Por: Emily Suzin
Por: Emily Suzin
Por: Mirela Schneider
Ana Maria Nóbrega Miranda, nasceu em Fortaleza, Ceará, em 19 de agosto de 1951, é uma romancista e atriz brasileira. Boca do inferno, foi a primeira obra de Ana Miranda, e sem dúvidas uma das mais importantes, foi lançada em 1989, durante o governo tirânico militar de Antônio de Souza de Menezes, apelidado na obra de braço de prata, pelo metal que utilizava no lugar do membro que perdeu na batalha naval contra a invasão holandesa.
Por: Hélen Janaine Giehl
Por: Carla Weiss, Heloísa Fernanda Voos, Raquel Bressler e Vanessa Neiss.
A história que dá origem a esse enredo se passa na Bahia de 1683, mais precisamente no século XVII. Retrata a cidade de Salvador, então capital da colônia portuguesa. Em meio à corrupção, lutas pelo poder, libertinagem se passa a história, que por meio do emprego de palavras chulas, retrata a semente da política e da sociedade brasileira.
(BERNARDINA E MARIA BERCO CAMINHAM PELA RUA: LUZES LIGADAS)
Maria Berco: Estamos na porta do inferno, aqui os estábulos e chiqueiros são para os governadores, alcaides, padres, militares e para os que se dizem sãos, somos um cancro velho ulcerado que herdamos de nossos pais. Numa suave região cortada por rios límpidos, de céu sempre azul, terras férteis, florestas de árvores frondosas, essa cidade parece um paraíso, no entanto, é onde os demônios aliciavam as almas para povoar o inferno.
(APAGA A LUZ E LIGA O HOLOFOTE QUE ESTÁ DIRECIONADO AO PALCO)
Antônio de Brito: Eu não aguento mais este governador! Ele não se cansa de nos perseguir, não se cansa de nos fazer sofrer. Se paga de grande governador esse tal de Antônio de Souza Meneses, mas só faz nossa Bahia degradar-se. Eu quero que a justiça seja feita, porém, ele é a “autoridade”, mas, nós somos os fortes e inteligentes, por isso iremos atacar as pessoas mais próximas e íntimas dele. O que você acha do Alcaide-mor Francisco Teles de Meneses?
Pessoa aleatória: Sem dúvidas, este é um grande alvo Antônio, o governador ficará ARRASADO. O melhor é que conhecemos o cotidiano do Francisco, sabemos que ele gosta de aproveitar suas ereções matinais. Então, vamos esperar ele sair da casa da Barregã Cipriana, aquela prostituta, para assim, pegarmos este infeliz.
(DESLIGA O HOLOFOTE E LIGA A LUZ. FRANCISCO/ANTONIO TELES PASSA CAMINHANDO EM MEIO A RUA EM DIREÇÃO A CASA DE CIPRIANA)
Francisco/Antonio Teles: O governador está me esperando, acho que preciso acelerar o passo antes que eu chegue atrasado e leve sermão. Esse assunto é muito importante pra mim e ele sabe que é o único que poderá me ajudar com a carta. Meu Deus, eu também terei de contar sobre a escola jesuítica, da qual, abriga pessoas que estão conspirando contra minha pessoa.
(FRANCISCO/ANTONIO TELES VAI PARA TRÁS DAS CORTINAS E O GRUPO ARMADO SAI DA ESCOLA JESUÍTICA)
Antônio de Brito: Pelo menos o deixamos foder de manhã.
Pessoa aleatória: Ele nem merece tanta consideração.
Antônio de Brito: Se há uma coisa que qualquer homem merece fazer antes de morrer, é foder.
(ELES ENTRAM PELAS CORTINAS, APAGAM-SE AS LUZES POR CERCA DE 2 SEGUNDOS, ONDE DURANTE ESSE TEMPO NADA ACONTECE. HOLOFOTE É LIGADO. OCORRE A BRIGA ENTRE DUAS PESSOAS COM ESPADAS ATRÁS DAS CORTINAS (AS PESSOAS SOMENTE IRÃO VER AS SOMBRAS)).
Antônio de Brito: Morte ao alcaide-mor áulico lambe-cu do Braço de Prata.
Francisco/Antonio Teles: O braço de prata vai me vingar, vocês vão ver.
(PRIMEIRO É CORTADO A MÃO DE FRANCISCO/ANTONIO TELES, DEPOIS ELE É ACERTADO NO PEITO. A MÃO É EMBRULHADA EM PANOS, OS ASSASSINOS FOGEM PARA O COLÉGIO JESUÍTA)
(BRAÇO DE PRATA RECEBE A VISITA DO ARCEBISPO NO ESCRITÓRIO)
Braço de prata - Antônio de Souza: Que tiros foram esses que ouvi?
Arcebispo: Senhor, temos uma terrível notícia em relação ao senhor Teles de Meneses… Ele foi morto.
(DOIS SEGUNDOS DE SILÊNCIO)
Arcebispo: Governador, o senhor está bem?
Braço de prata - Antônio de Souza: Eu não acredito que isso aconteceu, eu bem que avisei o Francisco para tomar cuidado.
Arcebispo: Entendo senhor, mas eram muitos matadores, a maioria encapuzado, não tinha como Francisco se proteger. O único que temos certeza que participou foi o Brito, pois há testemunhas.
(BRAÇO DE PRATA DÁ UMA SUSPIRADA)
Braço de prata - Antônio de Souza: Foi um grande erro deixar Antonio de Brito livre, agora é tarde demais para fazermos alguma coisa e, eu tenho certeza, que os Ravascos colaboraram, aqueles malditos. Esse povo vai pagar caríssimo pelo que fizeram. Que comece a perseguição.
(MARIA BERCO ESTÁ CAMINHANDO NA RUA COM UMA BOLSA, QUANDO O BERNARDO RAVASCO/PADRE SAI DA ESCOLA COM UMA TROUXA DE PANOS ENSANGUENTADA)
Bernardo Ravasco/Padre: Maria, farias uma coisa para mim?
Maria Berco: Sim, senhor.
