O Yoga é uma tradição antiga, com origem na Índia, que busca harmonizar corpo, mente e espírito através de práticas variadas, incluindo posturas corporais (आसन āsanas), técnicas respiratórias (प्राणायाम prāṇāyāma) e meditação (ध्यान dhyāna). As origens académicas documentadas do Yoga situam-se principalmente nos textos védicos e especialmente nos Upaniṣads, datados aproximadamente entre 800 a 200 a.C. (Mallinson e Singleton, 2017). E mais tarde, no século II d.C., os Yoga Sūtras de Patañjali sistematizaram e estruturaram a filosofia e práticas que conhecemos hoje como Yoga (White, 2014). Apesar disso, hesiste uma certa controvercia no meio da comunidade yoguica. Pois alguns sugerem que a origem do Yoga remonta cerca de 5000 anos, baseando esta afirmação num selo arqueológico descoberto em Mohenjo-Daro, da civilização do Vale do Indo (2600-1900 a.C.), que retrata uma figura em postura semelhante a uma posição yogīca; contudo, esta interpretação não encontra consenso académico (Mallinson e Singleton, 2017). 

A redescoberta ocidental do Yoga ocorreu especialmente após o discurso do Swami Vivekananda no Parlamento Mundial das Religiões em Chicago, em 1893, evento que apresentou pela primeira vez ao Ocidente uma visão estruturada e inspiradora do Yoga e da filosofia Vedānta (Singleton, 2010). A partir desse marco histórico, o Yoga expandiu-se globalmente, adaptando-se às diversas culturas e influenciando significativamente o pensamento ocidental.

Em Portugal, a presença e influência do Yoga remontam ao início do século XX, com uma figura particularmente notável: Fernando Pessoa. Reconhecido por suas alusões frequentes à meditação e às filosofias orientais nos seus escritos, Pessoa introduziu subtilmente conceitos do Yoga e da espiritualidade indiana na cultura portuguesa (Santos, 2017). Este interesse reflete-se claramente em textos como "Mensagem" e "Livro do Desassossego", onde a meditação e a introspeção ocupam lugar central, revelando uma abertura precoce de Portugal ao diálogo cultural e filosófico com o Oriente.

Na Saṃsāra, valorizamos esta tradição profunda, sustentada pelo rigor académico e pela riqueza filosófica e cultural, oferecendo cursos que honram tanto as origens autênticas do Yoga quanto a sua evolução histórica até aos dias de hoje. Os nossos cursos são cuidadosamente desenhados para respeitar as tradições indianas, evitando a aculturação inadequada frequentemente observada devido à falta de informação e formação adequada. Reconhecemos os perigos da exploração comercial excessiva numa indústria milionária globalizada e comprometemo-nos a oferecer conteúdos fundamentados em trabalhos académicos reconhecidos mundialmente e também desenvolvidos em Portugal, honrando sempre as raízes e autenticidade do Yoga.

Referências:


Nota sobre a Transliteração do Sânscrito

O sânscrito, idioma sagrado da tradição do yoga, é originalmente escrito no alfabeto devanāgarī (em sânscrito: देवनागरी), um sistema silábico fonético e preciso, mas muito diferente do alfabeto latino usado em línguas como o português. Para tornar os termos acessíveis a leitores ocidentais sem comprometer sua pronúncia correta, foi desenvolvido um sistema de transliteração científica.

Esse sistema, conhecido como IAST (International Alphabet of Sanskrit Transliteration), surgiu no século XIX, num contexto de crescente interesse europeu pelos textos védicos e filosóficos da Índia. Filólogos, orientalistas e linguistas da época procuraram representar com precisão os sons do sânscrito usando os caracteres do alfabeto romano.

Para isso, passaram a usar diacríticos (pequenos sinais gráficos como pontos e traços) para representar sons que não existem nas línguas ocidentais. Assim, a transliteração científica permite ler com exatidão fonética as palavras sânscritas, mesmo sem conhecer o devanāgarī.

Exemplos:
- Ā (com traço) indica uma vogal longa: a (curto) como em dharma, ā (longo) como em māyā
- , , , (com ponto abaixo) representam consoantes retroflexas, pronunciadas com a língua enrolada para trás.
- Ś e indicam dois sons diferentes de “sh”: śiva e puruṣa
- representa uma vogal "r" vibrante, como em ṛṣi

Esse cuidado com a pronúncia preserva a sonoridade sagrada dos mantras, a clareza conceitual dos textos filosóficos e o respeito pela oralidade tradicional da cultura indiana.

Nota sobre a grafia “Yoga” e não “Ioga/Iôga”

Em todos os cursos da Saṃsāra Yoga Online, optamos por manter a grafia “Yoga” com “y”, tal como aparece na transliteração internacional e na escrita original em sânscrito (योग).

Embora o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 recomende a adaptação de palavras estrangeiras para formas aportuguesadas — neste caso, transformando “yoga” em “ioga” —, essa norma não leva em consideração a profunda ligação cultural, fonética e espiritual que o termo original carrega.

A palavra yoga vem da raiz sânscrita yuj, que significa “unir” ou “integrar”. Sua pronúncia tradicional não corresponde ao som do “i” português, e o “y” transliterado tem o valor de uma consoante palatal. Alterar sua grafia para “ioga” pode gerar confusão fonética e distanciamento da sua etimologia e contexto espiritual.

Ao preservar a forma original “Yoga”, mantemos uma conexão respeitosa com a tradição milenar da Índia, com a literatura clássica e com os sistemas internacionais de estudo e prática do yoga.

Assim, "Yoga" não é apenas uma palavra — é um símbolo de uma linhagem viva, profunda e sagrada.