Resumo - O Período entre as duas Guerras Mundiais (1919-1939) - Surgimento do Nazismo e do Fascismo
- saldo (para a Europa) da Primeira Guerra Mundial: prejuízos, destruição, desemprego, crise.
- saldo para os EUA: crescimento econômico, “American Way of Life”
- O Crack da Bolsa de Valores de New York (1929): crise de 1929 afeta o mundo
- Plano New Deal (Roosevelt) – fim da crise: investimento em obras públicas, empregos, controle da produção.
Nazismo
Nazismo (Alemanha): líder Adolf Hitler Fascismo (Itália): líder Mussolini
Princípios:
-Totalitarismo
- Nacionalismo
- Militarismo
- Culto à força física
- Propaganda
-Itália: não recebeu territórios após a Primeira Guerra Mundial
-crise: camponeses e operários
-Mussolini (Duce): prendeu e matou opositores, censura a imprensa e tirou a Itália da crise.
- crise moral e econômica no pós Primeira Guerra Mundial
- 1934: Hitler chega ao poder com a ideia de construir um império
- propaganda nazista, controle da população, perseguição aos judeus, ciganos, opositores
A Segunda Guerra Mundial foi um conflito bélico que ocorreu na primeira metade do século XX, envolveu mais de setenta nações, opondo os Aliados às Potências do Eixo. A guerra teve início em 1 de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha e as subsequentes declarações de guerra da França e da Grã-Bretanha, estendendo-se até 2 de setembro de 1945.
Esta guerra mobilizou mais de 100 milhões de militares, e acarretou a morte de, aproximadamente, setenta milhões de pessoas (aproximadamente 2% da população mundial da época), a maior parte foram civis. É considerado o maior e mais sangrento conflito de toda a história da humanidade.
As principais nações que lutaram pelo Eixo foram: Itália, Japão e Alemanha. As que lutaram pelos Aliados foram especialmente: França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e União Soviética.
A guerra terminou com a rendição das nações do Eixo, seguindo-se a criação da ONU (Organização das Nações Unidas), o início da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética (que saíram do conflito como superpotências mundiais) e a aceleração do processo de descolonização da Ásia e da África.
A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito da história da humanidade no século XX, ocorrido entre 1939 e 1945.
As operações militares envolveram 72 nações, resultaram em 45 milhões de mortes, 35 milhões de feridos e 3 milhões de desaparecidos.
Calcula-se que o custo total da Segunda Guerra Mundial chegou a 1 trilhão e 385 milhões de dólares.
O conflito foi dividido em três fases:
A 2ª Guerra Mundial, se iniciou com a invasão da Polônia pela Alemanha no dia 1º de setembro de 1939. Ela terminou com a rendição da Alemanha em 8 de maio de 1945.
No Pacífico, as batalhas continuariam até a capitulação do Japão em 2 de setembro de 1945.
As principais frentes de batalha eram formadas pelas:
A primeira fase da 2ª Guerra Mundial ocorreu com a invasão da Polônia pela Alemanha em 1939.
Essa fase foi classificada como Sitzkrieg, que significa guerra de mentira.
Na tentativa de barrar as incursões do chanceler alemão Adolf Hitler (1889 - 1945), os governos de França e Grã-Bretanha impuseram bloqueios econômicos à Alemanha. No entanto, não chegaram ao conflito direto.
Eficaz no campo de batalha, a Alemanha realizou em 1940, uma operação em que combinou ataques terrestres, aéreos e navais para ocupar a Dinamarca. Assim, a Sitzkrieg passou a ser chamada de Blitzkrieg, que significa guerra relâmpago.
O exército alemão também tomou a Noruega como forma de salvaguardar a proteção do comércio de aço com a Suécia e marcar posição contra a Grã-Bretanha. Para tanto, foi ocupado o porto norueguês de Narvik.
Ainda em 1940, Hitler ordenou a invasão da Holanda, o que ocorreu em maio daquele ano. A Alemanha invadiu, ainda, a Bélgica e as tropas francesas e inglesas foram cercadas em Dunquenque, uma cidade portuária francesa.
Hitler passeia em Paris acompanhado de seus colaboradores.