Bernardo Ravasco/Padre: Uma coisa que é matéria de muito risco.
Maria Berco: Não tenho medo de nada, senhor. Faria qualquer coisa.
Bernardo Ravasco/Juiz: Dá um fim nisto. Mas não sejas curiosa como uma coruja ou um gato. Apenas joga isso, esta noite, num lugar onde ninguém jamais possa encontrar.
Maria Berco: Está bem, senhor. Assim o farei.
(OS DOIS ENTRAM PARA A IGREJA)
(BRAÇO DE PRATA ESTÁ EM SEU ESCRITÓRIO)
Braço de prata - Antônio de Souza: Devemos investigar e, é o que faremos a partir das duas da tarde.
(ELE CAMINHA PELA CIDADE)
Pessoa aleatória: É o braço de prata, é o braço de prata.
(AS PESSOAS SE ESCONDEM)
(ELE VOLTA AO SEU ESCRITÓRIO E SENTA NA CADEIRA)
Braço de prata - Antônio de Souza: Ninguém viu nada, ninguém sabe de nada, ninguém abriu a boca.
(DÁ UM SUSPIRO E SAI DE CENA)
(MARIA BERCO ESTAVA CAMINHANDO NA RUA A NOITE, PAROU E APALPOU A TROUXA QUE ESTAVA DENTRO DA BOLSA. TIROU O PACOTE, DESENROLOU E VIU QUE ERA A MÃO. ASSUSTADA GUARDOU DE VOLTA NA BOLSA, VIU UM CESTO DE LIXO E LÁ JOGOU)
(APÓS INSTANTES VOLTOU, AJUNTOU E GUARDOU NOVAMENTE NA BOLSA, FOI ATÉ O MAR ONDE RETIROU O ANEL)
Maria Berco: Irei levá-lo ao joalheiro amanhã mesmo.
(COLOCOU NA CINTURA E JOGOU A MÃO NO MAR)
(SOLDADO PASSANDO NA RUA)
Soldado/Pessoa aleatória: Ei o que estás fazendo aí?
(MARIA BERCO FICOU CALADA, ELE CHEGOU MAIS PERTO, OLHOU DENTRO DA BOLSA E A LEVOU EMBORA)
Soldado/Pessoa aleatória: Fala logo excomungada, se não vai morrer aqui mesmo, ou melhor, vai passar a noite na enxovia, putana!
(MARIA BERCO PASSA A NOITE NA CELA, NO OUTRO DIA PELA MANHÃ…)
Soldado/Pessoa aleatória: Excomungada, pode ir embora. Trate de não andar mais por aquele local e vê se responde quando lhe perguntamos algo.
(MARIA BERCO SAI CANSADA PELAS RUAS)
Maria Berco: Oh mãezinha de Deus, me ilumine, por favor. Sinto-me envergonhada pelo que fiz. Preciso devolver o anel a Bernardo Ravasco, ou então, vendê-lo.
(MARIA BERCO SAI DE CENA, APAGAM-SE AS LUZES, APÓS ALGUNS INSTANTES LIGAM-SE AS LUZES E MARIA BERCO APARECE ORGANIZANDO A FRENTE DA IGREJA)
Maria Berco: Estou ansiosa quanto ao seu companheiro de viagem Bernardina. É o poeta Gregório de Matos. Dizem que tem fama loquaz, sedutor e bom desembargador. Mas, é garboso como cavalo. Se não tivesse escrito tantos desaforos, tanto desalinhes…
(NESSE INSTANTE TOCA A ALDABRA E MARIA BERCO VAI ATENDER)
Gregório de Matos: Dona Bernadina?
Maria Berco: Ela está lá dentro, entre, venha comigo!
(ESPERA 3 SEGUNDOS E SAI)
Gregório de Matos: Obrigado pela comodidade.
(GREGÓRIO VAI EMBORA)
Gregório de Matos: Porque meu coração é tão frágil e fácil de penetrar?
(MARIA BERCO O OBSERVA ATÉ PERDÊ-LO DE VISTA, DEPOIS, ENTRA NA CASA)
(GONÇALO RAVASCO/JUIZ ENTRA DEVAGAR LENDO JORNAL. GREGÓRIO VOLTA A CENA)
Gregório de Matos: Gonçalo, Gonçalo eu trouxe o que me pediu, as credenciais do palácio e junto a elas um mapa. Mas a questão é como sair de lá. Devemos traçar um plano.
Gonçalo Ravasco/Padre: Sim, me acompanhe.
(OS DOIS SAEM DE CENA, ENQUANTO ISSO NA RUA, O BRAÇO DE PRATA ESTÁ GRITANDO)
Braço de Prata - Antônio de Souza: Padre Vieira. Padre Vieira.
(A PORTA DA ESCOLA JESUÍTICA NÃO SE ABRE, MAS UM OUTRO PADRE RESPONDE)
Bernardo Ravasco/Padre: Vieira não se encontra.
Braço de Prata - Antônio de Souza: Preciso vasculhar o colégio para ver se encontro os indivíduos envolvidos no crime senhor. Gostaria de entrar por bem.
(A PORTA DA ESCOLA JESUÍTICA NÃO SE ABRE, MAS UM OUTRO PADRE RESPONDE)
Bernardo Ravasco/Padre Aqui não tem ninguém que possa estar envolvido no crime. Não posso permitir que você governador entre. Este é um lugar sagrado por Deus e pelo papa.
(ANTÔNIO SE APROXIMA AINDA MAIS DA PORTA)
Braço de Prata - Antônio de Souza: Sou eu quem mando aqui e em toda essa colônia.
(ANTÔNIO ENTRA NA ESCOLA)
(SOM DE TIROS E, LOGO APÓS, SOLDADOS SAEM COM ALGUNS PRISIONEIROS, SOMENTE GONÇALO NÃO É PEGO)
(GONÇALO E GREGÓRIO VOLTAM)
Gregório de Matos: Estão todos presos, Gonçalo, apenas tu escapaste porque és um sortudo. E agora, o novo alcaide foi nomeado, Antônio Teles, irmão de Francisco. É um canalha como irmão, tem bastante veneno no sangue.
