Minha hipótese é que obras contemporâneas de pessoas LGBTQIAPN+ problematizam novas formas de ser/estar no mundo ao deslocarem sentidos e significados sociais previamente estabelecidos de determinados afetos. Dito de outra forma, quero pensar como a literatura produzida por sujeitos dissidentes tematiza estruturas de sentimentos emergentes a partir de sua desarticulação de modelos de representação e representatividade no sistema neoliberal contemporâneo, aqui compreendidas como culturas dominantes e residuais. Isso significa criticar, por exemplo, como autorias minoritárias têm produzido obras que se acomodam às culturas dominantes e as elogiam mesmo nos seus exercícios de contestação. Minha intenção é investigar obras que realizam o movimento contrário: materiais que reconhecem esse sistema de representatividade como perigoso quando não leva em consideração as formações sócio-históricas de seus conteúdos e formas.
Palavras-chave: Estudos queer; Estudos Culturais; Materialismo cultural; Sociologia das Emoções; Affect studies
Este projeto busca abarcar não só teorizações tradicionais dos campos dos estudos gays e lésbicos, mas também questionamentos contemporâneos caros aos estudos queer. Propõe-se aqui, portanto, pensar os estudos literários em relação aos estudos culturais, destacando relações não só já canônicas, mas também instáveis indagações teórico-críticas ainda carentes de espaços em nossa instituição, e aos mais variados sistemas semióticos como fotografia, cinema, pinturas, teatro etc. Dessa forma, são aceitas e incentivadas pesquisas que discutam as relações entre literatura e temas como o sistema sexo-gênero (RUBIN, 2017; BUTLER, 2015), heteronormatividade/homonormatividade (WARNER, 1993; DUGGAN, 2004), processos de identidade/identificação/desidentificação (HALL, 2006; MUÑOZ, 1999), (des)territorializações dos estudos queer no Brasil e no mundo (BENTO, 2017; MISKOLCI, 2016; PELUCIO, 2014a, 2014b; LOVE, 2009), transexualidades (BENTO, 2017), interseções entre afeto, raça, classe, gênero e sexualidade (NASH, 2019; BERLANT, 2011) e outros. Além disso, são também bem-vindas pesquisas que aproximam literaturas e outros sistemas como fotografia (GOPINATH, 2018; HALBERSTAM, 2005), instalações artísticas (FLEISCHMANN, 2019), pinturas e artes plásticas (MUÑOZ, 1999; OLIVEIRA, 1993), produções animadas (HALBERSTAM, 2020), filmes (AHMED, 2010), performances artísticas (MUÑOZ, 1999) entre outras expressões artísticas, especialmente ao teorizarem os temas previamente citados.
Palavras-chave: Estudos queer; Estudos Literários; Literaturas e outros sistemas semióticas; Estudos comparatistas
Sendo uma corrente crítica que tem encontrado espaço em ambientes acadêmicos dentro e fora do país, faz-se essencial questionar quais contribuições a teoria queer traz ao campo dos estudos literários em tempos tão conflituosos como os atuais. Herdeira de perspectivas pós-estruturalistas e pós-modernas, a teoria queer questiona como uma matriz heterossexual se construiu e como esta regula importantes construções sociais como identidades, sexualidades e gênero. Buscando subverter a ordem, não em busca de um novo centro, mas sim demonstrando que uma margem silenciada é também produtora de epistemologias, a teoria queer oferece suporte teórico ao questionar noções compreendidas como sólidas e fixas dentro dos estudos culturais. Ao aproximá-la dos estudos literários, em especial as literaturas de língua inglesa, é possível notar um rico lócus investigativo sobre questões historiográficas e teóricas assim como indagações literárias de obras com fins desconstrutivos. Esta proposta tem como objetivo aproximar a teoria queer dos estudos literários e oferecer possíveis eixos interpretativos para análises literárias, evidenciando uma crescente preocupação com sujeitos descritos como “sexualidade periféricas” por Foucault em A História da Sexualidade.
Palavras-chave: Teoria queer; Estudos Literários; Literaturas de Língua Inglesa; Identidades; Sexualidades