A reação das forças francesas e inglesas não impediram que o exército alemão rompesse a linha Maginot e invadisse a França. A linha Maginot era constituída por um sistema de trincheiras na divisa com a Alemanha.
Como resposta ao ataque, a França assinou o armistício com a Alemanha e em 14 de junho, Paris foi declarada cidade aberta.
Dividida em duas áreas, a França viveria até 1944, o chamado governo de Vichy, sob influência nazista. Dias antes, a Itália, aliada da Alemanha, declarava guerra à França.
Ainda em 1940, no dia 8 de agosto, a Alemanha bombardeou as cidades britânicas e o parque industrial inglês com a Luftwaffe, a força aérea alemã. Assim começou a batalha contra a Grã-Bretanha, que durou até 27 de setembro.
O exército inglês conseguiu neutralizar as forças alemãs, principalmente pelas ações da força aérea.
Além do êxito em seu próprio território, o governo da Grã-Bretanha ordenou incursões em solo alemão. Isto levou Adolf Hitler adiar os planos de invasão na chamada Operação Leão do Mar.
A despeito do fracasso, a Alemanha ainda prosseguiu com a missão de isolar a Grã-Bretanha. Em 1941, o exército de Hitler chegou à Líbia, com objetivo de conquistar o canal de Suez.
Esse período foi marcado pelo fracasso da Itália na África Central e a adesão ao Eixo pelos governos da Romênia, Hungria e Bulgária.
Em maio de 1941, foram ocupadas a Iugoslávia e a Grécia, resultando no esperado isolamento da Grã-Bretanha.
Com a vitória soviética em Stalingrado, os nazistas não conquistaram mais nenhum território.
O chamado equilíbrio das forças caracteriza a fase intermediária da Segunda Guerra Mundial, 1941.
Esta etapa se inicia com a invasão da União Soviética, liderada por Stalin, pelos alemães, e termina em 1943, com a capitulação da Itália.
A invasão da União Soviética é denominada "Operação Barbarossa" e tinha como finalidade a conquista de Leningrado (hoje São Petersburgo), Moscou, Ucrânia e Cáucaso.
A entrada do exército alemão ocorreu pela Ucrânia e, posteriormente, pela chegada à Leningrado.
Quando as forças de Hitler chegaram a Moscou, em dezembro de 1941, foram contidas pela contraofensiva do Exército Vermelho.
Paralelo ao conflito na Europa, as forças do Japão e dos Estados Unidos tinham as relações estremecidas.
Em 1941, o Japão invadiu a Indochina francesa. Como consequência, em novembro daquele ano, os EUA decretaram o embargo comercial ao Japão, exigindo a desocupação da China e Indochina.
Em meio a negociações diplomáticas entre EUA e Japão, o segundo bombardeou a base naval de Pearl Harbor, no Havaí, e prosseguiu em ofensiva contra a Ásia meridional e no Pacífico.
Os japoneses invadiram a Malásia Britânica, o porto de Cingapura, a Birmânia, a Indonésia e as Filipinas. Além disso, a Alemanha e a Itália declararam guerra aos Estados Unidos.
No meio da tensão, o Japão ocupou o porto de Hong Kong e ilhas no Oceano Pacífico que pertenciam à Grã-Bretanha e aos Estados Unidos.
Até janeiro de 1942, a ofensiva japonesa resultou na conquista de 4 milhões de quilômetros quadrados e o comando de uma população de 125 milhões de habitantes.
A cenário geral da Segunda Guerra Mundial começa a mudar ao final de 1942, quando os Aliados passam a ter êxito contra os ataques do Eixo. A Batalha de Stalingrado marca essa fase, alterando o curso do conflito.
O Japão sofre importantes derrotas no Pacífico, sendo impedido de conquistar a Austrália e o Havaí.
As forças britânicas e americanas também tem êxito na Líbia e Tunísia. A partir do Norte da África, os Aliados desembarcam na Sicília e invadem a Itália, em 1943.
O desembarque das tropas americanas e britânicas nas costas da França foi o começo da liberação do país.
A partir da capitulação da Itália, a Segunda Guerra Mundial entra na terceira fase, que termina com a rendição do Japão em 1945.