Gonçalo Ravasco: Gregório, não estou afim de falar sobre assunto, vamos indo.
(OS DOIS SAEM DE CENA)
(O NOVO ALCAIDE VAI EM DIREÇÃO AO PALÁCIO E BATE NA PORTA, LOGO APÓS, ENTRA)
Francisco/Antônio Teles: Trago boas notícias governador. Conseguimos. Antônio de Brito enfrentou bravamente os tormentos, todavia, assustou-se quando ameaçamos acabar com a vida de Bernardo Ravasco e falou tudo que sabia.
Braço de Prata - Antônio de Souza: O que pensávamos era verdade?
Francisco/Antônio Teles: Algumas coisas. Bernardo Ravasco não sujou mesmo as mão de sangue. Mas tudo foi tramado às suas vistas e com a conveniência dos padres do colégio, como havíamos pensado. O resto já sabes. Podemos aí pegar um grandão, um Ravasco.
Braço de Prata - Antônio de Souza: Vai ser díficil Teles, os grandões estão muito bem acobertados. Mas, vamos pegá-los, custe o que custar.
Francisco/Antônio Teles: Como?
Braço de Prata - Antônio de Souza: Vamos proceder uma devassa contra eles.
Francisco/Antônio Teles: Nada pelas vias legais será proveitoso. Darei a eles o mesmo que deram ao meu irmão.
Braço de Prata - Antônio de Souza: Não. Nada de mortes. Temos remédios mais eficazes, o governo, as milícias, a força, o poder. Não quero me envolver em crimes.
Francisco/Antônio Teles: Eu quero sangue, o sangue desses traidores.
Braço de Prata - Antônio de Souza: Não, faz o que te ordeno se não se arrependerás. Devemos agir dentro da lei e só teremos frutos. Lembre-se de prender a dama de companhia que penhorou o anel e acho que devemos incluir nesta tua lista de perseguições o desembargador, o poeta das sátiras, pois foi visto saindo do colégio dos jesuítas na manhã do crime.
Francisco/Antônio Teles: Assim o farei.
(FRANCISCO/ANTÔNIO TELES SAI DO PALÁCIO E VAI EM DIREÇÃO A PRISÃO)
Francisco/Antônio Teles: Estás com sorte Ravasco, recebi ordens para não acabar contigo.
(FRANCISCO/ANTÔNIO TELES APROXIMA ESPETOS DE FERRO AO CORPO DE BERNARDO)
Francisco/Antônio Teles: Mas, como eu ia dizendo, as leis me permitem métodos, digamos assim… Cruéis, para obter a confissão. Mas, eu já sei de tudo. Sorte tua. Estou apenas começando minha vingança e não tenho medo do inferno. Eu estarei vos esperando em cada esquina, a vós que matastes meu irmão.
(FRANCISCO/ANTÔNIO TELES VAI EMBORA)
(SINO TOCA PARA REPRESENTAR QUE A MISSA ACABOU)
(MARIA BERCO SAI DA IGREJA)
Maria Berco: Gregório, Gregório de Matos. Um nome suave como azeite. Se pudesse arrancar seus lábios e lançá-los de si, assim não iria todo o seu corpo para o inferno, afinal, não mereço nada mais que o inferno, mas, antes queria poder encontrar Gregório, lhe diria:
- Já cobri de colchas da minha cama, já perfumei meu leito com mirra, aloés e cinamomo. Vem, embriaguemo-nos com as delícias do amor até pela manhã, gozando amores.
(MARIA BERCO PEGA UM CHICOTE DA BOLSA E FLAGELA-SE, ARRASTANDO-SE DE JOELHOS E REPETINDO A MESMA FALA)
Maria Berco: Acho que a demônios dentro de mim, preciso devolver este anel, preciso esquecer Gregório de Matos.
(MARIA BERCO SAI DE CENA)
(GREGÓRIO MATOS SENTADO EM ALGUM LUGAR)
Pessoa aleatória: Gregório, Gregório, Braço de Prata tem uma lista das pessoas que ajudaram a matar o Francisco Teles de Meneses, teu nome deve estar nela, daqui a pouco vão ir atrás de ti.
Gregório de Matos: Já vieram… Invadiram meu quarto e levaram meus escritos, mas eu não posso ser acusado, pois não fiz nada.
(PESSOA ALEATÓRIA SAI DE CENA E GREGÓRIO DE MATOS CONTINUA A ANDAR)
(GREGÓRIO DE MATOS SAI DE CENA)
(BATIDAS DOS SOLDADOS NA PORTA DA IGREJA)
Soldado/Pessoa aleatória: Abram essa porta. Temos uma ordem de prisão contra a Dona Maria Berco.
Maria Berco: Eu?
(SOLDADO A PEGA PELO BRAÇO E LEVA EMBORA, NESTE INSTANTE ESCUTOU-SE UM BERRO VINDO DA CASA)
- Adeus vagabunda.
(MARIA BERCO E SOLDADO SAEM DE CENA)
(GREGÓRIO ENTRA E COMEÇA A LER OS PAPÉIS, QUANDO DIZ…)
Gregório de Matos: Aiai, são todos, ou a maior parte, inconvenientes para impressão. Servem mais para a boca do povo do que para os olhos diligentes dos eruditos. Estou cheio de intenções, mas só consigo escrever versos libertinos, sobre a picardia, o furto e a fornicação. Um poeta é um poeta, assim como um cavalo é um cavalo. Cavalos têm utilidade. Mas eu, Gregório de Matos e Guerra, viúvo, poeta, brasileiro, não tenho uma utilidade. O que pensam os outros sobre mim? Sinto-me mais detestado que amado.
(GREGÓRIO NÃO FALA NADA POR ALGUNS INSTANTES)
Gregório de Matos: Pensando bem, estou apenas sendo justo. Não comigo, mas com o meu povo, que morre de fome e ignorância, afinal, faço versos para os que não sabem ler. Estou amorosamente perdido por Maria Berco, será que ela fora jogada na enxovia. Será que vai ser enforcada? Não sei o que fazer, só que não posso mais ficar aqui.
