Pesquisas Concluídas
Ao longo de 10 anos de funcionamento do Tdepp já se conta mais de 30 estudos acadêmicos realizados.
Conheça parte de nossa produção nos resumos abaixo
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Neste pesquisa busca-se refletir formas flexíveis de trabalho, como é o caso da terceirização, especificamente no serviço público. A terceirização é uma prática que vem sendo utilizada pelos empresários, com o objetivo de diminuir os custos, aumentar os lucros e transferir a responsabilidades para a empresa terceirizada. No Brasil a terceirização é uma velha prática, mas que é intensificada a partir dos anos 90, com a implementação das políticas neoliberais, no governo Collor. Nossa pesquisa está sendo realizado com os/ trabalhadore/as terceirizados/as da Universidade Federal de Campina Grande com o objetivo de analisar as consequências da sua expansão no setor público, bem como na vida laboral dos/as trabalhadores/as.
Pesquisa Concluída (2018) - nível: iniciação científica - Graduação em Ciências Sociais UFCG | Integrantes: Kerilin Laine Andrade Chang; Orientadora: Roseli de Fátima Corteletti.
O presente estudo tem como objetivo analisar os contornos que assume a divisão sexual do trabalho nas atuais formas de organização da indústria de confecção a partir da inserção dos homens nas atividades de costura. Pretende-se compreender o que na experiência do Polo do Agreste de Pernambuco pode indicar a permanência (ou não) de uma clássica discriminação entre homens e mulheres ou se a presença deles nos espaços considerados femininos provoca algum tipo de deslocamento nesse padrão. A abordagem encontra-se centrada na análise do cotidiano de trabalho de homens e mulheres no interior dos empreendimentos de confecção e lavanderia situados nas cidades de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama. A análise do desenvolvimento histórico do Polo e das trajetórias dos sujeitos indica que se processou transformações importantes no comportamento dos padrões de discriminação relativos as relações de gênero. Tais transformações provocou uma reelaboração da dicotomia “trabalho de homem” x “trabalho de mulher”, ora mantendo e reforçando a exploração e opressão das mulheres, ora apontando para deslocamentos dos comportamentos discriminatórios
Pesquisa Concluída (2018) – nível doutorado – tese defendia junto ao IFCH-Unicamp | Responsável: Elaine Mauricio Bezerra
Esta tese tem como objeto de estudo as relações de trabalho em lavanderias de jeans do Polo de Confecções do Agreste Pernambucano no momento em que a informalidade local é tensionada por ações de “modernização” que têm na sua base a crescente integração das atividades produtivas, comerciais e de serviços locais aos mercados capitalistas. O nosso argumento de tese é que as lavanderias se inserem de um modo particular na cadeia produtiva de confecção do jeans ao engendrar relações de trabalho que conectam a informalidade - constitutiva da experiência histórica do Polo e com caráter estruturante - aos processos de modernização e flexibilização recentes nos níveis local e nacional/global. De forma a evidenciarmos este duplo movimento, estamos entendendo a informalidade como noção multidimensional. Neste ponto, reside a contribuição teórico-conceitual da tese que integra dialeticamente as dimensões jurídico-institucional (vínculo de trabalho, registro do negócio), sócio-econômica (relação de assalariamento, organização do processo produtivo, gestão do trabalho), sócio-cultural (vínculos sociais entre os sujeitos, naturalização, pessoalização e paternalismo) e contextual (relação entre fatores locais, globais, regionais, nacionais). Neste sentido, procuramos nos distanciar dos dualismos moderno-tradicional, formal-informal,assim como do entendimento do informal subordinado e funcional ao processo de acumulação de capital. A nossa abordagem teórico-metodológica, em diálogo com as formulações de Marx (1982, 2011, 2013) e Marx e Engels (2007) buscou, nos limites dessa pesquisa, enfatizar as relações dialéticas entre teoria e empiria, assim como as articulações tensas e contraditórias entre estruturas sociais de natureza mais objetiva e a dimensão subjetiva e ativa dos sujeitos. Para tanto, optamos por um estudo de natureza qualitativa com produção do material empírico por meio de observação direta, fontes documentais e entrevistas semi-estruturadas junto a donos de lavanderias, trabalhadores e agentes coletivos situados nos municípios de Caruaru e Toritama no Agreste Pernambucano que tiveram o objetivo de (1) Caracterizar as reconfigurações sócio-produtivas das lavanderias de jeans; (2) Analisar a dinâmica formal-informal tendo como referência a reconfiguração das lavanderias e (3) Analisar as implicações da dinâmica formal-informal nas relações de trabalho. Os achados do campo em diálogo com o argumento de tese indicaram que a informalidade é constitutiva da experiência sócio-produtiva do Agreste Pernambucano e vem conformando as relações de trabalho nas lavanderias de jeans pesquisadas numa tensão entre o tradicional e o moderno. Nisto, vem combinando controle, disciplina e intensificação do trabalho no chão da fábrica, à permanência dos vínculos de proximidade entre patrão e empregado atravessados pelos laços de confiança construídos no tempo. No entanto, as evidências dos traços do paternalismo na relação capital-trabalho vêm naturalizando as dinâmicas de exploração do trabalho, que combinadas com o contato mais intenso dos proprietários com os mercados mais capitalizados, juntos apontam para as estratégias de acumulação flexível de capital em curso. A nossa formulação da informalidade como noção multidimensional evitou que escorregássemos em chaves dicotômicas na leitura da informalidade na região, nem tampouco assumíssemos os pressupostos modernos divulgados pelos agentes estratégicos que vêm atuando no Polo e no segmento de lavanderias.
Pesquisa Concluída (2018) – nível doutorado – tese defendida junto ao PPGA-UFPB | Responsável: Ana Márcia Batista Almeida Pereira
Este projeto tem como objetivo refletir sobre as consequências das mudanças atuais do mundo do trabalho, sobre os(as) trabalhadores(as) do polo calçadista de Campina Grande. Com essas mudanças ocorreu o aumento do desemprego, da informalidade e das formas flexíveis de contratos de trabalho como a terceirização, subcontratação, trabalho a domicílio, entre outras formas degradantes de contratos de trabalho, as quais atingem diversas categorias de trabalhadores, especialmente os do setor calçadista e de confecções, trazendo reflexos nas condições de vida profissional e social dos mesmos. O principal objetivo foi estudar e compreender como é realizado o trabalho nas fábricas do Pólo Calçadista de Campina Grande-PB, para verificar se a terceirização e precariedade no trabalho estão presentes nestes locais e de que forma elas se manifestam no cotidiano dos(as) trabalhadores(as). Para isso, está previsto a rezlização de entrevistas com trabalhadores(as) e proprietários das empresas que formam o pólo calçadista de Campina Grande
Pesquisa Concluída (2017) - nível: iniciação científica - Graduação em Ciências Sociais UFCG | Integrantes: Kerilin Laine Andrade Chang; Orientadora: Roseli de Fátima Corteletti.