Na Itália, o governo de Benito Mussolini (1883-1945) é destituído pelo rei Vítor Emanuel III em julho de 1943.
No mês de setembro do mesmo ano, após firmar o armistício com os Aliados, a Itália é retirada do conflito.
Após esse ponto, a Itália declara guerra à Alemanha em outubro de 1943. Em abril de 1945, após a captura das forças nazistas na Itália, Mussolini tenta uma fuga para a Suíça, mas termina por ser fuzilado pela resistência.
O cerco à Alemanha foi fechado, justamente, com a queda da Itália. Em paralelo, em 1944, os soviéticos libertaram a Romênia, a Hungria, a Bulgária e a Tcheco-Eslováquia.
Em 6 de junho daquele ano ocorreu o Dia D. Nesse momento, o exército dos Aliados desembarca na Normandia, norte da França, resultando no recuo dos alemães e a libertação da França.
Ainda na Europa, o Exército Vermelho liberta a Polônia em janeiro de 1945, conquista a Alemanha e derrota o III Reich. Em maio, o conflito termina na Europa.
Do outro lado do mundo, no Pacífico, os Estados Unidos fecham o cerco contra o Japão e no fim de 1944, conquistam as ilhas Marshall, Carolinas, Marianas e Filipinas. A Birmânia é conquistada em 1945 e os EUA ocupam a ilha de Okinawa.
Sob intenso bombardeio, o Japão sofre a pior ofensiva bélica da Segunda Guerra Mundial. Em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos jogam uma bomba atômica sobre Hiroshima.Em 9 de agosto fazem o mesmo em Nagasaki.
A rendição do Japão é assinada em 2 de setembro de 1945, pondo fim ao conflito.
O Brasil só entrou no conflito ao fim, em 1944, permanecendo em combate durante sete meses.
A participação ficou a cargo da FEB (Força Expedicionária Brasileira), formada em 9 de agosto de 1943 e integrada por um contingente de 25.445 soldados. Três mil soldados ficaram feridos no conflito e 450 morreram.
Resumindo as causas da Segunda Guerra Mundial
Entre os fatores que culminaram com a 2ª Guerra Mundial está o descontentamento da Alemanha com o desfecho da Primeira Guerra Mundial.
A Alemanha perdeu parte do território e foi obrigada a retificar o Tratado de Versalhes e a pagar os dados civis resultantes da 1ª Guerra Mundial.
A realidade alemã era marcada pela fragilidade econômica, alta inflação e acúmulo de problemas sociais.
A ascensão do Nazismo, partido fundado por Hitler, contribuiu para a retomada do aparelhamento militar e difusão do nacionalismo.
Essa está entre as justificativas para o chamado Holocausto, que foi o assassinato em escala industrial de judeus.
Igualmente foram assassinados descapacitados mentais e físicos, comunistas, homossexuais, religiosos e ciganos.
Sugestão de Filmes sobre a Segunda Guerra Mundial
Referências bibliográficas:
https://www.sohistoria.com.br/https://www.todamateria.com.br/segunda-guerra-mundial/https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-foi-operacao-barbarossa.htm1- Explique resumidamente o contexto de “American Way of Life”, no período entreguerras.
2- O que foi o Crack da Bolsa de Valores de New York (1929)
3- Associe os pontos em comum entre o nazismo e o fascismo.
4- Sobre a Segunda Guerra, que evento foi determinante para o início do conflito?
5- As principais nações que lutaram pelo Eixo foram:_________________________________________. 6- As que lutaram pelos Aliados foram:__________________________________________________
7- O rompimento da linha Maginot, foi o evento que marca:_______________________________
8- O que foi a Operação Barbarossa e quem saiu vencedor da Batalha de Stalingrado?
9- Que ação realizada pelo Japão, determinou a ofensiva dos EUA ao Eixo?
10- Em 6 de junho daquele ano ocorreu o Dia D, que significa:
11- Qual foi a pior ofensiva bélica da Segunda Guerra Mundial
12- Aborde sobre a participação do Brasil na II Guerra.
13- Defina o que foi o Holocausto e o que o justificava.