(GREGÓRIO MATOS SAI DE CENA)
(ARCEBISPO VAI ATÉ A CASA/ESCRITÓRIO DO BRAÇO DE PRATA - ANTÔNIO DE SOUZA)
Braço de Prata - Antonio de Souza: Já são 11 horas da noite, deve ser algo muito importante para vir nesse horário.
Arcebispo: Venho aqui para falar dos autos, Portugal e Roma irão ficar aborrecidos com as escritas que neles se apresentam. Venho lhe pedir para que esqueça o passado e tire a queixa contra Antônio Vieira, ele está velho, e não tens provas do envolvimento dele no crime.
Braço de Prata - Antonio de Souza: Com vosmecê tem tanta certeza? Ele escreveu cartas contra o santo ofício, foi expulso de Pernambuco, é a favor do judeus e contra a escravização. Porém, pode ter a certeza que será tudo muito bem investigado para realmente comprovar que ele não cometeu este crime.
Arcebispo: Vos está fazendo um grande favor para a igreja, terá recompensas, não materiais, mas sim, espirituais e, sobre Gregório de Matos? Ele sabe de verdades que incriminam todo o reino, não pode sofrer perseguições...
Braço de Prata - Antonio de Souza: Ele não é nosso único problema, se expulsar os pecadores, não sobrará ninguém. Irá os tesoureiros, missionários, todos!
Arcebispo: Compreendo senhor, vim até aqui somente para te avisar dos autos. Agora, vou embora, boa noite vosmecê.
(ARCEBISPO SAI DO LOCAL E VAI EM BUSCA DE GREGÓRIO, O ENCONTRA NUM LUGAR MUITO VELHO E SIMPLES, SEU REFÚGIO)
Gregório de Matos: Ilustríssimo, perdoe-me pela simplicidade…
(GREGÓRIO APONTA PARA O LOCAL)
Arcebispo: Isso não tem importância Matos. Venho aqui porque disseram-me que você aparece apenas para receber o soldo, mal tem cuidado de suas obrigações, que sobre sua mesa de trabalho se empilham resmas e resmas de papéis que ficam sem decisão. O que está havendo Gregório de Matos?
Gregório de Matos: Corro risco de vida, Braço de Prata meteu homens inescrupulosos e perigosos em meu encalço. Como posso trabalhar nesse estado de coisas?
Arcebispo: Ninguém poderá tocar em sua pessoa, se você tomar as rédeas sacras.
Gregório de Matos: Mas senhor, a poesia deve se inspirar na má conduta.
Arcebispo: Essa é tua última palavra?
(ARCEBISPO FICA SEM RESPOSTAS, ENTÃO VAI EMBORA/SAI DE CENA)
(NESSE INSTANTE, ENTRA EM CENA UMA PESSOA ALEATÓRIA QUE ENTREGA JORNAIS, OU SEJA, VAI DISTRIBUINDO. GREGÓRIO QUE AINDA ESTAVA NA PORTA, RECEBE O JORNAL E QUESTIONA)
Gregório de Matos: Senhor, desculpa a pergunta, mas sabes o que estão falando de Gonçalo?
Pessoa aleatória: Pelo que sei, Gonçalo penetrou na almiranta como clandestino e agora tu serás o próximo alvo.
Gregório de Matos: Tens mais alguma notícia?
Pessoa aleatória: Sim, Maria Berco vai ser mesmo enforcada, por causa do roubo do anel.
(GREGÓRIO APRESENTA UMA REAÇÃO SURPRESA E AO MESMO TEMPO DE PREOCUPAÇÃO)
Gregório de Matos: Grato pelas informações!
(GREGÓRIO ENTRA NO SEU REFÚGIO E A PESSOA ALEATÓRIA CONTINUA ENTREGANDO OS JORNAIS ATÉ SAIR DE CENA)
(ARCEBISPO ENTRA NO PALÁCIO)
Arcebispo: Enfim, uma vitória nossa, Antônio.
Braço de Prata - Antônio Souza: Vitória?
Arcebispo: Sim, Gregório de Matos não tem mais imunidades nem emprego. Bernardo Ravasco não tem mais liberdade. São os chefes, o grupo está sem chefes. Eles estão perdidos.
Braço de Prata - Antônio de Souza: Perdidos? Onde estão as cartas de Vieira? Onde estão os escritos de Bernardo Ravasco? Gonçalo Ravasco fugiu. Não sei onde estava com a cabeça quando te permite agir por tua conta. Só asnices.
Arcebispo: Estás enganado, Antônio.
(ARCEBISPO SE RETIRA E ANTÔNIO VAI ÀS RUAS)
Braço de Prata - Antônio de Souza: Apesar dessa situação um tanto, digamos, singular, posso afirmar que estou contente em saber que um homem de tal lisura é o que foi escolhido para denunciar a conspiração inusitada que fazem os Ravascos, uns criminosos, e para comprovar minha honradez.
Pessoa Aleatória: Descobri que os parentes do morto, em especial o Alcaide Teles, mandaram prender os mestres de campo e, junto a eles, a mulher de Brito e Dona Bernardina Ravasco. Julgo essa resolução mais parecida a uma vingança do que castigo.
Braço de Prata - Antônio de Souza: Logo que soube de tal prisão mandei que as libertassem.
(ELE VIRA AS COSTAS E VAI EMBORA, ENQUANTO ISSO GREGÓRIO PASSA CAMINHANDO NA RUA EM DIREÇÃO AO AUDITÓRIO)
(ALGUÉM PREPARA A FORCA)
(DESLIGA A LUZ E LIGA O HOLOFOTE)
(NA SEQUÊNCIA, FATOS QUE OCORREM POR TRÁS DAS CORTINAS)
Gregório de Matos: Vim aqui para falar a vossenhoria sobre uma dama que está condenada à forca. Dona Maria Berco.