Este projeto visa proporcionar densidade teórica e metodológica aos estudos que temos realizado sobre os padrões de trabalho históricos e atuais do Brasil e, mais particularmente, do Nordeste, com foco nas formas sociais de reprodução e reconfiguração do trabalho informal e precário, bem como nas práticas de contestação social que os envolvem. Especial ênfase vem sendo dada aos territórios produtivos que recentemente passaram por processos de constituição ou reconfiguração, com destaque para: a) o Complexo Industrial Portuário Suape (Litoral Sul de Pernambuco); b) região articulada em torno da planta da Fiat (em construção) e do polo farmacoquímico (Litoral Norte de Pernambuco); c) polo cimenteiro (Litoral Sul da Paraíba); d) polo de confecções (Agreste de Pernambuco). São casos marcados por intervenções econômicas estatais e ou privadas de grande porte, exceção feita ao último, o qual oferece um parâmetro diferenciado de via de industrialização e padrão de desenvolvimento. As abordagens têm buscado realçar os atores em cena (suas estratégias de ação; discursos; conflitos e negociações que protagonizam), sendo esses influenciados por dinâmicas sociais de reprodução, reconfiguração e contestação. É nesse contexto que apresentamos proposta de estágio pós-doutoral no Institute for Research on Labor and Employment - IRLE, University of California, Los Angels, EUA
Pesquisa Concluída (2016) – Estágio de pós-doutorado de Roberto Véras de Oliveira
A pesquisa desenvolvida teve como objetivo analisar trajetórias de empresários formais e atuantes no Polo de Confecções de Pernambuco, para apreender em suas narrativas a formação e reprodução de configurações locais do trabalho. A análise foi estruturada numa abordagem qualitativa, usando a pesquisa de campo como meio de intervenção no local, através de entrevistas semiestruturadas com 11 empresários formalizados, durante dez/2014 a nov/2015. Após a realização das entrevistas, se estruturou uma interpretação das configurações locais do trabalho e das formas de produção em três momentos. O primeiro, corresponde ao início das trajetórias, apresenta os elementos e valores estruturais que alicerçaram a produção de confecções no Polo. O segundo, corresponde às narrativas de como se passou da condição de trabalhador à condição de empresário, expondo as estratégias dos empresários para montar sua estrutura produtiva, a partir de condições precárias de vida, e os usos que fizeram dos vários tipos de trabalho existentes, para dar continuidade à produção e consolidar seus negócios. A terceira, corresponde à caracterização da organização atual do trabalho nas fábricas, expõe como as fábricas foram modernizadas em termos físicos e tecnológicos e que o principal tipo de trabalho utilizado é o assalariado, submetido ao controle e à disciplina da gestão racional. Contudo, a modernidade das fábricas esbarra nas tradições locais, compondo um mix de características que agregam costumes locais, a fábrica limpa e moderna e uma mão de obra multifuncional e semianalfabeta. Tudo isso, faz do trabalho no Polo de Confecções um desafio à compreensão do trabalho enquanto principal elemento da constituição socioeconômica local.
Pesquisa Concluída (2016) – nível doutorado – tese defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Cláudia Freire
Este estudo analisa a formalização dos empreendimentos industriais de confecção na cidade de Caruaru. A região do Polo de Confecções do Agreste Pernambucano é composta por diversos municípios, entre eles Caruaru, com uma significativa produção de artigos de vestuário. Esse aglomerado produtivo começou a se formar ainda na década de 1950 e, desde a origem, a maior parte das atividades é desenvolvida de maneira informal. Contudo, a partir de 1990 o aglomerado vem passando por processos crescentes de modernização, industrialização e uma imbricação cada vez maior com a dinâmica capitalista, atraindo a ação do Estado e do capital. Uma das principais transformações é a regularização fiscal das unidades produtivas. Frente a esta realidade nossa problemática se volta para o processo de formalização da indústria: oficinas, que iniciaram suas atividades predominantemente em domicílios, com mão de obra familiar e informal, e se tornaram fábricas de confecção. O problema de pesquisa parte do pressuposto de que a informalidade histórica e dominante, tanto das unidades produtivas como das relações de trabalho, está sendo reconfigurada pelo processo de formalização. A análise mobiliza a discussão conceitual sobre informalidade, flexibilização e precariedade. Sendo a flexibilização do processo produtivo e das relações de trabalho uma condição do capitalismo flexível, sendo o trabalho familiar, informal e precário uma característica histórica e constitutiva desta região, existindo o crescente movimento de imbricação com a dinâmica capitalista de cujos processos de formalização são uma expressão, perguntamos: qual o significado da formalização? A partir da formalização dos empreendimentos, o que está se constituindo como (novo) padrão em termos de relações de trabalho? O debate teórico central gravita em torno do conceito de processos de informalização, de Maria Cristina Cacciamali (2000, 2011), que servem de terreno para a discussão acerca da nova informalidade, a qual tem sido desenvolvida, principalmente, por Angela Maria Carneiro Araújo (2011), Maria da Graça Druck (2011a) e Roberto Véras de Oliveira (2011 a/b). A base metodológica está composta por entrevistas semiestruturadas, observação dos locais de produção e comercialização e coleta de dados em fontes secundárias. A partir da análise do processo de formalização dos empreendimentos industriais, acompanhada da retomada das transformações por que tem passado este aglomerado produtivo, concluímos que está se consolidando um padrão de formalização: a formalização institucional que engendra relações de trabalho informais. Nesse sentido, a informalidade tem sido capaz de se preservar, reproduzir, e, sobretudo, ser ressignificada pela ação dos empresários e por meio dos novos métodos de gestão empresarial, tais como os processos de terceirização e subcontratação da produção que, no contexto do Polo, encontram uma atmosfera favorável e fértil, devido à “naturalização” do trabalho informal.
Pesquisa Concluída (2016) - nível: doutorado - tese defendida junto ao PPGS-UFRGS | Responsável: Mariana Scussel Zanatta
Esta dissertação tem como objetivo analisar em que medida as estratégias da ação política dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do polo Petrolina/PE-Juazeiro/BA, mais especificamente da agenda política destes sindicatos, tem tido a capacidade de atuar levando em consideração as demandas e questões “específicas” das mulheres trabalhadoras rurais. Para isso, atentamos às condições de trabalho as quais as mulheres estão submetidas, assim como suas percepções e suas formas de resistência e reivindicações coletivas. Amparada em uma metodologia de análise qualitativa, a pesquisa foi desenvolvida a partir de um vasto trabalho de campo, focado substancialmente na observação direta, na realização de entrevistas com roteiros semiestruturado e estruturado, e também na pesquisa documental. O texto está estruturado em torno de cinco capítulos, com o intuito de articular as questões empíricas e as discussões teóricas e conceituais que privilegiam as relações entre gênero, trabalho e ação coletiva.
Pesquisa Concluída (2016) - nível: mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Camilla de Almeida Silva
A crise do trabalho fez ressurgir a discussão sobre alternativas como a Economia Solidária (ES), debatida no Brasil desde 1980. Provavelmente por se enxergar o potencial da ES, uniu-se esta às demandas provenientes do debate do meio ambiente e da gestão do lixo, encontrando-se formas de trabalho e renda para os(as) catadores(as) de materiais recicláveis e buscando-se ainda a solução de problemas ambientais. Por se tratar de um tema por vezes polêmico, ainda há algumas questões sobre a ES que geram divergência de opiniões entre autores. Um dos questionamentos mais polêmicos está relacionado à inserção dos empreendimentos econômicos solidários (EES) na dinâmica capitalista. No intuito de contribuir com o debate, este estudo tem por objetivo compreender como empreendimentos de Economia Solidária de catadores de material reciclável se articulam, em uma região econômica e socialmente periférica como a Paraíba, com os mercados capitalistas e analisar as consequências desses modos de articulação para o desenvolvimento de tais empreendimentos e para a Economia Solidária. Através dos objetivos específicos buscou-se: Reconstituir os processos históricos de constituição e desenvolvimento de quatro EES – duas cooperativas e duas associações de catadores de material reciclável – situados no município de Campina Grande-PB; Conhecer como é realizado o processo de trabalho e como se organiza a divisão de atividades e responsabilidades; Apreender como os trabalhadores organizam o empreendimento do qual fazem parte, analisando questões referentes à autonomia e democracia dentro dos empreendimentos; Identificar como os processos comerciais, financeiros e produtivos se conectam com o mercado; Compreender a percepção que estes trabalhadores têm do trabalho que desenvolvem e da relação do empreendimento solidário com as necessidades que surgem dos vínculos com os mercados capitalistas; Apreender a maneira como representantes da Economia Solidária do estado da Paraíba concebem a expressão desta no estado. Os instrumentos de pesquisa envolveram: entrevista semi-estruturada, análise de dados secundários, além de observação direta. A pesquisa de campo foi realizada entre 16 de junho a 31 de outubro de 2015, foram entrevistadas vinte e nove pessoas, entre trabalhadores, dirigentes dos EES, gestores públicos e representantes da ES. Os dados colhidos foram analisados qualitativamente, o tratamento dos mesmos deu-se através de análise crítica e de análise comparativa. Esta pesquisa pode ser caracterizada como estudo de caso, exploratória e qualitativa. Pretende-se que os resultados e análises decorrentes desta pesquisa contribuam com o debate da Economia Solidária e da Sociologia do Trabalho.
