Por Júlia Flach
Por Júlia Flach
Por Gabriel Kirch e Thamyris Victoria Welter
PERSONAGENS(QUEM): SEVERINO (NARRADOR E PERSONAGEM PRINCIPAL) MESTRE CARPINA, MULHER DO MESTRE CARPINA E SEU BEBÊ, MULHER DONA DE TERRA, MULHER RETIRANTE DA ESTRADA, MULHER VIÚVA DE VÉU PRETO, fILHA DA MULHER VIÚVA, FILHO 1 E FILHO 2 DA MULHER VIÚVA.
ESPAÇO (ONDE): SERTÃO DE RECIFE ATÉ PERNAMBUCO (CAPITAL)
ENREDO (O QUE): VENDO A SITUAÇÃO DA SECA EM SUA REGIÃO, SEVERINO DECIDE IR PARA A CAPITAL DO ESTADO EM BUSCA DE UMA VIDA MELHOR.
1ª PARTE
O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI
— O meu nome é Severino, como não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias.
(APARECE SEVERINO, MALTRAPILHO E COM UMA TROUXA DE ROUPAS ANDANDO PELA ESTRADA)
Narrador: Severino encontra homens carregando um defunto dentro de um pano enrolado e pergunta sobre isso, os mesmos respondem:
Severino: - Quem é que vai aí, amigos?
Carregadores: - Apenas um defunto de nada, que viaja há muitas horas, chamava-se Severino Lavrador, foi morto onde a Caatinga é bem seca.
Severino : E foi morrida essa morte, ou foi matada?
Carregadores - Até que não foi morrida, esta foi morte matada, numa emboscada.
morto a bala.
Severino: - Somos todos apenas defuntos, nessa terra de ninguém!
Carregadores: - Desculpe, mas a terra apenas não é nossa, mas dono tem! Veja, pois, esse infeliz que aqui carregamos, agora finalmente vai ter sua terra.
(TERMINADO O ENTERRO O RETIRANTE SEGUE SEU DESTINO)
2ªPARTE
O RETIRANTE TEM MEDO DE SE EXTRAVIAR POR SEU GUIA, O RIO CAPIBARIBE, CORTOU COM O VERÃO(ESTÁ SECO)
Severino: - Antes de sair de casa aprendi a ladainha das vilas que vou passar na minha longa descida. Sei que há muitas vilas grandes, cidades que elas são ditas sei que há simples arruados, sei que há vilas pequeninas, todas formando um rosário cujas contas fossem vilas, de que a estrada fosse a linha. Devo rezar tal rosário até o mar onde termina, saltando de conta em conta, passando de vila em vila.
(Severino anda mais um pouco e se depara com o rio cortado)
Severino: Pensei que seguindo o rio eu jamais me perderia. Ele é o caminho mais certo, de todos o melhor guia. Mas como segui-lo agora que interrompeu a descida? Vejo que o Capibaribe, como os rios lá de cima, é tão pobre que nem sempre pode cumprir sua sina.
3ª PARTE
CANSADO DA VIAGEM O RETIRANTE PENSA INTERROMPÊ-LA POR UNS INSTANTES E PROCURAR TRABALHO ALI ONDE SE ENCONTRA
Severino: - Desde que estou retirando só a morte vejo ativa, só a morte deparei e às vezes até festiva só a morte tem encontrado quem pensava encontrar vida, e o pouco que não foi morte foi de vida severina (aquela vida que é menos vivida que defendida, e é ainda mais severina para o homem que retira).
ENTÃO APARECE A SENHORA QUE MORAVA NO LOCAL ONDE SEVERINO SE ENCONTRA, NA HORA A SENHORA JÁ RESPONDE:
Mulher dona de terra: -Trabalho aqui nunca falta para aqueles que procuram, infelizmente o trabalho é muito limitado, a terra é muito árdua para ser lavrada, não se tem pedra para amassar, não se tem locais suficientes para se trabalhar nos engenhos. A única forma de sustento é a morte, já que é única que vem em excesso.
Severino: - Triste viver num lugar onde só a morte há!
Mulher dona da terra: - Mas é o que há, quem não quer deixar suas raízes enfrenta a morte na terra onde está plantado.
Severino: - Pois eu sigo meu caminho, porque raízes não tenho, amo um chão que não é meu, e uma terra que o próprio povo rejeitou.