Gonçalo/Juiz: Sim, já fiquei sabendo desse caso. Qual o seu interesse?
Gregório de Matos: Não tenho nenhum, apenas quero vos dizer que é uma injustiça.
Gonçalo/Juiz: É apenas uma opinião pessoal. Os juízes não consideram assim. Postule!
Gregório de Matos: Sei disso senhor, sei também, que a relação é capaz de, por interesse de poderosos, aplicar a uma pessoa penas que muito excedam a seriedade de seu delito.
Gonçalo/Juiz: O poder das autoridades legais muitas vezes ultrapassa a força da lei. Não preciso ouvir nada disso, além do mais, conheço bem sua sátira, especialmente a que trata da natureza do estado judiciário do Brasil.
Gregório de Matos: Justiça igual para todos é um princípio inquestionável.
Gonçalo/Juiz: Qualquer mão decepada sugere um crime. E ela roubou o anel.
Gregório de Matos: Mas Antônio de Brito não está condenado. Teria sido o delito dela maior?. A justiça tem seus caminhos que enveredam por contradições e imprudências.
Gonçalo/Juiz: Compreendi. O esposo de tal senhora pode interceder por ela e pagar a fiança?
Gregório de Matos: Tentarei. Agradeço muito.
(DESLIGA O HOLOFOTE E LIGA A LUZ)
(GREGÓRIO DE MATOS SAI DE TRAZ DAS CORTINAS E VAI EM DIREÇÃO A RUA FALANDO)
Gregório de Matos: Não há mais nada a se fazer por Maria Berco, vou deixar Anica de Melo e vagabundear pela Praia Grande. Aqui darei alguns passos discretos e tristes. Vou acordar ao doce som e às vozes brandas do passarinho enamorado. A Bahia é um vil monturo da Corte, aqui só há roubo, injustiça e tirania. De hoje em diante cantarei flores e passarinhos.
(GREGÓRIO SAI DE CENA E MARIA BERCO ENTRA PELAS RUAS)
Maria Berco: Após Gregório me salvar, ele foi embora. Me visitou uma vez para me contar que partiria para Portugal, onde encontraria seu irmão. Já o Braço de Prata, aceitou de volta Bernardo Ravasco como secretário e, assim, encerra o governo tirânico do ANTÔNIO SOUZA DE MENESES.
(TODOS SAEM DE CENA, DEPOIS, ENTRA PERSONAGEM POR PERSONAGEM. OS QUE TIVEREM FALAS ABAIXO CITADAS AS FALARAM)
Gregório de Matos: Eu permaneci no Recôncavo algum tempo, acabei esquecendo de Maria Berco, já que durante o período de governo de Marquês de Minas tivemos paz novamente. Acabei me apaixonando e casando com uma viúva, negra, pobre. Desse casamento tive um filho, e seu nome era Gonçalo. Mas, logo após o casamento, voltei a minha vida de vagabundagem. Cometi erros e fui degredado para Angola, me saí bem e a recompensa que tive era a volta ao Brasil, então, fui a Recife onde estava proibido de escrever e trabalhei como advogado.
Gonçalo/Juiz: Em 1687, recebi uma sentença favorável no caso do crime do alcaide. Nos meus livros, escrevia sobre a naturalidade da coroa portuguesa nas guerras e sobre seus danos. Mas meu maior sonho sempre foi entrar para a companhia.
Braço de Prata - Antonio de Souza: Eu fui o vigésimo quinto governador e capitão-general do Brasil. Passei também o resto dos meus dias atormentando pelo rancor e, pelo arrependimento de meu pecado cometido.
Francisco/Antonio Teles: Descobri depois de alguns anos que a morte do meu irmão, com as primeiras desavenças entre os Menezes e os Ravascos havia sido causada por uma mulher.
Antonio de Brito: Fui a Corte por ordem de el rei, para tentar me livrar da acusação do crime do alcaide, e só fui perdoado em 1692, com interferência do papa.
Maria Berco: Esperei para que Gregório de Matos me procurasse, nesse período, tive muitas propostas de casamento, mas não aceitei nenhuma delas… Sofri muito quando soube do casamento e do nascimento do filho de Gregório. Acabei indo para Portugal e lá fui denunciada à inquisição por suspeita de práticas judaizantes.
Pessoa aleatória: A cidade da Bahia cresceu, modificou-se. Mas haveria de ser para sempre um cenário de prazer e pecado, que encantava todos os que nela viviam ou a visitavam, fossem seres humanos, anjos ou demônios. Não deixaria de ser, nunca, a cidade onde viveu o Boca do Inferno.
Maria Berco: O Brasil constantemente passa por trevas, talvez, possamos reverter esse quadro, se nos tornarmos também um pouco…
Todos: Boca de inferno.
By: Carla Weiss and Vanessa Neiss
Boca do Inferno is a novel narrated in third person. It begins with the author describing Bahia in the 17th century as a paradisiacal place. However, this place has the diversity of housing demons, whose intention was to entice souls to hell. Subsequently, the plot shows Francisco Teles de Menezes, the mayor of the governor, of whom he ends up being murdered by Antônio Brito and eight other hooded men. Because of this, an attack began. This, had political motivations and had as involved: Moura Rolim, cousin of Gregório de Matos and, Ravasco, cousin of Father Antônio Vieira.
Then, the governor of Bahia, Antônio de Sousa Menezes (Braço de Prata) initiates a persecution in search of those involved, however, they took refuge in the Jesuit college. Even so, the governor manages to capture Antônio Brito and, in this way, tortures him until he confesses the names of the others involved in the crime. In addition, Bernardo Ravasco determines that Gregório de Matos goes to the home of Bernardina Ravasco (Bernardo's daughter) and protects her. In this way, Matos comes to know Maria Berco (employee of the Ravasco family), with whom he falls in love and, consequently, becomes a lover.