Prof. Dinaldo
TESTE SIMULADO ESCOLA DE LAJES
TURMA 701: https://drive.google.com/open?id=1z-1P2NHktolIDsfO_CmFsQ1bEpA-9oj3jzSmfmLYCjo
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TURMA 803:
https://drive.google.com/open?id=1L7cXH-WU909B0gC3H1UCSxvru5DU5-TNT7SIkoC4phI
TURMA 902:
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AULA PARA 6ª ANO 2º BIMESTRE
O Antigo Egito
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Desde que a América foi colonizada, no século XVI, as práticas adotadas pelas metrópoles europeias eram prejudiciais às colônias. Estas práticas, associadas aos princípios do Iluminismo e aos ideais da Revolução Francesa, motivou a busca por independência política das colônias.
A oportunidade para conquista da independência surgiu quando o general francês Napoleão Bonaparte, no início do século XIX, passou a controlar os territórios da Espanha e Portugal. Os movimentos de independência das colônias espanholas foram liderados por descendentes de espanhóis nascidos na América, chamados de criollos.
A sociedade colonial latino-americana era formada por diversas classes que estavam insatisfeitas com a situação em que viviam. Porém, apesar das rebeliões de índios, negros e mestiços, a independência só aconteceu a partir do engajamento dos criollos no movimento.
Os criollos estavam insatisfeitos com o impedimento de exercer cargos políticos, apesar de constituírem elite econômica e cultural. Além disso, muitos criollos haviam estudado na Europa, onde assimilaram as ideias revolucionárias iluministas e pretendiam aplicá-las nos movimentos de libertação das colônias.
Com a independência das colônias espanholas, os criollos poderiam assumir o governo dos novos países e aumentar os seus lucros vendendo diretamente as mercadorias produzidas.
As colônias espanholas que haviam na América foram organizadas em quatro vice-reinos e quatro capitanias gerais. Faziam parte dos vice-reinos a Nova Espanha, Nova Granada, Peru e Rio da Prata.
As capitanias gerais, por sua vez, eram formadas por Guatemala, Cuba, Venezuela e Chile. A maioria se tornou independente nas primeiras décadas do século XIX. As independências que ocorreram no México, na América Central e na América do Sul tiveram características diferentes.
O vice-reino da Nova Espanha tornou-se independente com o nome de México. Em 1810, dois padres lideraram o movimento de independência: Miguel Hidalgo e José Maria Morelos. O primeiro foi fuzilado por espanhóis.
O padre Morelos defendia ideias liberais, como a abolição da escravidão, diminuição de impostos e aceitação de colonos em cargos civis e militares. Estes ideias desagradavam a elite criolla, que passou a liderar o movimento. Em 1821, a independência do México foi proclamada pelo general criollo Agustín Iturbide.
As colônias centro-americanas seguiram o exemplo do México e se tornaram independentes da Espanha. Em 1823, estas colônias formaram a Confederação das Províncias Unidas da América Central.
Em 1838, a Confederação se desmembrou em cinco repúblicas: Nicarágua, Guatemala, Honduras, El Salvador e Costa Rica. A República Dominicana se tornou independente em 1844. Cuba obteve a sua emancipação só no final do século XIX.
No Haiti, uma revolta de escravos tornou este país o primeiro a conquistar a independência, em 1804. Além disso, tornou-se a primeira república negra da história.
Na América do Sul, a independência aconteceu através de dois movimentos liderados por San Martín e Simón Bolívar. San Martín nasceu na Argentina, em 1778. Participou nos movimentos de independência do Chile, Peru e Argentina. Obteve ajuda do comandante inglês Lorde Cochrane, que também lutou na Confederação do Equador, no Brasil.
Vale lembrar que a participação da Inglaterra tinha uma forte motivação econômica, pois a América Latina representava um grande mercado para os produtos ingleses. Simón Bolívar nasceu na Venezuela, em 1783. Apoiou a participação popular nos movimentos e defendeu a abolição da escravidão. Chegou a ser presidente da Grã-Colômbia, formada inicialmente por Colômbia e Venezuela.
EXERCÍCIOS:
1- Quando surgiu a oportunidade de independência?
2- Que grupo liderou o processo de independência? Por que eram chamados assim?
3-Quais eram os principais motivos desse grupo desejar e liderar as independências?