Pesquisa Concluída (2016) - nível: mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Thelma Flaviana Rodrigues dos Santos
O presente estudo buscou analisar as atividades de confecções no cariri paraibano, sobretudo as percepções de mudanças dos sujeitos acerca das novas formas de trabalho que têm ocorrido com a inserção de unidades de confecções neste território. O foco desse trabalho foi identificar e analisar como os sujeitos veem algumas mudanças ocorridas em tal espaço após a introdução da costura oriunda do Polo de Confecções de Santa Cruz do Capibaribe. Procuramos então perceber a partir de um recorte feito no pequeno município de Coxixola situado no Cariri Ocidental, por meio entrevistas com costureiros e costureiras, bem como com alguns fabricantes e o gestor do município, o que essas unidades de produção provocaram de mudança na vida deles e de suas famílias, uma vez que trata-se de famílias que viviam da agricultura de subsistência e hoje buscam aliar o escasso retorno de renda originado da agricultura ao trabalho da costura, que tem sido o sustento de dezenas de famílias nesta região, tornando-se cada vez mais relevante para a economia local. Ao longo da pesquisa trabalhamos três pontos acerca da visão dos trabalhadores da região: 1) sobre as novas formas de trabalho no ambiente rural, mostrando assim a coexistência entre a agricultura de subsistência e a costura no ambiente pesquisado constatando que mesmo essas famílias tendo a necessidade de introduzir uma outra atividade em seu meio, procuram aliá-la à agricultura para não perderem suas raízes; 2) o desenvolvimento das unidades de confecção neste espaço, fazendo um pequeno apanhado de como a costura foi introduzida e se desenvolveu na região; e 3) como os trabalhadores percebem as principais mudanças na região a partir da inserção da costura.
Pesquisa Concluída (2016) - nível: mestrado – dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Josefa Denise de Farias.
Este trabalho objetiva refletir sobre as ações políticas elaboradas pelos trabalhadores assalariados rurais da fruticultura irrigada no Submédio Vale do São Francisco - SMSF. Propomos a análise não apenas das dinâmicas e ações institucionalizadas no âmbito dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais, mas consideramos também os processos e as relações sociais que se forjam além dos espaços e do discurso institucional, atentando nesse sentido para estratégias políticas elaboradas diante das experiências cotidianas dos trabalhadores. Inicialmente partimos a nossa análise dos processos socio-históricos que viabilizaram e influenciam as dinâmicas produtivas da fruticultura irrigada, atentando para as especificidades das relações de trabalho atreladas a uma produção orientada para o mercado externo. Dessa forma, observamos que a dinâmica de trabalho está baseada em um modelo onde prevalece um elevado grau de especialização, controle, intensidade e é demarcada pela sazonalidade. Em seguida observamos como tais processos informam e abrem possibilidades para as estratégias políticas de que lançam os trabalhadores. Diante disso, as reflexões centrais desse trabalho baseiam-se nas práticas cotidianas de resistência explícitas ou ocultas, institucionalizadas ou não. Analisamos ações que vão desde estratégias como amarrar serviço, burlar fiscalização até práticas mais institucionalizadas no espaço sindical, como a negociação coletiva de trabalho e greves. Consideramos ainda que essas ações se informam mutuamente, se articulam e abrem possibilidades para tanto para política sindical, como para o empoderamento e reconhecimento de direitos pelos trabalhadores. Adotamos uma metodologia de análise qualitativa, dando ênfase aos documentos acessados nos acervos dos sindicatos, bem como os arquivos de jornais impressos e virtuais locais. Além disso, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com trabalhadores, diretores, delegados e assessores sindicais, bem como pesquisa de campo.
Pesquisa Concluída (2016) - nível: mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Guilherme José Mota Silva.
A presente pesquisa tem como foco de análise o trabalho docente no ensino superior privado inserido no contexto de transformações no modo de regulamentação do capitalismo mundial a partir dos anos 1970. Notadamente, volta-se para observar o processo de empresariamento do ensino superior atrelado às mudanças no mundo do trabalho, que induzem a busca por maior qualificação profissional. Seu objetivo é apreender como vêm se configurando as formas de controle, resistência e consentimento docente nas instituições privadas de ensino superior de Campina Grande/PB. Como metodologia de pesquisa, além do levantamento bibliográfico, foram realizadas entrevistas com docentes em atividade e egressos do setor, bem como pesquisa na Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Sindicato Docente, além de levantamento dos dados do Censo do Ensino Superior junto ao Portal de Acesso à Informação do Governo Federal. Diante da pesquisa realizada, pôde-se perceber um processo de consolidação de um novo ramo de atuação do capital comandado pelo Estado, a partir do qual o ensino superior assumiu caráter de mercadoria e o trabalho docente adotou a natureza de trabalho proletarizado e produtivo, atrelado ao processo de subsunção real da vida social ao capital. Como tal, este nível de ensino está submetido às técnicas da gerência moderna de captura da subjetividade do trabalho, que induzem a formação de consentimento e conformismo entre os docentes, alimentados pela disciplina do medo. Consequentemente, a resistência docente fica restrita a debates afastados da base sindical e, em Campina Grande/PB, ocorrendo pela via de reclamações trabalhistas e denúncias nos órgãos de regulamentação.
Pesquisa Concluída (2015) – nível doutorado – tese defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Nadine Gualberto Agra
O Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco teve origem em meados dos anos 50, através da Feira da Sulanca e atualmente consiste em um dos mais importantes aglomerados econômicos existentes na Região Nordeste, particularmente no setor de confecções de roupas, pois atualmente é considerado o segundo maior polo têxtil do Brasil. Este espaço destoa de inúmeros polos econômicos de seu porte, por não contar com uma presença do investimento estatal, seja no seu surgimento, na sua consolidação e até mesmo nos dias atuais. Suas atividades produtivas e comerciais têm a informalidade como marca decisiva de seu perfil e se encontram instaladas principalmente nas cidades de Santa Cruz, Toritama e Caruaru, englobando também alguns povoados rurais da região. Este estudo foi realizado na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, pioneira na produção e nas feiras do Agreste e em três comunidades rurais pertencentes ao município de Taquaritinga do Norte. O objetivo principal desta dissertação é observar e analisar como a atividade da costura perpassa as estratégias de reprodução social de famílias rurais e como vem reconfigurando o exercício das atividades agrícolas na região. Privilegiando espacialmente os domicílios rurais, esta abordagem focará também nas relações sociais de trabalho e de gênero, a partir da inserção dos homens e das mulheres na atividade da costura. Dando prioridade ao ponto de vista dos(as) agricultores(as) e/ou costureiros(as), este trabalho busca também analisar as estratégias de vida destas pessoas, que vem sendo desenvolvidas ao longo do tempo, a partir de laços sociais, de vínculos e valores nos quais os indivíduos do Agreste pernambucano estão envolvidos. Cabe ressaltar que esta dissertação procura oferecer uma análise desta realidade, em específico sob um ponto de vista antropológico, a partir das ações individuais ou coletivas, valores ou expectativas das pessoas que moram e trabalham nas suas próprias residências. Será através das experiências, narrativas, trajetórias e das categorias de pensamento dos(as) próprios trabalhadores, que se buscará compreender as representações acerca dos processos de trabalho, da sua prática econômica e das suas vidas, levando em conta principalmente as relações familiares que se tornam estruturantes nesse processo.