Soon, the governor establishes the arrest of Bernardina and Maria Berco. After all, Maria carried the ring, as well as, Francisco Teles de Menezes's hand. In addition, Palma (a friend of the Ravasco family) is appointed the judge and the person responsible for investigating the mayor's death, but alleges lack of evidence. In view of this, most individuals end up being released from jail, except for Maria Berco, from whom she should pay a bond of approximately 600 thousand réis to feel free. It is worth mentioning that Gregório de Matos gets the money to free her.
In summary, the governor is found to be removed from power and thus replaced by Marquês de Minas. Bernardo Ravasco recovers the post of Secretary of the Government, however, he must report to the King of Portugal. Gregório de Matos continues his satires, however, now, he criticizes the government of the state of Bahia, precisely for that reason, he was captured and expatriated to Angola. Padre Vieira continued to preach his sermons, of which, they offer words of criticism to the government and, Maria Berco, becomes widow and rich, while, waiting for his love, Gregório de Matos.
Por: Emily Suzin e Vanessa Neiss
Por: Ana Zan e David Ciqueira.
Foi um dos maiores poetas brasileiros no período Barroco. Além de poeta, Gregório foi advogado durante o período colonial.
É conhecido como o “Boca do Inferno”, sendo famoso por seus sonetos satíricos, onde ataca, muitas vezes, a sociedade baiana da época.
Dono de uma personalidade rebelde, Gregório criticou diversos aspectos da sociedade, do governo e da igreja católica. Por esse motivo, foi perseguido pela inquisição e condenado ao degredo em Angola no ano de 1694.
Gregório de Matos Guerra nasceu em 23 de dezembro de 1636 na cidade de Salvador, Bahia. Filho de Maria da Guerra e Gregório de Matos, pertencia a uma família abastada cujo pai era um nobre português.
Gregório estudou no colégio dos Jesuítas, na Bahia e, formou-se em direito em Coimbra, Portugal. Trabalhou como juiz, no entanto, sua grande paixão era a literatura. Retornou ao Brasil, exercendo os cargos de vigário-geral e tesoureiro-mor, entretanto foi afastado por se recusar a usar batina.
Faleceu com 59 anos, no dia 26 de novembro de 1696, na cidade de Recife. O motivo de sua morte está associada a uma febre que contraiu quando foi condenado ao degredo em Angola. É considerado um dos maiores poetas do Barroco em Portugal e no Brasil, e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa no período colonial.
NASCIMENTO: 23 de dezembro de 1636,Salvador Bahia
FALECIMENTO:26 de novembro de 1696, Recife, Pernambuco
FORMAÇÃO: Universidade de Coimbra
MOVIMENTO LITERÁRIO: BARROCO
CÔNJUGE: Michaella de Andrade,(de 1661 a 1678)
Padre Antônio Vieira ficou conhecido pela atuação em defesa dos índios. Nascido em Portugal, foi no Brasil que começou a escrever seus sermões e a evangelizar. O religioso fez parte da companhia de Jesus e defendia além dos indígenas, a liberdade dos judeus, perseguidos na época pela inquisição da Igreja Católica.
O Sermão de Antônio “Os peixes" e o" Sermão da "Sexagésima" são dois sermões conhecidos da obra de Vieira. Geralmente, seus textos eram de fácil compreensão, para que pudesse chegar a um público amplo sem perda de conteúdo. O autor era conhecido pela argumentação afiada, sempre tentando se antecipar aos questionamentos.
Antônio Vieira é classificado como um escritor do movimento literário Barroco. O Autor seguia a tradição clássica, os sermões dele sempre começam com uma citação da Bíblia, que servia com base para a tese explicitada. A oratória, assim como a argumentação, é muito presente. Vieira também tentava se antecipar aos possíveis questionamentos que seriam feitos aos seus argumentos, sem deixar possibilidades de objeção.
O padre acreditava que o uso de linguagem rebuscada dificultava o entendimento dos sermões e que o importante era transmitir a mensagem. Para ele, o discurso não precisava ser sofisticado demais e sem conteúdo, buscava fazer com que o outro pensasse.
O religioso nasceu em 6 de fevereiro de 1608, em Lisboa, e faleceu em Salvador, no dia 18 de julho de 1967. Padre Antônio Vieira foi escritor, filósofo e orador da companhia de Jesus. De origem portuguesa, veio para o Brasil em 1614 e trabalhou como escrivão. Antes, em 1609, veio seu pai, que começou a trabalhar no Tribunal da relação da Bahia também como escrivão. Vieira começou na companhia de Jesus em 1623, no ano seguinte fez votos de pobreza, obediência e castidade. Em 1634 já era sacerdote.
Antônio Vieira voltou para Portugal em 1641 e começou a carreira diplomática. Logo foi nomeado embaixador. Chegou a negociar nos Países Baixos a questão da invasão holandesa no nordeste.
Foi um defensor dos indígenas, o padre era contra a escravidão e a exploração, sempre buscou evangelizar os índios. Defendia assim os judeus, que eram perseguidos para inquisição.No Brasil novamente em 1652, continuava pregando em favor dos índios e dá aulas de retórica em Olinda. Diferente dos padres tradicionais, criticava a inquisição e as atitudes dos sacerdotes.
Por: Emmanuelle Wronsky e Heloísa Fernanda Voos
O temível, opressor e cruel governador da Bahia, era conhecido também como Braço de Prata, o que se dá pelo fato de possuir uma prótese metálica no lugar de um de seus braços, por ter perdido o mesmo em uma batalha naval durante as invasões holandesas ao Brasil em meados de 1640, época na qual era um importante militar da marinha. Braço de Prata é o principal antagonista dessa história, conduzindo com brutalidade a implacável perseguição aos criminosos envolvidos no assassinato e seus opositores, insatisfeitos com suas políticas.
Escritor da literatura Barroca no Brasil, conhecido por muitos como Boca do Inferno. Costumeiramente, criticava o sistema político inserido nos locais que cercava. Vale mencionar que, o nome do livro é em homenagem ao Gregório, o qual, também é protagonista principal da obra.
Irmão de Francisco, o Alcaide, e após seu assassinato é nomeado para o cargo. Está intimamente ligado ao governador e à perseguição aos assassinos.