(SEVERINO SE DESPEDE DA MULHER E SEGUE SEU CAMINHO)
4ªPARTE
O RETIRANTE RESOLVE APRESSAR OS PASSOS PARA CHEGAR LOGO AO RECIFE
Severino: - Nunca esperei muita coisa, digo a Vossas Senhorias. O que me fez retirar não foi a grande cobiça o que apenas busquei foi defender minha vida de tal velhice que chega antes de se inteirar trinta se na serra vivi vinte, se alcancei lá tal medida, o que pensei, retirando, foi estendê-la um pouco ainda. Mas não senti diferença entre o Agreste e a Caatinga, e entre a Caatinga e aqui a Mata a diferença é a mais mínima.
Severino: - Bem me diziam que a terra se faz mais branda e macia quando mais do litoral a viagem se aproxima. Agora afinal cheguei nesta terra que diziam. Como ela é uma terra doce para os pés e para a vista. Os rios que correm aqui têm água vitalícia.
Mulher na estrada: - Entendo bem o senhor, aqui realmente a terra é mais macia, mas não se engane, pois a vida não alivia!
Severino: - Sei que a morte anda por tudo, mas onde a terra é mais branda me cresce a esperança.
(NISSO PASSA OUTRO CORTEJO FÚNEBRE, DUAS SENHORAS E DOIS MENINOS QUE VOLTAM DO CEMITÉRIO, SEVERINO TIRA O CHAPÉU EM SINAL DE RESPEITO E SE DIRIGE AO CORTEJO)
Severino: - Meus sentimentos a vocês que do infortúnio vêm!
Velha de preto com véu na cabeça: - Agradeço pelos sentimentos, mas eu já não os tenho. Vinte anos penando para o descanso ter, essa é a vida dos pobres por aqui.
Moça que acompanha o cortejo: - Minha mãezinha muito sofreu com a enfermidade de nosso pai, vede ela meus irmãos e eu? Só osso a acompanhar. Depois de trinta anos de serviço mal pago, pouca comida e dor, hoje ele morreu!
Menino 1: - Verdade seja dita! Morreu quando nasceu, porque a nós só nos resta morrer assim que respiramos, porque o infortúnio, caro retirante, nos acompanha desde o ventre.
Severino: - Sei bem como é essa miséria do ventre, na barriga da mãe nos vem a fome. A mãe, pobre criatura, creio que é só pelas crias que não morre!
Menino 2: - Sou apenas um graveto, nesse deserto da terra, mas entendo muito bem o que da vida nos espera. Juro, eu não queria ter nascido nessa terra.
Velha de preto com véu na cabeça: -Não fale assim, menino! Teu pai que acabou de morrer bem te diria, mesmo sendo uma vida difícil, a vida é o que temos.
Severino: - Peço licença a vossa senhoria, vou seguindo o meu caminho, mas ao menino eu respondo: eu também penso assim, essa terra por vezes, é muito triste pra mim.
5ª PARTE
O CARPINA FALA COM O RETIRANTE QUE ESTEVE DE FORA, SEM TOMAR PARTE DE NADA
(SEVERINO CHEGA AO SEU DESTINO, RECIFE ESTÁ AO SEU DISPOR, MAS LÁ ELE PERCEBE A POBREZA E MISÉRIA DO POVO E SE DEPRIME, PENSA ENTÃO EM SE MATAR)
Severino: - Saí da seca pro mangue, mas a miséria me persegue. Melhor eu apressar-me a sair dessa vida.
— Nunca esperei muita coisa,
é preciso que eu repita.
Sabia que no rosário
de cidade e de vilas,
e mesmo aqui no Recife
ao acabar minha descida,
não seria diferente
a vida de cada dia:
que sempre pás e enxadas
foices de corte e capina,
ferros de cova, estrovengas
o meu braço esperariam.
Mas que se este não mudasse
seu uso de toda vida,
esperei, devo dizer,
que ao menos aumentaria
na quartinha, a água pouca,
dentro da cuia, a farinha,
o algodãozinho da camisa,
ao meu aluguel com a vida.
E chegando, aprendo que,
nessa viagem que eu fazia,
sem saber desde o Sertão,
meu próprio enterro eu seguia.
Só que devo ter chegado
adiantado de uns dias;
o enterro espera na porta:
o morto ainda está com vida.