Pesquisa Concluída (2015) – nível mestrado – Dissertação defendida junto ao CPDA-UFRRJ | Responsável: Renata Bezerra Milanês
Esta tese tem como objetivo principal analisar o processo social-histórico de instituição e desenvolvimento do fenômeno produtivo/comercial denominado Feira da Sulanca, o qual se configurou na Mesorregião do Agreste pernambucano nas décadas de 1950 e 1960. Para tal, buscamos recursos na Sociologia do desenvolvimento, na Sociologia do trabalho, na Sociologia rural e na Antropologia social. Focamos na apreensão dos costumes da região, os quais, segundo nossa hipótese, possibilitaram a instituição e desenvolvimento do fenômeno em estudo. São eles: o caráter familiar, domiciliar e informal do trabalho no sítio; a presença marcante das migrações, por razões climáticas e de estratégias para a reprodução social, nas trajetórias de vida das pessoas pobres da região; as feiras livres como práticas socioeconômicas emblemáticas da região agrestina. Utilizamos principalmente, como recurso metodológico, a história oral de vidas através de entrevistas livres com os pioneiros da “saga” sulanca e dos seus descendentes, os quais continuaram no negócio da família. Constatamos que o empreendimento desses agentes sociais de origem rural resultou na formação de uma pequena burguesia sulanqueira a qual “modernizou” a feira, transformando, assim, as relações socioeconômicas e os costumes da região.
Pesquisa Concluída (2014) – nível doutorado – tese defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Annahid Burnett
Esta pesquisa analisa as lutas e resistências do Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS) frente ao padrão de desenvolvimento dominante para a Amazônia, focando nos conflitos socioambientais em torno do Projeto de Aproveitamento Hidrelétrico Belo Monte (AHEBM), localizado no sudoeste do Estado do Para. Para tanto, tomou como base a seguinte questão: as lutas e resistências do MXVPS frente a esse empreendimento hidrelétrico possibilitam identificar projetos de desenvolvimento que se colocam em perspectiva alternativa a hegemônica? Com isso, buscou identificar e analisar em que medida essas lutas e resistências do Movimento sinalizam com uma perspectiva contra-hegemônica. As noções de hegemonia e contra-hegemonia, baseadas em Boaventura de Sousa Santos, lastrearam a perspectiva critica de analise. Com foco numa abordagem qualitativa, as estratégias metodológicas combinaram pesquisa bibliográfica, documental e de campo, neste caso com ênfase em observação participante e entrevistas semi-estruturadas e em profundidade, dando relevo a historia oral. Como resultado, foi possível identificar que o AHEBM e a expressão, por meio do PAC, da expansão da fronteira hidrelétrica no movimento de territorialização da dinâmica de acumulação do capital sobre a Amazônia sob forte influencia do Estado, em parceria com grandes grupos econômicos, usando de violência institucional e simbólica para levar a cabo seu modelo neodesenvolvimentista. Dessa expansão da fronteira, vem ocorrendo um processo de desterritorialização na Região, o qual se expressa na expropriação, desintegração e precarização dos modos de vida de povos e comunidades tradicionais e camponesas, violando seus direitos fundamentais e pondo sob risco sua proteção física e social, além de comprometer o equilíbrio do ecossistema e do bioma amazônico. Isso caracteriza um processo, além de capitalista, colonialista. Essa expansão da fronteira hidrelétrica, todavia, não vem se dando sem contradições e conflitos, sem lutas e resistências a esse modelo. Seguindo essas pistas e esses sinais de contradições e conflitos, foi possível, também, capturar dinâmicas não hegemônicas (experiências e perspectivas sociais), a partir das resistências e das lutas do MXVPS, que se dão nesse Brasil profundo e que ajudam a revelar outras imagens, representações e experiências da Amazônia, do Brasil e do Mundo.
Pesquisa Concluída (2014) – nível doutorado – tese defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Sergio Roberto Moraes Corrêa
Esta pesquisa pretende analisar, sob a perspectiva sociológica, como as novas configurações comerciais, a partir da inauguração do Centro Comercial Parque das Feiras, vêm imprimindo uma nova dinâmica às relações de trabalho, quanto às relações entre o formal e o informal. O Centro Comercial Parque das Feiras surgiu no ano de 2001 por iniciativa do Poder Público Municipal e Estadual, SEBRAE, SENAI e Empresários Locais, na tentativa de reorganização das práticas comerciais, frente à popular Feira da Sulanca, marcada historicamente pela informalidade. Do ponto de vista metodológico busca-se contemplar reciprocamente as dimensões objetivas e subjetivas (estruturas, processos e práticas) referidas à constituição história e mudanças recentes (endógenas e exógenas) assumidas nas relações de trabalho do Parque das Feiras e entorno. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que se utilizou da combinação dos seguintes instrumentos: procedimentos de observação direta, análise documental e realização de entrevistas (feirantes, lojistas, representantes públicos, associações comerciais e sindicatos).
Pesquisa Concluída (2014) – nível mestrado – dissertação defendia junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Bruno Mota Braga
Esta dissertação aborda, sob uma perspectiva sociológica, as categorias de trabalho e infância. Buscamos analisar os discursos acerca da problemática do trabalho infantil, através dos diversos sujeitos que estão envolvidos na atividade confeccionista de Toritama, buscando compreender os seus elementos justificadores quanto à persistência de tal fenômeno. O município de Toritama situa-se como um dos principais constituintes do Polo de Confecções do Agreste Pernambucano, resultante de um aglomerado de atividades confeccionistas, permeado por relações de trabalho domiciliares e informais. Apesar dos estudos sobre trabalho e infância abarcarem as mais diversas áreas de conhecimento, poucos são relativos ao setor têxtil, e mais raros os estudos que buscaram perceber os discursos sobre o trabalho infantil. Os sujeitos da pesquisa foram as pessoas que têm estado ligadas direta ou indiretamente ao setor de confecção do município: as crianças trabalhadoras, os pais, confeccionistas, presidentes de associações de confeccionistas, gestores públicos etc. Assim, realizamos um estudo sobre os discursos dos sujeitos envolvidos, o que permitiu identificá-los e analisá-los. As análises e observações de campo indicaram que a partir do trabalho da criança há um processo de ressignificação dos papéis sociais dentro da família, afetando não só os direitos sociais, mas o próprio direito à vida, uma vez que as crianças trabalhadoras estão impossibilitadas de viver seus tempos de infância.
Pesquisa Concluída (2014) – nível mestrado – Dissertação defendida junto ao PPGS-UFPB | Responsável: Jéssica Lôbo Sobreira
Neste estudo, busca-se contribuir com as atuais discussões acerca das transformações no mundo do trabalho, sob a ótica das mulheres, da flexibilização, terceirização e informalidade do trabalho, bem como suas consequências sobre o mercado de trabalho e mais especificamente sobre a força de trabalho feminina. O foco da pesquisa esta direcionado para as mulheres que trabalham nas pequenas indústrias de confecções do Polo de Confecções do Agreste Pernambucano e do Polo de Confecções da Paraíba. Desta forma, pretende-se diagnosticar possíveis conexões e inter-relações existentes entre os dois Polos, no que diz respeito ao trabalho no processo de confecções e comercialização das mercadorias. Partindo assim, do fato de que a presença da mulher em atividades de trabalho precário, rotineiro, desqualificado e informal já é bastante conhecida na história do capitalismo. Com as mudanças atuais no mundo do trabalho, verifica-se que a informalidade nas relações de trabalho foi configurada e encontra-se relacionada com formas diversas de trabalho flexível, nas quais as mulheres representam a maior parte da força de trabalho empregada no Brasil. Desta forma, pretende-se compreender os sentidos das transformações no mundo do trabalho para fundamentar e explicar as novas situações sociais vivenciadas pelas trabalhadoras, como, por exemplo, entender as razões e/ou motivos que estão resultando no crescimento desenfreado da informalidade e da precarização das condições de trabalho. Para isso será realizado um estudo específico através de um levantamento bibliográfico, um mapeamento das Indústrias de Confecções para definir a amostra e pela coleta de dados por meio de entrevistas diretas e questionários.
