cotidianamente. Ainda tanto no ambiente urbano como no rural nota-se a luta pela forte independência feminina por conta da existência de múltiplos preconceitos contra personagens não masculinas.
Se ainda há tais problemáticas nessa sociedade brasileira de agora? Certamente. Basta analisar o número de ocorrências de casos da violência doméstica, o índice de Feminicídio que tem aumentado na pandemia, enquanto casais em quarentena, o número de pedidos de divórcio, mulheres querendo se livrar de relações abusivas mas que sofrem frequentemente chantagem emocional e lutam a favor por permanecer nos casamentos pelos filhos que tornaram-se frutos da relação, os quais não tem culpa das relações adultas serem desgraçadas, mães que aguentam todo tipo de ofensa a espancamento pelo “bem” dos filhos, para que cresçam com uma “figura familiar completa” e “não abalada por uma separação”.
Ainda há muito conteúdo pelas entrelinhas das páginas deste escrito, portanto, deixo com você para que enfrente como essas guerreiras de época enfrentaram essa construção social misógina persistente, porém, graças a tentativas incansáveis, está com certa tendência a acabar. “ E que comece o matriarcado. ”
Por Tamires Backes Brand e Daniela Gilvane Rech Zillmer
O conto A Rosa Branca, extraído do livro Ânsia Eterna, livro do vestibular da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), relata a história de Ignez e os sentimentos que ela tinha pela sua avó.
No decorrer do conto, a avó se mostra muito indiferente para com a Ignez, e um amor intenso por Ângela, a neta que se parecia com a família Henriques. De fato, a avó gostava mais da neta mais velha por ser parecida com a família do marido, questões de patriarcado podem explicar essa preferência.
Ignez por sua vez, acaba se humilhando para chamar a atenção da avó, implorando pelo seu amor e carinho. Hoje essa situação pode ser comparada com a síndrome de Estocolmo (quando a pessoa é intimidada ou abusada por muito tempo ela passa a ter simpatia pelo seu abusador), relações assim são muito comuns hoje em dia, e por mais incrível que pareça, acontece dentro de famílias demasiadamente tradicionais.
No desenrolar da história, Ângela vai para um colégio e brinca ao dizer para a avó que todos os dias ao amanhecer teria uma rosa branca no oratório e que se a rosa branca não aparecesse ela teria morrido.
Ignez para proteger a avó de um sofrimento grande, passa a recolher uma rosa branca, a cada manhã e deixa-la no oratório para evitar o sofrimento que causaria na avó pensar que sua adorada Angelita teria ido fazer companhia aos querubins. Ignez, sem saber o que fazer para agradar a avó, se humilhava cada vez mais, ao invés de buscar o amor próprio e entender que não era necessária tanta humilhação e sofrimento. Se alguém te despreza, não merece o teu amor e a tua preocupação.
Por Rosana Marx Maioli
Padre Júlio
Conto: Sob as estrelas
Ruth
Conto: O caso de Ruth
Jardineiro e sua filha
Conto: As Rosas
O Porco e Umbelina
Conto: Os Porcos
Por Diúlia Berres Godoi, Luiza Kerber e Tamires Backes Brand
Conto: Valsa da Fome
Por Estéfani Jaini Antunes e Vanderléia Colling
Conto: Os Porcos
Por Diúlia Berres Godoi
Conto: A Morte da Velha
Por Maria Fernanda Sommer Campagnolo Antunes
Apesar da obra Ânsia Eterna trazer temas bem complexos e de muita reflexão social, buscamos transformar algumas passagens em humor para vocês, leitores, se divertirem. CONFIRAM A SEGUIR!!!
Por que o cravo brigou com a rosa? Porque ele pegou ela deitada junto da filha do jardineiro!
Qual é a diferença entre o gato e o porco? O cardápio do gato não inclui bebês!
Por que o padre Júlio pode ter um caso às escondidas? Porque só Deus sabia!
Ainda bem que Eduardo decidiu perdoar a Ruth, porque assim ela pode se suicidar em paz.
Umbelina era babá, mas não brincava com as crianças, e sim com o patrão, de papai e mamãe.
Por Arthur Luiz Bauermann, Bruno Lucas Bisolo e Lucas Reis
1. A velha fechou os olhos e esperou a ___________________?
2. Quem ficou para trás no incêndio? ___________________.
3. Qual era o nome da doença que Luciano tinha? ____________.
4. Quem estendeu a mão para a velha, para retirá-la da casa? ________.
5. “Não se lembra que mal me dá o ordenado para sustentar as quatros ____________ e nós?”
6. Qual era o nome do irmão da velha? _________.
7. O irmão da velha se mudou para rua do __________.
8. As filhas de Luciano, perderam a mãe e então foram criadas pela tia ________.
9. A velha com o falecimento de seu marido, virou ___ú___.
10. Qual objeto de ouro tia Amanda mandou a loja de penhores?_______.
Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida (24 de setembro de 1862 — 30 de maio de 1934) foi uma escritora, cronista, teatróloga a abolicionista brasileira.
O volume é uma coletânea de contos publicados pela autora em 1903, que foi composta originalmente por trinta estórias curtas. O livro foi reeditado com alguns acréscimos e supressões na década de 1930.
Entre os dias 30 de maio e 3 de junho de 2018, Ânsia Eterna foi lançada em sua versão HQ no Beco dos Artistas, no FIQ, em Belo Horizonte/MG.
Em 2019, 116 anos depois da publicação original, o Senado lançou mais um volume do livro com a presença do neto da escritora, o arquiteto Cláudio Lope.
Júlia Lopes de Almeida integrava o grupo de escritores e intelectuais que planejou a criação da ABL. Seu nome constava da primeira lista dos 40 imortais que fundariam a entidade. Na primeira reunião, porém, seu nome foi excluído. Os fundadores optaram por manter a Academia exclusivamente masculina. Apenas em 1977 a ABL elegeu a primeira mulher imortal, Rachel de Queiroz.
7 erros
Cruzadinha
Caça Palavras
Cruzadinha, caça-palavras, os 7 erros e curiosidades por Bruna Correa, Daniela Gilvane Rech Zillmer, Ellen Cristina Nottar, Maria Fernanda Sommer Campagnolo Antunes