A solução é apressar
a morte a que se decida
e pedir a este rio,
que vem também lá de cima,
que me faça aquele enterro
que o coveiro descrevia:
caixão macio de lama,
mortalha macia e líquida,
coroas de baronesa
junto com flores de aninga,
e aquele acompanhamento
de água que sempre desfila
(que o rio, aqui no Recife,
não seca, vai toda a vida)
CHEGA O MESTRE CARPINA E DIZ:
Mestre Carpina: - Severino o que faz olhando pra esse rio?
Severino: - Seu José, mestre carpina,
que habita este lamaçal,
sabes me dizer se o rio
a esta altura dá vau?
sabes me dizer se é funda
esta água grossa e carnal?
Mestre Carpina: - Severino, retirante,
jamais o cruzei a nado;
quando a maré está cheia
vejo passar muitos barcos,
barcaças, alvarengas,
muitas de grande calado.
Severino: - Seu José, mestre carpina,
para cobrir corpo de homem
não é preciso muito água:
basta que chega o abdome,
basta que tenha fundura
igual à de sua fome.
— Severino, retirante
pois não sei o que lhe conte;
sempre que cruzo este rio
costumo tomar a ponte;
quanto ao vazio do estômago,
se cruza quando se come.
Severino: -Seu José, mestre carpina,
e quando ponte não há?
quando os vazios da fome
não se tem com que cruzar?
quando esses rios sem água
são grandes braços de mar?
Mestre Carpina: - Severino, retirante,
o meu amigo é bem moço;
sei que a miséria é mar largo,
não é como qualquer poço:
mas sei que para cruzá-la
vale bem qualquer esforço.
Severino: - Seu José, mestre carpina,
e quando é fundo o perau?
quando a força que morreu
nem tem onde se enterrar,
por que ao puxão das águas
não é melhor se entregar?
Mestre Carpina: - Severino, retirante,
o mar de nossa conversa
precisa ser combatido,
sempre, de qualquer maneira,
porque senão ele alarga
e devasta a terra inteira.
Severino: - Seu José, mestre carpina,
e em que nos faz diferença
que como frieira se alastre,
ou como rio na cheia,
se acabamos naufragados
num braço do mar miséria?
Mestre Carpina: -Severino, retirante,
muita diferença faz
entre lutar com as mãos
e abandoná-las para trás,
porque ao menos esse mar
não pode adiantar-se mais.
Severino: - Seu José, mestre carpina,
e que diferença faz
que esse oceano vazio
cresça ou não seus cabedais
se nenhuma ponte mesmo
é de vencê-lo capaz?
- Seu José, mestre carpina,
que lhe pergunte permita:
há muito no lamaçal
apodrece a sua vida?
e a vida que tem vivido
foi sempre comprada à vista?
Mestre Carpina:- Severino, retirante,
sou de Nazaré da Mata,
mas tanto lá como aqui
jamais me fiaram nada:
a vida de cada dia
cada dia hei de comprá-la.
Severino: - Seu José, mestre carpina,
e que interesse, me diga,
há nessa vida a retalho
que é cada dia adquirida?
espera poder um dia
comprá-la em grandes partidas?
Mestre Carpina: - Severino, retirante,
não sei bem o que lhe diga:
não é que espere comprar
em grosso tais partidas,
mas o que compro a retalho
é, de qualquer forma, vida.
Severino: - Seu José, mestre carpina,
que diferença faria
se em vez de continuar
tomasse a melhor saída:
a de saltar, numa noite,
fora da ponte e da vida?
Mestre Carpina: - Severino, retirante, deixe agora que lhe diga: eu não sei bem a resposta da pergunta que fazia, se não vale mais saltar fora da ponte e da vida nem conheço essa resposta, se quer mesmo que lhe diga é difícil defender, só com palavras, a vida, ainda mais quando ela é esta que vê, severina mas se responder não pude à pergunta que fazia, ela, a vida, a respondeu com sua presença viva.
APARECE A MULHER COM A CRIANÇA E TERMINA TUDO.
Por Gustavo Luis Klein
Por Vanderson Schabarum
A obra Morte e Vida Severina foi escrita por João Cabral de Melo, lançada em 1955, e retrata o percurso de morte e vida do retirante Severino, narra a saída do sertão nordestino e a busca de uma vida melhor na capital do estado pernambucano.