Pesquisa Concluída (2014) – nível iniciação científica (Pibic) – Pibic em Ciências Sociais - UFCG | Responsável: Sara Diná Moura Paulino Rocha | Orientação: Prof.Dra Roseli de Fatima Corteletti
O autor pretende com esta pesquisa compreender o processo de incubação de empresas de tecnologias da informação no âmbito do Arranjo Acadêmico-Produtivo Local (AAPL), constituído pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), com apoio de agentes parceiros do setor público e privado. Nesse ambiente incidem quatro racionalidades: a) uma de natureza mais acadêmico-científica, proporcionada com a atuação da universidade; b) uma de sentido mais organizativo-gerencial, percebida a partir da gestão do PaqTcPB; c) uma terceira, de sentido fundamentalmente econômico-mercadológico, derivada do referencial de mercado introduzido pela dinâmica empresarial; e d) por último, uma quarta, de sentido político-econômico, trazida pelas políticas públicas orientadas para o desenvolvimento tecnológico. Como pressuposto, cada uma dessas racionalidades guarda importante correspondência com os principais agentes do processo, não sendo, contudo, exclusiva desses agentes. A perspectiva adotada se orienta para a apreensão do empreendedorismo tecnológico e do processo de incubação de empresas como construção social, na qual serão identificados e analisados os agentes institucionais e individuais envolvidos com a geração de conhecimento e desenvolvimento de projetos inovadores; suas relações de cooperação e competição; seus papeis, posições e lugares; suas formas de atuação e procedimentos operacionais; as condições e contradições intra e interagências quanto ao processo e fins da incubação de empreendimentos tecnológicos; e suas potencialidades e limites em relação ao processo de incubação, aos seus desdobramentos na constituição de um cluster local de tecnologia, e ao projeto de empreendimento tecnológico resultante dessa composição. A fundamentação teórico-metodológica está apoiada na análise de redes proposta por Mark Granovetter, autor que retoma o pensamento weberiano, na perspectiva da Nova Sociologia Econômica, bem como nos instrumentos da análise de políticas públicas, que complementam a visão de desenvolvimento tecnológico. A metodologia adotada procura contemplar reciprocamente as dimensões objetivas e subjetivas das dinâmicas sociais envolvidas, aplicando-se métodos qualitativos que envolvem procedimentos de observação direta, análise documental e entrevistas semiestruturadas, como técnicas de coleta de dados.
Pesquisa Concluída (2013) – nível doutorado – tese defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Robert Kalley Cavalcanti de Menezes
Esta pesquisa pretende enfocar uma proposta de estudos versando sobre a questão da eficácia das políticas públicas ligadas ao trabalho, mais precisamente da problemática do trabalho juvenil a partir da ideia das ações das políticas governamentais de formação educacional e profissionalizante dos jovens que pretendem adentrar no mercado de trabalho. Com base em pesquisa bibliográfica e levantamento de dados serão pesquisados os instrumentos políticos da implantação do Programa de Inclusão de Jovens – Pró-Jovem Adolescente na região do Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco, que ora foi delimitado nos municípios de Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru. Sendo enfocado a partir dos aspectos sociológicos que nortearam a eficácia ou precariedade de sua implantação no contexto histórico brasileiro, principalmente envolvendo o período recente.
Pesquisa Concluída (2013) – nível doutorado – tese defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Marcelo Alves Pereira Eufrasio
Esta tese tem como objetivo analisar as configurações do trabalho a domicílio e as relações familiares nas confecções de roupas de jeans no município de Toritama-PE, bem como apreender as atribuições e competências que homens e mulheres têm desempenhado no âmbito do processo produtivo e doméstico, enfatizando as relações sociais que se delineiam nesse espaço. O cenário das recentes transformações socioeconômicas associadas ao processo de globalização e a disseminação de formas de produção flexíveis têm suscitado mudanças no mundo do trabalho, o aparecer de novas formas de organização da produção, bem como a reedição de outras, consideradas arcaicas, mas que são adaptadas à atual dinâmica do capital, caso do trabalho a domicílio, mesmo quando surgem ao largo desse processo maior, como o caso do Polo de confecções de roupas de Jeans de Toritama–PE, lócus desta pesquisa. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, em que foram utilizadas, como recursos metodológicos, a pesquisa documental, a entrevista semiestruturada e a observação participante, privilegiando uma análise crítica dos elementos objetivos e subjetivos que permeiam a realidade das famílias vinculadas ao trabalho a domicílio. Foi constatado que apesar da exuberância e da aparente modernização por que vem passando a região com a expansão da indústria de confecção de jeans, a suposição de que diante esta dinâmica a organização do trabalho a domicílio pudesse estar proporcionando formas mais igualitárias de acesso às atividades, à troca de saberes, ao controle do processo produtivo, bem como nas relações entre homens e mulheres no âmbito familiar, não se confirmou completamente. Entretanto, houve confirmação em relação à suposição de que a dinâmica econômica vivenciada por essas unidades produtivas a domicílio teria alterado as relações familiares, provocando um maior distanciamento afetivo entre seus membros, em decorrência das atribuições na produção, tanto no que se refere aos filhos menores como aos filhos maiores que estavam envolvidos diretamente no processo produtivo.
Pesquisa Concluída (2013) – nível doutorado – tese defendida junto ao PPGS-UFPB | Responsável: Edilane do Amaral Heleno
O objeto de estudo desta tese foi o Programa Primeira Empresa Inovadora - PRIME, política pública de apoio ao empreendedorismo, lançada pelo governo brasileiro e operacionalizada por instituições previamente credenciadas para selecionar e acompanhar projetos de negócios inovadores. A pesquisa procurou analisar os discursos proferidos para difundir e apoiar esse Programa, os processos e práticas desenvolvidos durante sua implementação e as repercussões que o mesmo teve nos negócios e trajetórias dos empreendedores beneficiados. Além da subvenção econômica, principal mecanismo de suporte aos empreendedores escolhidos, o PRIME mobilizou instituições e consultorias empresariais que se envolveram diretamente no esforço de criar oportunidades econômicas no mercado de produtos e de serviços inovadores. Apesar disso, a hipótese central da pesquisa sustentou que o comprometimento financeiro dos governos com o empreendedorismo representa uma aposta arriscada numa alternativa de política pública para gerar riquezas, cuja lógica e dinâmica se revestem de um grau de complexidade que rejeita as simplificações presentes nos discursos de agentes públicos e privados. Em face disso, a pesquisa adotou os procedimentos metodológicos da observação, da consulta documental e da entrevista com os atores participantes do Programa PRIME, para averiguar a sua implementação no âmbito da coordenação realizada pelo Parque Tecnológico da Paraíba, instituição situada no município de Campina Grande, estado da Paraíba. Os resultados demonstraram que, apesar dos discursos intensamente mobilizados para legitimar o PRIME, a implementação do Programa foi marcada por tensões, conflitos, incongruências e rigidez, em um contexto regional de pouco dinamismo econômico e empresarial, o que comprometeu a eficácia do arranjo institucional desenhado para apoiar os negócios nascentes. A conclusão desta tese também inclui as fragilidades dos projetos de negócio e a ineficácia dos mecanismos utilizados pelo Programa para aperfeiçoá-los ou viabilizá-los, no conjunto dos fatores responsáveis pelo fracasso da maioria absoluta dos empreendimentos planejados, situação excetuada por uns poucos que permaneceram em atividade sem que o PRIME tivesse exercido sobre eles os impactos esperados. Desta forma, mostrou-se malograda a tentativa de se identificar e de fortalecer empreendimentos inovadores através da junção de recursos e competências sociais existentes na região investigada.
Pesquisa Concluída (2013) – nível doutorado – tese defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Darcon Sousa
Este estudo aborda a problemática da informalidade e do caráter precário do trabalho no âmbito da cidade de Campina Grande – PB. Analisa estas questões como decorrências das condições históricas de reprodução do caráter precário das relações de trabalho no Brasil, as quais foram agravadas e ressignificadas a partir dos impactos no país de transformações ocorridas mundialmente nesse âmbito, nas últimas décadas, implicando em uma tendência geral à flexibilização do trabalho e ao desemprego. Para aqueles segmentos que, em regiões periféricas, como o Nordeste do Brasil, sempre estiveram excluídos do mercado de trabalho formal ou sofreram os efeitos dos processos atuais da informalidade, resta como medida última de sobrevivência buscar “inventar” o seu próprio trabalho. Nesta perspectiva, entra na cena do mundo do trabalho outros personagens que sobrevivem nas “franjas” da formalidade de forma informal, irregular, sem acesso aos direitos sociais dos trabalhadores inseridos no mercado formal. Aqui, elegemos como caso a ser estudado um fenômeno que tem se apresentado nos centros urbanos brasileiros, provocando tensões, conflitos, dominação e resistência nessa nova dinâmica social e econômica de reprodução da força de trabalho: os “flanelinhas”.