Era a patroa e amiga de Maria Berco. Porém não teve muita ênfase na trama.
Junto de mais 8 Homens encapuzados, foi o assassino de Francisco Teles De Menezes, crime que ocorreu por motivações políticas. Antônio é capturado e mediante tortura, confessa o crime, entregando seus companheiros.
Foi uma mulher negra, escrava no período Brasil colônia. Gregório de Matos era apaixonado por ela, foi um dos grandes amores da vida dele. Foi casada com um velho salafrário, que vivia na pobreza para não gastar seu dinheiro. Maria Berco foi a mulher que roubou o anel da mão do alcaide.
Foi Secretário de Estado, inimigo político do governador e líder da facção da qual faziam parte Boca de Inferno e o Padre Antônio Vieira, seu irmão.
Por intermédio do livro, é possível afirmar que, o mesmo não gostava das sátiras de Gregório de Matos. Entretanto, apresentava-se apoiador da justiça, mesmo que esta, se exibisse também ao lado do governador.
Era o Alcaide Mor, indivíduo de grande importância, tanto por acumular funções militares, administrativas e judiciais quanto por ser braço direito do Governador. É assassinado de prelúdio, dando início a trama do livro.
Filho de Bernardo, um dos principais envolvidos no assassinato de Francisco. Tinha por volta de 24 anos na época, e tinha notórios traços finos e de elegância. Posteriormente, com o falecimento de seu pai, é promovido ao cargo de Secretário de Estado.
Mostra-se como uma cidadão da Bahia Colonial. Contudo, era contra as atitudes do governador e, deste modo, aliado de Antônio de Brito.
Confira a baixo a letra da paródia.
Por: Emmanuelle Wronsky e Kemoel Egewarth Vergutz
Boca do inferno é um livro é uma mistura de aventura e entretenimento, o qual utiliza palavras vulgares para mostrar, de maneira crítica, uma terra marcada pela libertinagem, corrupção e luta pelo poder, retoma uma época em que o país se resumia a governantes corruptos e povo sem voz, sem autonomia. Ao ler este livro você se torna um historiador.
Ana Miranda soube armar uma história de interesse duplo, com requintes de ambiguidade. Céu e Inferno. Mesmo com uma linguagem distinta ao nosso tempo, pode ser lido tranquilamente. Esse livro brasileiro foi traduzido para mais de 20 idiomas, se tornando um clássico respeitado no campo da literatura, e sendo cobrado em várias universidades.
Como essa obra se relaciona com a atualidade?
Boca do Inferno retrata um crime entre duas facções inimigas, a dos Menezes, encabeçada pelo governador “Braço de Prata”, e a dos liberais Ravasco, liderada pelo Padre Antônio Vieira. Tomando por pretexto o assassinato do alcaide, o “Braço de Prata” desperta um período de terror e perseguições a todos os seus opositores.
Nesse ponto podemos relacionar de várias formas na atualidade, por exemplo os crimes que tem relação à política, ou então as perseguições aos opositores, que num Estado democrático de direito, não deveriam acontecer, uma vez que opositores são importantes para que uma única ideia de poder não se torne uma imposição, muito parecida a um processo ditatorial.
No livro, entre os perseguidos pela fúria do brutal governador está o poeta brasileiro Gregório de Matos, envolvido por suas ligações com os Ravasco e por suas sátiras aos poderosos. Por causa disso perde seus encargos e tem que fugir com medo de ser preso ou morto. Nas últimas décadas, a política brasileira tem perpassado por diversas crises, o que têm trazido sérios transtornos ao nosso país.
Nesta perspectiva, alguns temas ganharam destaque, dentre os quais podemos citar: Impeachment, paneleiros, lava jato, foro privilegiado, japonês da federal, greves e manifestações, todos esses embalados por um tema maior, a corrupção. Este último tem alcançado repercussão em quase toda a população nacional, entre as mais variadas faixas etárias. No entanto, apesar do termo corrupção ter ganhado grande repercussão na atualidade, sua história já é antiga no cenário brasileiro.
Um dos maiores representantes contra a corrupção e os desmandos do poder, Boca do Inferno, o poeta barroco, foi amplamente conhecido por suas críticas à situação econômica do estado da Bahia, principalmente à cidade de Salvador, revelando um poderoso crítico social, seu objetivo era moralizar a sociedade por meio das suas poesias.
Se pensarmos em uma questão histórica e voltarmos um pouco no tempo, no momento de seu “descobrimento” por Portugal, em 1500, o Brasil já apresentou casos de corrupção. Pois, a partir da descoberta, se estabeleceu em solo brasileiro a questão da dependência entre colônia e coroa portuguesa, e também, porque a corrupção foi herdada dos europeus.
Desta forma, como no século XVII, século em que Gregório viveu, a corrupção sempre esteve presente em muito dos negócios, principalmente na questão da exportação das nossas riquezas, e também nas relações de poder, que perduram até hoje e como nos anos anteriores esta detenção de poder está relacionada e é dominada pelo maior número de aquisições, visando bens materiais e seguindo viés somente para benefícios próprios.
Por: Kayan Meazza Marx e Pedro Eduardo Schneider Urnau
Por: Djenifer Bordignon e Raquel Bressler
Em Boca de Inferno, de Ana Miranda, é retratado a história e o contexto da Bahia no século XVII, trazendo à tona a disputa pelo poder na colônia e os problemas políticos que o local enfrentava e que são base da política até os dias atuais.
O contexto cultural do livro é a arte barroca no Brasil, livro recheado de histórias reais da colônia do Brasil com personagens reais e algumas partes a autora infecciona, provocando o leitor para ir em busca se aquilo é real ou não.
O Poeta Gregório de Matos Guerra recebeu o apelido de “boca do inferno” devido às suas sátiras, ainda no desenrolar da narrativa explica que o boca do inferno se remete à Bahia, descrevendo toda sociedade baiana na década barroca.
Trata-se de um romance histórico publicado em 1898, que ocorreu durante o período tirânico do militar Antônio de Souza Menezes, conhecido como Braço de Prata (por perder seu braço em uma batalha), e tem como protagonistas o poeta Gregório de Matos e o jesuíta Padre António de Vieira.