A obra é considerada uma das mais famosas do mundo. No começo desse ano, essa obra foi anunciada no vestibular de 2020/2021 nas questões da prova de literatura brasileira na UFPR (Universidade Federal do Paraná).
A obra, de tão magnífica, se tornou também, um filme, em 1977. O filme foi dirigido por Zelito Viana, um grande sucesso Brasileiro da época. Segundo Viana, o filme teve sua exportação proibida pela censura do regime militar por conter imagens consideradas desprestigiadas para o Brasil, como a fome, o subemprego no interior do Brasil e a miséria no litoral.
Mais tarde, Morte e Vida Severina vira Desenho Animado, adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão. Segundo o site, Catraca livre, em 2010 a obra virou filme de animação, dirigido por Afonso Serpa e produzido por Roger Burdino. Quem assina a trilha sonora é Lucas Santtana. A atuação é do ator Gero Camilo dando vida ao personagem principal.
Então, há várias maneiras de ficar por dentro dessa obra tão rica e que aborda os dramas de muitos brasileiros ainda hoje, que é sair de sua terra natal e migrar em busca de novas oportunidades de vida. A TV escola passou a animação pela primeira vez. No link https://www.youtube.com/watch?v=clKnAG2Ygyw&t=50s você pode conferir a animação. Abaixo deixamos a ficha técnica e chamamos a atenção para a faixa etária da produção.
Ficha técnica
Ano de produção: 2010
Duração: 52 min.
País: Brasil
Direção: Afonso Serpa
Ilustrações/HQ: Miguel Falcão
Adaptação: obra homônima de João Cabral
Voz: Gero Camilo
Trilha sonora: Lucas Santtana
Produção: TV Escola / OZI / FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco
Público-alvo: Aluno
Faixa etária: 16-18
Área temática: Diversidade Cultural, Geografia, Literatura
Fonte: TV Escola/ Livro “Morte e vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto.
Por Geovana Cassol
Por Camili Swarosky
Morte e vida severina
A obra lançada em 1955, além de ter um título um tanto chamativo, afinal a obra fala da morte antes da vida: Morte e Vida Severina conta a história de vários filhos de Marias, com nomes de Severinos, filhos de seu Zacarias, ao fim da morte por bala emboscada ou por fome doença.
Observamos no enredo um desses Severinos, em sua caminhada, passando pelas vilas em oração a esses defuntos que morrem de morte morrida ou de morte emboscada, de vila em vila, há pequenos vilarejos junto ao defunto tentando descobrir de que morte ele foi morrer, e foi indo a sempre perguntar de que morte este defunto foi morrer até chegar ao o fim de sua viagem, no Recife.
Severino sai de sua terra para encontrar uma nova terra para trabalhar, e faz assim a caminhada do retirante nordestino, saindo da vida impossível no sertão, rumo ao litoral, o Recife, terra de mar escaldante, mas nesse caminho encontra sempre um defunto a ser enterrado em meio a louvores, cantos e rezas. Quando já está em seu destino vai descobrindo diversas formas de ter um enterro, do rio doce ao mar salgado, ao chão de lama macio confortante até ao chão de terra dura.
Tentando entender os porquês de tantos tipos de morte, vê o nascer de uma criança sem ter nada nesse mundo, sua chegada é marcada por bênçãos e presentes simples, sem luxo, algo para sobreviver a esse mundo que a espera, mas ao parecer de duas ciganas que assistiam tudo vieram uma falar "esse passará a vida preso ao manguezais, da pescaria todo sujo de lama, sem ter um futuro próspero nos olhos", já a outra cigana veio a falar "esse vai vencer a vida vai trabalhar em uma fábrica longe daqui, vai estar sujo, mas não de lama, mas sim de graxa de sua máquina, esse sim vejo o futuro nos olhos". Terminando de falar o mais sábio de todos conclui: "esse menino magro, com peso grande é um homem a ganhar a vida longe dos manguezais, vai ter a vida que todos nós quisermos um dia".
E assim a Vida vence a Morte.
O livro fala sobre a vida de miséria que há no sertão nordestino e vai até aos manguezais, a pobreza e a fome, de onde os jovens sonham sair, para ter uma vida melhor no litoral, trabalhar nas grandes fábricas, onde não precisam se importar em se sujar com a graxa. A felicidade era não ficar no sertão, de mortes sem motivos e com muito sofrimento.