Pesquisa concluída (2012) - nível mestrado – dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Rosa Emília Araújo Idalino
O presente trabalho busca apreender as relações sociais implicadas na criação e condução de uma lavanderia de roupas por um grupo de mulheres antes envolvido quase exclusivamente na prestação de serviços domésticos. Como estratégia de análise, optamos por traçar, a partir da história de vida da articuladora da criação da lavanderia, D. Miúda, um retrato sociológico, nos termos de Bernard Lahire. A apreensão dos significados, tanto no que diz respeito às posições sociais dos agentes envolvidos quanto no que se refere à tradução de transformações sociais mais amplas sobre o universo local, expressa na criação de uma lavanderia, enquanto um empreendimento, é o nosso objeto de investigação sociológica. A problemática de pesquisa orientadora do trabalho pode ser sintetizada na seguinte questão: quais as disposições instituidoras do lugar e agir social dessas mulheres, que se reproduzem e se reafirmam, mas também que se redefinem e se transformam, no processo de constituição da Lavanderia Mãe & Filhas? A ferramenta metodológica identificada como “retrato sociológico”, proposta por Bernard Lahire, foi utilizada para responder à questão anterior. Teoricamente, contamos ainda com as contribuições, dentre outros, de Pierre Bourdieu e James Scott.
Pesquisa concluída (2012) - nível mestrado – dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Andréa Monteiro da Costa
O desempenho de atividades econômicas de caráter extrativista, como forma de garantir o sustento da família no meio rural, continua sendo uma estratégia importante para os agricultores familiares. Em Junco do Seridó, no Estado da Paraíba, além da extração de lenha para fabricação de carvão e de lama para fabricação de telhas e tijolos, tem sido predominantemente desenvolvida a extração de outro recurso natural: o caulim. Trata-se de um material argiloso que é muito importante para indústria dadas as inúmeras possibilidades de sua utilização: a fabricação de pigmento, de carga e cobertura na indústria de papel, aplicação como matéria-prima para a indústria cerâmica, a fabricação de porcelanas, azulejos, esmaltes, etc., aplicação como matriz para catalisadores, isolante elétrico, agente fortalecedor de borrachas e concretos, cobertura digestiva de remédios na indústria de fármacos, componente na fabricação de vidros etc. O trabalho de extração desse minério tem sido considerado tanto por pesquisadores como pelo próprio Estado como sendo informal e precário. Diversas ações, a exemplo da formação do Arranjo Produtivo Local de Base Mineral, têm sido estabelecidas com o objetivo de legalizar as terras exploradas pelos garimpeiros bem como “regularizar” a situação de trabalho, elevar a produtividade e reduzir os acidentes e mortes no garimpo. Diante deste quadro, desenvolvemos o presente estudo com objetivo geral de analisar as dinâmicas que organizam o processo produtivo da extração de caulim nos garimpos de Junco do Seridó e de que maneira elas configuram o trabalho informal e precário. Para tanto, desenvolvemos uma metodologia qualitativa que envolveu a realização de entrevistas com garimpeiros, empresários dos decantamentos e agentes públicos, além de termos feito algumas observações de campo.
Pesquisa concluída (2012) - nível mestrado – dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: José Aderivaldo Silva da Nóbrega
O presente estudo se propõe a analisar as novas conformações das relações de trabalho no Cariri da Paraíba, a partir da expansão das atividades produtivas e comerciais do Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco para a referida região. A abordagem se encontra particularmente focada nas condições de inserção das mulheres nessas atividades, especialmente na condição de costureiras, e os novos processos sociais que daí têm resultado. Estamos sugerindo como prisma de análise orientado a partir da seguinte tríade: trabalho domiciliar familiar, relações de gênero e a interface rural/urbana, como elementos constitutivos desta experiência. Para tal, reconstituímos as trajetórias de algumas dessas mulheres, a forma sob como a produção da sulanca(como ficou conhecida este tipo de confecção) vem se estabelecendo na região e que implicações têm trazido especialmente para as relações entre trabalho e gênero.
Pesquisa Concluída (2011) – nível mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Elaine Maurício Bezerra
Este estudo tem como principal objetivo investigar como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, particularmente sua unidade de Caruaru, vem atuando prática e discursivamente no contexto do Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco. Construiram-se como desafios da pesquisa: 1) elaborar uma reflexão que caracterizasse as dinâmicas sócio-produtivas do Polo de Confecções, bem como suas tendências recentes, enquanto cluster; 2) reconstituir a trajetória do SEBRAE e como vem se dando histórica e atualmente sua prática frente àquela realidade. Para tanto, desenvolvemos os seguintes procedimentos metodológicos: uma análise bibliográfica particularmente focada sobre as temáticas do capitalismo monopolista, integração do Nordeste, desenvolvimento local/cluster e sobre o Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco; uma análise documental abrangendo publicações nacionais e locais referidas ao SEBRAE, bem como relatórios de autoavaliação, entre outros; entrevistas semi-estruturadas e conversas informais com gerente, gestores, consultores e empresários; observação direta, nos espaços de atividades fabris. No que diz respeito à trajetória do SEBRAE, suas origens remontam ao nascimento da SUDENE. Historicamente criado como um órgão público vinculado à SUDENE e antigo BNDE, o Núcleo de Apoio Industrial - NAI atuou desde 1967 na região Nordeste. Em 1972, foi constituído, em âmbito nacional, o Centro Brasileiro de Assistência Empresarial / Centro de Assistência Gerencial - CEBRAE/CEAG. A partir do início dos anos 1990, o mesmo passa a fazer parte do Sistema S, tornando-se SEBRAE – financiado com recursos públicos, mas com gestão privada. Nos anos recentes, o SEBRAE entra de modo sistemático na realidade do Polo. A partir do ano de 2002, passa a agir de modo a consolidar o Polo enquanto um Arranjo Produtivo Local. Buscamos analisar como vem se dando essa atuação, especialmente quanto às ações e discursos que o conformam enquanto agente “político”.
Pesquisa Concluída (2011) – nível mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Alexandre Santos Lima
A pesquisa teve por objetivo central compreender, sob uma perspectiva sociológica, o modo pelo qual o SENAI, enquanto instituição voltada à formação profissional e à assessoria empresarial, atuou e vem atuando no Polo de Confecções de Pernambuco, mais particularmente nas cidades de Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe, tendo em conta as relações e condições de trabalho que o caracterizam, fortemente marcadas pela informalidade e precariedade. A temática está relacionada às novas situações e referências postas pelas mudanças no mundo do trabalho, em curso em âmbito global, e suas implicações em um espaço local de caráter periférico, como aquele no qual se situa o referido Polo. Procura-se realçar as condições, contradições e implicações especialmente colocadas em tal experiência. Do ponto de vista metodológico, busca-se contemplar reciprocamente as dimensões objetivas e subjetivas (estruturas, processos, práticas e representações sociais) das dinâmicas sociais mais diretamente envolvidas nessa atuação. Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo, que utiliza-se, entre outros, da combinação dos seguintes instrumentos: procedimento de observação direta (espaços, ambientes, equipamentos, atividades), análise documental (envolvendo documentos técnicos, institucionais e pedagógicos, nacionais e locais referidos ao SENAI) e realização de entrevistas com dirigentes, professores e ex-alunos das duas unidades SENAI atuantes no Polo.