4- como eram organizadas as colônias espanholas na América
5- Diferencie resumidamente as independências que ocorreram no México, na América Central e na América do Sul .
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AULA DIA 10/06
Enquanto o Brasil seguiu o sistema monárquico após sua independência em 1822, os países que se formaram com a independência das colônias espanholas adoram a República.
Anos da independência dos principais países da América Espanhola:
- México: 1821- Peru: 1821- Argentina: 1816- Paraguai: 1813- Uruguai: 1815- Venezuela: 1811
- Bolívia: 1825- Colômbia: 1811- Equador: 1811- Chile: 1818
Principais líderes
Os principais líderes das lutas pela independência nos países da América Espanhola foram Simón Bolivar e San Martín.
- Simón Bolivar: militar e político venezuelano, foi de fundamental importância nos processos de independência da Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela, Panamá e Peru. Ganhou em 1813, na Venezuela, o título honorífico de Libertador.
- José de San Martín: general argentino, foi decisivo nos processos de independência da Argentina, Chile e Peru.
Consequências:
- Ascensão política dos criollos nas ex-colônias;
- Conquista da liberdade econômica, que favoreceu financeiramente e politicamente a aristocracia;
- Criação de dependência econômica com relação à Inglaterra, maior potência mercantil do século XIX;
- Infelizmente, a independência política não significou a diminuição das desigualdades e injustiças sociais nas ex-colônias espanholas. A pobreza e miséria continuaram como realidade para grande parte da população;
- Instalação do sistema republicano em que, através das eleições, as elites se perpetuavam no poder.
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ESCOLA DE LAJES. AULA DE HISTÓRIA 9º ANO. 2º BIM. Prof. Dinaldo
O racismo nos Estados Unidos
Seis décadas após o início dos movimentos pelos Direitos Civis, o país ainda é marcado pela violência e tensão racial
Por: FLÁVIO THALES RIBEIRO FRANCISCO
Em 2008, Barack Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. O evento foi considerado por muitos como o anúncio de uma nova era, sem as tensões raciais que haviam marcado a história do país.
Contudo, os discursos que celebravam uma era pós-racial nos Estados Unidos logo perderam a força diante da repetição de incontestáveis atos de racismo. Seis anos depois, em agosto de 2014, o garoto negro Michael Brown, de 18 anos, foi alvejado e morto por um policial branco na periferia da cidade de Ferguson, no estado do Missouri. Michael estava desarmado. O caso deu origem a uma série de protestos pelo país contra a violência policial, que remetem a sociedade norte-americana a uma longa história de violência e segregação racial.
A democracia nos Estados Unidos foi comprometida por uma hierarquia racial estruturada desde o período da escravidão e que ganhou novos contornos no período pós-abolição. Apesar das tentativas de inclusão da população negra no período da Reconstrução (1865-1877) – logo após a Guerra Civil e a abolição – forças políticas orientadas pela ideia de supremacia branca procuraram marginalizá-la, definindo uma cidadania de segunda classe para os negros.
Em 1896, uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos consolidaria o processo de segregação na sociedade norte-americana. O resultado do caso Plessy vs. Ferguson deu força à interpretação de que a separação de negros e brancos no espaço público não violava a igualdade de direitos garantida pela 14ª Emenda da Constituição. O argumento era o de que a segregação seria justa desde que cada grupo racial desfrutasse de serviços públicos da mesma qualidade, oficializando a doutrina “separados, mas iguais”, que vigorou até a ascensão do Movimentos pelos Direitos Civis na década de 1950.
Desde as primeiras décadas do século XIX, é possível identificar a articulação política dos negros em torno da igualdade de direitos. Nas comunidades de negros livres circulavam periódicos que problematizavam a discriminação, a escravidão e os projetos de colonização que pretendiam enviar os negros para algumas regiões do continente africano.
Na primeira década do século XX, as organizações políticas emergiram a partir da intensa migração de negros para cidades do norte como Nova York, Chicago, Boston e Detroit. Os trabalhadores que fugiam da violência racial e da recessão nos estados do sul contribuíam para o crescimento das comunidades negras no norte do país, que se transformariam em base de operação do ativismo negro.