Na atualidade, vivemos algo parecido com a grande pandemia do Coronavírus (SARS COVID-19), que vem matando milhares de pessoas no mundo, um total que passa de 400.121 de mortes. Se proteger é um dos principais quesitos hoje, usar máscara quando sair, passar álcool em gel sempre que chegar aos comércios ou quando chegar em casa, higienizar a mercadoria e tomar um banho logo que chegar, também são bem uteis para que não tenha contaminação do resto de sua família.
Esse momento difícil, que todos passam, mostra que não é fácil para ninguém, uma vez que o vírus não escolhe se é rico ou se é pobre, todos sentem a mesma dor. Também nesse momento comércios estão entrando em falência, pois não há mais a circulação da economia, estão tendo que demitir seus funcionários, pois não têm mais dinheiro para pagá-los, ou porque devem cumprir a taxa mínima de pessoas trabalhando no local.
Muitas das pessoas, mesmo na quarentena, se obrigam a sair e trabalhar para ter o sustento da família e boa parte dessa população são pessoas de renda baixa, que por descuido acabam se contaminando e contaminando a sua família, amigos e as demais pessoas com quem acabam entrando em contato.
O momento agora é de calma, pois tudo passará, sempre há altos e baixos, dificuldades que sempre passamos.
Por Ketlin Zancht
Por Maiara Bruna Lutz
Só a morte e o sofrimento não vem em migalhas
Já são anos que o Brasil passa pela crise e muitos não a enxergam, os anos passam e parece que cada vez fica pior, a ignorância do ser humano também, por um não ajudar o outro e o governo por não ajudar o seu povo. São muitos que estão passando fome, sofrendo com a seca e a disputa por espaço, são fatos que passam despercebidos por muitos, que apenas enxergam a si mesmos e, para uns, a vida acaba não tendo muito sentido, apenas estão vivos, mas não vivendo. Agora, o governo, que deveria servir ao povo, enxerga a pobreza que está logo diante de si?
No poema Morte e vida Severina, se retrata muito a miséria, de homens e mulheres que trabalham por poucas migalhas e no fim, acabam se rendendo ao suicídio, como o retirante Severino, para o qual, durante seu caminho, a morte era constante e pensava em desistir, pois, no fim, a morte também o esperaria, porém ele não desistiu e continuou seu caminho, mas para muitos hoje é assim, eles tentam, mas quando começa a dificultar e aparecem os obstáculos, acabam por desistir.
Muitos, como Severino, não conseguiam um trabalho bom para poder se sustentar, muito menos sustentar a família, e morriam de fome, não muito diferente do que estamos presenciando nos dias de hoje, com a pandemia no mundo e no Brasil. Muitos estão desempregados, muitos não ganhavam o suficiente para sustentar a família e, agora, não ganham nada, muitas famílias estão passando fome, apesar da ajuda com o auxílio emergencial, que não é o suficiente para o povo sair da miséria, pois mesmo recebendo comida ou dinheiro, sempre haverá alguém que ainda estará precisando de ajuda.
Hoje, segundo notícias da UOL, estima-se que as pessoas em pobreza extrema no Brasil, que inclui os que vivem com menos de 1,9 dólar por dia, ganhou cerca de 170 mil novos integrantes em 2019 e encerrou o ano passado com 13,8 milhões de pessoas, o equivalente a 6,7% da população do país. A pobreza vem migrando dos sertões para as metrópoles e junto com ela, vêm a fome, a marginalização, o desemprego, entre outras mazelas.
A obra Morte e vida Severina diz respeito não só aos retirantes do interior do Nordeste brasileiro, mas a toda a população que luta, na atualidade, para não perder sua dignidade perante ao caos social e econômico que afronta o mundo. Os empregos, quando existem são incertos, o pão é caro, a saúde é sorte. Vivemos um tempo em que os males não são pequenos, não vêm em migalhas.
