Olá, meu nome é Fernando, tenho 10 anos e moro em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Como qualquer outra criança da minha idade, eu gosto bastante de videogames. Mas, diferente da maioria, eu prefiro jogos antigos, aqueles que me trazem uma nostalgia indescritível. No entanto, uma experiência recente me marcou de um jeito que nunca vou esquecer.
Tudo começou numa tarde em que eu estava jogando Mega Drive com meu amigo Guilherme. Estávamos entediados dos mesmos jogos de sempre e decidimos procurar por um novo. Fomos até o computador e encontramos um cartucho diferente, de um jogo chamado Pulseman, que já conhecíamos. Parecia interessante, e o preço estava em conta: apenas 5 reais. Perguntei ao meu pai se poderíamos comprá-lo, e ele, mesmo estranhando o preço, acabou permitindo.
Algumas horas depois, o cartucho chegou. Corremos para o quarto e colocamos o jogo no console. Mas, desde o início, algo estava estranho. A tela inicial da Sega apareceu, mas o famoso jingle estava em um tom mais grave e lento. Na tela de título, não havia a música padrão – apenas um ruído de estática. Apertei START para avançar e nos deparamos com uma tela de seleção de estágios estranhamente vazia, onde não era possível identificar as fases. Sem hesitar, selecionamos o primeiro estágio.
Ao carregarmos o nível, uma frase apareceu na tela: "LANDSCAPE". A fase era uma sala escura e surreal. Após andar um pouco, vimos uma silhueta de costas para Pulseman. Ao interagir com ela, uma imagem estranha surgiu e desapareceu rapidamente. Mas conseguimos ver dois olhos vermelhos piscando antes de a tela escurecer novamente.
Quando a imagem voltou, estávamos na cidade de Tóquio, mas algo horrível acontecia. A cidade estava em chamas, as labaredas consumindo tudo. Guilherme e eu ficamos em choque, mas decidimos seguir em frente. Talvez esse tenha sido o nosso grande erro.
Enquanto andávamos, avistamos Veil, com uma expressão maléfica e uma faca ensanguentada nas mãos. Ele avançou para cima de Pulseman, que foi brutalmente assassinado com um grito de agonia que ecoou pelos alto-falantes da TV. Na tela, surgiu a palavra "BURNT" ("queimado" em português).
Voltamos para a tela de seleção de estágio. Mas, tinha algo estranho, a música estava lenta e distorcida, Beatrice havia sumido e Pulseman estava agachado com os olhos fechados e uma expressão séria. O primeiro nível estava bloqueado, mas o segundo havia sido desbloqueado. Ao selecioná-lo, uma nova frase apareceu: "COLOR". O cenário era negro com plataformas coloridas em vermelho, verde e azul, mas o ambiente estava completamente silencioso.
Explorando a fase, encontramos cadáveres de inimigos ensanguentados, espalhados pelo chão. Depois de um tempo, os corpos desapareceram, e uma esfera vermelha apareceu. Ao tocá-la, a tela ficou preta e um ruído de estática ensurdecedor saiu da TV, nos forçando a cobrir os ouvidos. Quando a imagem voltou, estávamos no cenário de batalha contra a V.R.H. (Virtual Reality Hand). Pulseman parecia assustado, incapaz de se mover. A mão robótica se aproximou e começou a esmagá-lo, e um som de ossos quebrando ecoou pela sala. Então, a tela ficou preta.
A tela de seleção de estágio voltou, mas Pulseman e Beatrice haviam desaparecido. O título "STAGE SELECT" estava quebrado e pingava sangue. Selecionamos o terceiro estágio, que continha uma frase aterrorizante: "NO HOPE" ("sem esperança").
O chão da fase, que inicialmente era de madeira, foi lentamente se transformando em uma superfície de órgãos e vísceras, o suficiente para nos deixar enojados. Ao chegarmos ao fim do nível, uma parede de espinhos começou a descer. Tentamos fugir, mas era inútil. Quando a parede esmagou Pulseman, uma imagem grotesca apareceu: Veil sorrindo maleficamente, segurando a cabeça de Pulseman, de onde saía sangue escuro, enquanto um grito perturbador ecoava pelo meu quarto, parecendo vir de algo além da TV.
Com a tela escurecida, surgiu o "GAME OVER" junto com a risada familiar de Dr. Waruyama. Mas essa não era a risada normal. Era algo maligno, profundo, que fez nossos corações baterem mais rápido. A TV e o console começaram a tremer, e, de repente, dois braços com luvas ensanguentadas saíram da tela e começaram a estrangular Guilherme.
Pulei para tentar salvar meu amigo, mas fui arremessado para o chão. Depois de sete minutos horríveis, as mãos finalmente o soltaram. Mas já era tarde. Guilherme estava morto. Comecei a chorar, e meus pais, ouvindo o choro, correram até o quarto. Entre soluços, contei tudo o que havia acontecido. Para minha surpresa, eles acreditaram em mim.
Peguei o cartucho, e notei algo estranho. Os olhos de Pulseman estavam completamente brancos, e ele tinha uma expressão triste. Na parte inferior, um texto em vermelho sangue aparecia: "RIP" – "Descanse em Paz".
Até hoje, luto contra as lembranças dessa noite. Todos os dias, tenho pesadelos com aquelas mãos sangrentas enforcando meu amigo. O cartucho está guardado no fundo do meu armário, onde nunca mais me atrevi a tocá-lo...