"Perdi minha juventude nessa sequência de revitimização que me impuseram. Me afastei da minha mãe e a minha vida nunca mais foi a mesma. Fui diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático e transtorno de personalidade borderline. Minhas relações desde então se tornaram totalmente disfuncionais. Vivi e ainda vivo um verdadeiro pesadelo. Eu sinto que eles tentam nos vencer pelo cansaço e é realmente desanimador, mas eu não vou desistir, o que eu mais quero é ser reconhecida como vítima. Eu já tive vergonha de ter sido estuprada, mas acabou, não vou deixar que colem um estigma em mim, eles são os únicos culpados."
"Feita a denúncia à delegacia da cidade, foi instaurado um inquérito. O caso veio parar com o promotor Nelson O´Reilly, casado com a tia de um dos envolvidos – e alvo de uma correição recente do Conselho Nacional do Ministério Público por abusos cometidos no exercício do cargo. A partir daí, a vida de Victoria virou um inferno. O promotor passou a pressionar para desqualificar a acusação. O´Reilly enviou o inquérito para outro delegado para fazer novas oitavas de Victoria. O advogado de Victoria estranhou, devido à proximidade do delegado com o promotor. Orientou Victoria a contar o que havia acontecido e a acompanhou na oitava. Aí se deu conta de que o delegado conduzia o interrogatório procurando marcar a vítima como moça de vida livre, tratando-a como responsável pelo próprio estupro."