Tendo em vista os aspectos observados, o livro Morte e vida Severina retrata a vida no sertão, que não é fácil, é então repassado de uma forma que uns não conheciam, que entretanto, mesmo com todas as dificuldades que tem se passado, o importante é termos saúde, agradecer que diante do que estamos passando, estamos vivos, pois há outros que queriam a saúde que temos, porém por falta de recursos, saneamento básico acaba sendo difícil de se ter. E no geral há muitas pessoas que ajudam o próximo que realmente necessita ser ajudado, porém a ignorância continua presente na sociedade, que faz com que fiquem a mercê da dependência do governo que deveria auxiliar e apoiar a população, mas se dependermos só deles irá demorar muito para o país ir para frente, as pessoas tem que se manifestar e não ficar caladas com medo de se pronunciar, se estão com a falta de emprego, comida, o governo deve ouvir.
Por Daniela Nottar
Cemitério Coveiro Enterro Esperança
Migrar Miséria Nordeste Paraíba
Pobreza Poema Recife Rio-Capibaribe
Retirante Seca Sertão Severina
Sofrimento Velhice Zona-da-mata
Por Eduarda Brixius de Sousa
Morte e Vida Severina portrays the life trajectory of a man named Severino, who leaves the northeastern hinterland towards the coast, in search of better living conditions. On the way, Severino meets other Northeasterners who go through the privations imposed on the backlands, just as he does.
The dryness of the land and the various injustices against the people are noticed in the author`s statements. Thus, he portrays the burial of a man murdered at the behest of landowners.
He watches several people´s death and, from walking so much, he discovers that death is precisely the biggest company in the sertão. It is to it that the jobs are owed, from the doctor to the gravedigger, from the curer to the pharmacist.
He notices that wandering through the Zona da Mata, where there is a lot of green, that no one spares death. It portrays, however, that the persistence of life is the only way to overcome death.
Severino thinks of suicide by throwing himself in the Capibaribe River, but is stopped by the carpenter José, who talks about the birth of his son.
Por Daniela Nottar
Por Lucas Dos Santos Biesdorf
O livro Morte e Vida Severina, conta a história de um retirante chamado Severino, que sai do sertão em busca de uma vida melhor, vai pelo Rio Capibaribe até o litoral, onde ele acha que poderá ter uma vida melhor, podemos ver total semelhança com a atualidade, onde muitas pessoas sonham em sair do sertão para uma vida melhor na cidade grande.
Logo, trazendo ideia de quem vive no sertão são todos iguais, como podemos ver nessa fala “ E se somos Severinos, iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia”, assim podemos ver que quem vive no sertão possui pouca escolha de trabalho, muitos fazem a mesma coisa todos os dias, têm a mesma vida miserável, pois onde não há no que trabalhar a não ser com a morte, velando defunto ou reando preces. O próprio nome do protagonista vira um adjetivo no título a morte é severina, a vida também, pois resume a trajetória de todos que saem do sertão.
Em sua jornada ao litoral, podemos ver este contexto, uma vez que, ao pedir emprego a uma senhora," ela diz que ali não vale a pena, pois nesse chão que nada dá, somente há defuntos para plantar a sete palmos abaixo do solo". Assim, o retirante continua sua jornada ao tão sonhado litoral, na qual somente se encontra com a morte, Severino se depara com figuras que simbolizam a morte: rezadeiras, funerais, os “irmãos de almas”.
Ao chegar ao litoral Severino se depara com coveiros que levam o morto para sua “parte no latifúndio” e isso abala sua confiança, pensa então na morte, mas o nascimento de uma criança, simbologia da vida, lhe dá novo ânimo, uma vez que desistir da vida é fazer ganhar a morte opressora. O título já diz, a vida vence, ainda que franzina, ainda que severina.
Por Daniela Nottar
1- Morte e Vida Severina retrata a trajetória de vida de um homem chamado...
2- O autor retrata o sepultamento de um homem assassinado a mando de...
3- Severino chega a conclusão de que a maior empresa do sertão é a...
4- Quem impediu Severino de se jogar no rio Capibaribe?
5- Para que direção Severino segue em busca de melhores condições de vida?
6- Que tipo de vida "explodiu", de acordo com a fala do carpinteiro?
7- Qual é a única forma que Severino relata para vencer a morte?
8- O que significa uma vida Severina?
9- Quem é o autor do livro?
10- Um dos temas principais do poema
Por Ketlin Zancht
Jornal: Em que momento da sua vida te levou a ler a obra;Morte e vida Severina;.
Luciano: Conheci a obra através do projeto Café Literário. Apesar de já ter ouvido falar sobre o poema, nunca havia me interessado em ler o mesmo e o projeto, além de me apresentar essa grande obra, me estimulou a lê-la.