Nesse contexto, ocorrem diversos conflitos em busca do culpado do atentado ao Francisco Teles de Menezes, no qual foi cortada a sua mão (inspirado no braço de prata) e logo em seguida foi morto, fato que tem oito suspeitos. E a partir disso, inicia-se uma perseguição aos envolvidos que fugiram para a escola jesuítica, tal fato, acarretou movimentações políticas com diversos envolvidos, além de prisões, sequestros e torturas.
Em consequência desses acontecimentos, Gregório de Matos passou a escrever sátiras criticando o governo do estado da Bahia, juntamente com o Padre Vieira que pregava em seus sermões críticas ao governo.
Sendo que é normal nos livros de Ana Miranda ela fazer o leitor refletir sobre o passado, esse livro, em especial, traz à tona as poucas mudanças que tivemos nos aspectos políticos, na extrema pobreza, no racismo e dentre outros que ainda não foram superados, em geral, problemas que demandam da corrupção que nos assola desde a colônia.
Por: Lucas Santos Tavares da Silva e Renata Schmidt Castro
Por: Raquel Bressler
Por: Emily Suzin
Mirela Schneider
Vanessa Neiss
A obra literária “Boca do inferno”, redigida por Ana Miranda, no ano de 1989, foi dedicada a Rubem Fonseca, escritor e amigo da autora. Produzido na Bahia colonial, estado brasileiro que na época comportava a capital do Brasil, Salvador.O romance tinha por finalidade transparecer o cenário cultural por meio do período Barroco, trazendo à tona os temas como religiosidade, política e arte.
Ao examinar dados referente a esta obra agraciada pelo o prêmio Jabuti, assevera-se que, a mesma reformula e reproduz um século intenso por intermédio das sátiras de Gregório de Matos, intitulado como Boca de Inferno. Neste sentido, o livro também exibe uma história de vingança, assassinato, assim como, revela o amor, dando importância principalmente, a linguagem histórica. Além disso, a obra é dinâmica, escrita na terceira pessoa e subdividida em seis capítulos, entre estes, a cidade, o crime, a vingança, a devassa, a queda e o destino.
Sendo assim, entende-se que, o livro possui forte influência de momentos históricos, do quais, ainda apresentam-se no Brasil, justamente por este motivo, a obra literária será cobrada em vestibulares de universidades brasileiras em 2021, sendo elas, a UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina e, a Udesc - Universidade do Estado de Santa Catarina. Portanto, é possível afirmar que, o livro é de suma importância para a literatura brasileira, pois o mesmo apresenta críticas do período literário denominado Barroco, que por sua vez, encaixa-se no quadro atual brasileiro.
Para os alunos que prestarão a prova do vestibular UFSC e Udesc, é importante ler a obra e relacionar seu tema às questões que permeiam a atualidade, como por exemplo, a corrupção, luta pelo poder e a falta de ética em setores da administração pública.
Por: Lucas Santos Tavares da Silva e Renata Schmidt Castro
A Literatura Brasileira possui diversas obras de grande renome, estando entre estes o romance Boca do Inferno, de Ana Miranda. A trama mostra uma terra muito marcada pela corrupção, luta por poder e indecência. O conteúdo que nos é apresentado, possui um excelente enredo, onde o leitor consegue compreender e ao mesmo tempo viver o que está sendo descrito em cada página, mostrando a qualidade de escrita e linguagem. Mas, poderia um texto ficcional do Brasil Colonial ter vínculos com o atual cenário social e político do Brasil república?
O local onde se passa a história é a Bahia do século XVII, sendo esta descrita como um local que abriga demônios e que estes fazem de tudo para “aliciar as almas para o inferno”. No início da obra, conhecemos dois personagens centrais: Braço de Prata e Bernardo Ravasco, opositores políticos ferrenhos, ainda há os personagens padre Antônio Vieira e Gregório de Matos Guerra, apoiadores do último. Estes personagens movem grande parte da história, fazendo com que a trama fique mais emocionante, sendo um dos fatos, o atentado a Francisco Teles de Menezes, que era o alcaide-mor da cidade, tendo o crime, motivações políticas.
A trama apresenta o romance do poeta Gregório de Matos e Maria Berco, a empregada da família Ravasco, que no decorrer da trama é presa por portar algo que pertencia a Francisco Teles. Mas, o poeta libertar sua amada após conseguir pagar a fiança. O livro do início ao fim, pode ser vivido e compreendido, pois são acontecimentos que geram emoção e fazem com que o leitor fique instigado a ler.
Apesar de ser uma ficção, pode sim ser comparado com o Brasil atual, porque possui fatos que são visíveis nos dias de hoje, sendo o principal deles os problemas políticos, que apesar de 467 anos desde o primeiro ocorrido de corrupção, até hoje permanece. Podemos pegar uma parte da trama e relacionar aos dias atuais, fazendo a seguinte pergunta: quem mandou matar Francisco Teles?. E a partir desta refletir. Casos como o trama acontecem nos dias atuais, estão presentes entre nós e muitos deles são pouco comentados, fazendo com que pareçam um simples ocorrido, mas não são.
Contudo, após se analisar a obra, pode-se perceber uma qualidade de escrita boa, pois proporciona um bom entendimento para o leitor. A emoção que nos é passada através dos fatos é muito boa, pois nela contém o romance, um pouco do suspense por conta dos crimes, e infelizmente a triste semelhança de Brasil Colônia com o Brasil atual, que em alguns termos ainda não mudou, mesmo após tantos anos. E para finalizar podemos refletir com um pensamento deixado por Gregório de Matos, que dizia: “Se justificam mentindo com pretextos enganosos, e com rodeios fingidos”.
Por: Eduardo Henrique Lorenzet e Déborah Moesch Sehn
Por: Eduardo Henrique Lorenzet e Déborah Moesch Sehn
Por: Eduardo Henrique Lorenzet e Déborah Moesch Sehn
Por: Carla Weiss