Pesquisa Concluída (2011) – nível mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Eugenio Vital Pereira Neto
As transformações ocorridas no mundo do trabalho a partir de processos articulados a fim de garantir o novo padrão de acumulação capitalista são conhecidas e debatidas em todo o mundo. Entre essas, destaca-se o fenômeno do desemprego estrutural, o crescimento da informalidade e, sobretudo, a precarização do trabalho. Destarte, o Estado vem tentando regulamentar as atividades ditas informais e precarizadas, alegando entre outros motivos a busca pela regularização do recolhimento de impostos, a garantia da contratação de empregados com carteira assinada e o acesso ao crédito. Neste sentido, em 2009, foi instituído o Programa Empreendedor Individual (PEI), através da Lei Complementar nº 128, de 19/12/2008, tendo por objetivo, segundo seus gestores, formalizar aqueles que se encontram em pleno desenvolvimento de atividade no mercado informal, garantindo assim acesso a benefícios previdenciários e segurança no processo de comercialização dos produtos oferecidos. A presente dissertação visa analisar os processos de formalização das atividades econômicas localizadas no Polo de Confecções do Agreste Pernambucano, com vistas a compreender as intencionalidades do Estado e agências gestoras do Programa, e os papeis desempenhados por estes no processo de implementação do referido Programa, uma vez posto diante de uma experiência, a do referido Polo, tanto exuberante no que concerne à dinâmica produtiva, quanto precária e informal no que diz respeito às condições de produção e trabalho que a caracterizam.
Pesquisa Concluída (2011) – nível mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Juliana Nunes Pereira
Este estudo busca analisar as Políticas Públicas de Emprego, Trabalho e Renda- PPETR, com um olhar mais direcionado para a questão de gênero, desenvolvidas no Polo de Confecção do Agreste de Pernambuco, em especial no município de Santa Cruz do Capibaribe. Esta região se constituiu com base no trabalho informal, precário e a princípio sem a intervenção do Estado. A atividade da “sulanca”, que surgiu na década de 1950, na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, conformando uma aglomerado produtivo, hoje passou à denominação de Polo de Confecção do Agreste de Pernambuco, sendo responsável por uma das maiores movimentações econômicas do Estado. A produção e comercialização de itens de confecção tem se constituído na principal atividade da região do Agreste, gerando fluxos migratórios de pessoas de outras localidades em busca de oportunidades de trabalho. Um misto de dinamismo econômico associado ao trabalho informal e precário constitui um desafio para o poder público, no sentido de pensar políticas públicas de Emprego,Trabalho e Renda que atuem na perspectiva de superar tal condição precária, neste caso com particular destaque para as mulheres. O presente estudo trata das possibilidades ensejadas por tais políticas, mais em particular no município de Santa Cruz do Capibaribe.
Pesquisa Concluída (2011) – nível mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Patrícia dos Santos Melo
Esta pesquisa tem o propósito de analisar, sob uma perspectiva sociológica, como vem se colocando a questão da informalidade no âmbito das relações de trabalho, particularmente no setor de serviços - a partir do caso do mototaxismo e em uma cidade nordestina de porte médio situada em uma região periférica, Campina Grande. A pesquisa busca apreender as formas de sociabilidade que estão na base da constituição desse novo segmento de trabalhadores, tendo-se em conta os novos padrões de relações de trabalho que vêm compondo o mundo do trabalho. A hipótese que norteia o estudo é a de que o mototaxismo é parte da resposta que os trabalhadores e a sociedade vêm dando, por meio de processos sociais espontâneos, à crise do trabalho, principalmente do emprego entendido em termos clássicos, e que tem atingido o mundo e o país, na forma de um reincremento das formas de trabalho autônomo e informal. No caso do Brasil, a problemática da informalidade não é nova, visto que é constitutiva do padrão de relações de trabalho que se estabeleceu com a industrialização do país. Entretanto, vem ganhando novas conformações a partir de mudanças pelas quais vem passando o mundo do trabalho em termos globais. Novos setores surgem marcados pela informalidade, como o do "transporte alternativo" nas médias e grandes cidades. Novas situações contribuem para a reprodução das relações informais de trabalho, como o recurso da subcontratação e o discurso da apologia do "trabalho autônomo". Novas políticas públicas são geradas para lidar com tal problema, com destaque para ações no âmbito municipal, como as diversas tentativas de regulamentação do "transporte alternativo", das atividades dos camelôs, com a criação dos "shoppings populares", da atividade dos "flanelinhas" etc. Diante disso, as Ciências Sociais se veem provocadas a discutir: Quais as novidades em relação a isso vêm se apresentando? Que novos tipos de trabalho e de trabalhadores informais têm surgindo? O que se altera quanto à dinâmica própria das relações de trabalho informais, frente à dinâmica anterior, e quanto à relação entre as dimensões formais e informais do atual padrão de relações de trabalho? Faz sentido falar-se em uma nova informalidade? Quais os impactos desse processo sobre a solidariedade e a identidade desses trabalhadores enquanto classe? Qual o lugar do trabalho nessa nova configuração? Qual o papel do Estado nesse processo? O que se pretende não é oferecer respostas definitivas para as questões levantadas, mas tão somente trazer elementos de reflexão sobre o fenômeno da nova condição do trabalho informal a partir da abordagem das relações de trabalho no âmbito do mototaxismo na cidade de Campina Grande, Paraíba. Do ponto de vista metodológico, buscamos respaldar, reciprocamente, as dimensões objetivas e subjetivas, estruturas/processos, práticas/representações sociais das dinâmicas sociais constituídas e em constituição no mototaxismo. Esta pesquisa tem um caráter qualitativo. Utiliza-se, entre outros, da combinação dos seguintes instrumentos: procedimento de observação direta, análise documental (envolvendo documentos da Empresa CG Motos e STTP e a Lei que regulamenta o serviço no âmbito municipal) e realização de entrevistas com a direção dos sindicatos, com os mototaxistas e com os empresários do setor.
Pesquisa Concluída (2010) – nível doutorado - tese defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Jucelino Pereira Luna
No Brasil, destacadamente na década de 90, o processo de liberalização econômica do país, que foi visto como solução possível de desenvolvimento e redução do chamado risco Brasil, fortaleceu o setor informal que passou a ser visto sob bons olhos, e assim encarado como oportunidade de ocupação em época de desemprego estrutural. A Economia Solidária surge na tentativa de, além de lutar contra o desemprego que se apresenta de forma estrutural, tentar inserir práticas fundadas na solidariedade e igualdade entre os homens, visando superar a divisão entre capital e trabalho, implantando por meios de práticas autogestionárias a consolidação de tais preceitos. O Cooperativismo existente no mundo desde a revolução industrial e que no Brasil enfrentou fases de intensa intervenção do Estado ressurge como principal pilar da Economia Solidária, sendo modelo de oferta de trabalho e renda, bem como instrumento de inclusão social. Com isso, objetivamos estudar de forma prefacial o Cooperativismo, como fenômeno fundamental da economia social. E finalmente, tendo como uma perspectiva teórica a sociologia do trabalho e o direito do trabalho, buscar analisar as condições enfrentadas por este setor na nova ordem do mundo do trabalho, assim como as implicações jurídicas do associado cooperado em relação aos seus direitos trabalhistas, os encarando como conquista do cidadão. O Cooperativismo seria uma arma eficaz a ajudar solucionar o desemprego ou diante das várias problemáticas existentes se constitui em mais um meio de precarização das relações de trabalho?
Pesquisa Concluída (2010) – nível mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Alberto Jorge Santos Lima Carvalho
A presente pesquisa teve como foco estudar e analisar a crise que se abateu no sindicalismo de servidores públicos e suas implicações no Sindicato de Trabalhadores em Ensino Superior na Paraíba. Num contexto de um mundo globalizado em que as fronteiras nacionais foram sensivelmente alargadas, na qual o local e o global se imbricam, complementando-se mutuamente, operando-se dentro de um paradigma pós-fordista onde a categoria trabalho foi ressignificada, aliada a isto, uma dinâmica perversa de informalização, trouxe, para o universo laboral, inquietações de variegadas espécies no tocante à precarização e desregulamentação de direitos históricos conquistados pelos trabalhadores em geral e, especificamente, para os trabalhadores do setor público. Analisar-se–á quais os impactos destas mudanças nas relações de trabalho que ocorreram nas últimas décadas, levando-se em conta, as singularidades e heterogeneidade da categoria trabalhadora no serviço público e, consequentemente, as suas implicações para a ação sindical.