Portanto, antes que Rosa Parks, Martin Luther King Jr. e Malcom X ascendessem como lideranças do movimento negro nos Estados Unidos, figuras como Ida B. Wells, William DuBois e Marcus Garvey cumpririam o papel de institucionalização do ativismo negro por meio de organizações como a National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), e a Universal Negro Improvement Association (Unia). Nesse período, contudo, não havia ainda um arranjo institucional na política norte-americana capaz de contemplar demandas pela integração racial e o combate à violência. Os partidos políticos, até mesmo o Republicano, não demonstravam interesse na causa dos negros dos Estados Unidos.
As mudanças viriam durante a administração do presidente Franklin Roosevelt (1933-1945). O democrata, que assumiu o poder com a incumbência de tirar o país da depressão econômica após a crise de 1929, manteve-se distante das lideranças negras, mas o conjunto de políticas de seu governo ajudou a criar um ambiente favorável à ascensão do Movimento pelos Diretos Civis. Durante a era de Roosevelt, a população negra abandonaria o Partido Republicano, até então associado à figura de Abraham Lincoln, para dar uma nova face ao Partido Democrata, que tinha sua imagem associada aos políticos racistas dos estados do sul.
A administração de Roosevelt, por meio do New Deal, procurou regular a economia e mobilizar recursos para programas sociais destinados à enorme quantidade de desempregados que sofria com a crise econômica. O índice de desemprego entre os negros chegou a 40% e muitos dos auxílios governamentais foram distribuídos desproporcionalmente em favor dos cidadãos brancos. Ainda assim, a população negra interpretou a atuação governamental, sobretudo após a estruturação do sistema previdenciário em 1935, como um avanço. Os auxílios e as oportunidades de emprego em obras públicas, apesar dos inúmeros casos de discriminação, tiveram impacto positivo sobre as condições dos negros em algumas regiões do país.
Com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a indústria norte-americana ganhou um novo fôlego, incluindo cada vez mais trabalhadores negros e intensificando a migração para o norte, onde não havia restrições formais ao voto. Na década de 1950, o eleitorado negro ganhava cada vez mais força, obrigando os políticos a responderem às demandas do ativismo. Por outro lado, a Suprema Corte norte-americana, durante o período de administração democrata, mudou a sua composição, ganhando um perfil cada vez mais progressista. Em 1954, o caso Brown vs. Board of Education, decidiu favoravelmente à integração de uma escola na cidade de Topeka, no estado do Kansas, abriu um precedente para que as leis segregacionistas fossem derrubadas.
Assim, em um período pós-guerra no qual os Estados Unidos procuraram se colocar como uma referência de democracia, os ativistas negros, após anos de pressão, aproveitaram as brechas políticas e exigiram a igualdade de direitos, questionando as contradições de uma sociedade na qual simultaneamente ecoava os discursos de terra da liberdade e segregavam-se as minorias raciais.
Em 1955, em Montgomery, no Alabama, Rosa Parks negou-se a ceder o seu banco a um cidadão branco, desafiando a cultura segregacionista do sul. A ativista foi encarcerada, provocando indignação da população negra, que, posteriormente, tomou a decisão de boicotar o sistema de transporte da cidade. Esse ato foi um dos eventos que precipitaram a ascensão do Movimento pelos Direitos Civis, que mobilizou setores populares e incorporou ao amplo repertório de protesto negro as estratégias de não violência.
Martin Luther King emergiu como figura proeminente do movimento, após liderar o boicote de Montgomery. Por meio da Conferência da Liderança Cristã do Sul (SCLC), King demonstrou sua capacidade como articulador e orador, lançando mão de recursos do discurso religioso e explorando símbolos da identidade nacional norte-americana, como a Constituição e as figuras dos pais fundadores da nação. A sua posição integracionista, que se reportava a valores democráticos atribuídos aos Estados Unidos, inspirou não somente os negros, mas uma parcela de progressistas da população branca.
À medida que Martin Luther King se deslocava entre as cidades segregadas racialmente, outros grupos de ativistas se mobilizavam orientados pelas estratégias de não violência. Os membros do Congresso pela Igualdade Racial (Core) ganharam destaque com os Freedom Riders, um grupo de jovens negros e brancos que viajava entre os terminais de ônibus para forçar a integração racial, ocupando espaços reservados aos brancos. A jornada desses ativistas pelo sul do país foi uma entre as várias táticas que desafiavam o racismo norte-americano.