Jornal: O que te mais te chamou atenção na leitura e o que você acredita que marca com a realidade de hoje?
Luciano: O que mais chama atenção na obra, em minha opinião é a forma como corre a narrativa, esta que, apesar de usar um linguajar não tão comum e dotado de diversos regionalismos, consegue ser envolvente e imersivas, sempre situando o leitor em relação às situações e personagens em questão. Outro ponto alto da obra é o fato dela ser indiscutivelmente atual, e, apesar de retratar uma realidade não tão familiar a todos, contém momentos muito marcantes e emocionantes que tornam atemporais os versos Melo Neto.
Jornal: Como você descreveria essa obra?
Luciano: Morte e vida Severina é um clássico atual que marca pelo forte apelo emocional e pelo alto carisma dos personagens apresentados. A jornada enfrentada pelo protagonista, prende o leitor do início ao fim e as mensagens que chocam e ao mesmo tempo cativam tornam a obra uma leitura prazerosa e quase obrigatória. O autor consegue fazer com que os dramas de Severino se identifiquem com os de cada brasileiro, tratando de assuntos como a miséria, a desigualdade social e a banalização da vida, tornando a leitura atrativa e imersiva.
Jornal: Quais foram suas principais ideias sobre a obra?
Luciano: A obra me impactou de maneira profunda pela detalhada descrição do ambiente e dos personagens que retrata a miséria do sertão nordestino e o desespero de seus habitantes por uma vida melhor. O autor conseguiu mudar a forma como eu enxergava a realidade desse povo tão sofrido, além de mudar minha visão sobre a forma como decidimos enfrentar nossas jornadas e dificuldades, além de levantar questionamentos sobre o quanto devemos sacrificar para atingir nosso objetivo. Além de tudo isso, Morte e vida Severina me mostrou que o valor da vida não se sustenta naquilo que acumulamos, e sim, que a vida é preciosa pelo simples fato de existir.
Jornal: O que você tira da obra para levar pro seu cotidiano?
Luciano: A jornada de Severino assemelha-se, em vários momentos, às nossas próprias. A busca incessante por uma vida melhor e mais digna é uma realidade comum em nosso país, por isso é tão fácil identificar-se com a obra. Me identifiquei com a jornada de Severino em diversas ocasiões e a lição que a obra me ensinou é que às vezes decidimos desistir a dois passos da vitória, a obstinação de Severino em chegar ao seu destino é inspiradora e ao ver sua última esperança esvai-se ele cogita desistir de sua jornada e é quando outro personagem passa a lição mais importante da obra, não existe miséria onde há vida, pois a vida é preciosa e a maior riqueza da terra. Onde há vida, há esperança.
Jornal: Você recomenda a obra?
Luciano: Recomendo a obra com toda certeza, pois introduz ao leitor uma realidade chocante e ajuda a quebrar paradigmas e preconceito alusivos ao sertão brasileiro e seu povo. Além de ser uma obra muito bem escrita e cativante. É uma leitura extremamente prazerosa e inesquecível.
Por Antônio Eugênio Menin
Um homem foi em uma entrevista de emprego:
-Você tem experiência em alguma área?
-Sim, fui lenhador no sertão brasileiro!
-Mas o sertão é praticamente um deserto.
-É um deserto agora!
-CONTRATADO.
Severino em sua jornada encontra o prefeito de sua cidade.
-Seu prefeito! Cadê a verba para combater a seca do sertão?
-Seca? Que Seca? Depois do carnaval a gente pensa nisso.
-O CARNAVAL JÁ ACABOU?
Severino chega na cidade do Recife e pede um pão, porque estava faminto da viagem. O dono do bar diz:
-Que dieta o senhor segue que tá tão magro?
-A dieta da pobreza, meu amigo.
Por Ketlin Zancht
Severino (Antônio Eugênio Menin) e Mestre Carpina (Érique Antoninho Hentz).
Severino (Antônio Eugênio Menin).
Severino (Antônio Eugênio Menin).
Severino (Antônio Eugênio Menin) e Mulher Dona das Terras (Ketlin Wandscheer).
Severino (Antônio Eugênio Menin) e os Coveiros (Érique Antoninho Hentz e Ketlin Zancht).
Editado por Gabriel Kirch e Lucas dos Santos Biesdorf.