Pesquisa Concluída (2010) – nível mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Wellington Barros de Cantalice
Esta dissertação intitulada O Programa Fome Zero: Ação? Estrutural? Ou Assistencialista? (Um Estudo a Partir de Sua Aplicação em Campina Grande), buscou analisar importantes questões e aspectos que perpassam ao tema do combate a fome e as desigualdades sociais, através das políticas de transferência de renda em voga hoje no Brasil. Um dos aspectos diagnosticados e discutidos neste trabalho trata-se da ambiciosa pretensão do Governo Federal de criar mecanismo que coloquem o Programa Fome Zero como ação de Estado, com ações estruturantes, para além do caráter assistencialista base da maioria das políticas públicas de combate a pobreza, não apenas no Brasil, mas certamente na América Latina. No primeiro momento fizemos um debate introdutório acerca das Políticas de Proteção Social e de Renda Mínima no contexto da América Latina e do Brasil. Esta discussão se faz necessária para traçarmos um panorama histórico conceitual indispensável a analise do Programa Fome Zero. Em seguida reconstituímos o processo que levou à construção do Programa Fome Zero, desde iniciativas geradas pela sociedade civil e pelo governo antes de sua criação em 2003, quando se tornou uma política estratégica do Governo Federal. Analisamos, também, a implantação do PFZ à luz das questões que gerou no âmbito do Governo e da sociedade, além de nos reportarmos a sua repercussão nacional e internacional. Focamos na seqüência o Bolsa Família, momento no qual fizemos um resgate das polêmicas e críticas criadas em torno deste programa. Apresentamos os resultados da pesquisa empírica, realizada no município de Campina Grande, quando ouvimos os gestores e os beneficiados pelo Programa Fome Zero. A seguir realizamos algumas reflexões sobre o PFZ em Campina Grande, ao mesmo tempo em que o tratamos mais amplamente, em torno da questão-eixo aqui proposta: em que medida e sob quais potencialidades e limitações o Programa Fome Zero orienta-se para converter-se em uma Política Estrutural.
Pesquisa Concluída (2010) – nível mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Ivana Carla Barros da Cruz
Nossa pesquisa tem como proposta de investigação analisar os processos de Reforma da Educação Profissional e os impactos que esta teve sobre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba – IFPB. Ao mesmo tempo, a referida Reforma foi analisada pelo ângulo das repercussões sofridas com as mudanças atuais no mundo do trabalho e as novas necessidades, demandas e desafios colocados para a Educação Profissional. Atualmente em processo de transformação institucional para o novo formato de IFPB, a experiência da Paraíba nos oferece um indicador da problemática, para se entender de que modo uma instituição pública de ensino básico, técnico e tecnológico tem se coloca frente à nova situação, principalmente em relação aos conflitos gerados pelas reorientações do discurso oficial do governo. Recorremos à reconstituição da trajetória histórico-social e institucional do IFPB, para situar as principais mudanças verificadas ultimamente quanto ao papel que vem desempenhando localmente no campo da Educação Profissional e identificar, entre os atores mais diretamente envolvidos, as suas percepções sobre as questões atuais do trabalho, do emprego e da formação/qualificação profissionais, assim como sobre a atuação do IFPB. No que se refere à abordagem metodológica, para a apreensão das estruturas, processos e práticas relacionados à formação profissional, procuramos abordar as dimensões objetivas e subjetivas implicados em tais situações, entretanto sob uma perspectiva focada nos sujeitos e nas experiências nas quais se inserem e atuam, suas experiências histórico sociais, suas potencialidades, possibilidades e conflitos. De caráter qualitativa, a pesquisa utilizou dos seguintes procedimentos: análise bibliográfica, particularmente focada sobre o debate atual a respeito dos temas do trabalho, emprego e educação profissional; análise documental, abrangendo documentos nacionais e locais, técnicos, institucionais e pedagógicos; procedimento de observação direta (espaços, ambientes, equipamentos, atividades); e entrevistas semidirigidas com gestores, professores, coordenadoras pedagógicas do IFPB, campi de João Pessoa e Campina Grande. A partir da nossa pesquisa percebemos dois momentos distintos na Instituição: o momento da Reforma de 1997, que separou a educação propedêutica da educação técnica e que impossibilitou o crescimento dos IFETs, ao mesmo tempo que orientou suas ações para vendas de serviços, parcerias, ou seja, ações institucionais típicas do modelo neoliberal vigente naquele momento; e o atual Decreto 5.154/04, que resgata o caráter público dos Institutos, retomando os investimentos e ampliando o número de campi.
Pesquisa concluída (2010): nível mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Diogo Fernandes da Silva
O trabalho propõe trazer para reflexão sociológica a configuração das relações e condições de trabalho em empresas de confecções com um olhar específico para a juventude. Tais empresas estão localizadas na região do Agreste Setentrional do estado de Pernambuco, atualmente conhecida como Pólo de Confecções do Agreste. A produção de confecções conhecida originalmente como “Sulanca”, teve seu surgimento na década de 1950 na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, seu desenvolvimento se deu a partir de 1960, mas somente em 1980 há um forte crescimento regional na produção. A atividade é realizada através de um misto de produção artesanal e industrial, sendo considerada para os moradores locais ou ainda para os inúmeros migrantes que chegam à região uma real estratégia de sobrevivência. No entanto, tal realidade desde seu surgimento esteve caracterizada pela informalidade e precariedade das condições de trabalho, fator este que impõe vários desafios de modo particular a juventude, exigindo maior flexibilidade e agravando assim a qualidade de emprego disponível.
Pesquisa Concluída (2009) – nível mestrado - dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Sandra Roberta Alves Silva
O tema da participação e do controle sociais nas políticas públicas tem ganhado relevância no Brasil nos últimos 20 anos, com a criação de espaços próprios para essas práticas, tomando como referência a Constituição Federal de 1988. Os espaços de participação e controle sociais na área das políticas públicas de emprego começaram a surgir nos anos 1990, dentro de um contexto político e econômico de desresponsabilização do Estado para com as questões sociais e de desregulamentação da economia, sob a influência do neoliberalismo. Tais políticas, que, conforme possibilidade trazida com a Constituição Federal de 1988, tendiam à universalização de direitos, tornaram-se focalizadas, voltadas para públicos específicos e restritos. Mas, ao mesmo tempo, como sofreram influência das conquistas sociais e políticas dos anos 1980, esses processos constituíam-se como novidades no cenário político do país, um contraponto à cultura autoritária, patrimonialista e clientelista, ao sugerir elementos para uma nova cultura baseada em valores republicanos e democráticos. Esta dissertação tem como propósito realizar uma reflexão sobre tais processos na área das Políticas Públicas de Emprego, Trabalho e Renda – PPETR, a partir da análise da experiência da Comissão Municipal de Trabalho, Emprego e Renda – CMTER do município de Campina Grande, Paraíba. Toma como hipótese norteadora a proposição de que a CMTER, enquanto espaço de participação e controle sociais, não tem conseguido influir de maneira decisiva na estruturação e controle das PPETR do município, ao mesmo tempo em que se constitui como uma experiência importante do ponto de vista da construção de uma prática de gestão participativa e democrática, que articula sob outras bases Estado e sociedade civil. Para proceder a essa análise, foi adotada como metodologia a realização de entrevistas semiestruturadas e grupos focais com representantes das três bancadas que compõem a CMTER, além da análise documental. A articulação desses instrumentos possibilitou traçar um panorama sobre a participação e controle sociais no âmbito da experiência da CMTER. Por outro lado, buscou-se fazer essa análise tratando-a dentro de um contexto sócio-político e econômico para entender os desafios e limites impostos a esse tipo de experiência, bem como as possibilidades para sua consolidação. A CMTER inicialmente tinha sua atuação focada no PROGER; em seguida foi redirecionada para a qualificação profissional, porém, sem poder de intervenção nessa política, pelo fato dela ser executada pelo Governo do Estado; por fim, com a municipalização das ações do SPETR ela consegue ter uma atuação efetiva na definição e acompanhamento das PPETR executadas pelo CPETR, contudo, não foi capaz de levar adiante um debate mais estratégico sobre essas políticas que, em alguma medida, estava presente no segundo momento. Ainda assim, constitui-se como espaço importante para a democratização na área das PPETR no município.
Pesquisa Concluída (2009) – nível mestrado – dissertação defendida junto ao PPGCS-UFCG | Responsável: Josilene Felix Marinho