A ação dos ativistas, contudo, dependia da manifestação do governo federal, que em muitas circunstâncias preferiu não desafiar a força política dos segregacionistas. Foi na administração do presidente Lyndon Johnson (1963-1969) que o movimento chegou ao seu auge, ganhando cada vez mais adeptos, chocados com as cenas de violência perpetradas contra senhoras e crianças negras e captadas em imagens televisivas que circulavam nacionalmente. Em 1964, um enorme passo foi dado com a aprovação do Civil Rights Act, legislação que declarava a ilegalidade da discriminação baseada na raça, cor, sexo, religião ou origem, dando um grande impulso à integração racial em espaços e instituições públicas.
A legislação, contudo, não foi suficiente para suprir as expectativas dos cidadãos negros, ávidos por mudanças drásticas nas relações sociais. Em algumas cidades do norte e do oeste do território norte-americano, onde o racismo não se manifestava por meio de leis segregacionistas, a situação da população negra pouco mudou, criando terreno fértil para um ativismo com posições políticas mais radicais orientadas pela ideologia do Black Power. O assassinato de Martin Luther King, em 1968, reforçou as posições de organizações como os Panteras Negras, que defendiam a autonomia dos negros em relação aos brancos, revivendo uma tradição de separatismo negro que teve Marcus Garvey e Malcom X como figuras importantes.
A radicalização do movimento negro quebrou aliança com os setores mais progressistas entre a população branca, freando avanços na integração racial. Na década de 1970, conservadores republicanos, que se opunham aos programas sociais criados ao longo da era de hegemonia dos democratas, exploraram as tensões raciais com intuito de conquistar o eleitorado branco descontente com economia e com os rumos da militância negra.
Em 1980, o republicano Ronald Reagan assumiu a Presidência com a promessa de corte de gastos, atingindo os programas sociais associados aos democratas. Paralelamente à ofensiva às políticas do bem-estar social, que teve impacto negativo sobre as populações negra e pobre, foram criadas as condições para uma guerra ao tráfico de drogas. O presidente Reagan, durante a sua administração, fez um grande investimento para reprimir o consumo de drogas ilícitas, contribuindo para crescimento vertiginoso do encarceramento.
Nesse contexto, no qual as leis de segregação racial haviam sido eliminadas, o aparato repressivo estruturado para coibir o tráfico de drogas acabou reforçando a marginalização dos negros, assegurando a existência da hierarquia racial norte-americana. Ainda que os brancos fossem maioria dos traficantes e usuários, os negros das zonas urbanas se transformaram no grande alvo. Na década de 1980, inicia-se o encarceramento em massa de homens negros e latinos, com a polícia desempenhando uma função primordial.
A guerra às drogas nos Estados Unidos sustenta-se a partir da aplicação de leis rigorosas e depende da liberdade de ação de promotores e policiais, que reproduzem o racismo a partir da racialização do crime. Nessa lógica de operação da polícia, os cidadãos negros são identificados como elementos suspeitos com frequência maior que os brancos.
Este fenômeno é importante para a compreensão dos atuais conflitos raciais nos Estados Unidos, nos quais os policiais de maneira bruta assassinaram jovens negros. Os casos nas cidades de Ferguson e, mais recentemente, Baltimore, revelam aspectos de uma hierarquia racial que se reestruturou no período pós-direitos civis. O que se observa não é necessariamente a evolução de um processo de integração racial, mas um racismo que funciona de maneira distinta. A eleição de Obama não inaugurou uma era pós-racial, apenas revelou uma realidade já comum para os latino-americanos, na qual as práticas racistas são reproduzidas sem a necessidade de uma legislação segregacionista.
*Doutor em História Social pela USP e pesquisador do Laboratório de Estudos de História das Américas (LEHA)
Disponível em: http://www.cartaeducacao.com.br/aulas/medio/o-racismo-nos-estados-unidos/
Leia também: A ambígua trajetória do racismo no futebol no Brasil Uma nova história do negro brasileiro