Muito prazer! O meu nome é Victoria Martina Chaves Gallo e eu sou mais uma sobrevivente da violência de gênero. Tenho 32 anos e ainda carrego as cicatrizes de tudo o que me aconteceu quando eu tinha (pasmem!) só 15 anos. Me pergunto com frequência: Quantas vezes vou ter que contar a mesma história? Para além do processo terapêutico, é claro, já perdi as contas de quantas vezes precisei contar a minha história para delegados, escrivães, promotores, juízes, pedagogas, diretores de escola, curiosos, amigos e inimigos disfarçados de amigos. Quantas vezes fui descredibilizada, desacreditada e até mesmo silenciada. A verdade é que eu já devo ter contado essa história mais de mil vezes. Não bastando tudo o que vivi, eles tentaram me convencer - o tempo inteiro, que eu estava louca e que as minhas certezas eram apenas delírios. Falar a respeito foi a maneira que encontrei de manter a minha sanidade, de manter a verdade viva em mim e no mundo. Eu sei que sou estatística. Minha história é só mais 1 em 1 milhão. A cada 10 mulheres que conheço, pelo menos 8 já passaram por algo parecido. Somos tantas sobreviventes! Para mim, 17 anos se passaram dessa trajetória incansável por justiça. Me transformei na minha melhor versão, apesar (e por causa) de tudo aquilo que fizeram comigo. Hoje posso dizer que já não sinto vergonha do que me aconteceu. E digo mais: A vergonha deve mudar de lado. Hoje sinto admiração e orgulho da minha força e trajetória, principalmente porque não desisti e não desistirei. E quero dizer pra você, mulher, vítima de qualquer tipo de violência de gênero: Você não está sozinha! Gritemos agora para não nos calarmos para sempre.
Meu nome é Victoria Martina, nasci em São Paulo, tenho 33 anos e sou filha de uma mineira e de um argentino. Desde muito nova aprendi que somos pessoas com direitos e deveres. Cresci respeitando e admirando as instituições mas sofri na pele a ausência e omissão do Estado, quando ainda adolescente, aos 15 anos, me vi sendo tratada como criminosa e não como vítima. 17+ anos se passaram e eu sigo na busca por justiça, não só por mim, mas por todas nós, mulheres, que sofrem e sofreram o que eu também sofri.
Será mesmo possível viver em paz com uma sentença injusta e perpetuada pelos órgãos que deveriam nos proteger? O quanto isso afeta o desenvolvimento pessoal e profissional das vítimas da violência sexual e institucional? O que acontece quando a sua palavra como vítima é desconsiderada? Então quer dizer que uma mulher ativa sexualmente autoriza investidas sexuais enquanto está inconsciente?
A jornada é longa e pode parecer solitária - e muitas vezes ela é mesmo. Cada uma de nós tem o seu próprio tempo e entedimento da situação. Aqui eu compartilho como foi (e ainda é) o meu processo de recuperação e o que me ajudou a viver melhor e com menos angústia diante de tudo o que vivi.
Quando eu comecei, finalmente, a olhar para o meu trauma com maturidade (e parei de jogar tudo pra de baixo do tapete) encontrei ferramentas, mecanismos, pessoas e instituições que tornaram a minha jornada mais leve e suportável.
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(2025-2026).